A Familiar Heart 	(Um corao Familiar)
by Mish

NC-17
MSR, AU, 
Disclaimer: No so meus. Eu duvido que alguem ache que este Mulder e esta
Scully pertena a 1013 tambm. 

Resumo: Aqui est minha obsesso com fics Universo Alternativo, onde Mulder
e Scully no so agentes do FBI, e quase sempre esto no passado. Eu sei que
nao  a preferencia de todo mundo, ento nao leia se vc nao gosta deste tipo
de histria. E eu tambm tenho uma preferencia enorme sobre Scully virgem,
neve, e bailes, preferencialmente em casamentos. Agora voc est vendo
para onde eu estou indo com isso?

http://www.geocities.com/mish_rose/Mishsite/Heart.html

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A Familiar Heart
Captulo Um

Los Banos Acampamento de Prisioneiros
Filipinas
23 de fevereiro de 1945

Anjos caam do cu no amanhecer amarelo, ondulando suas
asas brancas e sedosas como flocos de neve. Mesmo contra
as advertncia guturais dos presos da mesma categoria que
ela, ela correu para o campo, vendo, fascinada, enquanto os
pontos brancos ficavam maiores. Era lindo demais. Silenciosos
e etreos, eles acenavam pra ela. Chegue mais perto, eles
diziam. E ela fez isso, em pernas magras, finas como varas.

"Pare," a voz atrs dela respirou, covardemente
permanecendo atrs da porta rachada da cabana. 
"Scully! O buraco - voc quer voltar pra l?"

Ela nao deu ouvidos para isso, encantada com os anjos
que flutuavam para o chao, em pequenos ciclones de p.
Nem mesmo a ameaa do buraco poderia parar o avano dela.

De repente, o ar ficou violento com som e
movimento.  O grito dos guardas acordou o resto do
acampamento, e o grito dos presos se misturou com
o chocalho do fogo de artilharia.

Caos encheu as narinas dela, o cheiro picante de morteiro
e panico forando suas pernas tremulas a se moverem. 
V para a cerca - nao, v para a segurana da enfermaria.
Os japoneses nao ousariam castigar um prisioneiro doente,
no ?

Bem, eles tinham ido embora h uma ou duas semanas, 
deixando apenas dois homens na administrao, e um
jovem guarda. Mas eles voltavam sem aviso, nao dizendo
nada, apenas olhando para os prisioneiros com dio.
O orgulho dela, seu desafio claro, a fez ir de novo
para o buraco, enquanto os outros escorregavam para
dentro das cabanas. 

Mas ela ficou firme, pois tinha certeza de que os Aliados
viriam salva-los. Mas agora, ela nao tinha tanta certeza.
Ser que eles voltariam apenas para ter certeza de que
s havia sobrado cinzas e corpos carbonizados? Para soltar
os prisioneiros?

Os rumores que a invaso aliada era iminente voou pelo ar.
Os sons de bombardeios tinham enchido o ar ao norte. Sussurros
entre os prisioneiros mostravam contos sobre a liberao
em Manila, com a liberdade deles apenas do outro lado da
colina.

Mas ela estava aqui h muito tempo. E por isso, nao deu 
crdito a isso. Nao. Ninguem viria ajuda-los. Eles seriam
simplesmente esquecidos, como uma criana que joga um brinquedo
velho fora.

O Exrcito japons no tinha mais uso para eles tambm. E eles
nao hesitariam em esconder as mulheres, se isso significasse
esconder o tratamento delas nos ultimos meses. Ela soube
de um massacre na aldeia a sessenta quilometros deste
acampamento, s por capricho de um dos oficiais japoneses.
A luz da liberdade era escura, e o horror da vingana dos
oficiais japoneses era real demais.

Ela se lembrou de seu pai, de sua me, e quando os
viu por ultimo - seus irmaos, orgulhosos no uniforme azul da
marinha... Deus, Melisa estava gravida no outono de 41...
tudo isso a fez ficar mais decidida. A cerca, ou a morte.

O corpo fraco dela tropeou vrias vezes, at que ela
caiu no chao. Rastejando, ela se recusou a se render, mas
a cerca, agora, era nada mais alm de algo embaado.
As faces risonhas dos guardas do acampamento vieram pra
ela. Ishimaru, o guarda com a perna torta, tomava conta
das enfermeiras, declarando que era desonroso viola-las.

E Zama. O mdico desumano que usava os soldados inimigos,
e at mesmo os proprios japoneses, em experiencias que seu
governo desconhecia. Ela e os outros tremiam em horror quando
ouviam os gritos que vinham a cada noite na cabana proibida
na parte de trs do acampamento.

Eles sabiam o que acontecia l, mas nao podiam fazer nada
para ajuda-los.  Ninguem se metia entre Zama e o que ele
fazia. E com certeza as enfermeiras brancas estavam nesse
meio. Embora o sangue delas estivesse estragado pelos
ideais capitalistas, a notoriedade para mulheres cativas
era demais para se arriscarem. Genebra sabia da existencia
das enfermeiras, e conhecia todas pelos nomes. Era melhor
elas serem mantidas vivas, e em boa sade. 

Mas isso nao impediu os japoneses de coloca-la no buraco.
E o buraco nao a impediu de tentar contrariar os planos
de Zama a cada oportunidade que ela tinha.

Mas agora, com a face pedregosa de Zama rindo da misria
dela, desesperada para fugir, ela percebeu que, ruim ou
nao, seu sangue capitalista iria manchar a grama seca
que estav embaixo do vestido que ela usava. As armas
estavam se aproximando, nao importava a quem elas pertenciam.

Zama riu, o cabelo cinza, o risosdico, como uma caricatura
de um horrvel palhao.  Medo entupiu a garganta dela.
Quando criana, ela tinha medo de palhaos. Mscaras e perucas,
pintados ou nao, escondiam monstros. Quanto mais Zama ria,
mais medo entrava nas veias dela. Com uma fora vindo de
terror absoluto, ela tentou ficar de p, nao ligando para
as balas que iam e vinham sobre a cabea dela.

"Baixa! Baixa!"

O grito chegou a ela num idioma que ela nao ouvia h mais
de dois anos - podia ser? Alm de fumaa, fogos de artilharias,
havia o cheiro de casa. Ela cambaleou  abertura no arame
da cerca, que parecia ter sido aberto com um punho de ferro.

Veculos blindados, gotejando com gua, fluiram de fora
do lago. Soldados saram de dentro, se espalhando como 
formigas no jardim, suas roupas escuras e indistinguiveis
como amigos ou inimigos. A viso fez ela parar, e ela se
ajoelhou para o que achava nao ser a liberdade.

Os portes do inferno tinha sido abertos, libertando os
demonios nipnicos, e ela se agachou, clamando, levando as
maos para a cabea coberta com um pano velho.

Deus, ela no podia voltar para o buraco. Sua coragem
desapareceu quando lembrou da quase sufocao que o buraco
negro lhe dava.

"No..." veio o idioma da submisso, aprendido depois que
os mestres severos fizeram o possvel para apagar
todo rastro de ingls dos lbios dela.
"Teiryuu! Douzo!"

Uma mo enegrecida com fuligem e plvora apareceu diante
dela, e ela ofegou ao senti-la sobre o ombro. "Levante-se!
Anda!" a voz presa quela enorme pata latiu, e ela lhe
permitiu levanta-la, elevando a cabea para olhar para a
face do diabo.

Os olhos dele estavam cobertos pelo capacete de combate, e
seu rosto estava listrado com tinta preta, a boca aberta, 
mostrando dentes brancos. Ele parecia estar rosnando pra
ela, a mscara grotesca a coisa mais amedrontadora que ela
nunca viu em toda sua vida.

"Iie! Iie!" No, no, ela chorou, certo de que
este palhao iria mata-la ali mesmo.

"Vamos l, droga!" ele puxou o brao dela, o rifle pronto
para atirar, os olhos vermelhos com bravo propsito.

Ela ouviu o fogo de artilharia atrs dela, e ela se torceu na
algema da mao dele, baixos argumentos sangrando dos lbios dela.
Mas ele ficou firme, puxando-a para a cerca.

"Moa, ns estamos aqui para te salvar! Cala a boca e pare
de lutar contra mim!"

Numa mente to acostumada para ouvir os piparotes stacatos
do idioma japons, o sotaque baixo e ianque dele demorou
para penetrar em sua mente. Mas entrou, e ela se acalmou,
abrindo os olhos finalmente para olhar no rosto horroroso.

Era como se o sol tivesse penetrado na escura existencia
dela, tirando-a de sua priso. O rosto dele estava
definido debaixo da pintura de guerra, o queixo forte e o nariz
grande. E aqueles olhos... ela pensou que fossem pretos, mas
nao eram. Verdes? Castanhos claros?

Um flash de azul pegou o olho dela, somando o pedao final do
quebra-cabea. Na manga da camisa camuflada, o numero 11 estava
gravado em letras brancas, e com asas. Ele era um anjo,
afinal de contas. Enviado do cu num balo de seda branca, 
para leva-la para casa.

Lgrimas nubladas de alvio obscureceram a viso dela e ela
caiu, certa de que estava segura, pelo menos pelo
sorriso daquela boca. "Olhos azuis..." ele declarou, piscando
enquanto baixava a voz para um ronronar. "E sobre os Yankees?"

Beisebol, me, torta de ma... ela viu tudo dentro do
sorriso fcil dele, sutil, como se ele nunca a deixaria ir.
Ela sentiu o sorriso esticando as bochechas dela, queimadas, pelo
sol, pela primeira vez depois de muito tempo. O sorriso dele
ficou malicioso, brincalho, mesmo com a situao que os
rodeava. "No me diga - voc  f dos Dodgers. Tem que ser
destino."

Ela queria falar pra ele que ela adorava beisebol,
e sim, 'Dodgers' era o seu time favorito. Ela queria 
beija-lo no rosto, e passar os braos ao redor dele, e deixa-lo
leva-la de volta para a terra dos EUA e cheirar a bola com couro
de cavalo e a sensao do taco liso...

Uma voz do outro lado da jarda quebrou a neblina que
os cercava. "Dois deles!!! Atrs! Atrs! Baixa!"

O tiroteio que tinha morrido momentaneamente comeou
de novo, desta vez por trs e ao lado esquerdo dela.
Ping, ping - ento baques estpidos, como uma seta
que bate num fardo de feno. Thomp. Ping. Thomp.

"Baixe, baixe, baixe!" as vozes gritaram, seguidas por
um "abaixa, capito!"

A face sorridente diante dela gelou por um segundo, ento 
ele se dobrou sobre ela, protegendo-a de qualquer dano.
Uma dor ardente atingiu a clavicula de Dana, seguido por um
*thump* abafado. A mao que ela segurava apertou, entao ficou
frouxa, e ele comeou a cair.

"Droga," ele disse com descrena, o rifle dele caindo no
chao, levantando p e folhas.

"No," ela sussurrou, tentando segura-lo. Mas ele caiu sobre ela
enquanto outro homem caa de uma rvore. Ela foi com ele, nao
conseguindo aguentar seu peso. "No!"

Uma linha escarlate comeou a crescer no trax dele, e ela
fechou o medo que sentia, tentando cobrir a ferida, lutando o
tempo todo para se lembrar das de conforto - em ingls.

"Calma" ela conseguiu falar, a outra mo tirando o lenol
que cobria a cabea tosquiada dela. "Deite". Colocando o pano
sujo sobre o buraco no peito dele, ela cobriu com o sangue dele as
proprias bochechas, enquanto tentava seca-las.

Ele falou uma ultima palavra, maravilhado, enquanto varria os
olhos sobre o cabelo luminoso, mas dolorosamente curto. "Vermelho."

Todo o mundo agora era vermelho, ela pensou. Seus olhos sanguinolentos
se fecharam, e suas maos flutuaram no mar do sangue dele. Ela
tentou se soltar das maos que tentavam puxa-la pelos ombros. 
"No!"

"Moa, solta ele."

"No!"

"Solta ele, moa. O mdico est aqui."

As palavras finalmente fizeram sentido, e ela percebeu
que tudo estava quieto. Os americanos tinham o controle
do acampamentos. As armas deles estavam quietas, a nao ser alguns
ultimos tiros ao longe. Era hora de ir. Com um ultimo
olhar ao homem a seus ps, ela soltou-o, deixando o mdico
cuidar dele. Ela sabia que a ferida era mortal. Ela cuidou
de muitas pessoas nestas condies para reconhecer algo
assim. Seu heri, seu salvador, estava morto.

Um aguaceiro de soldados a cercou, as armas prontas
para qualquer tipo de ameaa, e o que a puxou falou, em
tons baixos. "Moa? Voc pode me dizer que  voc?
Moa?"

Ela observou os mdicos colocarem ele sobre uma maca. Enquanto eles
corriam para um caminhao que esperava alm da cerca, ela encontrou
a voz para falar. Uma voz normal, americana.

"Scully".

Foi tudo que ela conseguiu tirar do caroo de tristeza
que se formou em sua garganta. Mas o soldado, obviamente
bem treinado em seu objetivo, sorriu, somando seu pormenor.

"Tenente Dana Scully, do Corpo de Enfermeiras da Marinha
dos US" Ele estalou a mao pra cima, saudando. "Sgto. 
John Franklin, 11 Diviso Aerea-terrestre. Temos um
Amtrac esperando por voc, senhora. Ns temos que correr."
ele ofereceu uma mao forte e fixa, e ela aceitou, andando
ao lado dele para o veiculo anfibio que tinha cruzado o lago alm
da cerca.

Ela olhou para trs apenas uma vez, vendo o caminhao que levava o heroi
dela, morto, desaparecer no sol esfumaado. Uma inundao frescas 
de lagrimas atropelou seus olhos. Ela abaixou a cabea, nao 
querendo que o sargente a visse chorando. Felizmente, ele nao
disse nada, enquanto o veiculo comeava a se mover.

Casa.  Ela ia para casa.


Fim do captulo Um

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A FAMILIAR HEART
CAPITULO DOIS

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Limites da cidade de Salt Lake City, Utah
22 de dezembro de 1945

A neve ia atrasar a chegada dela em Virginia, e
ela sabia disso. Sua mae iria ficar furiosa, mas nao
em publico. No no natal - se ela conseguisse chegar na
missa da meia noite, as coisas iam andar normalmente,
com o pai dele bebendo silenciosamente, com os olhares
de censura da me. 

Era normal ela passar o feriado com eles. Mas esta
viagem era duplamente necessria, apesar de que
tudo que ela queria fazer era deixar os feriados passarem
sem festejos. As npcias do ano novo exigiam que ela
passasse a semana na casa de seus pais, com as preparaes
finais ocupando a maior parte de seu tempo.

Mas graas a Deus que eles poderiam falar do casamento,
ao invs de diferenas pessoais. Falar sobre a lista
de convidados, e ajustes de ultima hora, como a msica
e o vestido, deixavam pouco espao para conversar sobre
outras coisas.

Ela gostava de ficar com a famlia, mas antes. Antes do
tempo que ela no era obrigada a comer restos de arroz
comidos por ratos, antes dela cortar todo o cabelo
s para no pegar piolhos. Antes que ela acordasse
toda noite por causa de um pesadelo, que terminava com
o sacrifcio de um anjo.

Do lado de fora da janela, ela viu as nuvens pesadas,
arregalando os olhos, piscando rapidamente para impedir
que as lagrimas crescessem. Nao adianta pensar nele -
em seu salvador. Mas este pensamento continuava
grudada nestes dias, quase um ano depois.

Ela viu muitas mortes durante os tres anos em que ficou
presa, primeiro em Saint Tomas, e ento em Los Banos.
Muitos morreram em suas maos, no hospital; na verdade, 
devido s horriveis condies de sade, a maioria deles
foi para um lugar melhor, e disso ela tinha certeza.
Por que entao a morte dele a fazia se sentir como se
o mundo tivesse sido puxado de debaixo de seus ps?

Porque no era para ele ter morrido. Se ela tivesse sido
mais alerta, acreditado que aquele salvamento era
possvel, ento ela teria cessado sua luta,
e ele ainda poderia estar vivo. Ela ouviu falar de duas
mortes nas tropas aliadas, durante a Guerra nas Filipinas,
e ela sabia que ele foi um deles.

MacArthur tinha elogiado a operao como uma das
mais perfeitas onde os paraquedistas e a infantaria
anfbia foram usados - um modelo que seria estudado
por cadetes militares durante as prximas dcadas.
Era incrvel que eles soltaram mais de dois mil
prisioneiros com perdas to pequenas.

E se ela no tivesse sido to covarde, to tmida,
falando japons, ele no teria sido o azarado numero
dois. Com um suspiro, ela tocou o vidro gelado, 
esfregando a nuvem embaada. No adiantava
pensar nisso. Pragmtica, como seu pai, ela continuou
depois da guerra. 

E assim como ele, ela abraou a vida na marinha depois
do seu retorno do Ultramar. A vida rgida nos confins 
do exercito  serviu aos propsitos dela. 
Sua me achava que o exercito era um meio para um fim:
achar um marido e criar uma famlia debaixo da proteo
do governo dos EUA. Homens como Bill Scully tinham
permisso para criar seus filhos dentro desta carreira,
mas no suas filhas.

Mas Dana descobriu, durante seu tempo em Los Banos,
que havia mais sobre a vida do que esperar o homem
certo aparecer. A medicina ainda tinha aquele mistrio,
e ela aceitou um posto no hospital Knoll
em Sao Francisco, tratando de pacientes que foram
prisioneiros de guerra, como ela.

Ela achou que lidar com as recuperaes traumticas deles
a ajudariam a aliviar suas prprias ansiedade sobre voltar
ao estado normal. H poucos meses os mdicos reconheceram a
habilidade para aplicar mtodos mais eficientes
para negociar com estes pacientes. Usando sua vasta e
traumtica experincia em trauma e triagem, ela foi
encarregada de ensinar os mais jovens, que estavam
ansiosos em aprender.

No que ela fosse to velha assim. Mas com vinte e sete anos,
ela era considerada uma solteirona por seus colegas. E
as experiencias que viveu acrescentaram alguns anos sobre ela.
Mesmo assim, ela nunca teve tempo para andar por outros
caminhos... o caminho do amor. Sada da faculdade, ela
foi direto para o trabalho. Depois de apenas alguns meses,
ela foi nomeada para o Pacifico. Em semanas, ela foi
capturada junto com a maior parte da Unidade de Enfermeiras
do Exercito, vivendo debaixo da sombra do Sol Vermelho.

Ir pra casa, para este casamento, trouxe de volta a vacuidade
que ela sentia. Dana teria que sorrir e dizer para todo
mundo que ela estava bem, quando ela no estava. Pela
primeira vez, ela se sentia perdida. Sua vida no era para
ser assim, de acordo com sua me. Ela devia estar
casada at agora, com um militar, claro. Um heri,
como o que a protegeu em Los Banos. E ela estava
comeando a querer saber se sua me talvez estivesse
certa... devia haver mais vida do que no trabalho,
mesmo fosse um trabalho desafiador.

Ela deu um suspiro triste. No estava sendo justa
consigo mesmo, nem para os homens que
lhe ofereceram companhia desde que ela voltou
para os Estados Unidos, em junho. Homens bonitos,
capazes, que mostravam herosmo... homens que 
s queriam se estabelecer e criar uma famlia.

No era justo compara-los com um homem morto.
Ela estava se sentindo ridcula: ela o viu pelo que -
um minuto ou dois? E, de repente, ele era o eptome de
seus sonhos? 

O beribri seco que ela pegou naquele acampamento devia
ter entorpecido seu crebro. Ela estava saudvel agora,
e era hora de apartar estes sonhos. Depois do casamento
de Charlie, ela voltaria para So Francisco, aceitaria
o primeiro convite de jantar que recebesse, e comearia
a viver de novo.

A neve ficou mais forte, e ela teve que reduzir a velocidade
para o mnimo, xingando ao perceber o quanto foi
inconseqente pensar na viagem no ltimo minuto.  
No havia vos para lugar nenhum, principalmente por
causa dos soldados que estavam voltando para suas casas,
para os feriados. 

Ento ela pediu uns dias extras e saiu de carro. Na ocasio,
parecia uma boa idia - ela poderia sobreviver a uma
pequena viagem no campo, certo? Mesmo no inverno.
Eles mantinham as estradas principais abertas, e ela colocou
as correntes de neve nos pneus antes de chegar
a Salt Lake, e tinha ido bem at agora.

Mas estava escurecendo, e ela sabia que teria
que parar logo. De acordo com seu mapa, havia uma
cidade dez milhas  frente. Piedmont. Ela conseguiria
chegar at l.

Ou no.  Um tremor sbito balanou seu carro, e ela
lutou para controla-lo, mas nao adiantou. Um som 
alto foi ouvido, e ela deslizou, parando meio fora
da estrada, o vento chicoteando seu cabelo na abertura
da janela.

At ela acordar, sua cabea estava sobre o volante,
e cheiro de sangue encheu suas narinas. Isso para no
mencionar a enorme dor de cabea que a fez gemer quando
se moveu. Rapidamente ela se avaliou, feliz por mover
braos e pernas. O aranho na testa estava ruim,
mas no era grave. Depois de apertar um leno contra
a testa, durante um minuto, o sangue parou de correr.

Mas que maravilha... Dana desligou o motor
e tentou ver onde estava, mas as janelas estavam
cobertas de gelo. Parecia que ela estava no nvel
do cho, mas nada pra saber. Ela abotoou o casaco,
e abriu a porta. Um p, ento dois, e ela ficou de
p ao lado do carro, indo para o porta-malas, onde
ela pegou sua lanterna.

Quando viu onde estava, ela xingou. Mal dava pra ver
a estrada. O carro tinha um pneu arriado.  E estava
meio de lado, como se dentro de uma vala. Ao ouvir
o som da gua, ela sabia que nao era uma vala comum.

Ela agradeceu sua estrela da sorte por no ter rolado
pra dentro do rio, no escuro. Virando a lanterna para
o pneu, ela viu que era apenas um pequeno furo, e
que dava pra consertar facilmente.  Mas o ngulo do carro 
dificultava as coisas; o carro teria que ser rebocado
dali. E estava frio demais. 

Tremendo, ela decidiu ir para a cidade mais prxima.
Agarrando sua bolsa, ela foi pela estrada, 
puxando o bon de tric e apertando o leno, abafando
o desejo para tira-lo pra fora da cabea.

Sua viagem foi mais difcil que pensou. Pedras estavam debaixo
d neve, e ela no andou mais do que alguns metros
quando o tornozelo direito falseou e ela caiu como
uma pedra, de cara no cho. Ela fez careta ao sentir
a dor. Talvez se um veiculo passasse, ela poderia sinalizar.
A situao no era desesperadora, mas ela queria chorar
mesmo assim.

No, ela no se renderia. Ela rastejaria, se fosse
necessrio. Ela sobreviveu passando por coisa muito
pior.

Depois de alguns tortuosos minutos, ela conseguiu
chegar na estrada. Nenhum carro  vista. Ao perceber
isso, ela comeou a ficar desesperada, mas parou com
isso. Ela no era filha de seu pai por nada. Ela era
um Scully, que podia passar por tudo e todos.

Ela zumbiu uma msica enquanto comeava a andar,
movendo a cabea ao som da msica imaginaria. No
demorou e suas mos, mesmo com luvas, estavam
sentindo o frio. Continue andando, ela se ordenou.
No se renda.

Mas ela comeou  tremer, se preocupar ainda mais, e
ficou com medo. Embora houvessem apenas algumas
milhas que a separavam do calor e segurana, ela sabia
que hipotermia era uma possibilidade bem real. 

Ela precisava se aquecer, e rapidamente. Agora, ao invs de
manter a lanterna pra frente, ela varria a luz pelas
arvores, esperando ver algum sinal de habitao.
Com ou sem gente, no importava. Ela tinha que fugir
do frio da noite. Amanh ela teria tempo para tentar
andar pelo resto do caminho.

Uma luz escassa perfurou a escurido, direto pra
ela. Ela parou, tremendo ao sentir o peso no
tornozelo. Era uma cabana, no topo de uma
colina, e uma linha de fumaa saa por sua
chamin, e no crepsculo, ela podia ver as luzes nas
janelas. Se estivesse dentro das rvores, ela no
teria visto.

Devia ter alguma estrada de acesso at ali.
Dando mais alguns passos mancos, ela achou o
caminho entre as rvores. As pedrinhas cobertas
pela neve mastigaram debaixo de suas botas, e ela sabia
que estava no caminho certo. 

A estrada estava lisa. Algum morava ali, e deve
ter tido um trabalho e tanto para manter a estrada livre. 
Claro que, depois, ela quis saber por que a cabana
estava to longe assim - parecia estar to perto l
da estrada...

O que parecia acessvel mostrou estar bem isolado. Ela
cruzou uma ponte de madeira, parando para olhar a
gua embaixo, tremendo ao pensar como chegou perto de
tomar um banho frio l na estrada.

Quase l, quase l. Ela estava comeando a se sentir
tonta, enquanto marchava para a porta da frente.
Ela usou o ultimo pedao de fora para poder bater na
porta. O punho dela soou muito fraco para suas prprias
orelhas, e ela quis saber se algum l dentro pudesse
ouvi-la.

"Al-!" Maldio, mesmo a voz dela estava fraca. 
"Eu preciso de ajuda!"

Sem resposta. Ser que tinha algum em casa? Ela espiou e fiu um
jipe do lado de fora, e decidiu que esta pessoa aqui
era bem anti-social. De novo ela bateu, usando a ultima
de suas foras para bater com os dois punhos.

"Me ajuda!" ela chorou, e ento balanou quando uma
onda de calor esquentou seu rosto.

A forma alta apareceu, mostrando sua silhueta, e
no parecia muito feliz, o que foi rapidamente confirmado
por seu rosnar: "Esta  uma propriedade particular. V embora."
O rifle na mo dele s pontuou o seu desgosto 
ao v-la em sua porta.

Mas ela no tinha outro lugar para ir. Engolindo, ela tentou
explicar. "Meu - meu carro.  O pneu furou. No fim
da estrada. Eu posso-"

"No".

"P-por favor," ela gaguejou, os dentes tremendo com
frio.  "Eu posso - eu posso pagar."

"J disse que no".

A porta comeou a se fechar, e ela esticou um brao,
se sentindo fraca. Claro que ela estava a ponto de se
fazer de boba ao desmaies, mas no caiu, devido a um
par de braos fortes. Ela fechou os olhos ao sentir o 
calor dele, e o ouviu murmurando. "Maldita mulher."

Erguendo as plpebras congeladas, ela viu o rosto dele
bem perto do dela, a mandbula apertada com raiva. 
Ela sentiu um formigamento, um reconhecimento, e ofegou.
As mas altas do rosto, a boca cheia, a barba por
fazer... mas o principal eram os olhos. Ela nunca
se esqueceria desses olhos.

Ela sabia que ele poderia pensar que ela era
uma doente mental, fugitiva, mas ela disse isso mesmo
assim, forando um sorriso tremulo.

"E sobre os Yankees?"

Ele franziu as sobrancelhas: esta foi a ultima coisa
que ela viu antes de ceder ao prprio esgotamento.

Fim da parte 2

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A FAMILIAR HEART
Captulo Trs

Fox Mulder encarou a mulher inconsciente em seus braos.
Deus, com certeza, o estava reembolsando por todas as
mentiras e truques que ele fez durante os ltimos
quatro anos. Ele pensou que j tinha sofrido o suficiente
desde fevereiro, mas agora ele sabia que seu inferno
pessoal ainda no tinha terminado. Tudo que ele
queria era ficar sozinho. E agora, ele tinha uma
chance.

A cabana de caa de seu av parecia o local perfeito
para se ficar durante uma semana ou algo assim, at
ele voltar ao trabalho. Ningum vinha pra c. Com certeza
era distante o suficiente da estrada, e os sinais de
'aviso' assustavam qualquer transgressor que porventura
quisesse se aventurar at l.

Mas no esta mulher.  Uma pequena voz em sua mente dizia
que ela talvez no tivesse visto os sinais. Poderia ser
um engano honesto. Mas, ento, pensando melhor,
ela poderia estar aqui para um propsito mais
abominvel. Ele fez muitos inimigos durante os anos,
e haviam pessoas que adorariam cortar as bolas dele -
incluindo mulheres.

Mas ela no lhe era familiar. Claro que os homens
com quem ele negociou durante a guerra tinham vrias
maneiras de se aproximar de um adversrio - e a mais
bsica delas era usar uma mulher para distrair e enganar.

'E sobre os Yankees?' com certeza. Que melhor
maneira para assegurar a presa mostrando um patriotismo,
ao falar de beisebol? Diabos, ele apostaria qualquer coisa
para dizer que debaixo daquele bon de tric havia cabelo
tingido... com razes pretas. 

Ele no conseguiu ver a cor do olho dela muito bem, mas ele
conheceu estrangeiros com olhos claros antes, e que falavam
um ingls perfeito. A guerra fez muitos alunos durante
seus estudos nos EUA. Todos eles conheciam muito bem
o idioma e a alfndega. Bem o suficiente para passar
por l como espies.

No ajudou nada saber que ele estava sendo caado antes
de sair h alguns dias. 'Ns sabemos que  Chang', Skinner
disse depressa. 'Ns estamos atrs dele, e devemos neutraliza-lo
logo. Tire uns dias de frias, se esconda. At voc
chegar na Costa Oriental, ns vamos ter Chang atrs das grades.'

Mulder ficou furioso, principalmente pelas ordens para
se esconder. Mas ele sabia o quanto era valioso para seus
superiores, que no queriam se arriscar e te-lo 
morto por uma faca por um inimigo no visto, e que muitos
pensavam estar derrotado. 

Mas ele deveria saber que suas aes em Hong Kong valeriam
uma vingana. Especialmente quando, depois de conseguir
se resgatar e voltar pra casa, ele conseguiu cortar o
comrcio de pio de Chang num golpe rpido e severo.
Depois de lidar com a cobra por mais de cinco anos - foi
muito bom assistir os navios de Chang queimarem nas
chamas, vendo o pio sumir como fumaa. No outro dia,
ele pegou um transporte pra casa, mandando um telegram
para Skinner, dizendo que a 'Lua da China' tinha fechado
sua loja para sempre.

Movendo a mulher morta para mundo em seus braos, ele
hesitou em deixar o rifle cair, e ento se lembrou
da faca em sua bota, e a pistola em seu cinto, debaixo
de sua camisa de flanela. Ele tinha que fazer 'alguma coisa'
com ela; no podia ficar de p, na porta, a noite toda.

Apoiando o rifle contra a parede, ele chutou a
porta e ergueu a mulher em seus braos. Mesmo coberta
da cabea aos ps numa roupa de inverno, ela no
pesava quase nada. E quando ele a apertou nos braos,
Mulder podia sentir os tremores de uma possvel hipotermia
assaltando o corpo pequeno.

Os lbios dela se moveram com palavras inconscientes, 
sussurradas. Inclinando-se para mais perto, ele deixou a
respirao dela coar em sua orelha, e endureceu ao ouvir
as palavras macias que ela sussurrou - palavras que
no eram americanas.

Eram japonesas. Quase no dava pra ouvir, mas com certeza,
eram japonesas. Ficando imediatamente em guarda,
ele a segurou com fora, enquanto pensava no que ia fazer.
Qual a probabilidade de que uma mulher apareceria aqui,
com um propsito inocente? No era muito provvel,
especialmente considerando a evidencia do domnio
dela na lngua asitica. 

Ela estava aqui para mata-lo, ele tinha certeza disso. Mas
maldio - ela parecia a pequena Bete Boop, com a pele
branca, e os olhos azuis. Contra sua vontade, ele
a apertou de novo em seus braos, reagindo ao corpo macio
dela. Ela no pesava quase nada mesmo - toda leve e felpuda.

Mulder queria enterrar o nariz contra a bochecha rosa
e inalar seu perfume. A atrao sexual foi imediata e
intensa. Depois de todos aqueles anos debaixo do olho
alerta de Chang, ele viu muitas prostitutas agindo
como iscas para os homens da conspirao, e desde que
voltou pra casa, ele ficou meio de lado em relao a
isso. Mulder tinha certeza de que poderia estar enterrado
nela numa questo de minutos.

Ele fechou os olhos, jogando a luxria para uma parte
escura de seu crebro. No. Ele tinha que ficar em guarda.
Ele se virou, carregando-a para a cama do outro lado do
cmodo.

Assassina ou no, ela no estava em condies de
tentar qualquer ataque neste momento. Ele tinha tempo
para avaliar a situao. Mas antes, ele precisava
acorda-la - ele queria respostas antes que San Diego 
entrasse em contato. Ento, ele poderia - com muita
boa vontade, amarra-la e acabar de vez com a ameaa
de Chang, ao usa-la como isca.

Colocando-a em seu enorme colcho de penas, ele
comeou a tirar a roupa da mulher. O casaco e o leno
foram primeiro, e ento as botas. Ele lutou com uma
das botas, e ela gemeu um pouco, fazendo-o parar. 

Olhando pra cima e vendo seu rosto ainda dormente,
ele decidiu que ela no ia acordar, e deu um puxo
forte na bota, que ele jogou no cho. Depressa, ele
imaginou que a cala tinha que ser retirada tambm:
ela estava encharcada at o joelho. O suter estava
seco, um fato que ele notou enquanto brincava com os
braos dela, demorando um pouco na abundancia macia
dos seios. 

Se batendo mentalmente por seu lapso, ele empurrou o
suter verde pra cima, para abrir o boto e o zper
da cala comprida, que saiu facilmente com o movimento
de suas mos.

Ele suprimiu uma pressa sbita de desejo  viso
das pernas curtas, esbeltas.  Tudo bem, ela
tinha um grande corpo, e fazia tempo que ele no
via uma mulher. Mas isso no era desculpa para deixar sua
mente vagar, principalmente sendo ela uma operao
para cortar sua garganta. Ele ignorou  a maneira como
o cetim branco da calcinha agarrava os quadris, e
ergueu o lenol e as cobertas.

Ele parou de p, mos nos quadris, admirando seu trabalho
eficiente. Ela parecia pequena e perdida em sua cama, e
muito vulnervel. Bom. Melhor mante-la assim. 

Depois de uma rapida procura na bolsa, ele nao achou
nem mesmo uma carteira de motorista, o que nao era
surpreendente.  Ele esperava achar uma arma ou
faca, mas no encontrou nada. Mas havia um frasco
mbar, com p dentro, que foi o ultimo prego no caixo
de suas suspeitas.

Veneno.  Ela planejava envenena-lo. Conhecendo Chang como
conhecia, Mulder achou que seria uma morte lenta e horrvel.
Ele juntou as roupas dela e as colocou sobre uma cadeira em
frente  lareira, suprimindo o desejo para queima-las. 
Ela no poderia fugir caso no tivesse roupas. Mas ela teria
que usar alguma coisa para sua viagem para a priso no
prximo dia. Alm do mais, ele no deixaria ela se
aproximar das roupas. Pegando o frasco, ele o colocou
no bolso, at esperar ela acordar.

Ele fez um pouco de caf, mexeu no fogo da lareira
e se sentou na cadeira de balano perto da janela, com
o rifle apoiado na soleira. Ele pegou a pistola
que estava no cs da cala, e se sentou. Para esperar.

* * * * * * * * * *

Duas horas depois, ela ainda no tinha acordado,
e Mulder estava comeando a ficar incomodado, querendo 
saber se no deveria ter falado com o xerife  em
Piedmont pelo rdio, pedindo para enviarem um jipe 
e busca-la aqui, e acabar logo com isso.

Mas se ele fizesse isso, ela no iria falar, com certeza.
Depois de estar debaixo das mos da lei local, ela
poderia contar qualquer histria - e com a aparncia
que ela tinha - sim, ele tinha que admitir que ela
tinha uma beleza clssica - ela estaria no prximo
avio para fora do pas, num instante. Perdida para
sempre, com as ligaes dela para Chang partindo com ela.

No.  Depois que ela acordasse, ele teria suas respostas, e 
saberia mais sobre Chang. Pelo que sabiam, Chang estava nos EUA,
provavelmente trabalhando num dos portos da Califrnia, reconstruindo
seu 'comrcio', e buscando vingana contra seu
velho amigo Mulder. 

Ele deveria ter matado o desgraado quando teve chance. E
ele quis, vrias vezes. Mas a sua lealdade para com
seu pais, e as numerosas ligaes de Chang com o exercito
japones - o impediram de executar tal ao.

Mulder pensou que Chang tinha perecido num dos barcos
que queimaram em Hong Konh, mas essa sorte no aconteceu.
Ele estava se acostumando  vida nos EUA quando Skinner lhe
deu as ms notcias.  Mesmo depois de tantos meses, depois 
de perder metade de seus ativos e dinheiro, Chang estava
de volta, como uma praga. E louco para pegar Mulder.

Ele no ficou surpreso quando Chang tinha contratado
uma coisinha to jovem e doce para mata-lo. Em Hon Kong, ele
viu muitas mulheres - imagem da inocncia - trabalharem
nas docas. Como prostitutas e intermedirias no comrcio
de pio, ou espias para os japoneses e alems.

Loiras, morenas e ruivas.. mas o cabelo era sempre
falso. O controle que a Inglaterra levou na ilha
produziu muitas descendncias inter-raciais. Misturas
de alemo, italiano e sangue oriental faziam de Hong Kong
uma bolsa de misturas de cor de pele, e olhos. Mesmo se
ela no fosse nativa da ilha, Chang, de acordo com os
relatorios do escritorio de Skinner, ainda tinha dinheiro
o suficiente para contratar o melhor.

Ela era alem? Uma das muitas espis nazistas e cruis que 
circulavam pelo globo, e que encontrou um trabalho fixo?
Depois de fugir da rede dos aliados, ela teria vindo ao
mundo dos criminosos para ganhar dinheiro. Com as habilidades
afiadas pelas mos do Terceiro Reich, ela poderia pedir um alto
preo por seus servios. A pele branca mostrava que ela
tinha ascendncia europia, com certeza.

Um movimento na cama lhe chamou a ateno. Ele ficou
quieto, sabendo que ela no poderia v-lo nas sombras
alm da lareira. Com a arma na mo, ele bebeu o ultimo
gole de seu caf, e esperou ela acordar completamente.

Mulder no teve que esperar muito tempo. Em alguns momentos,
ela estava suspirando e se esticando debaixo das cobertas.
Com o rosto relaxado, ela abriu os olhos, e ele apertou os
dedos ao redor da arma, se preparando.

"Abend Guten," ele murmurou, e ela se virou.
Ao ver a leve confuso no rosto vagamente iluminado, ele
fez outra tentativa. "O dovrei dire, buona sera?"

Ainda nenhuma resposta.  Na verdade, ela parecia mais
confusa ainda, como se hipnotizada pela voz dele.
Bom. Porm, mesmo que ele quisesse que ela ficasse
alerta, ele no queria ela esperta demais. Uma mente
confusa era manipulada mais facilmente. Ideal. Ele soltou
um sorriso cnico, e ele falou. 

"Ni hao?" (Oi)

Isso mostrou um brilho de reconhecimento nos olhos
dela, que os arregalou. A conexo para o idioma asitico
era impossvel de se negar, pois brilhou no rosto dela
como uma lmpada incandescente vindo  vida. Ele continuou.
"Kon-nichiwa?" (Boa tarde)

Ela suavizou o rosto e respirou fundo, aparentemente
sentindo-se aquecida pelo cheiro de caf, enquanto sussurrava
"Koohii? Douzo?" (Caf? Por favor?)

Em sua mente nebulosa, ela voltou para a lngua - provavelmente
no nativa - mas de trabalho.  Ele pegou o pacote de fsforos
que estava na mesa ao lado da cadeira de balano. Mantendo
a pontaria firme, ele acendeu um palito com a unha do seu
polegar e acendeu o lampio  querosene sobre a mesa.
Ele mirou o olhar no rosto adorvel, vendo, com o sorriso
ainda cnico, cada expresso dela. "Koohii? Koucha?" (Caf? Ch?)
a voz dele ficou dura como ao. "Ou eu, nenm?"

Fim do captulo trs


*****


A FAMILIAR HEART

Captulo Quatro

Ela piscou ao ver a hostilidade sbita, se recusando
a acreditar que ele poderia ser to rude. Sim, ela
foi intrometida ao vir aqui. E a ltima coisa que ela
se lembrou antes de desmaiar era o rosto bravo dele
na porta. Mas agora era diferente, e ela queria saber que 
acabou caindo em algo mais perigoso do que hipotermia.

Tremendo a cabea para tirar o resto das teias de aranha em
sua cabea, ela perguntou. "Como?"

Sem tirar os olhos dela, ele colocou o lampio e aumentou
sua fora, at que o cmodo estava claro. Desta vez, quando
ele falou, foi num ingls alto e claro. "Voc me ouviu,
nenm. Caf, ch ou eu?"

Meu Deus, era ele! O heri dela, o que arriscou tudo 
para salva-la em Los Banos. Mas ele estava morto - ele
tinha que estar. A ferida foi mortal, e ela soube disso no
momento em que colocou a mao sobre o fluxo de sangue. Claro
que, coberto com pintura de camuflagem, o rosto dele nao
estava to bvio. Mas ela reconheceria aquela voz
em qualquer lugar. Ela sonhou com ela, e queria esta voz
em suas orelhas, desde a primeira e nica vez em que a ouviu.

" voc..." ela sussurrou, lgrimas vindo em seus olhos.

Ao ouvir a declarao suave, ele estreitou os olhos. 

"Voc tem certeza, benzinho?" ele caoou. "Eu at que dou
pro gasto... mas acho que voc poderia querer algo mais forte
do que cafena."

Oh, Deus.  Ele tinha entendido mal a resposta dela, e de
uma maneira ofensiva. Espreguiado na cadeira de balano,
a cala jeans apertada de maneira quase indecente, ela teve
que reparar na masculinidade dele. E quando ela olhou pra
cima, ela sentiu o rosto ficar quente - principalmente depois
que ele riu - sem humor nenhum.

"Talvez eu deixe voc provar o meu gosto, nenm. Depois
que voc falar tudo que eu quero saber."

Por que ele estava sendo to arrogante e to grosso com ela?
Ser que no se lembrava dela? Ento faria sentido. Afinal de
contas, eles s se encontraram uma vez, e foi no meio de
uma guerra. Ele no iria se lembrar de uma pequena e
esqueltica prisioneira ruiva de guerra. Mas ela tinha
que tentar.

"No, no, voc entendeu errado. Eu - ns j nos encontramos.
Nas Filipinas."

"Luzon? Uma das prostitutas de Chang?"

"O que?"

"Desculpe murchar o seu balo, mas eu teria me
lembrado de uma vadia como voc."

Ao ouvir a profanao dele, ela empalideceu, mas continuou
determinada. "Voc me salvou. Voc  um heri."

Ele riu, um som severo, mostrando os dentes. "Ento voc
me confundiu mesmo com outra pessoa, benzinho. Se tem uma
coisa que eu no sou, com certeza,  um heri."

Era bem possvel que ele estivesse sofrendo de amnsia
sobre os horrores da guerra. Ela sabia,pois viu o mesmo em
Carvalho Knoll, vivendo os mesmo sentimentos desamparados.

A maneira que voc saltava quando um carro era ligado. As vezes
em que voc comia como se estivesse morrendo de fome...
a sbita e intensa desconfiana de estranhos, como se 
voce nunca mais fosse capaz de entrar no meio de uma multido
novamente.

Ela podia entender o motivo dele estar enfurnado nesta
cabana, cheio de armas. Vigiando e esperando, acordado ao
menor dos barulhos. Ela tinha que agir com cuidado - desde
os olhos estreitados, at a pistola em sua mo, todo seu comportamento
gritava que ele estava pronto para agir de repente. Ela
poderia morrer num piscar de olhos.

Ento, ela tentou desviar o rumo da conversa.
"Obrigada, senhor...?"

Um bufo saiu daquele nariz grande demais, e dos lbios
cheios. "Deixe-me adivinhar... por salvar sua vida, certo?
E voc sabe muito bem qual  o meu nome."

Aquela resposta nao fazia sentido. Eles nunca se conheceram
pelos nomes. Nao houve tempo para respirar, muito menos para...

"A melhor pergunta aqui  - qual  o seu nome?"

Debaixo da pergunta baixa, havia um tom frio de ameaa.
Ela tremeu por debaixo da coberta, mas estava determinada
a tentar. "Scu" ela comeou, e ento pensou que seria melhor
usar seu primeiro nome, ao invs do nome de guerra. "Dana,
meu nome  Dana." nomes eram bons, melhor do que sobrenomes.

"Dana," ele murmurou suavemente, experimentando o nome antes
de somar. "Bonito. Igual a voc. Quase desejo ter te encontrado
em Luzon" de repente, como se tivesse voltado a si, ele
perguntou. "Onde est Chang?"

"Quem?"

"Seu chefe.  Yui-Kwok Chang.  Onde ele est? 
Esperando pelo seu sinal l na estrada?" ele cavou no
bolso, e mostrou o pequeno frasco marrom. "O que  isto?
Um pouco do melhor pio que ele tem, talvez misturado com
um pouco de cianeto? Voc deveria fazer o trabalho completo,
ou s me incapacitar para dar o prazer mais tarde, para Chang?"

"O que? Nao sei do que voc est falando?"
Ele estava falando por enigmas. E parecia que ele tinha
revistado a bolsa dela. O p de thiamine que ela levava
para tomar contra a fadiga brilhava na luz fraca.
"Olhe, meu carro est, talvez, a um quarto de milha a oeste
daqui, na rodovia. Eu s preciso de uma carona para Piedmont."

"Oh, por favor, benzinho" ele ficou de p, a cadeira
balanando com fora. Deus, ele era mais alto do que ela
se lembrava. Alto, bonito e impossivelmente... louco.
"Onde est sua identidade?"

"Minha identidade?"

"Sim, vamos ver um pouco de identificao."

"Minha bolsa-"

"Tente de novo."

Droga. Ela se lembrou de colocar a licena do carro no
porta luvas do carro antes de sair de casa. Ela aprendeu 
a levar o minimo de coisas dentro da bolsa, principalmente
viajando sozinha. Dinheiro, identidade, talao de cheques -
tudo estava preso no porta luvas.

"Nao pode lembrar onde voc colocou?" ele perguntou,
sarcstico. "Ou no pode se lembrar qual o nome que
est l, benzinho?"

O tom dele estava dando nos nervos, e ela estalou de volta.
"Nao me chame de benzinho, seu idiota!" ela fechou os olhos
ao sentir a presso subita de dor na cabea, e lamentou a
exploso na mesma hora.

"Nenm, daqui a um minuto eu estarei chamando o FBI,
a menos que voc comece a falar."

Com dor ou sem dor, ela abriu os olhos. "Se voc me chamar
de nenm de novo, pode ter certeza de que voc vai ter essa
arma enfiada no seu nariz" Tudo bem, as mulheres nao eram
treinadas para combate fsico, mas ela tinha irmos. Ela 
sabia lutar, mesmo se ele tivesse duas vezes o seu tamanho.
E o medo dela se transformou em raiva, fazendo ela se coar
para plantar um chute no traseiro dele.

Ele ergueu uma sobrancelha, surpreso ao tom da voz dela,
mas ele continuou ronronando. "Tudo bem, *Dana*. Est na
hora de parar a conversa fiada. Me diga onde est Chang
ou voc vai voltar pro frio... com um buraco bem no meio
dos seus lindos olhos azuis."

Algo sobre a maneira como ele falou a advertncia disse a ela
que ele no estava falando srio sobre mata-la. Afinal de contas,
ele j poderia ter feito isso, deixando-a l fora, ao invs
de traze-la para dentro. Ele queria saber onde estava
este tal de Chang, e nada do que ela dissesse o convenceria
de que ela nao sabia de nada, e que ficou
realmente encalhada na neve. Uma doena mental depois da
batalha durava meses, s vezes anos. Nao adiantava discutir
com um homem atormentado por recordaes que no o deixariam por
nada.

"Nao sei onde ele est" era verdade, mas ela
o viu reagindo, pisando mais perto.

"Nao minta pra mim, Dana."

"Nao sou mentirosa. Por favor, por que voc nao quer me
escutar?" um subito pensamento a deixou esperanosa.
"Encontre o meu carro. Minhas chaves esto no bolso
do meu casaco. Ou eu mesmo posso ir e---" ela deu uma
olhada, notando a cala e o casaco dela sobre uma
cadeira, perto da lareira.  " Minhas roupas -"

"Esquea. Voc no vai sair daqui at que eu deixe. E se voc
acha que eu vou sair no meio da noite, na neve, deve estar
maluca" ele colocou o frasco no bolso da camisa, 
acenando a arma pra ela. "Fique de p."

"Para que?"

"Eu vou te amarrar na cadeira."

Ela sentiu medo na hora. "No." ela jurou que nunca mais
iria se submeter a qualquer forma de priso, e a ordem
dele beliscou o ultimo nervo de Dana. "Nao vou a lugar
nenhum, eu prometo."

"Eu disse pra ficar de p, Dana. Anda!"

"No!" ela correu sobre a cama, mas o peso das cobertas a 
atrapalhou, e ele a alcanou num segundo, agarrando-a pelo
tornozelo ferido. Ela assobiou em dor, e se virou,chutando
com toda sua fora. Mas o movimento era demais contra a
dor em sua perna e cabea. E em meio minuto, ela estava
numa cadeira, como um condenado esperando a execuo. Ele
sumiu, em algum lugar atrs dela, e a voz entrando na
mente torturada de Dana.

"Jerry?  Mulder. Volte."

A cabea dela comeou a nadar; ela reconheceu os primeiros
sintomas de um ataque apopltico com dor no corao.
Embora ela tivesse sido diagnosticada com beriberi
depois da liberao dela, uma boa dieta e bons suplementos
de thiamine acabaram, gradativamente, com a doena.

Mas durante a parada deles no Hava, ela comeou a 
ter ataques de loucura. Os mdicos hesitaram em chama-los
de ataques apoplticos, pois nao havia nada fisicamente
errado com ela. Mas eles sempre vinham em momentos de tenso.

Ela odiava qualquer tipo de restrio; mesmo seu casaco e
leno podiam sufoca-la. Era por isso que ela nao os usou no
carro, s colocando quando era necessario. E agora ele a
amarrou. Ela sentiu o grito subindo pela garganta, e tentou
falar.

"Por favor! Voc no entende! Nao posso aguentar isso!"
lutando contra as cordas, a voz dela se tornou um gemido.
"Por favor, me solta!"

O mdico dela disse que os ataques iriam desaparecer 
gradativamente. Ela nao teve nenhum j fazia um ms. Mas
este aqui prometia ser um bem forte. O pescoo
dela estava esticado, os braos e pernas lutando contra
as amarras.  Ela precisava se libertar, mas eles estavam
rindo dela de novo, os olhos puxados e comandos guturais.

A tampa de madeira do buraco se fechou, deixando-a presa
numa escurido suja. Os pulmes dela se apertaram, forados
a tentar respirar o ar. Nao dava pra respirar, ela no conseguia
respirar. "Por favor..." ela estava em outro lugar, e tentou
falar  de um jeito que eles entendiam. "Douzo..."

"Yeah, Mulder.  Eu estou aqui ".

"Escute, Jerry.  Me faa um favor ".

"Claro. Pode falar."

"Deve ter um carro no fim da minha estrada, com
um pneu furado. Reboque ele pra cidade, ok?"

"Claro, amigo. J estou indo. Quem  o dono?"

"Ela ... uh, ela vai ficar comigo por enquanto."

Um riso crepitou sobre a linha do rdio. 
"Entendi, Mulder. Mais alguma coisa?"

"Nope. Obrigado ".

O rdio gritou, fazendo ela apertar os dentes. O homem
chamado Mulder a ignorou, ento ela comeou a se
balanar na cadeira, jogando os ombros contra a tampa
de madeira imaginaria, a tampa que bloqueava o sol.
Fora, ela tinha que sair. Ela tinha que ir pra
fora. Num segundo, ela bateu no cho, trincando os
dentes.

"Mas o q-- que diabos-"

Ele ficou de joelhos, ao lado dela, segurando a cabea
ruiva nas maos.

"Me solta!" ela conseguiu falar.

Com o rosto incrdulo, ele perguntou. "Que diabos
 isso? Voc est doente?"

Ela acenou com a cabea, fechando os olhos. S de ve-lo
sobre ela a deixava enjoada. "P-por favor... no posso...
respirar..."

Lgrimas vieram nos olhos azuis, saindo por debaixo dos
cilios. Ela ouviu uma maldiao amortecida, e ento sentiu
ele soltando os ns. Parecia levar uma eternidade, enquanto
ela ouvia o som das correntes da porta do buraco.

Ele nao estava sendo rapido o bastante. Ela lutou mais,
perdendo o controle da propria sanidade. Ela ouviu mais xingamento,
e ento Dana chorou por seu salvador - por ele. Em seus
recentes pesadeos, ele sempre vinha, caindo como um
anjo que era, salvando-a do aperto do terror.

A voz, que antes era vil e profana, agora a confortava.
"Shh... eu te peguei. Fique calma. Eu vou te soltar."

Quase imediatamente, os tremores diminuiram. 
Depois de alguns minutos ela conseguiu abrir os olhos.
Era ele. Graas a Deus, era ele. Ela se sentou, seu corpo
morno, dentro dos braos dele. "Deus, obrigada" ela sussurrou,
enterrando o rosto contra o pulso santificado que batia
no pescoo dele. Ele ficou tenso ao toque dela, mas Dana
no deixou ele solta-la, como ele tinha feito antes. Desta
vez, ela ia aguentar.

"No, no me deixe," ela murmurou, os braos ao redor
da cintura dele.

Ela sabia que era loucura de sua mente, mas ele se 
afastasse, ele morreira, como antes. Ela tinha que 
pensar rpido, *qualquer* coisa para se agarrar a ele.
Ela o agarrou com fora pela camisa, e abriu os lbios
sobre a pele spera. Durante um segundo, ele hesitou, 
e ento ela sentiu as mos dele inclinando a cabea dela
pra trs.

E o beijo estava to bom... ele tinha gosto de caf, e
cheiro de ar livre, e liberdade. As bocas se abriram e
a lingua dele entrou dentro dela. Sim, ela pensou, 
deixando-o entrar em sua alma. Ela podia esperar.

Ela sucumbiu de boa vontade, sentindo-o leva-la para longe
do terror.

* * * * * * * * * *

Isto  loucura - ele pensou, beijando-a com mais
fora. Esta mulher - esta mulher macia e responsiva -
era provavelmente uma espi trabalhando para um dos
mais cruis chefes da sia. No importava a cena que
ele acabou de testemunhar, mesmo sabendo que nao foi
fingido. Ele viu o terror total nos olhos dela, ouviu
sua voz tremula. Muitas mulheres que trabalhavam para
Chang eram ameaadas, suas familias torturadas caso
elas se recusassem a serem submissas a ele. Ento, elas
nao tinham escolha a no ser aceitar a prostituio, ou 
matar ao seu comando.

Mas ela era diferente, e ele sabia disso agora. Mas ela
era usada por Chang para seduzir, com uma voz e corpo macios,
atraindo a caa para um engano que custaria sua vida. Ele
reconheceu tudo isso, mas nao importava. Ele a queria. Mulder
poderia permanecer alerta, e lidar com ela depois que tudo terminasse.
Mas nada iria impedi-lo de te-la. Aqui. E agora.

Ela gemeu quando ele enfiou as mos sobre o suter.
Ele abriu o suti, soltando os seios. Se torcendo, ela ofegou
na boca dele ao sentir a manipulao rude, os dedos apertando
os mamilos dela. Ele s a tocou por um momento antes de 
abaixa-la no cho, parando de beija-la para fita-la no rosto.

Os olhos estavam como vidros, devido  paixao, e ela parecia
meia drogada, mas ansiosa para avanar. Ela lambeu os labios,
vendo a boca dele mergulhar mais uma vez para ela. Inquieta...
ela era to inquieta debaixo dele... ele capturou as maos
dela, levando-as para cima da cabea ruiva, num esforo para
segura-la quieta. Com a outra mao, ele pegou a bainha do suter,
e subiu o tecido para cima, para fora do caminho.

Na luz do lampio, os montes gmeos acenavam pra ele,
e Mulder abaixou a boca, cheirando o vale macio entre
eles.  Ela arqueou debaixo dele, e o morno cheiro
de pele feminina lhe encheu as narinas, e Mulder cheirou
profundamente, familiarizando-se com o cheiro de
sexo. Fazia muito tempo desde a ultima vez, e o ar fresco
do inverno abriu seus sentidos, fazendo-o se sentir vivo.
Ele tinha que prova-la... e ele fez isso, contente, amamentando
um mamilo, a lingua buscando o  leite e mel do corpo dela.

A resposta dela foi imediata, pois ele ouviu seus gemidos ficarem
baixos e intensos. Debaixo dele, os quadris macios se mexiam,
as pernas se abrindo, prontas pra ele. Era incrvel, mas
parecia que ela estava to seca para fazer isso quanto ele. 
A reao dela para o toque dele era inconfundivel... e isso
o incitou, e ele nao desperdiou tempo em lhes dar o que
ambos queriam.

Ela choramingou em protesto quando ele elevou a cabea,
e Mulder se apressou em acalma-la. "Tudo bem, tudo bem" ele
deu um beijo impaciente sobre a sobrancelha dela, e abriu a
cala jeans dele.

Fazendo careta ao sentir o metal do ziper raspando contra
sua ereo, ele xingou, sentindo-se como um adolescente com sua
primeira mulher. Depois de um momento, ele decidiu soltar as
mos dela, muito excitado para se preocupar sobre o que ela poderia
fazer contra ele. 

Mas ela o abraou, e ele pulou ao sentir as maos dela
entrando na cala jeans dele, e a boca macia querendo mais
um beijo. Com as maos livres, ele empurrou a cala e o
short apenas o suficiente para permitir que seu penis pulasse
livre. A arma dele bateu no chao.

Ele percebeu a queda da arma vagamente, mesmo sabendo
que deveria mante-la por perto. Mas ele nao podia parar -
ele tinha que te-la. Colocando uma mao sobre o ombro dela,
ele a prendeu efetivamente entre ele e o chao.

Ele rasgou a calcinha com a mo livre, e ela arqueou debaixo
dele, soltando um sussurrado "SSSSimmmm...."

Aquela palavra fez sua ereo ficar dolorosa demais. Com a
ultima gota de paciencia, ele empurrou pro lado a sucata de
seda, e deslizou um dedo dentro dela. Ela choramingou,
jogando a cabea de um lado para o outro. A umidade apareceu,
e Mulder gemeu ao ver a prontidao dela, e retirou a mo.

Depois de alguns falsos comeos, ele finalmente conseguiu
se apoiar e empurrar dentro dela, parando ao sentir as paredes
apertadas. Ela o agarrava como um vcio, e ele sabia que nao
duraria muito tempo, especialmente com a maneira que ela
se torcia debaixo dele.

"Fique quieta... Deus, fique quieta" ele gemeu, 
comeando a mover os quadris, enquanto abafava os
gritos dela com a boca.

To bom, to bom....

Fim do capitulo quatro



A FAMILIAR HEART
Captulo Cinco

Era to bom... ela finalmente se sentia protegida.
Nos braos de seu heroi, o que cruzou o limite entre a
liberdade e morte para salva-la. Acariciando-a intimamente,
onde ninguem ousou entrar antes, ele tirou todos os seus
medos, com um beijo, e um toque. Os horrores da priso
sumiram, como se nunca tivessem existido. Ela se divertiu
na maneira como a boca e lingua dele mostravam paixo, e
se entrou facilmente, devolvendo as caricias.

"Sim," ela assobiou, quando sentiu um raio de prazer estourar
dentro dela. Deus, ele a manipulava com os dedos de um mestre,
at que ela nao podia fazer mais nada a no ser se mover s
suas caricias, esticada como um fio de violino que tinha sido 
deixado na estante por muito tempo, cantando os mais baixos
gemidos e pedidos enquanto ela se abria pra ele, virando
a cabea numa furia de necessidade e querer.

Ele se elevou, e ela sentiu alguns segundos de ar fresco na umidade
entre as pernas, e ento ele se empurrou, gemendo uma orao ao contato.
A dor afiada foi passageira, e ela nunca sentiu nada parecido.
Aceitando isso, ela se empurrou contra ele, sentindo absoluta felicidade
ao senti-lo dentro dela.

"Por favor," ela implorou, torcendo as maos na camisa de Mulder.
Ela queria toca-lo, dar prazer em retorno. Dana sentiu a hesitao
dele, mas ela o seduziu correndo os labios sobre o queixo, rosto
e tudo mais que pudesse alcanar, febril em sua urgencia.

Ele a soltou, puxando a camisa de flanela pra fora do corpo.
Beijando-a mais uma vez, ele se empurrou mais vigorosamente
dentro dela, gemendo dentro da boca de Dana. As maos dela
estavam livres para vagar, deslizando no suor das costas
masculinas. As maos deslizaram  vontade, localizando a espinha
e as ndegas que se dobravam enquanto ele se empurrava dentro
dela. Ela enfiou as unhas curtas na carne, fazendo-o gemer dentro
da boca dela.

Interrompendo o beijo, ele puxou as maos dele e colocou-as
ao lado da cabea de Dana. Ela quase clamou em protestou, mas
pensou melhor ao ver como ele estava sobre ela, poderoso, 
impedindo a luz fraca do lampio. Ele a consumia, face e corpo,
como um anjo cuja sombra escura prometia proteo e alegria.

Ao senti-lo deslizar dentro dela, a umidade dela voltou
com impeto com os empurres dele, e ela passou as maos 
pelo pescoo dele, para mante-lo perto de si. Respirando
com dificuldade, junto com ele, Dana assistiu e amou cada tom
do rosto dele, enquanto se movia com sincronia com ele.

Boca aberta, olhos meio fechados, ele arquejava sobre ela,
o rosto duro e ainda luminoso com paixo. S a viso das
pregas entre as sobrancelhas lhe dizia que ele estava perto
de alguma coisa que ela no estava. Mas tudo bem - o prazer
dela era de observa-lo, e de ter o amor dele.

De repente, ele endureceu sobre ela, fechando os olhos
enquanto deixava sair um grito fraco e gutural entre os
dentes apertados. Ela sentiu a semente dele enche-la, com
vrios curtos e quentes estouros, os quadris dela prolongando
a entrega. Deus, ela queria mais. Ela tentou fazer isso 
durar mais, imitando os movimentos dele.

"No pare," ela sussurrou, olhando para a face relaxante.

Ele estava to bonito, a face dele confusa. Ele olhou pra
ela, como se estivesse tentando encontrar as palavras. Ele
ainda meio duro dentro dela, e empurrou mais algumas vezes, e
ela gemeu, implorando. Mas no adiantou... quando ela tentou
se mover contra ele, para alcanar aquele pinculo desconhecido,
ele se afastou.

Mas o prazer voltou quando ela sentiu ele trocar o calor do
penis que encolhia pelos dedos grandes dele. Fascas
voltaram aos movimentos dos dedos, e ela sentiu a
respirao ficar mais rapida, sabendo que ele pretendia
lhe dar o que o fim prematuro dele havia lhe negado.

Grata por ele planejar ajuda-la a alcanar o fim jovial,
ela puxou-o pela nuca para dar-lhe um beijo. A resistncia
dele foi imediata, pois ele encolheu os ombros e soltou-se
dela.

A voz dele, quando veio, era rouca, mas fria, e o olhar dele,
duro. "Me diga onde est Chang, nenem." Os dedos dele
brincavam dentro dela. "Se voc quer que eu termine, vai ter
que me dizer."

Nada.  Isso no significou nada pra ele a no um meio para
um fim. Dor encheu o corpo de Dana, tomando o lugar da 
felicidade que sentia. Ele ainda pensava que ela era alguem
enviado por aquela pessoa, Chang, quem quer que fosse ela.
Dana se sentiu degradada; o que ela pensou ser uma bonita comunho
de almas, agora era uma caricatura de sentimento.

Ele sorriu sobre ela, erguendo a sobrancelha. "Eu sei que
voc quer gozar... fala pra mim o que eu quero, que eu dou
pra voc."

Os dedos dela sentiram algo frio - a arma dele! De um
momento para o outro, a dor dela brilhou em raiva. Seu crebro
se queimou com vingana, e ela agarrou o metal, batendo com
toda sua fora ao lado da cabea dele. Surpresa apareceu nos
olhos dele por um segundo, e ento murchou como um balo velho.

Usando toda sua fora, ela evitou a queda dele sobre ela,
o empurrando pra fora enquanto ele caa. Ele pousou com
um baque, de costas, ao seu lado, desligado como uma luz
apagada, o baque dele caindo no chao ecoando pela cabana.

Ela ficou de p, fazendo careta ao sentir a dor no tornozelo.
Com a arma apontada para ele, ela gritou. "Seu filho da me!"

Mesmo com a adrenalina correndo em seu sangue, Dana
esperava que ele no se movesse, pois a ultima coisa
que ela queria era ter que atirar. De fato, ele nao
se mexeu por alguns momentos, e ela chupou uma respirao,
sentindo medo. Com cuidado, ela sentiu-lhe o pulso. Ainda
forte e firme. Ela tocou o caroo que se formava acima
da orelha dele, mas no descobriu sangue. Ela
achava que nao tinha causado dano permanente, mas por um
momento Dana sentiu-se culpada pela violencia que
praticou.

Mas esta era a menor de suas preocupaes. Ele era
um bastardo, e ela duvidava que uma bala no corao o
venceria. No, ela poderia enfrentar uma eventual acusao
por agresso, mas ela sabia que tinha feito a nica coisa que
podia para ficar livre. Se ela sasse antes que ele acordasse,
ele nunca a acharia.

Deitado daquela maneira, com o pnis flcido pontilhado com
sangue e smem, ele era uma viso cmica. Mas ela no perdeu
tempo em apreciar seu trabalho - ou lamentar a perda da 
virgindade para um grosseiro como este. Se ela fosse embora
desta cabana apenas com uma memria de sexo insatisfeito, ela
poderia se considerar sortuda. Mas a verdade era que ela o 
quis tanto quanto ele a queria, e no havia como dizer que
houve estupro. V em frente, diria seu pai. Aprenda com
seus erros, mas no os enfatize.

As roupas... ela precisava de suas roupas. Dana foi
para a lareira, mantendo uma distncia segura.

Ela tinha que sair de l. Partir agora, antes que ele
acordasse. Ele ainda estava achando que ela era algum tipo
de espi, e que ele a teria matado com as proprias mos.
Rapidinho ela vestiu a cala, casaco e leno. Colocar as
botas foi uma tarefa monumental, mas ela conseguiu. Ela levou
a mo na cabea, e o bon ainda estava no lugar. 

Meu Deus! Ela teve sexo com um homem, sem nem mesmo tirar
o chapu! Abafando uma risadinha que ela sabia ser histrica,
Dana olhou ao redor, procurando sua bolsa, e ento se
rendeu, sabendo que nao teria tempo pra isso. 

Finalmente, ela foi at ele, devagar, procurando nos bolsos 
com uma careta de desgosto, conseguindo encontrar as chaves.
Jogando a arma perto dele, ela andou pra fora da
cabana sem nem mesmo olhar pra trs.

Noite tinha cado com intensidade severa, e a nevasca
dobrou. Ela piscou contra os flocos frios, sabendo que
o tempo era curto; se ela pudesse chegar na cidade de que
tudo fechasse, ela poderia descansar e ir embora depois. Deveria
ser umas seis horas, mas ela no podia ver a hora no escuro.
Claro que uma hospedaria ficaria aberta at depois das seis,
no ? Calculando o prazo de uma hora at chegar na cidade
para pegar seu carro, e se no tivesse nada aberto... droga, 
ela teria que negociar alguma coisa na cidadezinha.

O Jipe ligou e ela agradeceu a trao nas quatro rodas
enquanto retornava para a estrada principal. Ela dirigiu em
direo ao carro abandonado - que no estava l. Bom.
Isso significava que o reboque o pegou. Ela foi depressa na
direo de Piedmont.

A cidade era um pequeno lugar sonolento, com um dinner,
uma estrada principal, e poucas moradias, com uma placa
nen fraca, brilhando 'Jerry's Esso'.  O posto de gasolina
ainda estava iluminado, e ela suspirou com alivio
quando viu seu carro parado numa das garagens. Se
acalmando, ela parou lentamente, escutando o sino da
porta tocar. Um homem sorridente, muito bem coberto contra
o vento, saiu do lado do carro dela.

Ao invs de espera-lo chegar ao jipe, ela saiu,
forando um sorriso semelhante. "Meu carro est pronto?"

Esfregando as mos num pano velho e seujo, Jerry franziu
a sobrancelha, reconhecendo o jipe. "Mulder disse que
voc iria fica---" ele parou, se lembrando de que deveria
ser cavalheiro com uma dama, e ficou vermelho. "Claro.
Acabei de terminar o conserto. Voc teve sorte. Eu estava
indo fechar tudo, srta. Scully."

Quando ela ouviu o nome dela, Dana gelou. Como se tivesse
notado isso, ele explicou, depressa. "Tive que abrir
seu porta luvas, srta. No fiz nada. Est tudo l. E mexi
na bateria, e ajeitei o pneu. Mas acho que voc est
pronta pra ir."

Ela mordeu o lbio, pois no queria que ninguem soubesse o
nome dela, e ela sabia que esta pessoa chamada Mulder iria
vir aqui, pegar o jipe. Mas, no importava que ele soubesse
o nome: ela nunca o veria de novo, e se acontecesse, ela
tinha um pai e dois irmos que iriam, com muita alegria,
torcer o pescoo dele, se ela quisesse. *Depois* ela se
entenderia com ele, se ele conseguisse passar por tal provao.

"Senhorita Scully," ele disse com um sorriso tmido.  "Voc
 uma amiga de Mulder? Onde ele est?" Ele olhou pelo jipe,
como se esperando outra pessoa sair.

"Umm... ele comeou sentimento ruim, " ela mentiu.  Bem,
ele sentiria *very * ruim quando ele acordou, ela,
meditado.  " Eu penso que  algo contagioso.  Ele
me dito que levasse o Jipe para recobrar meu carro. 
Dito ele viria amanh para adquirir o Jipe dele.  Isso
aprovadamente "?

"Claro. So doze dlares, para o tubo e o pneu." ele
somou, acenando com a cabea para o carro.

Droga. Ela tinha cerca de cinquenta dolares no porta
luvas, junto com o talo de cheques, mas ela sabia
que escrever um cheque para este homem, Jerry, seria
como dar ao demonio da cabana o endereo dela.
E ela no podia gastar doze dolares no pneu. Ela precisaria
de cada centavo em gasolina para chegar na Virginia, e ficar
num hotel. Se ele decidisse segui-la, ela no queria 
que os cheques mostrassem o caminho. Ela iria direto, sem
dormir; ela estava acostumada a dormir pouco, mesmo.

"M-Mulder". a lngua dela tropeou sobre o odiado nome.
"Ele disse para colocar na conta dele?" Deus, ela esperava
que o doce Jerry caisse na armadilha. Ela deu um doce
sorriso ao pedido.

"Claro, madame. Vou pegar o carro pra voc."

Ela manteve um olho na estrada atrs dela, urgindo para
que Jerry fosse mais rapido. Quanto mais rapido ela pudesse
sair daqui, melhor. O homem chamado Mulder acordaria em
meia hora, talvez, e ento ficaria tonto por mais uma hora.
Ela queria estar longe quando ele chegasse em Piedmont; e ele
estava vindo, ela tinha certeza disso.

"Prontinho, madame" Jerry estava ao lado dela, abrindo
a porta do motorista. Ela pulou ao ouvir sua voz, pois no
tinha ouvido o carro parar ao seu lado. "Tenha cuidado
agora, ok?"

"Obrigada" ela entrou e ignorou o aceno de adeus de Jerry, saindo
como se os ces do inferno estivessem atrs dela.

Depois de uma hora, a neve diminuiu, mostrando um cu sem luar.
Depois de outra hora, ela notou poucos carros na estrada. Depois
de outra hora, ela estava sozinha, correndo pra casa,
sem nenhum carro atrs dela. Ela respirou fundo pela primeira
vez desde que deixou Piedmont, e ligou o rdio, sentindo-se
cada vez mais perto de casa a cada segundo que passava.

Bing Crosby sussurrou, "I'll be watching you."

Uma mo impaciente tocou o rosto enquanto a primeira
lgrima caa livre.

* * * * * * * * * *

A primeira coisa que ele notou quando acordou era que sua cabea
doa como o diabo. E que ele estava com muito frio. Gemendo,
Mulder rolou, colocando a mo debaixo do caroo sensvel debaixo
do cabelo. Que diabos aconteceu?

Geez, a cala dele estava nos joelhos, o peito nu estava
todo arrepiado e... a arma! Ele olhou e notou ela deitada ao
alcance de seus dedos, com alguns fios escuros agarrados
 superfcie de metal. Durante um segundo, as orelhas dele
chiavam em confuso, enquanto ele piscava para a arma.

Ento tudo voltou, de repente. A mulher, Chang - Deus, droga!
Ele tropeou, ficando de p, puxando o short e a cala pra
cima. O quarto balanou um pouco, e ele engoliu, fechando os
olhos contra o peso da vertigem. Ela foi embora, e pelo
visto, no jipe dele. Isso era quase certo.

Yep. Sem chaves nos bolsos. Ele teve foi muita sorte por ela no 
te-lo matado quando teve chance. A menos que ela fosse atrs de
ajuda, chamar seus camaradas para a matana final.
Mas por que? Ele ficou desacordado por mais ou menos...
ele precisou se esforar muito para ver o relgio: uma meia
hora.

Um flash de branco pegou o olho dele.  Ele se abaixou,
pegou a calcinha rasgada, e arregalou os olhos ao ver o
sangue. Nahhh, ela no podia ser - mas checando o proprio
corpo rapidamente, Mulder viu a verdade: em cores vivas,
no pnis e dedos, l estava a prova, acenando como
uma bandeira vermelha de inocncia perdida, marcando-o como
ferro.

"Bem, mas quem diria..." ele respirou.

Uma virgem. Ou isso, ou ele a dividiu em duas.
Mas nao podia ser isso. Ela estava to pronta pra ele
como qualquer mulher com quem ele esteve, e ele nunca,
nem agora nem antes, se foraria numa mulher pouco disposta.
No - a excitao dela e prontido foram genuinas, assim como
tambm a maneira como ela o recebeu, implorando para liberao.

E se ela tivesse sido virgem mesmo? Ento ela nunca poderia
ter trabalhado para Chang. Ele usava virgens apenas para ganhar
um dinheiro alto de seus clientes mais ricos. Com certeza
ele nao desperdiaria seu dinheiro mandando ela atrs de um
velho inimigo.

A menos que ela foi forada a fazer isso - qualquer coisa poderia
ser usada como chantagem. Uma irm com problemas, uma me ou pai
segurados como refns... inferno, o frasco que ele ainda tinha
no bolso provavelmente era pio. Todo mundo sabia que viciados
fariam qualquer coisa para terem mais droga.

Seus pensamentos fizeram sua cabea doer mais ainda, mas
o deixou mais determinado para entender o mistrio. Mas no
dava para esquecer que ele fez amor com uma estranha, uma
mulher que o abraou com uma paixo que ele no sentia h
mais de cinco anos. No importava qual era a motivao dela,
ela se ajustou a ele como se fosse nascida para seu toque.

Ele *tinha* que encontra-la, e iria comear pelo lugar
onde ele sabia que ela tinha ido. Ela no tentaria viajar pra
longe usando um jipe; era s usar o rdio e ele poderia ter
a policia do estado no pescoo dela dentro de uma hora.

Ele caminhou devagar para o rdio. "Jerry? Voc ainda est
a? Volte."

Sem resposta. Ele tentou de novo, mas sem sucesso. Ele
tentou a delegacia local, mas no recebeu resposta. Nao era
surpresa: Piedmont era uma cidade pequena, com mais de cem pessoas.
O xerife deve ter ido pra casa durante a noite, por volta das cinco,
e todo mundo sabia o nmero da casa dele, caso precisassem
de alguma coisa.

Mulder xingou a falta de um telefone. Ele teria que esperar
at amanh, ou ir para a cidade, o que nao seria inteligente.
Mais uma vez, ele chamou Jerry.

Alguns segundos, e ento, "Yeah? Mulder,  voc?"

Mulder deu um suspiro de alivio. "Jerry! Beleza. Achei que
voce tinha ido pra casa."

"Eu estava acabando de trancar tudo, dando uma
ultima olhada. O que foi?"

"Meu jipe est a?"

"Uh... yeah," Jerry respondeu, confuso. "Por que? Achei
que voc disse para a srta. Scully que voc o pegaria amanh."

Ele sentiu o sangue ficar frio. "Pegar amanh?"

"Ela disse que voc no estava se sentindo muito bem,
e que voc o pegaria-"

Mulder apertou o boto para ele falar, um frio de tragdia
iminente correndo por sobre sua espinha. "Qual o nome dela?
O nome?"

"Scully. Dana Scully. Pensei que ela fosse uma amiga sua."

Fechando os olhos, Mulder se apoiou contra a parede e 
suspirou. "Uma amiga de um amigo". Esta era a verdade
completa. "Te vejo amanh, Jerry." ele desligou o radio
e caiu contra a cadeira, a cabea nas mos.

Ela no era uma assassina. Por uma brincadeira cruel do
destino, ele se sencontrou com uma inocente e cometeu um
erro tolo e devastador. Um erro que ele teria que pagar, 
logo. Com certeza.

Deus. O que ele tinha feito?

FIM DO CAPTULO CINCO



A FAMILIAR HEART
Captulo Seis

Annapolis, Maryland,
24 de dezembro de 1945

"Dana? Voc pode mexer isso pra mim, por favor?"

Fitando o lado de fora atravs da janela sobre a pia da 
cozinha, Dana quase no escutou o pedido da me. Hipnotizada
pela neve que caa l fora, sua mente voltou para dois dias atrs,
numa cena semelhante em Utah. E esta manh a neve e as lembranas a
alcanaram. Depois de acordar de um sono exausto de doze horas,
a primeira coisa que ela pensou foi no rosto dele. Ele a assustava
como um fantasma que no a deixava. Ser que ela se libertaria dele?

"Dana?"

A voz da mae, que estava bem perto, a assustou. Ela derrubou
a xcara de caf que segurava, e quebrou a porcelana na
pia. "Deus, me, desculpe" ela disse, se apressando para
pegar os pedaos.

Maggie acalmou as mos da filha, ajudando-a com um sorriso.
"Est tudo bem, querida" ela falou, suave. "Eu limpo. Voc 
chegou tarde ontem  noite, e tenho certeza de que voc
est cansada."

Cansada era pouco. Ela dirigiu quase continuamente,
deixando pra trs a nevasca, e sempre buscando sinais de
que algum a seguia. Foi uma viagem terrvel.
Ela chegou durante o jantar, e caiu nos
braos da me, lgrimas caindo ao sentir a segurana de um
abrao amoroso. Ela nunca foi de demolir antes, e felizmente,
seus pais no falaram nada, pensando que o ataque
emocional era algo relacionado  priso dela em Los Banos.
Eles pouco sabiam que ela estava se sentindo como se o mundo
tivesse virado de cabea pra baixo, e que no tinha nada a
ver sobre ser uma prisioneira de guerra.

"Eu estou" ela falou, mas era mentira. Seus nervos
ainda estavam tensos, e o sono que teve ontem  noite, que
curou sua fadiga, foi inquieto. E andar ao redor da casa esta
manha debaixo dos olhos alertas dos pais no ajudou em nada.
Ela esperava que sua mae sugerisse uma consulta psiquiatrica
a qualquer momento. Mas um Scully nunca teria necessidade para
ir a um sanatrio - talvez um retiro? Nao havia nada que um
pouco de tempo com Deus nao curasse.

Ela olhou sua me limpar a baguna na pia, e sentiu-se culpada
aos seus proprios pensamentos. Sua me era uma boa pessoa, uma
tipica esposa. Amorosa, religiosa, respeitavel... mas sujeita
ao marido e aos mandamentos da igreja. Dana  at que acreditou
neste tipo de relacionamento uma vez, mas agora, ela sabia que
se tivesse um marido, teria que te-lo como amigo e parceiro, e no
como se ela fosse sua criada. Ela passou por muitas coisas, e
apreciava sua liberdade como um ser humano que pensava por si mesmo.

"Me? Deixa que eu fao isso" mais calma, ela tentou ajudar
a cozinhar, no jantar de Natal, pois bater com uma colher
dentro de uma panela ajudava a tirar um pouco da tenso que
sentia.

Maggie sorriu. "Estou quase acabando. Mexa as batatas pra
mim, querida? No quero que elas grudem."

"Claro" era a distrao que ela precisava. Ela ficou ali,
o subito silencio na cozinha fazendo ela perguntar.
"Quando Charlie vai chegar mesmo?"

"Hoje  noite..." a me dela continuou a falar, e Dana escutou
com meia orelha os fatos que j sabia. Mas era bom ouvi-los
de novo, ter a voz agradvel da me para mante-la ocupada
enquanto ela mexia com as batatas.

Charlie, seu irmao dois anos mais novo do que ela, ia se
casar com a amiga de Dana, Ellen, na vespera de ano novo.
Era incrivel que a menina que cresceu com ela, que fez o
segundo grau e faculdade com ela, ficou com seu irmo.

Ellen prestou atenao ao 'garoto' quando ele se formou no
segundo grau. A guerra encrespou um pouco a relao entre eles,
mas nao importou. Desde o primeiro encontro, era bvio que
eles estavam apaixonados. Ellen esperou, paciente, enquanto 
Charlie passava a guerra em Honolulu, sua mente aguda ajudando-o
a trabalhar na Inteligncia Naval. Quando ele voltou em maio,
ele a pediu em casamento. Dana iria ser a dama de gonra de Ellen,
e ela aceitou o posto, mas no esperava passar o casamento inteiro
vestida em taffet e saltos altos.

Bill, seu irmo mais velho, s chegaria no fim da outra
semana. Ele ia passar o Natal com os pais de sua esposa,
Tara, e os dois filhos.

Melissa... Deus, ela mal podia esperar para ver sua irm.
Embora a reuniao entre elas nao seria muito agradvel -
o marido de Melissa morreu na Normandia no ms de junho -
Rob foi o marido perfeito, em todos os sentidos, alegre 
de corpo e alma. 

A me dela ficou quieta sobre a morte do genro, mas Dana perguntou
ao pai. E seu pai, com o seu jeito tipico, contou como Melissa
ficou devastada. Mas, como uma boa Scully, ela continuou a viver,
por ela e por seus filhos. Ela ainda morava a alguns blocos
dali, e ela e os meninos iriam chegar para a ceia, e passariam
o dia juntos.

Enquanto sua me continuava a falar, 
um par de mos deslizou ao redor da cintura
de Dana e ela pulou, batendo a colher na panela.

"Desculpe, Sprite. No queria te assustar" as palavras
eram brincalhonas e sinceras, e foram sussurradas 
na orelha dela.

"Charlie!" Se virando, ela se jogou em seu abrao. Ele
era to slido, to enorme, um irmo grande e amvel. Bill
era distante, assim como seu pai, mas Charlie era o amigo dela.
"Quando voc chegou?"

Ele afastou, sorrindo, parecendo to bonito em sua roupa
civil, que ela at parou de respirar. Ele era muito parecido
com ela, com olhos azuis e cabelos ruivos, e as pessoas at
achavam que eles eram gmeos. "Na verdade, cheguei ontem
 noite. Disse pra mamae que queria te fazer uma
surpresa. Fiquei na casa de Ellen o dia todo."

Dana olhou para Maggie, repreendendo-a. Sua me deu de ombros,
os olhos brilhando. Ela ignorou-os, dizendo. "Vo para a sala.
Avisem a seu pai que o jantar vai estar pronto em meia hora,
e coloquem a mesa, certo?"

Sua me sabia que Dana e Charlie eram intimos. Muito mais do
que duas irms. Dana deu um sorriso grato  me, e tirou
Charlie da cozinha. "V falar com papai sobre o jantar e
ento volte!" ela foi para o armario tirar a porcelana.

"Papai!" Charlie gritou, no se mexendo uma polegada. "O jantar
fica pronto em trinta, certo?" ele piscou pra Dana.

"Entendido" o pai dela gritou de volta.

Dana quase sorriu. "No foi isso que eu quis dizer. Me odeia
gritos dentro de casa, e voc sabe disso."

"Caso voc nao tenha notado, Sprite - me mudou. E acho que a
casa ficou quieta demais nos ltimos anos." ele estreitou os olhos.
"O cabelo est crescendo, no ? Est bonito."

Ela tocou o cabelo curto,  contente
por Charlie nao entrar em detalhes. "Sim, eu acho que mame
achava que eu ia aparecer careca para o casamento."

"Dana, mame no teria se importado" ele sussurrou, indo para seu
lado. "Eu te disse - ela mudou. A guerra muda as pessoas."

Como se ela no soubesse disso. Abaixando o queixo, ela tentou
esconder o tremor nos lbios. Ele sempre percebia os sentimentos
dela, e ela no queria estragar o momento mais feliz da vida
do irmo com uma litania triste de suas proprias dificuldades.
Felizmente, ele s colocou um brao ao redor dos ombros dela,
dando um aperto. "Mas vamos ter que engordar um pouco. Seno
voc vai voar assim que bater o primeiro vento."

S Charlie sabia de verdade o que ela sofreu em Los Banos.
O rosto dele foi a primeira face que ela viu assim que desceu
do transporte, em Honolulu. Uma sombra de raiva passou pelos
olhos dele ao ver o cabelo ruivo da irm totalmente tosquiado,
mas ele sabia que tinha sido necessrio por causa da infestao
de piolhos no acampamento.

Sem palavras, ele a abraou e deixou que Dana chorasse.
Com sua posio na Inteligencia Naval, ele a tirou para longe
da mdia durante a curta semana que ela passou no Havai.
Segura com ele, Dana lhe contou sobre os horrores no acampamento.
Foi uma cura que nenhum psiquiatra  da marinha poderia realizar.

Ela fez ele prometer que nunca contaria para o resto da familia
como foi dificil; e como sempre, ele s acenou com a cabea, e ajudou-a
a viver. Charlie sempre a tratou como uma pessoa, e no como uma mulher
indefesa, amando-a por quem ela era, e no pelo que a sociedade esperasse
que ela fosse.

Ela quis saber o que ele diria se ela contasse sobre as
poucas horas em Utah. Ele seria to compreensivo se ela falasse
sobre o sexo desprotegido que tive com um maluco? No foi
estupro, mas ela duvidava que Charlie visse dessa maneira.

Dana sabia que no deveria sentir culpa, apesar de que sua educao
catolica a forasse a pensar assim. Principalmente quando
ela ainda nao podia deixar de sentir a inegvel sensao de paz
que ela sentiu durante o 'encontro'.

Deus - e se ela engravidasse? Ento ela teria que contar pra algum.
Mas com certeza no para seus pais. No at que osse necessrio.
E Charlie at mudaria de atitude com ela, ficando machista. O
tratamento que ele tinha com ela fugiria pela janela, insistindo
que pegaria o cara responsvel.  No. Mesmo precisando contar
sobre o assunto, era melhor ficar quieta agora. Talvez ela poderia
seguir sua me e rezar na missa da meia noite. Nao iria machucar
ninguem.

Enquanto isso, ela teria que sorrir e contar para Charlie
qe tudo estava bem.

"Eu engordei uns quilinhos, Charlie. Pare de se preocupar."
ela andava para colocar os utensilios sobre a mesa.

"E onde esto os quilinhos?" ele abriu uma gaveta e pegou
os guardanapos feitos de linho. "Nos dedinhos do seu p?
Falando nisso - por que voc est mancando?"

Maldio.  Ela tinha conseguido esconder o tornozelo deslocado
de seus pais, mantendo o inchao dentro da bota. Mas depois
de andar durante a noite, e ficar de p na cozinha esta
manh, a dor estava forte. "Torci ele ontem. Nao diga nada
para mmae" ela avisou, fazendo uma nota mental para se
concentrar em andar corretamente na frente de seus pais. "Ela j
acha que sou algum tipo de invlida."

"Entendi. Meus lbios esto selados - contanto que voc
ande pela igreja quando chegar a hora."

"Charlie, vou andar pelo corredor mesmo que tiver
que ser carregada. No perderia isso por nada deste
mundo" preocupaes pessoais  parte, ela nao podia conter
a felicidade pelo fato de sua melhor amiga estava se casando
com seu irmo.

Charlie sorriu.  "Carregada? Acho que posso dar um
jeito nisso - Fox  um cara bem grande. Acho que ele pode
carregar uma coisinha pequena como voc."

Foi a primeira vez que ela ouviu Charlie falar sobre
seu padrinho, e ela estava curiosa. Tudo que ela sabia era
que Charlie o conheceu durante o tempo em que serviu no
ultramar, e que o cara tinha razes em Washington. Ao que parecia,
eles fizeram amizade rapidamente, mas Charlie era um cara fcil
de se gostar. "Fox? O nome dele  Fox?" rodando os olhos,
ela terminou de colocar os pratos no lugar, indo para a 
cabeceira da mesa.

"Yeah. Bem incomum, huh?  Ele vem hoje para jantar conosco. Mas
ele odeia o nome dele, ento no fale---" Charlie derrubou
o garfo no chao, e num movimento rpido e furtivo, pegou o
objeto e limpou-o com um dos guardanapos, enquanto Dana o olhava,
com a sobrancelha erguida. "No conte pra mamae, por favor."

Parecia que a me dela nao tinha mudado tanto assim. Charlie estava
bem apreensivo, pois sabia o quanto ela detestava saber quando
os utensilios caam no cho. A me dela devia estar andando na
ponta dos ps com Dana para ela deixar a xicara quebrada passar
sem comentrios.

"Sobre o garfo ou sobre Fox?"

"Oh, ela sabe que ele vem."

"O homem que odeia o primeiro nome, e que no tem familia
para passar o natal?"

"Os pais dele moram em Washington; O pai trabalha para o Departamento
de Estado. Ele est viajando." ele lhe deu um sorriso embaraado.
"Acho que eles no se do muito bem. Alm disso, quando eu mencionei
hoje, pelo telefone, que voc j estava aqui, ele queria vir e
te conhecer."

A raiva sbita era evidente quando ela rosnou,
"Charlie..."

"Ele  um cara legal, Sprite. O que posso fazer se eu acho
que voc deve ser to feliz quanto eu sou?"

"Esperava este tipo de comportamento de mame, mas no de 
voc." a censura na voz estava mais eriada do que ela gostaria.
Antes, a intromisso de Charlie a faria rir. Mas agora, batia
numa ferida que ele nem mesmo conhecia. Ela desistiu, notando
o rosto desanimado de Charlie. "Eu sinto muito, eu s..."

Mais uma vez ele se moveu, abraando-a e dando um beijo no
cabelo curto. "Eu sei, eu sei. Eu  quem deveria estar
pedindo desculpas, Sprite. As coisas nunca mais vo ser as 
mesmas, no ?"

Dana o abraou firmemente, sussurrando. "No, no vo."
Mas nao pelas razes que Charlie suspeitava. Ela abriu a
boca para esclarecer, mas parou ao ouvir alguem chamando da entrada.

"Chegamos! Onde est Dana?"

Melissa, com a ninhada a reboque.  Dana se afastou do
irmo, cheirando a raiva e medo, dando um sorriso trmulo.
"Gmeos?" ela perguntou a Charlie, se referindo s crianas
de Melissa.

"Isso mesmo" ele respondeu, devolvendo o olhar inquisitivo dela.
"Nomes?"

Ele sabia que ela estava tendo problemas de memria devido ao
beriberi, e a pergunta suave era projetava para poupa-la de um
momento embaraoso que pudesse acontecer. Vendo Melissa se
aproximar pelo canto do olho, ela beijou o bochecha de Charlie
e sussurrou, "Daniel e... David?"

Lhe devolvendo o beijo, ele sussurrou. "Donald."

"Ok. Obrigada" limpando o batom do rosto do irmo, ela
se virou e cumprimentou Melissa.

* * * * * * * * * *

"E Donny dorme igualzinho  sua Tia Dana - morto
para o mundo" Melissa riu, abraando a criana timida
junto ao peito.

Dana riu junto com sua familia, mas sem se envolver
realmente. Ela nao podia revelar a ninguem que seus
dias de sono profundo tinham terminado h muito tempo.
Esta foi uma das razoes dela ter conseguido dirigir
para Maryland - ter que estar em constante guarda
no acampamento fez o sono dela ficar bem leve.

Mas expor o que ela sofreu durante a guerra nao
seria de bom gosto, e provavelmente causaria um
silencio formal demais. Especialmente desde que
sua me parecia estar se esforando ao mximo
para levar a conversa para longe da guerra, e falar
s sobre o casamento. 

Dana no se importava com isso - quanto menos pensasse
em Los Banos, melhor. Isso se tornaria uma experiencia
fora da mente, ela sabia. Como se fosse um filme, e no
algo vivido pessoalmente.

A ltima noite em Utah... foi completamente diferente. Ainda
queimava em seu crebro. Ela duvidava que, mesmo se vivesse cem
anos, que ela se esqueceuria da maneira como se sentiu nos
braos daquele homem. E a maneira como ela ficou depois,
tendo que aguentar o impeto de sua desconfiana.

Ela ficou de p e murmurou alguma coisa sobre pegar
mais caf, se afastando da familia. Ela pegou o olhar
questionador de Charlie, e lhe deu um aceno tranquilizados
antes de sair.

A conversa continuou, mas ela pensou mais uma vez no
homem que quebrou suas barreiras. Foi to ruim assim?
Pra ser sincera, ela teria que dizer no. Ela poderia entender
sua paranoia, depois de ter ficado anos sofrendo da mesma
coisa. Talvez ele tenha sofrido as agruras dos japoneses,
assim como ela...

A campainha tocou, interrompendo seus pensamentos. Com a xcara
na mo, ela olhou para Charlie. "Eu j estou de p." ela falou,
dando um sorriso. "Sente-se."

Ele acenou com a cabea, mas ficou empoleirado na ponta
da cadeira, como se estivesse preparado para ajuda-la, caso
ela precisasse. Ela sabia que a visita devia ser o padrinho dele.
E ela sabia que Charlie estava se sentindo um pouco culpado para
tentar arrumar alguma coisa entre eles; ela sentiu o olhar
arrependido do irmo enquanto ia para a entrada.

Uma silhueta alta aparecia alm do vidro da porta. Dana colocou
um sorriso amigvel no rosto e repirou fundo antes de abrir a
porta totalmente.

"Entre" ela cumprimentou.

O homem hesitou um momento, o rosto perdido dentro das dobras do 
leno. Mas ele bateu os sapatos polidos no tapete de bem-vindo,
e entrou, agitando as lapelas do casaco preto de l.  Uma
chuva de flocos de neve caiu no chao, derretendo na hora
por causa do calor da casa.

"Desculpe sobre isso" ele murmurou. O brilho dos seis botes de
bronze da camisa, com as duas fileiras de botes no terno
a cegaram por um momento, e ela reconheceu o uniforme azul na
mesma hora, vendo as faixas douradas espiando por forea
da manga do sobretudo.

"Est tudo bem, tenente" ela sorriu e colocou a xcara na mesa
ao lado, ajudando-o com o casaco. "Deixe-me pegar seu casaco."
ela foi para trs dele, e tirou o pesado tecido dos ombros
largos, percebendo a falta de cortesia. "Acho que devo me
apresentar - meu nome  -"

"Dana. Eu sei."

Um punho imaginrio bateu no centro do peito dela com
um baque estpido, e ela apertou o casaco de uma maneira
protetora, como se, ao fazer isso, seu corao deixaria de
bater to rpido.

Com os olhos arregalados, ela o observou se virar, e tirar
o leno do pescoo, e ento erguer o chapu de oficial lentamente,
descobrindo a cabea.

Um sorriso muito pequeno e esperanoso acompanhou o olhar morno
dele sobre o rosto dela. "Ruiva. Eu nunca poderia ter adivinhado."

Ela ergueu a mo trmula para o cabelo, e ento parou quando
percebeu que o gesto era um reconhecimento do efeito que ele
estava tendo sobre ela. "Voc..." ela respirou, raiva na voz.
"Saia daqui agora!"

"Mulder!"

O grito de Charlie fez ela pular, e Dana olhou para outro
local que nao fosse o rosto do intruso. No podia ser...
No. Deus nao seria to cruel assim, seria?

"Estou muito contente por voc ter conseguido chegar, camarada"
Charlie estava entre eles, apertando a mo de Mulder. Ela queria
gritar para ele ter cuidado e no confiar neste homem. Mas Charlie
estava ali, com ampla familiaridade, apertando a mo do homem
como se ele fosse um amigo de longa data. Ele sorriu para 
Dana. "Dana, este  Fox Mulder."

Fox. Jesus, ela deveria te-lo reconhecido na hora em que ele
entrou, sentir sua presena dominadora e ver a largura do corpo
como uma invaso  ela. Mas que terrvel coincidencia. Ser que
ele contaria-

"Ns j nos conhecemos."

Sim, ele contaria, o desgraado. Ela olhou para ele, furiosa,
querendo saber se conseguiria chuta-lo pra fora da entrada
na casa dos pais dela.

"Conheci-a neste momento" ele somou. "Sua irm estava me
ajudando a tirar meu casaco."

Ela no conseguia respirar. De repente, a entrada ficou
apertada demais, claustrofbica, e ela deu o casaco de Mulder
para Charlie, e sentiu a presso baixar. "Charlie, eu-
voc se importa... eu no me sinto bem..."

Charlie - Deus o abenoasse - sabia exatamente o que
ela sentia em espaos apertados, e tirou o casaco dos
braos dela, pisando de lado. "Claro, Sprite, eu dou as
boas vindas a ele. Pode ir."

Ela sentiu dois pares de olhos em suas costas, enquanto ela subia
a escada. Um par preocupado, seu amor por ela fazendo Dana se sentir
mais aquecida.

O outro par estava sondando, se insinuando em sua familia, em
sua casa. Seu olhar de ousadia tirava todo seu senso de segurana.
Ela sentiu a promessa durante toda a subida pelos degraus -

Ele estava aqui por causa dela.


FIM DO CAPITULO SEIS



A FAMILIAR HEART
Captulo Sete

Mulder olhou ela voar pela escada, sentindo como se nunca veria
o brilho daquele sorriso de novo. Ele suspirou, dando o chapeu
e leno para Charlie. Isso foi um engano. Ele deveria ter ligado
para Charlie, de Utah, e tentado se livrar do compromisso.

Chang ainda era uma presena perigosa em sua vida, e colocar
Charlie e sua familia no caminho de sua vingana nao
era o que ele queria, mas ele conhecia Charlie, e seu amigo
nao o deixaria escapar.  Charlie sabia de tudo sobre
Chang, e se recusava a deixar Mulder enfrentar tudo sozinho.

Charlie tinha f na Marinha para resolver este assunto, e ele
acreditava que Chang seria preso antes do casamento. Skinner
os assegurou de que eles poderiam continuar com o casamento,
sem temer que Chang chegasse perto demais.

Mulder nao tinha tanta certeza assim. E at alguns dias
atrs, ele tinha decidido que ia dizer a Charlie que isso
era arriscado demais. Ento, ele a conheceu. Uma mulher
que o chamou de idiota e ento se derreteu em seus braos
como se nascesse para estar l.

Ao descobrir o nome dela, Mulder sabia que tinha que
vir para Maryland. Ela iria descobrir quem ele era atravs
de Charlie, e se ele nao tentasse provar a ela que ele nao
era o monstro que ela pensava, entao ele nunca teria uma chance.
Uma meno ao nome 'Mulder' e ela se recusaria a escutar
qualquer uma de suas explicaes. Ao se apresentar a sua familia,
ela nao poderia evita-lo - pelo menos nao at o casamento
terminar. Talvez, antes disso, ele teria chance para lhe contar
toda historia.

Ou talvez, quando ela descesse, ela estaria armada. Do pouco
que conhecia sobre ela, era uma boa possibilidade.

"Desculpe sobre isso, Mulder" Charlie falou, tirando a ateno
de Mulder da escada. "Dana passou por alguns problemas. Ela ainda
est um pouco nervosa."

A implicao de que havia mais sobre o passado de Dana na
Marinha fez as orelhas de Mulder se erguerem como um radar.
Ele sabia que a irma de Charlie era uma enfermeira, e serviu
no Pacifico. Mas, combinado com o ataque de pnico que ele
testemunhou na cabana, parecia que ela passou por muito mais
do que apenas lidar com vitimas num hospital de base.
"O que aconteceu com ela?"

Charlie mordeu o lbio, como se tivesse falado demais.
"Nao sou eu quem deve contar, Mulder. Mas eu posso te dizer -
ela nao passou a guerra num hospital em Honolulu. Ela foi
prisioneira de guerra" ele colocou o chapeu de Mulder na prateleira,
deixando o amigo com seus pensamentos, revoltado, por um segundo.

Uma prisioneira de guerra? Ele sabia que haviam prisioneiras espalhadas
nos acampamentos do Pacifico, a maioria no notrio Los Banos.
Foi onde ela ficou? Nao, Deus nao seria to cruel - para nenhum
deles. Nao importa onde ela esteve, o fato de que Dana tinha
sido prisioneira de guerra s acrescentava mais tristeza aos 
pensamentos de Mulder. Ele tinha motivos para odiar campos de 
prisioneiros tanto quanto ela. Jesus. Parecia que nenhum deles
tinha um momento de folga.

"E por que voc veio de uniforme?" Charlie perguntou, interrompendo
a melancolia de Mulder. "Ns estamos de folga, sabia?"

Parecia uma boa ideia aquela tarde - impressiona-la com
sua patente na Inteligencia Naval. Agora, ao ver as roupas
casuais de Charlie, e espiando a familia na sala  de
estar, todo mundo em trajes semelhantes, ele se sentiu meio
fora do lugar. Mulder sorriu, humilde. "J faz tanto tempo
desde que usei, que eu achei que precisava me acostumar
com ele de novo."

"Contanto que o uniforme branco ainda sirva" Charlie deu uma
piscada, falando sobre a roupa do casamento.

Mulder acenou com a cabea, sentindo-se sujo demais para usar o uniforme
branco da marinha de seu pais. Especialmente desde que a viu de 
novo. Ela encarnava tudo que era bom e fino sobre a casa...
droga, at o cheiro dela era limpo, e ainda estava na entrada,
ameaando-o tirar do srio. Ele nao podia coloca-la, e  sua
familia, em perigo. Charlie teria que entender.

"Uh, Charlie". Ele parou seu amigo antes de irem para
a sala. "Sobre o casamento..."

"Ah, nao, nem comece" Charlie rosnou, sem sorrir. "Voc
est aqui. E nao pode me deixar na mao. Skinner disse que
 perfeitamente seguro para voc retormar sua atividade normal.
Nao tem jeito de Chang te pegar."

Mulder fez carranca.  "Ele tambm disse que Chang estaria
em custdia at agora."

"Como eu te disse no telefone, Chang, ao que parece,
foi visto em Hong Kong. Ele foi visto ontem. Todos os
nossos tentculos - para nao mencionar os agentes que
caam seus passos - esto procurando em cada buraco de
l. Alem disso, voc foi incomodado ultimamente por algum
assassino?"

Mulder ficou sem ar, mas se recuperou. "Nao, mas-"

"Nada de mas. J fazem quatro meses, Mulder, desde que
voc voltou pra casa. Quatro meses olhando por cima do
ombro. Chang se foi, e ele nao vai voltar. Agora...
voc vai ser meu padrinho ou nao?"

Finalmente ele decidiu relaxar um pouco, dando um sorriso.
"Claro. Mas se eu ver qualquer sinal de Chang atrs de mim,
estou dando o fora daqui. Entendido? Nao vou colocar ninguem
da sua familia em perigo."

"Trato feito. S me avise quando isso acontecer, ok? Eu nao
vou te deixar sozinho caso Chang decida voltar. Skinner tambm -
ele precisa saber."

Mulder concordou, mas sabia que, se isso acontecesse, ele
iria atirar primeiro e fazer perguntas depois.
Se tivesse a chance, ele iria resolver este assunto de uma
vez por todas, sem envolver Charlie. Um recm casado nao 
tinha nada que ficar perseguindo um assassino, mesmo se fosse
o trabalho dele.

Charlie gesticulou para ele segui-lo, e Mulder andou
atrs de seu amigo, sua mente ainda trabalhando enquanto ele
era apresentado  familia de Dana. Sorrindo vagamente, ele
tentou escutar nomes e ouvir alguma conversa, apertando a mao
aqui e ali.

O pai dela era um grande homem - ele podia ver onde Dana e
Charlie conseguiram os cabelos ruivos. A mae dela passou a
forma delicada para sua filha mais jovem. Melissa era alta e
de cabelos loiros-avermelhados; se fosse outra epoca, ele
poderia se sentir atrado a ela. Mas nao agora.

Parecia que nao haviam outras mulheres. Tudo por causa
de uma pequena ruiva com um temperamento de propores
opostas  sua estatura.

Bill Scully lhe ofereceu um scotch e Mulder aceitou,
sentando na ponta do sof com um olho na porta da sala
de estar. Ser que ela iria descer? Claro que ela sabia
que teria que enfrenta-lo ali, mais cedo ou mais tarde.

Depois de alguns minutos, Charlie se desculpou,
dizendo que ia falar com Dana no andar de cima. J
era tempo, Mulder pensou. Mais um minuto de conversa
tola sobre o casamento e ele teria corrido pela
escada, sem ligar para aparencia ou educao. Ele
queria falar com ela, e nao iria embora at que fizesse
isso.

* * * * * * * * * *

"Dana? Voc est bem?"

A batida na porta de banheiro a assustou. 
Do poleiro dela na tampa do vaso, ela respirou fundo. "Entre,
Charlie" ela nao fechou a porta. Era criancice achar que
Mulder a seguiria at ali. Alem disso, uma porta trancada
nesta casa significava que alguma coisa errada estava acontecendo.
A ultima coisa de que Dana precisava era de sua me ficando curiosa.

Charlie se agachou diante dela, um dedo tirando o cabelo
da testa de Dana. "O que foi, Sprite? Voc est se sentindo mal?"
o simples gesto fez os olhos de Dana ficarem umidos, e ela
piscou, nao querendo mostrar fraqueza.

Ela trouxe o pano molhado contra o pescoo. "Eu passei
mal na entrada...muito apertado..." era verdade. Mas a causa
da claustrofobia dela ainda nao foi dita. A causa deveria
estar l embaixo, em algum lugar, bebendo o conhaque do
pai dela.

Charlie olhou ao redor, com um olhar descrente. "Ento voc
decidiu vir para o banheiro?" ele pegou a mao dela, tentando
acalma-la. "Uhh... odeio te dizer isso, Sprite, mas este  o menor
cmodo da casa toda."

Apesar dos nervos, ela riu. " mesmo, nao ?"

Ele ficou srio, intuitivo como sempre. "Foi Mulder?
Ele disse alguma coisa pra voc? Te deixou sem jeito?"

"Nao!" a resposta foi um pouco rapida demais, e ela tentou
tirar este trem de pensamento da cabea do irmao. " que ele
 to... grande. Com vocs dois ao meu redor, eu nao consegui
respirar direito."

"Deus, Dana, eu sinto muito.  Mulder no sabia, mas eu deveria
ter notado..."

Ela bateu com a toalha no naria dele. "Com maldita certeza."

Charlie se recuperou, seus olhos rindo enquanto ele dizia,
"Ohhh... mas que palavra feia. Eu vou contar pra mame."

Se aproximando, ela sussurrou, "Faa isso, e eu vou dizer
pra ela como Ellen ia do meu quarto para o seu quando ela
dormia aqui em casa." 

"O que posso dizer? Ellen gosta de homens mais novos" sorrindo,
ele ficou de p e estendeu a mao. "Vamos l, Sprite. Eu disse
para Mulder que voc era a mulher mais inteligente e bonita
de trs Estados. Nao me faa passar por um mentiroso."

Oh, Charlie, ela pensou, triste. Voc nao sabe no que
tropeou. E eu realmente nao posso te falar.

Ela nao era de correr de qualquer coisa, e seu vo 
pela escada era uma atitude suspeita. Resista - ela
se falou. Tomando coragem, ela pegou a mao dele e jogou
a toalha na pia, ficando de p. "Eu estou bem?" 
a cala comprida e sueter eram boas para qualquer lugar,
menos em casa, mas ela nao ia colocar uma saia.

"Voc est tima. Sorria, Sprite. Prometo nao dar uma
de casamenteiro, eu juro."

Charlie achava que foi por isso que ela correu. Deixe ele
pensar assim. Com certeza ajudaria na questao de evitar
Mulder. Ela podia fazer isso. Semana que vem, ele ter
ido embora. E quem disse que ela precisava fazer-lhe
companhia? Eles nunca ficariam sozinhos, principalmente
se dependesse de Dana.

"Bom garoto" ela murmurou, "Voc est aprendendo. Estou
vendo a esplendida mao de Ellen no seu treinamento...
tenho que felicita-la pelo bom trabalho."

Charlie a levou para fora do banheiro, bufando. "Quem
me mandou cair por uma mulher mais velha?"

* * * * * * * * * *

Ele teve que empurrar Daniel com cuidado - ou seria Donald?
pra fora do joelho para poder ficar de p. Mulder se sentia
como um bobo total, pois fazia anos que ele esteve na
presena de damas como as desta casa. Charlie lhe deu um
sorriso compreensivo, e Dana o ignorou, murmurando algo sobre
'era s uma dor de cabea' quando sua me perguntou sobre
o motivo dela ter sumido.

Deus, ela estava linda. Mesmo com o arranhao na testa; ele podia
ver que ela tentou cobrir o machucado com a maquiagem, mas estava
l. Vestida num pulover branco e cala verde-floresta, ela estava
de p, vinte centimetros mais curta que Charlie, que ele notou
ter dado um pequeno empurrao nela alm da porta da sala de estar.

Se a memoria estivesse boa, o topo da cabea dela s 
alcanava o queixo dele. Ento, de novo, a unica medida 
verdadeira foi quando ambos estavam na horizontal.

Se castigando mentalmente por deixar seus pensamentos
vagarem nesta direo, ele catalagou os melhores pontos
da mulher diante dele. Cabelo ruivo, comprimento mdio, com uma
leve mecha ondulada que ele apostava Dana tinha trabalho em
domar. Estava presa com um prendedor prateado sobre a sobrancelha
dela, num estilo Veronica Lake. Era muito sensual, e Mulder engoliu
em seco, apertando os punhos contra o desejo de cruzar a sala
e colocar a mao sobre o prendedor enquanto virava o rosto dela
para cima...

"Voc disse que seus pais moram em Washington, tenente Mulder?"

Ele viu Dana virar a cabea como num estalo de chicote ao ouvir
a pergunta da me, dizendo a patente dele. Ele notou tambm - quando
sentiu um rubor subir em seus rosto - que ele era o unico que
estava de p. Rapidinho ele se sentou, e da mesma maneira que rpida,
Dana evitou seu olhar.

Ele se virou para Maggie Scully, sem ouvir as palavras que disse
para ela. Algo sobre o pai e o departamento de Estado. Ela
continuou a conversa, perguntando a ele sobre o tempo dele na
Marinha, onde ele serviu, blah, blah, blah. Ele achou que
respondeu corretamente, mas nao podia revelar que
ele ficou trabalhando com um negociante de pio durante
os ultimos anos. Ento, ele deu a verso oficial, elevando
a voz um pouco, s para ter certeza de que Dana estava ouvindo
tudo.

"Estive em Hong Kong desde o vero de 39. Trabalhando para
subverter os interesses monetarios provenientes do Japao."

"Espio?" Melissa respirou, arregalando os olhos.

Felizmente, Charlie se meteu na conversa. "Ele trabalha para a
Inteligencia Naval, Missy. Voc nao espera que ele revele
todos os nossos segredos" ele olhou para Mulder. "Quer mais outra
bebida, Mulder?"

"Claro" ele falou, embora nao tivesse quase tocado em seu copo. Ele ficou
de p, andando com Charlie at o bar. Dana nao se moveu, e ele quis
saber se teria chance de falar com ela hoje  noite. Ele tinha que
tentar - nao dava para ele aparecer na casa dos Scully todos os dias
at que ela o recebesse. Mas como?

"Dana?" Charlie falou com sua irm, dando-lhe o balde de gelo.
"Voc pode pegar mais gelo, por favor?"

Com uma leve hesitao, ela ficou de p, toda rgida. "Claro."
Foi a primeira palavra que ela disse desde que voltou para a sala
de estar. Passando a meras polegadas de Mulder, ela deixou
o perfume sutil, que ele cheirou, faminto. Foi direto para
a regiao sul de seu corpo, e ele ficou contente por estar usando
a jaqueta longa do terno azul. Tentando se acalmar, ele percebeu
que esta poderia ser sua chance.

"Charlie, pode me dizer onde posso me lavar?" ele
perguntou, olhando Dana sair pela porta. "Preciso me
refrescar antes de voltar para a estrada" e ele ia
partir depois que falasse com ela - Mulder nao sabia se
poderia ficar to perto dela, sem toca-la.

"V pelo corredor,  direita. Ultima porta antes de chegar
na cozinha" Charlie sussurrou de volta.

"Obrigado ".

O som das vozes o seguiu pelo corredor, e Mulder esperou
ficar com ela por alguns minutos. Cinco minutos bastariam. 
O que ele queria dizer, de verdade, levaria mais tempo, mas
ele tinha a sensao de que ela nao iria permitir uma
conversa muito longa.

De costas para a porta, ela bateu as bandejas de gelo na pia,
nao ouvindo ele se aproximar. Mulder sabia que iria amedronta-la,
mas nao havia jeito. 

Ficando distante o suficiente para dar-lhe espao, ele
disse, "Preciso falar com voc."

Como esperado, ela saltou, o gelo caindo pra dentro
do balde. Lentamente, ela endireitou as costas, mas
nao se virou. "Nao temos nada para dizer um ao outro."

"Dana -"

"Nao me chame assim!" ela assobiou. "Voc no tem o direito!"

Engolindo ao ouvir o som indignado dela, ele concedeu. "Muito justo.
Senhorita Scully. Eu preciso explicar."

Finalmente ela se virou, o rosto corado de raiva. "Eu tenho
a mesma patente que voc, tenente. Mostre um pouco mais de respeito,
ou desista do senhorita."

A raiva dele apareceu, e Mulder rosnou, frustrado. "Tudo bem
ento, *Scully*." Ela queria ser tratada com um igual, entao,
por Deus, ela seria. Mas sem o titulo da patente. Eles foram
intimos demais para voltar ao protocolo militar. "Ns temos
coisas para discutir, e eu insisto que voc me oua."

"E eu me recuso... *Mulder*. E voc nao est em condies de
me forar."

"Se voc se recusar, *Scully*, nao terei escolha a nao ser
contar para o seu irmao o que aconteceu naquela cabana."

Ela ficou branca, levando a mao at o pescoo. Uma cruz
de ouro brilhou. Engraado - ele nao havia notado isso
em Utah. Ento, de novo, ele nunca a viu completamente nua.
Ele piscou contra seus proprios pensamentos e desejos que
o traram, como se tivesse dito as palavras em voz alta.

"Voc nao faria isso..." ela respirou. "Por que voc se
arriscaria? Charlie te mataria."

Uma surra bem dada era o que ele merecia. Se ele soubesse
que Charlie manteria a historia em segredo, nao envolvendo os
pais dela, ele com certeza falaria pra ele, s para que seu
amigo o fizesse pagar de alguma maneira pelo erro que ele
cometeu. Yeah... ele j podia sentir o nariz quebrado. "
o que eu mereo, voc nao acha?"

A preocupao dela de um segundo atrs desapareceu.  "Voc
merece ser morto e esquartejado" ela respondeu, tentando mostrar
indiferena. "E eu nao acredito nem um pouco  que voc tem
coragem pra contar tudo pra Charlie."

Mulder foi para a porta da cozinha, acenando para o gelo. 
" melhor colocar um pouco de gelo num pano de prato, porque
eu acho que vou precisar disso em breve..."

"Espere."

Mulder abafou o desejo para sorrir, satisfeito. Antes de
tudo, ela era uma curandeira. Sua suposio de que ela
nunca causaria, de boa vontade, dor nele era precisa -
mesmo se ela j tivesse batido uma vez em sua cabea.
Enquanto ela estava indecisa, ele fez o proximo movimento.
"Jante comigo amanh  noite."

"No dia de Natal? E para onde iramos? Para a sopa comunitaria
no St. Mary?"

"Depois de amanh, ento. Por volta das sete? Eu posso te pegar-"

"Nao" ela estava inflexivel. "Eu te encontro. No Mike's Grill."

Ele acenou com a cabea, feliz. Embora ela soubesse escolher
bem - do que Mulder se lembrava, o Mike era um lugar desordeiro,
cheio de irlandeses que caavam uma briga, doidos para bater.
Ou defender uma dama.

"Sete," ele concordou.  "Pode deixar que estarei usando 
meu capacete de combate." ele viu como a piscada que deu a deixou
com raiva, antes de se virar para se despedir do resto da 
familia.

* * * * * * * * * *

A missa da meia-noite acalmou seus nervos, com as vozes
do coro, o cheiro de incenso, e o resmungo em latim.
Sentada entre seu pai e Charlie, ela se sentia como num
casulo de segurana e amor. Melissa tinha levado as
crianas pra casa, para esperar a chegada de Papai Noel.
A ausencia deles deixou um buraco na celebrao familiar,
mas ela deu boas vindas  paz e quietude. Alem disso, amanh
j seria cheia o suficiente, com o cl Scully celebrando com
fora total.

Enquanto o padre dava o sermo, Charlie sussurrou contra a
orelha dela. "Voc est bem, Sprite?"

Ela acenou com a cabea, pegando a mao dele. "Yeah."

Apesar da iminente reuniao com Mulder, ela
estava se sentindo bem. Ele a pegou de surpresa ao
aparecer de repente, mas Dana se controlou rapidamente.
E quanto mais pensava, mais ela percebia que discutir com
Mulder era a melhor sada. Ela nao queria arruinar o casamento
de Charlie com a hostilidade entre eles dois. Ambos eram
adultos, e poderiam conversar sobre o encontro desastroso.

E ento nunca mais se verem de novo. Era por isso que
ela rezava; Dana tinha a horrivel sensao de que Mulder
nao ia cooperar tanto nesse assunto. Mas ela tinha que
manter distancia. Ela nunca encontrou um homem que nao 
conseguia controlar... e algo lhe dizia que Fox Mulder nao 
era um homem que ela poderia controlar com sua lgica e
controle.

Ele a queria - isso era bvio com o olhar morno e magntico
dos olhos esverdeados. Ela se lembrou dos pensamentos
que teve no carro antes da fatal reuniao deles em Utah, quando
ela decidiu finalmente encontrar uma relao.

Mas ela tinha condies. Mulder a consumiria por completo. Ele
j havia penetrado na reserva fisica dela e Dana nao estava a
ponto de deixa-lo controlar suas emoes. Quando ela 
escolhesse, seria alguem que pensasse com a cabea, nao com
o corao.  Depois de apenas dois encontros, ela podia
apostar que Mulder era um homem dirigido por suas paixoes.
Nao era um companheiro compativel para alguem como ela,
que confiava numa estabilidade e segurana. Talvez, se eles
tivessem se encontrado de maneira diferentes... mas nao. 

Nao era para ser, e ela teria que fazer ele ver isso.

FIM DO CAPITULO SETE


A FAMILIAR HEART
Captulo Oito

Mulder checou o relogio mais uma vez. 7h15. Ser que ela
iria aparecer? Ou ela estava se vingando contra ele? 
Ele rejeitou este pensamento - a vingana dela, caso Dana
quisesse isso, seria rapida e certa. Provavelmente, um
golpe direto no saco. 

"Mulder."

A voz baixa fez ele erguer a cabea. Ele ficou de p, se dobrando
ligeiramente na cintura ao ver o olhar bravo nos olhos dela.
Ela nao estava contente em encontra-lo aqui, e ela teve
dois dias para ferver a raiva que sentia. 

Deus, ela era magnifica - toda vestida em l cinza,
um chapeu combinando, e uma mecha errante de cabelo ruivo.
Mulder queria cumprimenta-la com um beijo, e agarra-la
em seus braos, como viu outros casais fazendo enquanto
ele esperava. Ao invs disso, ele sorriu. Nao muito largo,
apenas uma diviso simples e hesitante dos labios.

"Posso tirar seu casaco?"

"Nao vou ficar tanto tempo assim."

Certo, ele deveria ter esperado isso.  "Voc poderia
ao menos se sentar?" ele olhou ao redor do bar, vendo 
os olhares que eles estavam atraindo.

Ela chegou a bolsa sobre a mesa e se sentou, mas to perto
da beirada da cadeira como se pronta para fugir.
Ele pigarreou, tentando falar com uma voz normal. "Como
voc passou o natal?"

Um olhar do tipo 'voc est maluco?' cruzou o rosto dela, mas
antes que ela pudesse responder, eles foram interrompidos
por um homem enorme que apareceu na mesa com um sorriso.
"Dana!"

A face inteira dela transformou; ela estava de p, um
sorriso brilhante, enquanto era envolvida num
abrao de urso. "Tio Mike... que bom te ver de novo."

Tio Mike? Mulder agarrou o copo de gua com uma mao 
tremula, parando o gesto a meio caminho, enquanto ele notava
os garons e garonetes, para nao mencionar o homem que
abraava Scully, como se ela fosse da familia... Jesus.
Todos eles tinham cabelos ruivos, e eram brancos. Mike
podia ser--

"E quem  este homem, querida?"

O sorriso de Scully enfraqueceu enquanto ela acenava com a cabea
para Mulder, que ficava de p. "Tio Mike, Fox Mulder.
O padrinho de Charlie. Mulder, este  o irmao do meu pai, 
Mike Scully."

A mo dele foi engolfada por uma pata cheia de calos.
"Prazer em conhece-lo, amigo" Mike disse, ainda sorrindo.
"Se eu soubesse que voc era o namorado de Dana, eu teria 
te colocado numa mesa melhor. Pelo menos uma que nao estivesse
to perto da cozinha."

Deus, ele estava ferrado. Scully estava furiosa, ainda mais
pela declarao equivocada de Mike. Mulder se apressou em
explicar. "Nao sou o namorado de Dana. Ns s vamos
conversar sobre alguns detalhes do casamento."

O sorriso de Mike se inclinou um pouco, mas ele nao comentou
o assunto, voltando sua ateno para Dana. Uma carranca leve
arruinou o rosto de Mike enquanto ele dizia, "Vi voc mancando,
querida. Voc se machucou?"

Ela olhou para Mulder,  e ento para seu tio. Lbios apertados,
ela murmurou. "Nao  nada, tio Mike. Melhora a cada dia."
o sorriso dela foi rapido.

Outro prego no caixao de Mulder. Ele nao notou ela
mancando ontem  noite na casa dela. Claro que ela
nao quis que ninguem notasse - ele duvidade que ela
mostraria algum tipo de fraqueza na frente de sua familia,
temendo o inevitavel interrogatorio.

Mike parecia satisfeito com a resposta. "Bem, ento
o que voc est fazendo que nao tirou o casaco ainda? 
Claro que voc vai jantar aqui, nao ?  Hoje temos
carne de boi salgada e repolho."

"Um... de fato, eu realmente preciso ir para-" ela
hesitou, olhando pra Mulder, buscando ajuda.

O que ele nao ia dar. Apesar do fato que ela tinha
parentes aqui, ele estava disposto a bancar o valente para
conseguir que ela ficasse um pouco mais de tempo.
"Ns vamos aceitar, Mike" ele falou, facil, ignorando os
olhos dela, que brilhavam de raiva. "E talvez umas duas cervejas."

Vendo o uniforme de Mulder, e o sorriso amigvel, Mike 
irradiou. "Claro. Deixa comigo."

"Mas -"

Mike protelou o protesto de Scully com uma mo firme. 
"Bem, se eu nao te alimentar antes de te mandar pra casa, seu pai
me bateria. Sente-se. Sr. Mulder?"

Quando Mike pisou aparte, Mulder se moveu, virando-a
suavemente para tirar o casaco de Dana. Mike piscou e foi
para o bar, enquanto ela abria os botoes.

"Seu... seu..." a raiva dela fez Dana gaguejar, enquanto ela
procurava a palavra certa. Mulder podia sentir a mente dela
gritar 'bastardo', mas ela nao ousou dizer isso to perto dos
primos dela.

"Infeliz? Porco machista?" ele ofereceu, as maos sobre os ombros
dela enquanto ele se aproximava. O cheiro familiar de Dana flutou
sobre Mulder, e ele fechou os olhos, abraando a sensao como
se estivesse abraando o corpo dela. Esta reuniao era outro engano.
Nao importava se ele tivesse que sofrer a noite toda. Tudo valeria
a pena s para olhar pra ela.

Tirando os ombros das maos dele, e tirando o casaco, ela ficou de
frente pra ele. "Bom demais pra voc." ela mordeu. "Que tal
vira-lata sarnento?"

Ele fez careta  veemncia na voz dela.  "Eu prefiro 'amigo'"
ele falou, suave, esperando a reao dela.

"Demnio," ela respondeu, varrendo a saia para o lado para
poder se sentar.

Suspirando, ele colocou o casaco dela perto do dele
e sentou-se de novo. Isso nao ia ser fcil. E verdade seja
dita, ele nunca foi tao corts com as mulheres. Ele nunca
precisou. Ele nao era feio, e as mulheres pareciam acha-lo
atraente. Nao que eles as tratasse mal - normalmente, ele poderia
encantar qualquer mulher com seu sorriso e inteligencia. Mas
nao ela.

O uniforme no a impressionou. O sorriso dele parecia
nao ter efeito sobre ela. Embora eles nao tivessem trocado
mais de cem palavras desde que se encontraram de novo, as tentativas
dele para ser amigvel foram recebidas com hostilidade. Claro que
ele nao poderia culpa-la. Do que ele tinha pensado dela em 
Utah... do que ele tinha *feito* com ela... levaria muito mais
do que sorrisos e palavras encantadoras para consertar.

Deixando o olhar vagar sobre o chapeu azul, ele bebeu  visao
dela, enquanto o garom aparecia com as bebidas. "Nao sabia
que voc machucou o tornozelo. Est ruim?"

Os olhos dela, que estavam fazendo um srio estudo
da mesa brilhante, estalaram pra cima. Ela esperou at o 
garom ir embora, gelo gotejando na voz, dizendo, "Meu tornozelo
est otimo, Mulder. Diga logo  o que voc quer, assim eu vou poder
ir embora logo."

"Dana -" Ao pulo da chama nos olhos dela, ele emendou.
"Scully. Faz tempo que tenho uma conversa sem suspeitar
da pessoa que est do outro lado. Eu sei que voc tem
todos os motivos para me odiar, mas eu aho que poderiamos
conversar sem rosnar um para o outro. Por Charlie, 
pensei que poderiamos tentar ser, pelo menos, amigos."

"Amigos?" a pergunta dela levou o resto, que nao foi dito.
'e nada mais?'

" Amigos," ele declarou. Os sentimentos mais do que amigveis
dele por ela teriam que ser espremidos. E se a amizade dela
era a unica coisa que ele poderia ter, ento ele levaria isso de
bom grado. Por enquanto, teria que ser assim. E talvez, apenas
talvez, se ele jogasse as cartas certas - eles poderiam ficar
juntos novamente.

A hostilidade dela enfraqueceu lentamente, mas ainda estava
cautelosa. Ela pegou o guardanapo sobre a mesa. "Eu... eu
nao consigo esquecer. Nao  algo de que tenho orgulho, sabe..
a maneira como ns... nos encontramos..."

Finalmente uma falha na armadura. Usando cada pedao de sinceridade
que ele achou ter perdido nos ultimos anos, Mulder respondeu. "Eu
nao posso dizer que estava no meu melhor comportamento tambm. 
Normalmente sou mais adaptvel."

"Mulder -"

"E eu quero me desculpar, " ele interrompeu, sentindo que
a raiva dela estava dando lugar a algo pior - indiferena.
Ele nao a deixaria ir to facilmente. Na verdade, se dependesse
dele, Mulder nunca mais a deixaria ir embora. "Eu sinto 
muito, Scully.  Voc me pegou numa hora bem ruim."

Ele at que deu um meio sorriso. "E existe alguma
boa hora pra te  pegar?"

Ele nao devia fazer isso - o anjo em seu ombro sussurrou.
Mas o diabo do outro lado ganhou a briga. "Voc parece
ter encontrado a melhor maneira" ele coou o galo
debaixo do cabelo.  Firme e verdadeiro, o olhar
sombrio tentou contar a ela o que seus labios
nao puderam. Assinado, lacrado e batido inconsciente...
quer ela quisesse ou nao, ele era dela.

Ao invs de se ficar com raiva, Dana o pegou de surpresa,
e riu, e isso o agradou. "Vou me lembrar disso - tudo
que tenho que fazer  te acertar com uma arma. Entendido."
o proximo sorriso dela foi ainda mais encantador, e quase
fez o corao dele parar. "Preciso me desculpar com voc."

"Pelo que? Voc fez o que tinha que fazer" ele
olhou para outro lugar, enojado com a lembrana de seu
comportamento para com ela.

"Mas nunca teriamos alcanado este ponto se eu nao tivesse...
voc sabe" ela ficou vermelha, uma cor atraente de cor de rosa.
"Eu normalmente nao fao isso... me jogo nos braos de um
homem daquela maneira."

Ele olhou para ela, se apaixonando ainda mais por ela a cada
minuto. Ele podia sentir o desejo queimar nos olhos, e viajar at
seus dedos, querendo tocar o rosto dela. "Eu sei."

Ela olhou pra ele, e Mulder podia jurar que nao era possivel
que ela ficasse ainda mais bonita. Mas ela ficou, poi
o rubor desceu pelo decote do vestido. "Sim, bem..." ela
pegou o copo de cerveja, tomando um longo gole. "Ento...
tenho a sensao de que voc vai me contar quem  este
Chang. Estou certa?"

Ele abaixou a voz at um sussurro, apertando as maos debaixo
da mesa para nao toca-la. "Eu gostaria, se voc estiver
disposta a escutar."

A chegada do jantar a fez hesitar, mas ela deu uma
resposta enquanto pegava o garfo. "Isso vai arruinar
o meu jantar?"

Mulder nunca contaria sobre os detalhes mais sordidos
e odiosos do tempo que ele passou com Chang. Como uma
dama, ela nao deveria ser apresentada a contos de pio e
prostitutas. "Provavelmente sim. Acho melhor esperar
at terminarmos."

"Tolice". Ela comeu um pouco do repolho, tomando um
gole de cerveja. "Vi e ouvi muitas coisas que voc nem possa
imaginar." o rosto dela ficou nublado com uma memria desconhecida
para ele - mas que o intrigou. Ela nao era uma mulher comum, e
Mulder entendeu aquilo imediatamente. Ele podia ver a coragem cauterizada
em cada prega sutil da sobrancelha.

"E eu fiz coisas que voc nem pode imaginar" ele falou,
o pesar deixando sua voz rouca.

Ela colocou o garfo no prato. "Entao talvez nossas imaginaes
vo precisar de uma ajuda. Se voc quer que sejamos amigos,
mulder, voc tem que me dizer a verdade."

A verdade. Tao feia quanto pudesse ser, ele sabia que devia
isso pra ela. "Termine seu jantar. Ento, ns vamos conversar."

"Eu tenho um estmago forte," ela insistiu, dando um
sorriso leve com os lbios.

Ele pegou o garfo, abaixando o olhar. Mesmo querendo, este
nao era o momento para sorrisos suaves. "Talvez eu nao tenha."

* * * * * * * * * *

O apetite de Mulder parecia igual ao dela, enquanto ele mexia
com o jantar pra l e pra c. Eles ficaram em silencio enquanto
comiam, e ela aproveitou a oportunidade para estuda-lo e 
organizar seus pensamentos.

Ele cortou o cabelo desde que ela esteve em Utah, mas
ele precisava de um gel, pelo menos na opiniao dela - tinha
uma mecha incontrolavel que se recusava a ficar no lugar.
De vez em quando, ele jogava a mecha pra trs, com os dedos, 
impaciente. Mulder fez a barba, e havia uma pequena marca vermelha
no queixo que dizia que ou ele estava sem pratica, ou nervoso.
Ela podia entender, visto que ela mesma esteve nervosa at vir
aqui.

No geral, ele era um homem bonito, com um sorriso devastador e olhos
lindos, velhos, mas mornos. Em outra epoca, ela poderia ter cado ao
seu charme. E ele era encantador, ela tinha que admitir. Inteligente,
e um humor seco - Deus, ela teria cado dura por ele.

Mas havia alguma coisa na atitude dele, que nao a amedrontava,
mas a deixava incomodada. Ele nao estava acostumado a bancar
o cavalheiro, e isso era bvio. Mas seu uniforme estava imaculado,
e suas maneiras, mesmo que foradas, foram ensinadas numa idade
mais tenra.  Ela quis saber o que aconteceu na vida dele. O
comportamento na cabana foi intimidador, e agora, ele estava
tentando conter tudo aquilo que o levou a agir daquela maneira.
E desta vez, ela achou que sabia o que era.

Quando o garom pegou os pratos, e trouxe o caf, ela
murmurou. "Voc nao estava brincando."

Perdido em pensamentos, assim como ela, o olhar dele era
confuso. "Como?'

"Sobre seu estmago.  Voc nao comeu quase nada."

Ele pegou a xicara com as duas maos, parecendo hipnotizado pela
bebida fermentada. "Eu nao tenho fome."

Ela somou acar e leite ao caf, sabendo que chegou a hora
de ouvir a historia de Mulder. "Acho que voc nao quer
sobremesa, ento."

Ele olhou pra cima, de repente, como se tivesse se lembrado -
mais uma vez - de sua falta de cortesia. Elevando a mao ao garom,
ele disse depressa. "Eu sinto muito. O que voc gostaria de comer?"

Antes de poder se impedir, ela colocou a mao sobre o brao forte.
Aquela sensao de calor, que ela viu na cabana, voltou ao olhar
de Mulder. Lentamente, ele olhou para o rosto dela, e depois para 
a mao. Ela retirou-se de sbito, dizendo. "Nao quero sobremesa,
obrigada. Mas eu gostaria de algumas respostas."

Mulder empalideceu um pouco, coando a mandibula. Ela notou uma
pinta em seu rosto. Era bem atraente. Dava-lhe um pouco de distino,
nao que ele precisasse de mais - ela notou os olhares de admirao
das mulheres no dinner enquanto eles estavam jantando. Mais
uma vez, ela lamentou as circunstancias do encontro deles com
o corao pesado. Mas no... eles nao podiam mais voltar...

"Voc sabe que eu trabalho na Inteligncia Naval."

A declarao dele fez ela voltar a si. "Com Charlie, ao que
parece."

"Yeah. Ele era meu contato em Honolulu ".

"E sobre este Chang?"

Ele suspirou, olhando para todos os lugares, menos pra ela.
"Eu fui designado para trabalhar em Hong Kong, em 1939, quando o
Japao comeou a dificultar as coisas na Asia. O governo me
transformou num comerciante holandes - eu sou fluente em varios
idiomas."

Ela se lembrou das perguntas dele em vrios idiomas, latidas pra
ela, que nao entendeu nada, a nao ser o japons. "Com que propsito?"

"Suspeitavamos que os japoneses estavam comeando seu comercio
de pio. Que eles usavam seus lucros para financiar seu exercito.
No comeo, eu deveria manter um olho nas coisas, e informar qualquer
atividade suspeita."

"No comeo?" ela quis que ele olhasse pra ela. Era dificil
le-lo quando aqueles olhos expressivos estavam virados em
outra direo.

Ele tragou o ltimo gole do caf antes de responder.
"Entao me encontrei com Chang." ele olhou pra ela, com olhos
sombrios. Ela quase ofegou ao ver a dor e culpa l. "E agora
eu tinha uma conexo. E como se descobriu, era 'A' conexo.
Ele era -  - o jogador principal na Trade Chinesa."

"A Mfia?" Surpresa iluminou a face dele; ele no devia
esperar que ela reconhecesse o termo. "Debaixo deste cabelo
fabuloso tem um crebro, sabia?" ela disse, seca, acenando uma
mao para o cabelo, coberto pelo chapeu.

Ele sorriu, e era como se a escurido sobre ele dissipou um
pouco. "Yeah, eu meio que j notei isso." admirao apareceu
em seus olhos, esquentando-a mais do que o caf.

Ela sentiu o vento das aguas perigosas, e o afastou. "Ento...
quao fundo voc foi?"

O sorriso dele enfraqueceu e Mulder se apoiou pra trs, brincando com
a xicara vazia. "Profundamente. Quando Skinner - Nosso CO - soube
que eu recebi uma proposta para trabalhar com Chang, minhas ordens
mudaram."

"Mudaram? Como?"

"Antes disso, os japoneses ocuparam Hong Kong. Vamos dizer
que Chang era bem amigvel com os oficiais -e meu trabalho era
ter certeza de que eles permanecessem felizes."

Algo na face dele lhe contou que ela nao ia gostar do
que estava por vir. Mas ela tinha que ouvir tudo. "E qual era
o seu trabalho?"

"Tomei conta da Lua da China" ele hesitou, e ento somou.
"Chang nao estava feliz apenas com os milhoes do comercio de
pio. Quando os japoneses vencessem, ele queria controlar Hong Kong."

"Bem ganancioso, nao ?" Mulder nao respondeu a tentativa dela
para suavizar o clima. "Essa Lua da China... era uma armadilha, 
nao era?"

"Pode-se dizer que sim" ele finalmente olhou pra ela, o rosto
um retrato doente de auto-repulsa. "Vamos dizer que, o que
os japoneses queriam, eu conseguia pra eles. Em troca, Chang
tinha bastante material para chantagem. Eu consegui muitos
segredos militares." os olhos dele falavam de coisas
criminosas, sujas, e um fluxo de todo tipo de vicios.

Scully estava muda. Quando Mulder disse que tinha feito
coisas que nao se orgulhava, ela nunca sonhou que ele
era pouco mais do que um criminoso comum.

"Belo heroi, hein?"

A observao dele disse muita coisa sobre a maneira que
ele se sentia sobre seus servios na guerra. Depois que o
choque inicial passou, ela percebeu, depressa, que nao importava
a maneira como ele fez o trabalho dele - o fato que permanecia
era que ele fez o trabalho.

Com certeza Charlie sabia  o que Mulder teve que fazer em Hon Kong, 
e ele nao era contra seu amigo. Na verdade, Charlie sempre defendia
Mulder. Ela passou a maior parte do dia de Natal ouvindo os elogios
sutis de Charlie sobre seu amigo, apesar dos olhares de advertencia
que ela dava para seu irmao.

Mulder pigarreou e pediu a conta. "Eu deveria ficar at
o fim da guerra, mas, em fevereiro, eu nao podia mais aguentar.
Nao podia aguentar no que me transformei. Skinner e Charlie
sabiam que eu estava no limite, e foi organizada uma retirada para
mim."

Ele no podia aguentar no que se tornou. Essa declarao, intercalada
entre as outras duas, fez ela ver o que ele era - um ser humano rachado,
quebrado. Ele estava certo. Ele nao era um heroi, mas era um
soldado amargo, que lutou por seu pas da maneira que sabia.
Ento, e da se ele finalmente nao aguentou mais, e 
pediu para ser retirado de seus deveres?

Ainda havia uma pergunta a ser feita. "Chang. Do que
entendi, ele nao te deixou sair facilmente."

Mulder deu um riso amargo. "Nao depois que eu queimei
seus depositos e explodi alguns navios dele, numa despedida
apaixonada."

Scully branqueou.  "Ele est atrs de voc."

"Voc pode dizer que sim. Pensei que o bastardo tinha 
queimado junto com sua mercadoria. Mas parece que eu estava
errado."

Deus.  Momentos atrs, ela estava  beira do choro por
causa da historia dele. Mas isso foi antes deste pedao entrar
no lugar. Chang ainda estava atrs dele - atrs de vingana.
Se Chang fosse o tipo de criminoso que Scully suspeitava que
ele era, ele nao deixaria ninguem se meter em seu caminho.

E aqui estava Mulder, sentado ao ar livre com ela, se
expondo para explicar. E pior - colocando a familia dela
na linha de fpgp. "Nao posso acreditar em voc" ela falou,
furia na voz. "Voc acha que eu quero voc perto de mim ou
da minha familia?"

"Scully, me escute -" Ele colocou a mao sobre a dela, prendendo-a
sobre a mesa, seu rosto desesperado.

"Nao." tirando a mao, ela ficou de p, pernas tremulas, nao querendo
ouvir mais nada sobre suas explicaes. Nao importava o quanto ela
simpatizou com sua historia - o fato permanecia: ele era uma
bomba relogio ambulante, e a exploso poderia levar a familia dela
junto com ele.

Tio Mike escolheu aquele momento para interromper, dizendo que
o jantar era cortesia da casa. Mulder ficou mudo, vendo ela
vestir o casaco.

"Dana, qual  a pressa?" seu tio disse. "Fique por algum tempo.
Tome mais um cafezinho."

Ela olhou ao redor do ambiente, procurando um sinal de ameaa.
Mulder ficou de p, e vestiu o casaco devagar, falando com
Mike. "Obrigado, Mike, mas temos que ir andando."

Ela deu um beijo no rosto de Mike e fugiu, nao escutando
a despedida de Mulder. O ar da noite estava frio, e ela nao
perdeu tempo acenando para txis na rua. Droga. S quando ela
estava comeando a sentir pena dele, Mulder vem com
essa bomba - ele nao tinha direito de colocar sua familia
em perigo, e com certeza Charlie iria escutar poucas e 
boas quando ela chegasse em casa.

"Diga pro Charlie que eu sinto muito."

A suave declarao dele fez ela vacilar, mas Dana nao se virou.
"Dizer o que pra quem?" ela rangeu, nao interessada
em nada, a nao ser se afastar deste homem.

"Diga pra Charlie que eu sinto muito."

Impacientemente, ela se virou pra ele. "Pelo que?"

"Ele vai saber" ele virou a gola pra cima, a face dele
na sombra. "E eu realmente sinto muito por tudo que
fiz contra voc, Dana."

Furiosa, ela s ficou olhando fixo pra ele. Mulder colocou
as maos no bolso, os olhos buscando o rosto dela pela ultima
vez.

"Eu sei que nao  desculpa, ou explicao, mas estar com
voc... foi como estar em casa. Eu me senti... inteiro."

Ele se virou e se afastou, a figura alta dele
misturando-se com a noite. A raiva dela caiu para 
cinzas ao ver os ombros largos curvados, e por um
momento, ela se permitiu chorar pelo que poderia ter
sido o destino, o sussurro dela umido e rasgado.

"E eu tambm."

Fim do capitulo oito



A FAMILIAR HEART
Captulo Nove

Quando ela desceu para o caf da manh no outro dia, Dana 
foi cumprimentada pelo cheiro de toucinho na cozinha, e 
um Charlie arrasado no telefone do corredor.

"Ei" ela bateu no ombro dele. "O que foi?" ela estava 
completamente preparada para qualquer coisa relacionada 
a Mulder e ao casamento, mas a cara feia do irmo a 
preocupou. Havia alguma coisa errada.

Charlie olhou pra ela, com o receptor do telefone embalado 
entre a orelha e ombro. Um sorriso fraco apareceu em seus 
lbios. "Ei, Sprite, como foi o filme?"

Lembrando-se da desculpa dela para sair ontem  noite, 
ela devolveu o sorriso. "Bom. Gable est ficando cada vez 
melhor." ela acenou para o telefone. "Algum problema?"

"Um... nada.  que eu no consigo encontrar Mulder. Ns 
deveramos--" ele voltou para a conversa. "Sim? Isso..."

Scully saiu para a cozinha, em busca de caf, as palavras 
de Charlie ainda em sua cabea. Ento, Mulder tinha ido 
embora mesmo.

<Diga pra Charlie que eu sinto muito.>

Ela sentiu alvio, misturado com culpa. Parecia que ela 
no precisaria contar para Charlie sobre o encontro dela 
com Mulder. O padrinho dele parecia ter cuidado disso 
pessoalmente. Por um lado, ela estava contente por ele ir 
embora, e levar junto suas aflies. A famlia dela era 
a coisa mais importante aqui. Por outro, ela se sentia 
mal por Charlie ficar magoado com o sumio de Mulder. Mas, 
Deus - o homem era perigoso! Charlie sabia que no poderia 
expor sua famlia e amigos para este tipo de ameaa.

"Caf, Dana?"

Maggie estava no fogo, olhando sua filha se aproximar. 
Scully murmurou um 'bom dia' para sua me, e pegou a 
panela no fogo.

"Cuidado, ainda est fervendo" Maggie advertiu. "O caf 
da manh vai estar pronto em mais dez minutos, ento, 
ser que daria para voc pegar o jornal l na calada 
antes que seu pai desa?"

"Claro, me" ela inclinou o caf e sentiu o forte aroma. 
Pegando uma quantidade generosa de acar e leite, ela 
voltou para o corredor.

Charlie desligou o telefone com um suspiro. Sua postura 
derrotada fez o corao dela doer, e ela colocou uma 
mo no brao dele. "Qual  o problema?" Se ela tinha 
uma parcela de culpa na partida de Mulder, o mnimo que 
ela poderia fazer era consolar seu irmo. E Bill faria 
um bom padrinho, ela pensou, mesmo que seus dois irmos 
brigassem como co e gato.

"Mulder foi embora." Batendo o bloco de papel contra a 
coxa, ele murmurou. "Droga."

"Ele o que?" aja friamente, ela se falou. Fique surpresa, 
e ento seja simptica.

Charlie voltou ao telefone, discando outro nmero que ele 
leu em voz alta no papel. "Ele no est na casa dos pais 
- eles acham que ele est em algum hotel, mas no tenho 
certeza disso. Eu sabia que ele ia fazer uma coisa como 
essa. No importa quantas vezes eu diga pra ele que est 
tudo bem- Sim? Al?"

"O que est tudo bem?" isso era mais do que simples mgoa 
sobre o padrinho dele t-lo abandonado. Charlie estava 
realmente preocupado sobre Mulder ter ido embora, e estava 
fazendo o mximo para localiz-lo.

"Ele no se registrou? Certo, obrigado" ele jogou o bloco 
na mesa, e esfregou o rosto com a mo, murmurando, "Onde 
diabos ele foi?" ele pegou o telefone e discou de novo, 
desta vez com mais fora. Ele ignorou o puxo de Dana em 
seu brao, acenando com a mo para ela esperar. "Sim. Aqui 
 Charles Scully. Preciso falar com o Comandante Skinner, 
imediatamente."

Ela andou para a sala de estar, tomando um gole do caf, 
tentando parecer desinteressada enquanto escutava Charlie 
latir ordens. Ao que parecia ele telefonou para seu CO no 
Pentgono, e estava pedindo para eles tentarem descobrir 
o paradeiro de Mulder. Ela ouviu o nome de Chang algumas 
vezes, e ento, quando Charlie notou que ela estava parada 
na entrada, ele abaixou a voz para ela no ouvir nada.

Claro que ele no pensava que Chang tinha pego Mulder, no 
? Seu corao bateu mais rpido - no, Mulder tinha ido 
embora por causa da exploso de raiva dela ontem  noite. 
Ele s viu que no podia ficar aqui, sem fazer todos 
correrem perigo.

O som do telefone fez ela pular, e Charlie passou por ela. 
"No posso acreditar que ele fez isso comigo."

"Fez o que?"

"Me deixou na mo, s isso" Charlie rosnou. "Eu disse pra 
ele que no teria problema nenhum ele estar aqui, e ento 
ele faz isso. Por que diabos ele se incomodou em vir at 
aqui, se ia embora to rpido assim?"

Um baque estpido montou uma casa na cabea dela, mostrando 
a razo de Mulder ter vindo: ele queria se explicar. No 
para Charlie, mas para ela. Ele sabia quem era ela - se 
no antes de deixar Utah, pelo menos quando chegou em 
Maryland. Ele no veio de to longe s para ser o padrinho 
de Charlie. Ele veio s para se desculpar com ela, tentar 
fazer a coisa certa. Esta era a nica resposta que fazia 
sentido. Mas as perguntas sem resposta ainda estavam em 
sua mente, e ela estava determinada a saber da histria 
completa.

"Charlie."

"O que ?"

"Por que voc disse que no tinha problema ele vir at 
aqui? Ele no poderia vir ao seu casamento?"

Charlie caiu na poltrona do pai deles, olhando para o 
corredor, como se pudesse fazer o telefone tocar apenas 
com seu olhar. "Eu vou te contar uma coisa, Sprite, mas 
voc tem que me prometer que no vai contar pra ningum" 
ele lhe deu um olhar severo.

Deus, ela no tinha certeza se queria ouvir os detalhes 
sangrentos. Mas ela tinha que saber se Mulder queria, 
desde o comeo, partir ou ficar, e se no foi ela quem o 
mandou embora. E algo no semblante de Charlie lhe dizia 
que a deciso de seu amigo estava mais baseada nas palavras 
severas dela do que no casamento.

Sentindo medo, ela foi para o sof, sentando na beirada. 
"Eu prometo."

Charlie suspirou, abaixando a voz. "Mulder fez coisas 
muito ruins em Hong Kong. Muitas coisas bem piores do 
que ele falou ontem  noite."

<Belo heri, hein?>

A voz de Mulder ecoou na cabea dela enquanto Charlie 
continuava. "Eu o conheci antes que ele fosse mandado 
pra l, em 39. Ns tivemos o treinamento bsico, juntos. 
Claro que ele era o mais velho do grupo." Charlie sorriu 
com a lembrana. "Ele tinha uns 25 ou 26 anos. Eu s 
tinha dezoito, mas qualquer um com mais barba do que 
eu era velho."

"Ele  inteligente, sabe? Muito mais do que aparenta. Eu 
queria fazer uma carreira, como o papai, ento eu fui pra 
l. E tive sorte de entrar na Inteligncia com Mulder."

Ela sabia que era uma declarao modesta. Charlie era 
mentalmente rpido e gil, perfeito para o trabalho 
intuitivo que a Inteligncia Naval exigia.

"Mas Mulder? Deus, Dana - ele podia falar seis ou sete 
idiomas, podia se lembrar de palavras lidas apenas uma 
vez. O homem foi para Oxford, pelo amor de Deus. O pai 
 riqussimo, e Mulder podia ter qualquer trabalho que 
quisesse no governo."

"E por que ele no optou por isso?"

"Ele nunca deu um motivo, e eu nunca perguntei. Mas eu 
acho que foi por causa da prpria famlia. O irmo caula 
dele era perfeito, sabe? Mulder ficava me falando sobre 
Sam, como o garoto tinha conseguido uma vaga em Princeton, 
jogava beisebol muito bem, como Sam se formou com honras, 
Sam isso, Sam aquilo. E no era inveja no. Acho que Mulder 
tinha muito orgulho de seu irmo. Mas eu acho que ele se 
sentia inferior, pelo menos aos olhos do pai."


Charlie parou, unindo as mos, que descansavam sobre os 
joelhos. "Acho que ele queria fazer alguma sozinho, sem 
a ajuda do pai."

Ela viu essa declarao como um reflexo do prprio Charlie, 
em relao a Bill. Dana nunca viu seu pai tratar os filhos 
de maneira diferente, mas Bill gostava de mostrar a virtude 
que tinha sobre ser o primognito. Era Bill que estava 
destinado a ser capito, e no Charlie. Mas ela sabia que 
Charlie estava satisfeito com seu trabalho, e era muito 
bom, algo que seu pai viu recentemente. O casamento seria 
uma celebrao final do estado adulto de Charlie... e ela 
veio e colocou uma rachadura na situao.

"Bem, ele agarrou a chance de ir para Hong Kong. Ele era 
perfeito para a tarefa, e eu fiquei em Honolulu para me 
comunicar com ele. Ento, ele encontrou Chang." Charlie 
deu um olhar azedo, e pendurou a cabea, olhando pras 
mos.

"Chang?" levou toda sua fora para Dana agir como nunca 
tivesse ouvido o nome. Mesmo assim, a mentira deixou um 
gosto amargo na boca, e ela tomou um gole de caf.

"Yeah. Chang era coisa ruim. Ele era dono do comrcio 
principal de pio, contrabando, em Hong Kong. Quando 
Skinner - nosso CO - ouviu falar disso, ele ordenou que 
Mulder ficasse grudado em Chang. Fiquei de boca fechada, 
mas no gostei nada desta histria. Era perigoso, e ns 
dois sabamos disso."

Isso estava ficando terrvel a cada minuto. Olhando para 
Charlie, ela apertou as mos dele. "Conta pra mim." Dana 
sentiu lgrimas nos olhos. Lgrimas por Charlie, que 
tinha que agentar isso, e por ver Mulder to cheio de 
problemas... e que devia ter se preocupado muito com ela, 
mais do que ela havia pensado.

"Depois de um tempo, o plano de Skinner mudou, mas Mulder 
no podia fazer nada - as ordens eram especficas: Mulder 
tinha que ficar l. Ele estava conseguindo timas informaes 
sobre o movimento das tropas de Chang, sobre clientes 
japoneses - principalmente oficiais que gostavam de ficar 
na Lua da China."

Mais uma vez, outra palavra que ela j ouviu antes. "O que 
era a Lua da China?"

"Chang deu a Lua da China para Mulder tomar conta. O lugar 
era bom, do que eu sei... lustres de cristal, interior de 
madeira... e todas as mulheres e drogas que uma pessoa podia 
querer."

Meu Deus... Mulder era dono de um bordel! Ela sentiu 
desgosto no estmago; ser que ele aproveitou dos servios 
daquelas mulheres? Com certeza ele era sexualmente ativo 
se o desempenho dele na outra noite foi alguma indicao. 
Claro que ela no tinha como compar-lo com outros homens... 
maldio! Ela no tinha que pensar nele dessa maneira.

O desgosto no rosto dela deve ter aparecido claramente, 
pois Charlie apertou os dedos dela. "Ele no fez isso, 
Sprite. Acredite em mim."

"Como voc pode saber?"

"Porque ele  um homem honrado. E porque esta  uma das 
coisas que ele mais odiava sobre trabalhar em Hong Kong - 
quando ele voltou para c, ouvi veneno na voz dele quando 
ele falava na maneira como as mulheres de Chang eram 
tratadas. Como propriedade, como se fossem mveis. E ele 
no podia fazer nada sobre isso."

Mesmo assim ele fez amor com ela. Mesmo durante a relao, 
onde ele foi grosso, rude, ele foi terno com ela.

<Era como estar em casa.>

Soltando a mo de Charlie, ela ficou de p e andou at a 
lareira, fechando os olhos enquanto ficava de costas para 
seu irmo. As palavras pareciam tirar toda sua fora, cada 
um cheia de medo. "Isso no  tudo, no ?"

Charlie suspirou atrs dela. "No. No fim, Chang comeou 
a suspeitar de Mulder. E fez uma das garotas colocar, bem 
devagar, um pouco de pio na comida dele."

O frasco. A insistncia paranica dele de que ela estava 
l para drog-lo ou envenen-lo. "Ele ficou..." ela 
tropeou um pouco, e ento respirou fundo. "Ele ficou 
viciado?"

<No pude agentar no que me tornei.>

"Quando ele comeou a sentir os efeitos, Mulder percebeu 
o que Chang estava fazendo. Ele no podia recusar comida, 
pois significaria morte certa pra ele. Ento, ele foi junto, 
comendo o suficiente apenas para sobreviver, at cair fora. 
Eu tentei fazer Skinner tir-lo de l, mas no adiantou. 
As mos de Skinner estavam to amarradas quanto as minhas. 
E tudo explodiu em fevereiro."

Fazendo seu rosto ficar mais tranqilo, ela se virou, braos 
cruzados sobre o peito. "O que aconteceu em fevereiro?"

Charlie estava plido. "Eu retransmiti uma mensagem pra 
Mulder - o irmo dele morreu em ao."

"Deus", ela sussurrou, sentindo a dor de Mulder como se 
ela estivesse l com ele.

"Isso o quebrou, Sprite. Acho que ele ficou um pouco louco. 
A mensagem que ele mandou de volta era fria e louca. Ele 
me disse que era melhor eu achar um meio de transporte pra 
ele, pois ele estava saindo de Hong Kong, no importava o 
que Skinner dissesse. E se ns no lhe arrumssemos um 
transporte, ele ia queimar tudo que era de Chang. Ele j 
tinha agentado o bastante."

<Eu queimei toda a mercadoria dele e explodi os navios, 
num gesto de despedida.>

Ela teve uma sbita imagem de Mulder louco, e ficou sem 
flego. Porque isso era to familiar? Ele viu anjos enquanto 
queimava os depsitos? Haviam vozes que lhe diziam que, 
no importava o que, com a morte vinha a liberdade? Ela 
tremeu s prprias recordaes,  prpria loucura, e quis 
saber como Mulder conseguiu sair disso, assim como ela. 
Ele poderia estar no limite em Utah, mas se controlou, na 
medida do possvel.

"Mas voc o tirou de l" ela falou, esperando que Chang 
tivesse morrido junto no fogo.

"Sim, mas no foi fcil. Um cruzador o avistou alguns dias 
depois que eu perdi contato com ele. Ele estava num barco 
de pesca cem milhas a sudoeste de Taiwan. Como diabos ele 
evitou a patrulha japonesa, eu no sei; ele deve ter remado 
pra longe de Hong Kong. Foi sorte ns o encontrarmos - ele 
estava muito mal. Mais um dia, e ele teria morrido."

"E o vcio?"

"Demorou alguns meses para ele se recuperar, mas parecia 
que ele estava bem, e ento ns descobrimos que Chang 
estava atrs dele, querendo vingana. Charlie ficou de 
p e olhou para fora da janela, mos nos quadris. "Droga" 
ele rosnou. "Ele esteve fora de contato desde agosto. 
Ele no ia vir ao meu casamento, sabia? Mas eu disse pra 
ele alguns dias atrs que Chang tinha voltado pra Hong 
Kong. Mulder no tinha com que se preocupar."

Ela viu as costas de Charlie tensas, e sabia que era a 
responsvel. Mulder tentou lhe dizer ontem  noite que 
eles no estavam em perigo, mas ela estava com muita 
raiva, e muito egosta para escutar. A injustia que ela 
fez com Mulder e a dor que causou em Charlie fez ela 
sentir como se uma pilha de tijolos, de duas toneladas, 
estivesse sobre ela.

Mas como ela poderia consertar isso? Mulder tinha ido 
embora, e mesmo se Charlie pudesse ach-lo, ela duvidava 
que Mulder escutasse o que ele tinha a dizer. E de jeito 
nenhum ela ia se arriscar a chegar perto de Mulder. Sim, 
ele no era o que ela pensou, mas ele ainda era perigoso 
demais para sua prpria paz de mente.

Ela era bem covarde. Uma boba que achava que toda dor do 
mundo tinha cado sobre seus ombros. J no era ruim o 
suficiente ela ter enchido Charlie com tudo que aconteceu 
com ela em Los Banos? No... ela tinha que vir e arruinar 
o casamento dele fazendo o padrinho fugir desesperado.

O toque alto do telefone fez ela pular. Charlie girou e 
correu para o corredor, e ela o seguiu, espiando as respostas 
ofegantes de Charlie.

"Yeah? Ele fez isso? Obrigado." assim que desligou, ele 
pegou o casaco, dando um beijinho no rosto de Scully 
enquanto colocava o casaco e as luvas. "Te vejo depois, 
mana."

"Espere um pouco" ela convocou, parando-o no meio da porta, 
j aberta. "Pra onde voc est indo?"

"Eu e Mulder deveramos ter encontrado Skinner esta manh. 
Mas ele foi l e saiu. Uma das assistentes disse que ela 
ouviu ele falando no telefone antes de partir - checando 
os horrios da Estao de Trem Dupont."

Um horrio. Muito irnico que a maquinao dela fez Mulder 
pegar um trem pra fora da cidade. Literalmente. "Charlie?"

"Sim?"

"Voc acha que ele vai voltar com voc?" ela no estava 
preocupada de que Mulder contaria sobre o jantar com ela 
ontem  noite. No, pela honra no dita entre eles, ambos 
no falaram nada sobre o que aconteceu em Utah. Ela estava 
mais preocupada era com Charlie, que teria que implorar at 
ficar azul, e Mulder no voltaria atrs em sua deciso para 
partir.

" melhor ele voltar. Ele no tem mais que se esconder, e 
eu com certeza vou fazer ele ver isso."

Scully se mexeu, nervosa. Charlie parou, a mo na maaneta, 
franzindo a sobrancelha, confuso. "Mana?"

Maldio. Ela sabia que ia se arrepender por isso, mas 
precisava ser feito.

* * * * * * * * * *

Estava fora frio na plataforma, mas pelo menos no estava 
nevando mais, Mulder pensou. Seu corpo estava apertado dentro 
do casaco pesado e leno, e ele quase queria estar usando 
seu uniforme. O chapu esquentaria sua cabea tambm. Mas, 
Deus... ele j estava cansado do uniforme. No foi nada bom 
usar aquela coisa, e de fato, a roupa trazia lembranas que 
ele queria esquecer.

Skinner no ficou nada contente por ele ter aparecido cedo 
demais para a instruo especifica sobre Chang, dizendo que 
Charlie deveria estar l tambm. Mas Mulder mentiu, dizendo 
que havia uma emergncia familiar na Flrida, e ele precisava 
ir pra l.

Verdade seja dita, os pais dele estavam indo de Washington 
para a Flrida esta manh bem cedo, e seu pai iria pegar 
algum som e jogar golfe em Miami. Mulder podia ficar na casa 
deles por tempo indeterminado, de acordo com sua me, mas 
a carranca do pai fez ele mudar de idia. Mulder nem mesmo 
tinha uma chave da casa. Belo lar.

Alm disso, depois de v-la ontem  noite, e ouvir suas 
condenaes, ele queria ir para o mais longe possvel. Uma 
sensao de culpa sobre abandonar Charlie fez ele baixar 
os ombros, mas Scully estava certa - ele no tinha direito 
de expor a famlia feliz deles a qualquer tipo de perigo, 
ou a qualquer coisa associada ao seu passado indigente. 
Incluindo a ele mesmo.

Ele no era merecedor do cl amigvel e familiar dos Scully, 
especialmente Dana, que ainda parecia uma inocente. Jesus. 
Ele fechou os olhos contra o claro do sol, querendo saber 
se ele se perdoaria algum dia por aquela transgresso.

"Mulder!"

Ele se virou ao ouvir o grito, fazendo uma careta ao ver 
quem era. Charlie - com um sorriso de alvio que aparecia 
l de baixo. Ele devia saber que seu amigo o pegaria. 
Maldio. Mais dez minutos e ele estaria no trem das 11h15 
para o oeste. Colocando as mos nos bolsos, ele endireitou 
os ombros e se preparou pelo pedido que iria vir.

Sorrindo, ele olhou para seu ofegante amigo. "Veio se despedir?"

O alvio de Charlie se transformou depressa numa cara feia. 
"Eu deveria chutar a sua b**da por isso. Venha comigo" ele 
pegou a bolsa de Mulder.

"No vou voltar, Charlie." ele ficou de lado, dando para 
Charlie uma mostra de seu perfil implacvel, orgulhoso.

E teimoso.

"Sim, voc vai. No precisa se preocupar com nada, Mulder. 
Voc falou com Skinner esta manh - Chang foi embora." ele 
colocou a bolsa sobre o ombro. "Voc quer as suas roupas? 
Vai ter que vir comigo."

"Pode levar. Assim que voltar para San Diego, vou pedir 
dispensa. Eu teria feito isso aqui, mas Skinner se recusou 
a aceit-la."

Do canto de olho, ele viu Charlie derrubar a bolsa no cho 
de madeira. A bolsa fez um som estpido, e Mulder quase 
vacilou ao ouvir a mgoa na voz de Charlie. "Voc o que?"

"Voc me ouviu. Eu estou fora." ele deu um olhar de lado 
para Charlie, e ento derrubou o queixo ao ver a tristeza 
no rosto desanimado do amigo. "Eu s no estou... pronto, 
Charlie. Pronto pra vida do lado de fora..." ele falou como 
se estivesse estado numa priso, mas ele achava que era.

Um lugar sujo, escuro, que ele estava arranhando a porta, 
querendo sair. E o tempo curto que ele passou com a famlia 
de Charlie provou a Mulder que ele tinha perdido o jeito 
de lidar com as pessoas normais, com simples coisas como 
bons modos e sentimentos sinceros. Machucou, e ele no 
tinha certeza se curaria.

"Mulder, no... voc no pode rastejar e se esconder. Eu 
no vou deixar."

Mulder apertou os lbios ao ouvir o resmungo insistente 
de Charlie. Era to fcil para seu amigo estar ali de p, 
e implorar para ele ficar... ele foi o companheiro mais 
decente que ele teve o prazer de conhecer. Mas Mulder no 
imaginava os prprios pais fazendo tal apelo, nem nenhum 
dos que se diziam 'camaradas' do escritrio de Skinner.

E ele no receberia um pedido para ficar vindo dela... s 
de pensar nela, de p, ali, ao sol, um sorriso no rosto, 
e um 'por favor' nos lbios... Deus, ele tremeu. No. Isso 
era um sonho, e ele j teve muitos deles em Hong Kong, que 
nunca se tornava realidade. Por que Maryland seria diferente?

Um apito afiado perfurou o ar, e ele viu o trem se aproximando. 
"Olhe Charlie" ele disse, ficando de frente para o homem 
mais jovem. "Eu no posso--"

"Sim, voc pode."

Macia e precisa, as palavras cortaram o ar atrs dele, e 
a boca de Mulder se abriu, o prprio protesto sufocado em 
seu corao. No, no podia ser. Ela estava ali para pegar 
a bolsa dele, jog-la pra dentro do trem, e empurr-lo pra 
dentro tambm. Era por isso que ela estava ali. E ele estava 
ouvindo coisas.

"J era tempo de voc chegar, Sprite." Charlie disse. "V 
se coloca um pouco de bom senso nessa cabea dura."

"Eu demorei um pouco por que tinha que encontrar um lugar 
para estacionar, Charlie."

Lentamente, Mulder se virou e viu ela de p, a alguns 
metros deles. Ela no estava sorrindo, mas ela o olhava 
com olhos mornos e intensos, os cantos da boca doido 
para deixar um sorriso sair. O casaco dela estava aberto, 
agitado pelo ar frio, e as bochechas estavam beijadas com 
um rubor cor-de-rosa. Ela parecia que tinha acabado de 
acordar, e Mulder pensou que nunca viu nada to bonito.

Debaixo de seu olhar fixo, ela finalmente abaixou o olhar, 
as mos deslizando para dentro do bolso do casaco.

"Voc no vai me deixar andar sozinha naquele corredor, 
Mulder." ela murmurou. "Eu estou com o tornozelo machucado, 
e voc sabe disso." para enfatizar, ela mostrou um pezinho. 
Ainda assim, os olhos dela permaneceram abatidos.

"Yeah", Charlie aproveitou a deixa, aparecendo ao lado de 
Mulder. "Se voc no fizer isso, vou ter que pedir pra Bill. 
E ele tem dois ps esquerdos. Quando ele pisar no p dela, 
vai ser guerra bem no meio da Igreja, e a me iria desmaiar 
na mesma hora."

Mulder pigarreou, querendo saber se teria fora para suprimir 
seu grito de alegria. Era difcil, mas ele conseguiu falar: 
"Acho que posso ficar" ele disse, sentindo um riso idiota 
agarrar seu rosto, apesar de tentar se conter.

Charlie cutucou Mulder, pegando a bolsa de novo. "Eu sabia 
que estava trazendo os reforos certos." Ele sussurrou pra 
Mulder, que ficou corado.

Ele ficou sbrio, envergonhado por deixar Charlie testemunhar 
sua felicidade ao v-la. Decidido, ele agarrou a bolsa 
das mos de Charlie. "Vou pegar um txi para o hotel 
mais prximo, e te ligo depois, ok?"

"Hotel? Voc est brincando! E a casa dos seus pais?"

"Eles trancaram tudo para o inverno, esta manh. Eles 
foram pra Miami pegar algum sol" seu olhar duro advertiu 
Charlie para no insistir no assunto dos pais de Mulder. 
"Eu posso conseguir um quarto, sem problema."

"Fora de questo" Charlie respondeu. "Temos muito espao, 
no , Sprite?"

Mulder, ainda assistindo Scully, viu ela erguendo o queixo. 
Ele esperou, sabendo que uma palavra dela o faria entrar 
naquele trem. Ela arregalou os olhos um pouco, e ento 
ficou calma. "O sof  bem confortvel."

O sorriso de Mulder voltou, calor florescendo dentro de 
seu corpo, ao ver o simples gesto dela de uma trgua. 
"No me importo com sofs. Alguns de meus melhores amigos 
foram sofs." ele apertou os lbios sobre a observao 
inane, olhando pra outro lugar.

"Ento, t tudo resolvido" Charlie declarou. "E me d as 
chaves, Sprite, que eu tiro o carro. No podemos deixar 
voc usar muito este tornozelo." Scully fez como ele pediu, 
e observou enquanto Charlie ia na frente, antes de se virar 
para Mulder.

"Alguns de seus melhores amigos eram sofs?" ela perguntou, 
suave. "E quem eram seus inimigos? Apoio pros ps?"

Mulder deu um passo pra ela, a voz macia enquanto ele via 
o vento chicotear o cabelo ao redor do rosto de Scully. 
"Pensei que meus nicos adversrios eram um chefe da mfia 
chinesa e uma ruiva delicada. Parece que, a partir desta 
manh, eu perdi os dois."

Apertando o casaco, ela ergueu uma sobrancelha. "Eu no 
apostaria nisso, Mulder." Virando, ela comeou a andar. 
"Agora, ande marinheiro. No temos o dia todos."

Ele andou ao lado dela, sorrindo. No porque ele estava 
ficando para o casamento. No porque ele estava ficando 
na casa *dela* por poucos dias. Nem mesmo porque ela 
pessoalmente veio  estao para conseguir que ele ficasse.

Era porque, mesmo que ela tentasse esconder, o sorriso 
estava l. E ele ouviu o sorriso na voz dela tambm.

Este feriado estava comeando a mostrar que ia ser cada 
vez melhor.

FIM DO CAPITULO NOVE


A FAMILIAR HEART
Captulo Dez

A me de Scully no ficou perturbada ao v-los voltando 
com Mulder a reboque. Scully tinha se preparado para o 
inevitvel round de perguntas, e ergueu uma sobrancelha 
 saudao muuuuito entusiasmada da me. Ela observou 
enquanto Charlie levava Mulder escada acima para colocar 
a bolsa no quarto de Charlie, e aproveitou a oportunidade 
para impedir o retorno da me para a cozinha.

"Me?"

Maggie apenas sorriu, e piscou, lendo os pensamentos da 
filha no mesmo instante. "Aquele jovem homem est muito 
sozinho, Dana" ela murmurou. "Eu vi isso na hora em que 
ele entrou aqui em casa, na outra noite." ela deu de 
ombros, esfregando as mos no avental. "E eu meio que 
escutei vocs falando esta manh."

"Me!" Scully branqueou, querendo saber o que mais a me 
dela ouviu - isto , o encontro dela com Mulder na cozinha, 
na noite anterior.

"No se preocupe, querida - eu no tenho o costume de 
escutar conversas ntimas. S que foi um acidente ouvir 
Charlie no telefone com o CO dele. S isso. Ele parecia 
muito preocupado com a partida de Mulder."

Scully suspirou, aliviada por sua me no ter ouvido a 
histria toda. Aceitar um soldado errante em casa era 
uma coisa, mas abrigar um homem com um passado sombrio - 
embora sem defeito - como o de Mulder, era outra totalmente 
diferente.

"Ele estava" ela concordou, feliz por Charlie estar contente. 
Ela s no sabia como iria agentar os prximos dias. 
Especialmente depois de ver a maneira como Mulder reagiu 
 presena dela na estao de trem. A alegria que ele 
demonstrou ao v-la deixou-a com calafrios na espinha 
quando ela pensava na lembrana.

"E voc?"

A pergunta suave e direta da me quebrou seus pensamentos. 
"Eu o que?"

"Pra mim, parece que voc poderia deixar Charlie pegar o 
amigo dele sozinho, mas voc no deixou. Eu fico me 
perguntando o por qu..." Maggie deu um sorriso de lado, 
zumbindo de volta pra cozinha. "O almoo est quase pronto." 
ela falou por cima do ombro. "V dizer pros meninos lavarem 
as mos enquanto esto l em cima."

Maravilhoso. Mesmo no entendendo que tipo de unio existia 
entre ela e Mulder, sua me sabia que havia algum tipo de 
atrao. Isso era tudo que ela precisava - primeiro Charlie, 
e agora sua me. Graas a Deus seu pai voltou ao Pentgono 
hoje, ou ele estava oferecendo um dote para Mulder, e 
charutos cubanos para ele escolher. Claro que seu pai 
voltaria para o jantar, assim como Melissa e as crianas 
e Ellen.

Deus, todo mundo estaria falando sobre ela e Mulder a cada 
oportunidade que aparecesse. Ela teria que falar com Mulder 
antes, e ter certeza de que ele no abastecesse o fogo 
casamenteiro da famlia. E ele no iria, claro. Por que 
ele faria isso? S porque ele ficou satisfeito em v-la 
na estao de trem no significava que ele esperava que 
um caso de amor florescesse. Ambos eram adultos inteligentes, 
capazes de coexistir como amigos.

O som de sapatos masculinos nas escadas fez ela olhar pra 
essa direo. Ela abriu a boca pra falar, e ento sentiu 
as palavras morrerem ao ver o olhar voraz no rosto de 
Mulder, que estava atrs de Charlie, um degrau ou dois.

Um brilho bom de transpirao apareceu no lbio superior 
de Scully. Isso no ia ser fcil. "Me disse para vocs 
lavarem as mos. O almoo est pronto." a garganta estava 
seca, pois Scully estava muito nervosa. Na estao de trem 
ela at que dominava as coisas, mas ali, com Mulder se 
movendo pra ela com a cautela lenta de uma pantera, nunca 
tirando os olhos sobre ela, Scully estava se sentindo a 
mais indefesa das criaturas.

"J fizemos isso, Sprite" Charlie falou, esfregando as mos 
enquanto ia para a cozinha. "O ltimo a sentar na mesa  
um ovo podre."

Mulder parou ao fim da escada, mos no bolso da cala. O 
pulver era de casimira, verde floresta, parecendo caro, 
e fazendo os olhos dele brilharem como esmeraldas. 
"Obrigado" ele falou, mantendo a distncia, mas emanando 
calor e vitalidade.

Scully sentiu esse calor invadir seu corpo, e dando um 
passo pra trs, ela lambeu os olhos. "Foi me quem fez 
o almoo. No eu."

"No foi isso que eu quis dizer" ele sussurrou.

Ela j sabia disso. As costas dela estava morna enquanto 
ela se virou e andou para a cozinha.

* * * * * * * * * *

"Acho que vou na casa de Melissa essa tarde."

A declarao de Scully fez todos pararem de comer a sopa 
e sanduches. Mulder baixou o rosto primeiro, sabendo que 
ela precisava de um pouco de espao. Mas a me dela no 
aceitou a deciso de Scully.

"Ns temos visita, Dana" ela repreendeu suavemente, dando 
um olhar de lado para Mulder.

"Est tudo bem" ele falou, depressa. "No sou visita - 
pelo menos no do tipo que vocs precisam fazer sala."

Charlie se meteu, e Mulder quase o chutou por debaixo da 
mesa. "Ns podemos ir juntos, no podemos, Sprite? Tenho 
certeza de que ela poderia tirar uma folguinhas dos 
garotos. Mulder e eu podemos mant-los ocupados enquanto 
vocs duas ficam fofocando."

No havia jeito de recusar, e Mulder viu uma expresso 
no rosto dela, algo misturado entre desprezo e exasperao 
antes que ela respondesse, de maneira irnica. "Claro. 
Vocs podem ajud-los a construir um boneco antes que a 
neve derreta."

Em outras palavras, fique fora do meu caminho, Mulder 
ouviu bem claramente. Na verdade, ele no se importava 
nem um pouco. Ela poderia reclamar o quanto quiser, 
jogar os filhos de Melissa para ele como se fossem 
granadas, e ainda assim, ele voltaria para pegar mais.

Essa oportunidade, estes poucos dias com ela eram um 
benefcio que ele nunca esperou ter. E com certeza ele 
iria tirar o mximo proveito da proximidade entre eles.

O problema era que havia uma linha bem fina que dividia o 
galanteio sutil, ou assust-la, ou pior, deix-la brava de 
novo. Ele teria que esperar que, ao ter um comportamento 
exemplar, ele poderia conquist-la.

Scully ficou de p, indo para a pia, levando seu prato. 
A me dela fez o mesmo, pegando as outras coisas com um 
sorriso. Enquanto as mulheres cuidavam da limpeza, Mulder 
suspirou, tentando fazer uma careta de desnimo para Charlie.

Mas era bem difcil, especialmente quando ele no queria 
nada alm de gritar em triunfo. Uma tarde junto com ela - 
bem, mais ou menos. Ele trabalharia como bab, mas dava 
pra aproveitar a situao. Crianas dormiam de tarde, no 
dormiam?

Se eles tivessem que construir um boneco de neve, ento, 
seria um grande boneco.

* * * * * * * * * *

"Eu deveria ter avisado o seu Sr. Mulder que Danny e Donny 
so conhecidos mundialmente por sua energia inesgotvel."

Scully olhou para sua irm com um olhar frio, tomando o 
caf. "Ele no  o *meu* Sr. Mulder."

Melissa olhou para fora, pela janela da cozinha, seu rosto 
curioso. Ela ignorou a correo de Scully, meditando. "Ele 
no  to mal assim. Um pouco alto e magro demais pro meu 
gosto, mas ele tem um sorriso bem bonito."

"Missy!"

Melissa saiu de perto da janela, e sentou-se ao lado da 
irm. "O que? Uma garota no pode olhar?"

Parecia estranho estar sentada na pequena cozinha da irm, 
discutindo os mritos de um homem bonito, mesmo que este 
homem fosse Mulder. Os dias de ansiedade sobre um heri de 
futebol americano local estavam no passado, bem longe, a 
inocncia desses dias perdida no lodo da guerra e misria.

Scully lamentou a perda, e percebeu que o mundo mudou, 
assim como ela. O marido de Melissa foi sua alma gmea - 
impulsivo, mas leal e amoroso. Mas ele tinha ido embora 
fazia um ano, e Scully no agentava ver Melissa sozinha. 
E sua atitude julgadora no estava correta.

"Sinto muito Missy" ela murmurou. " que, pra mim, voc 
ainda est..." ela hesitou, no sabendo como explicar. 
Parecia que ela tinha acordado de um sono de trs anos, 
e tudo havia mudado.

"Com Rob?" Melissa concluiu. Ela pegou a mo de Dana sobre 
a mesa, e apertou de leve. "Dana, eu amei Rob com todo 
meu corao. Quando ele morreu, pensei que no iria mais 
viver." ela inclinou a cabea pro lado, ouvindo os gritos 
de alegria que vinha dos fundos. "Mas eu vivi - por eles. 
Meus meninos. Rob nos deixou muito bem financeiramente, 
mas eu preciso de mais. Voc entende?"

Scully procurou a face esperanosa de Melissa; havia 
alguma coisa que ela no estava dizendo. s vsperas do 
Natal, ela ficou na casa dos Scully por algumas horas, 
dizendo que precisava colocar os meninos na cama mais 
cedo, a tempo da chegada do Papai Noel. Agora, Scully 
notou que havia outro motivo para a partida precipitada 
de Missy. Estava escrita no rosto dela.

Scully deu um sorriso pequeno e sbio. "Certo. Pode dizer. 
Quem  ele?" a pergunta melhor seria - por que Melissa 
no falou para os pais dela? Se sua me soubesse que 
Melissa estava vendo algum, ela espalharia essa notcia 
imediatamente.

Melissa ficou de p, indo para o fogo. Quando ela colocou 
outra xcara de caf, deu de ombros. "O nome dele  Melvin 
Frohike. Ele  um homem gentil, um comerciante, de fato. 
Ele est no ramo de transportes."

O que Melissa no estava dizendo  que fez os alarmes 
de Dana tocarem. "E ele  casado" ela murmurou.

"No..."

Deveria haver alguma coisa de ruim sobre o homem, para 
Melissa no querer falar. "Ele no  catlico" Scully 
tentou mais uma vez. Ela achava que seu pai no ligaria, 
e nem ela. Mas sua me teria um piripaque. Moas catlicas 
deviam namorar rapazes catlicos.

Ao pensar nisso, ela olhou pela janela, para onde Mulder e 
Charlie estavam brincando com os meninos. Claro que a me 
dela a casou com Mulder dentro da cabea, nem se importando 
com diferenas religiosas. Talvez Charlie tivesse razo - 
talvez a guerra tivesse mudado sua me, assim como todo 
mundo.

Melissa virou, indo de novo para a janela. "De fato, nem 
perguntei."

"Ento, qual o problema?"

"No h nada de errado com ele, Dana. Alm disso, somos 
apenas amigos. No  como se eu fosse escapar com ele 
amanh."

"Missy..." ela advertiu, querendo saber qual era o problema. 
Da maneira vaga como ela descreveu o homem, tinha que haver 
alguma coisa que a famlia deles acharia censurvel. Rob 
foi perfeito para ela, mas Missy errou vrias vezes antes 
de ach-lo. Um rapaz atrs do outro, a maioria deles bem 
rebeldes. Um pensamento sbito fez Dana empalidecer. "Ele 
no  comunista, no ?!"

Melissa riu, indo para a porta. "No! Ele  s um homem, 
Dana. Na verdade, voc vai conhec-lo em breve. Ele vem 
aqui hoje  noite, para o jantar." ela abriu a porta dos 
fundos, gritando aos homens do boneco de neve. "Est 
escurecendo, rapazes. Hora de entrar."

Scully sabia que no ia conseguir mais nada da irm, e 
ficou de p, dizendo. "Ento acho melhor irmos embora."

"No, fiquem." Melissa fechou a porta. "Os meninos devero 
apagar depois do jantar, e ns podemos ter uma festinha. 
S os adultos." ela piscou, pegando a xcara de Dana. "Vou 
dizer para Charlie pegar Ellen, e talvez possamos jogar 
cartas ou outra coisa."

Uma noite agradvel, confortvel, passada com... Mulder. 
Deus, ela no podia fazer isso, podia? Ela ia ter que ficar 
com ele, pois os outros pares estavam arrumados, e isso a 
deixaria vulnervel para as atenes dele. "Eu no posso 
ficar, Missy."

Mesmo no sendo to afinada com os humores de Scully como 
Charlie, Melissa sempre entendia uma desculpa esfarrapada 
quando ouvia uma. Com as mos nos quadris, ela disse. "E 
o que voc vai fazer em casa? Escutar papai roncar na 
cadeira dele, e mame ouvir 'Um Dia de Rainha' no rdio? 
Por favorrrrr..." ela ouviu Dana arrastando a cadeira, 
ficando de p. "Fique, Dana. Vou ligar para mame  - ela 
vai entender. Quero que voc encontre Melvin. Charlie gosta 
dele, e tenho certeza de que voc vai gostar tambm."

"Charlie conhece ele?"

"Nosso irmozinho est aqui h mais de uma semana, mais 
tempo do que voc, Dana... e ele ficou de saco cheio de 
ficar ouvindo 'Um Dia de Rainha' logo no primeiro dia."

Scully olhou seu irmo e Mulder pelo vidro da porta dos 
fundos. At mesmo com o pr-do-sol, os sorrisos deles 
eram bvios. Ela ficou muito indecisa.

"No sei, Missy... eu meio que gosto de ouvir rdio..."

"Nada disso, Dana. Esta noite voc fica aqui, e fim de 
conversa."

* * * * * * * * * *

Melvin Frohike era um homem velho.

Scully tomou um gole de vinho, colocando um sorriso no rosto 
enquanto escutava a conversa do jantar, e a calma no ar. Ela 
no tinha nada contra o Sr. Frohike. Ele era inteligente, e 
ganhou a simpatia de Charlie. Os dois falavam sobre esportes 
e jogos, o mais recente empreendimento ps-guerra.

Mas ele era velho. Bem mais baixo que Missy, calvo e de 
culos. Como a irm dela - uma beleza que poderia ter 
qualquer homem que quisesse - ficou atrada por este 
cavalheiro tranqilo e mais velho? Scully no podia entender.

Scully, na fascinao dela com o Sr. Frohike, at se 
esqueceu de que Mulder estava na sala. Ele se sentou num 
sof longe dos adultos, flanqueado pelos gmeos. Pensando 
nisso, ela no teve notcias e nem um pio de nenhum deles 
j fazia uns quinze minutos...

De p, ela pegou a bandeja sobre a mesa, pretendendo 
passar o tempo limpando, enquanto os outros conversavam. 
Melissa estava sentada ao lado do Sr. Frohike (a uma 
distncia bem respeitvel, Scully teve que admitir), e 
quando viu Dana se mexer, ficou de p, com um sorriso 
envergonhado no rosto.

"Deixe isso comigo, Dana" ela disse. "V ver se Mulder 
quer outra taa de vinho."

Mas que maravilhosa. Ela sabia que a paz que estava tendo 
no demoraria a terminar. Dando a bandeja para a irm, ela 
foi para o lado distante da sala, para o sof que estava 
perto da rvore de natal, na janela da sacada. Ela parou 
ao ver os trs meninos - um deles crescido demais - dormindo.

Eles eram o trio esgotado - seus rostos corados com o esforo 
de brincar numa tarde com neve e sol. Ela sentiu um aperto 
no corao ao ver a maneira como Mulder dormia, a boca um 
pouco aberta, o rosto relaxado. Ela pensou em quando foi a 
ltima noite em que ele conseguiu dormir tranqilamente. 
Ela sabia que os anos de guerra dele foram mais horrveis 
do que os dela, que tinha dormido com um olho aberto no 
campo de prisioneiros. E agora, ela estava livre.

Mas ele no. Alm de ter que ficar atento o tempo todo 
durante a guerra, agora ele ficava olhando por cima dos 
ombros, procurando um inimigo no visto. Ela ficaria surpresa 
se ele estivesse dormindo mais do que duas horas por noite.

Mesmo na luz fraca, ela podia ver a sombra embaixo dos 
olhos dele, e sentiu uma emoo apertar sua garganta. Ele 
no era nada alm do que um homem sozinho. O que ele fez 
com ela... ela tinha que parar de pensar naquela noite como 
um produto de aes s de Mulder. Ela tambm agiu, passando 
os dedos nos cabelos castanho, sobre o corpo quente e forte, 
beijando-o com fora...

Como se estivesse sentindo-o se mover dentro dela, Scully 
levou a mo para a parte baixa da barriga, onde sentiu um 
tremor de ansiedade. Ela nem pensou mais nisso no natal, 
mas ao v-lo dormindo, com os braos ao redor dos filhos 
de Melissa, ela voltou a pensar na gravidez.

Mas ao invs de sentir medo, a idia apareceu com um brilho 
de esperana; ela abriu os dedos, alargando a mo sobre a 
l grossa da cala comprida, sabendo que era tolo pensar 
em tal coisa, mas incapaz de negar a origem. Era tolo, e 
ela no deveria estar querendo isso, mas--

"Dana! Venha aqui ajudar a tirar a moblia, por favor? Ns 
vamos nos divertir!"

Ao grito de Charlie, ela saltou, olhando para os quatro 
adultos felizes. Quando olhou de volta, Mulder estava com 
os olhos abertos. Vtreos com sono, ele olhou para o rosto 
dela, como se esperasse um beijo para despert-lo. Ela 
precisou de toda fora que possua para ir at Charlie.

* * * * * * * * * *

Ela estava l. Olhando para ele, os olhos cheios de 
maravilhosa esperana, as mos sobre a barriga. O que ela 
estava pensando? Ser que ele queria saber? Mulder desejou 
que a mente dela estivesse aberta para ele. Fechando os 
olhos, ele esperou, sabendo que qualquer movimento sbito 
poderia assust-la. Por favor, venha pra mim, ele rezou.

A criana ao lado dele se mexeu, e Mulder sentiu um ar 
fresco no lugar do calor ao seu lado. Ele abriu os olhos, 
esperando v-la ao seu lado. Sim. Ele nunca foi um homem 
de rezar, mas talvez...

"Mulder?"

Ele piscou algumas vezes, tentando limpar as teias de aranha 
do crebro. Longos segundos se passaram, e ele finalmente 
percebeu que no era ela. Ser que ele estava sonhando?

Melissa pegou um dos seus filhos no colo. "Sinto muito, 
Mulder. Eu sabia que eles apagariam depois de comer, mas 
no queria que eles dormissem em cima de voc."

Esfregando uma mo sobre o rosto, ele falou. "No tem 
problema. Acho que eu estava cansado tambm." seu plano 
para fazer as crianas dormirem, para deixar Scully s 
pra ele, resultou em seu prprio sono. Quem sabia que 
crianas tinham tanta energia? Ele pegou o outro gmeo, 
e quando se preparou para ergu-lo, foi interrompido.

"Eu pego ele, Fox."

Era o amigo de Melissa. Melvin. Mulder gostou do pequeno 
homem, mas viu as dvidas de Scully sobre a relao dele 
com sua irm. Isso era claro pela maneira com que ela 
olhou para Melvin durante todo o jantar.

"S Mulder, Melvin." ele falou, se esticando.

Melvin Frohike pegou a criana sonolenta em seus braos, 
dando um sorriso para Mulder. "Sabe, eu nunca gostei muito 
dessa coisa de Melvin, tambm.  uma vergonha que as boas 
intenes dos pais de selarem uma criana com um nome s 
vezes no do certo. Por que voc no me chama de Frohike? 
Acho que posso me acostumar com isso, e voc me deu a 
oportunidade perfeita" ele rodou os olhos para Melissa, 
revelando que ela no poderia contestar nada nessas condies.

"Claro" Mulder riu. "De agora em diante, voc  Frohike."

"Bom homem" Frohike acenou com a cabea, ajeitando a criana. 
"Ns voltamos logo" ele seguiu Melissa pela escada.

Quando Mulder se virou, ele viu que a moblia tinha sido 
afastada, e um tapete largo estava no meio da sala. Charlie 
estava de joelhos, de frente pro radio, Ellen ao lado dele. 
Scully estava longe, de p, com um olhar de - medo? - no 
rosto. No, ela no estava com medo... e ele no podia 
imaginar o que podia estar acontecendo.

Com as mos nos bolsos, ele foi para a ponta do tapete, 
falando com Charlie. "O que est acontecendo?"

"Ns temos que praticar, garoto" Charlie lanou sobre o 
ombro.

"Praticar?" Mulder olhou para Scully; no, isso no era 
medo. Definitivamente era desnimo - misturado com qualquer 
outra coisa, algo que ela escondeu bem. Que diabos Charlie 
estava planejando?

"Para a recepo do casamento. Ns no vamos nos tornar 
Fred Astaire esta noite, mas no vamos passar vergonha."

Danar. Ele estava falando de danar. A boca de Mulder caiu 
quando ele olhou de novo para Scully. Desta vez, ela nem 
olhou pra ele. Pelo contrrio - ela eriou, os braos 
cruzados.

"Charlie, est ficando tarde, e ns devemos ir embora."

"Tarde?" Ellen disse, a face incrdula. "So s oito horas 
da noite, Dana. Antes da guerra, ns ficvamos acordadas 
at a meia noite, lembra? Escutando msica, danando - ns 
duas, se no tivesse homem com quem danar...." ela piscou, 
voltando para Charlie. Ele tirou a mo dela do dial.

"Deixa comigo" ele disse. Depois de muita esttica, o rdio 
comeou a tocar uma msica romntica. Charlie ficou de p, 
e passou um brao ao redor de Ellen. "Vocs no vo embora. 
Ns vamos aprender as novas danas, cortesia de Melissa e 
Melvin. Isso  uma ordem."

Charlie, voc  maravilhoso! Mulder poderia beij-lo ali 
mesmo. Os braos de Mulder coavam para segurar Scully, 
e Charlie lhe deu a desculpa perfeita. Quando Charlie 
balanou Ellen nos braos, Mulder deu um passo embaraoso 
para o lado de Scully.

"Posso ter esta dana?" ele perguntou, oferecendo uma mo. 
Para sua surpresa, ela aceitou, mas com a postura rgida. 
E muita brava, ela sussurrou em advertncia.

"Mantenha as mos altas, marinheiro. Um dedo abaixo da 
cintura, e vai ser a ltima vez que voc usa a sua mo, 
entendido?"

Oh, yeah. Ela tinha um cheiro maravilhoso. O que ela 
estava dizendo sobre dedos?

FIM DO CAPITULO DEZ


A FAMILIAR HEART
Captulo Onze

"Voc poderia, por favor, tirar esse olhar do rosto?"

Ela no olhou pra ele enquanto sussurrava o pedido, mantendo 
a cabea virada ligeiramente para onde Charlie e Ellen 
danavam em perfeita sincronia, perto deles. Prtica mesmo. 
Charlie parecia ter nascido para danar, enquanto Mulder 
sentia como se suas pernas fossem dois apndices moles, 
como o Espantalho do Mgico de Oz. Claro que sua mui 
atraente parceira no se importava com sua fraqueza na 
dana.

"Que olhar?" ele perguntou, todo inocente.

Ela olhou para ele, e as palavras eram secas. "Mulder, o 
Natal foi h dois dias, e eu no sou um pnei."

Ele riu, pegando a ateno de Charlie, para aborrecimento 
de Scully; a mo no ombro dele o beliscou. Ele corou, dando 
um sorriso para Charlie. Antes que Charlie pudesse dizer 
qualquer coisa, Ellen puxou o rosto dele de volta para ela, 
usando uma mo firme.

Abaixando a cabea, Mulder murmurou, "Engraado voc dizer 
isso" ele rastejou a mo sobre as costas dela, sentindo 
a espinha atravs da blusa fina. "Porque eu sempre quis 
um pnei, mas isso foi h anos, e agora, eu queria --"

"Mulder, cala a boca" ela advertiu.

Mas ele a ignorou, continuando, "Um pequeno 'spitfire', 
que pode me derrubar" o sorriso dele enfraqueceu, enquanto 
ele olhava fixamente para os lbios dela.

Ele abaixou os olhos, refletindo o estudo dele na boca 
dela por um momento. S quando ele estava por um fio de 
lhes dar um muito precisado beijo, ela olhou pra cima, 
as bochechas cor-de-rosa.

"Mulder, esta no  uma boa idia."

Ele sabia que ela no estava falando sobre a dana. Ele 
podia ter insistido, mas se afastou, sentindo que agora 
era hora para uma retirada ttica. "Eu sei. Nunca fui 
bom em danar. Se eu pisar nos seus dedos, me perdoe" 
ele sorriu, mostrando amizade, e ficou satisfeito ao ver 
o rosto dela ficar menos tenso, e ela at sorriu!

"Voc  uma coisa, sabia?"

"Contanto que eu no seja um apoio para os ps, est tudo 
bem." ele viu ela se lembrar da conversa deles na estao 
de trem. Ela ainda o considerava um inimigo?

Os cabelos ruivos caram sobre um olho, enquanto ela erguia 
a cabea, a voz saindo como um ronronar. "Eu diria que voc 
foi promovido para o estado de sof."

<Alguns de meus melhores amigos foram sofs.>

As prprias palavras dele ecoaram na cabea de Mulder, e 
pura alegria encheu seu peito. Ao ver o sorriso dele, ela 
estreitou o olhar em advertncia, e ele cedeu. Do canto 
do olho, ele viu Melissa e Frohike descendo as escadas, 
e sabia que a bolha deles estava pronta para ser estourada. 
Uma ltima chance para invadir, e ele tentou.

Com os olhos pesados, ele sussurrou contra a orelha dela. 
"Eu j te disse o quanto eu am- *gosto* de camas?" com a 
boca aberta, ele demorou sobre a orelha dela, o cabelo 
sedoso fazendo ccegas nos lbios dele enquanto Mulder 
esperava uma resposta.

Ser que ele tinha falado a palavra errada? Ser que ela 
no estava pronta para ouvir?

Suspirando, ele comeou a se afastar depois de um segundo 
ou dois, at que sentiu a respirao morna no lado inferior 
de sua mandbula.

"E eu tambm."

Hipnotizado pela resposta dela, ele parou de se mover, se 
afastando para olh-la no rosto. Pela primeira vez, ela 
estava completamente aberta para ele, os olhos ardendo na 
luz da lareira. Ela deu um sorriso suave, e respirou fundo, 
preparando-se para outra declarao, uma mais profunda, 
e ele sabia qual seria.

"Ei - o que  isso? Nada de assanhamento na pista de 
dana!"

A risada de Frohike os afastou de repente, e Mulder deu 
um olhar irritado para o homem. Mas parou quando viu que 
a declarao tinha sido dirigida para Charlie e Ellen, 
que ainda se beijavam sobre o tapete.

Mulder olhou para Scully, que tinha a mesma expresso 
confusa que ele sentia estar em seu rosto. Juntos, eles 
sorriram, e ele pegou a mo dela. Ela aceitou o gesto, 
e manteve as mos um pouco escondidas entre eles.

Ele entendeu. E ele levaria qualquer coisa que pudesse 
conseguir.

* * * * * * * * * *

Dana Scully estava se divertindo.

Ela estava pasma. Danando nos braos de Mulder, rindo 
enquanto era passada de um parceiro para outro, Melissa 
e Ellen rindo tambm, e todos estavam rindo. As lentas 
melodias ajudavam no clima.

Ela sentia como se seu corpo estivesse sem nenhum osso. 
Girando e danando, seus ps no tinham dificuldade em 
manter os movimentos capazes de Frohike - Mulder o 
deixou lev-la, ficando afastado, admirando os movimentos 
dela de longe. Uma ou duas vezes ela hesitou, sentindo 
o tornozelo ainda um pouco dolorido. Frohike notou, e 
reduziu a velocidade nessas horas.

Por outro lado, Mulder apertou os dentes, pronto para 
pular no salvamento, braos cruzados, vigiando cada 
pequena careta de dor que ela deixasse mostrar. Com um 
aceno, ela lhe disse que estava bem; com uma sobrancelha 
elevada, ela o ameaava caso ele fizesse alarde disso. 
Ao ver isso, ele sorriu, enquanto olhava pra baixo, e 
chutava o tapete.

Parecia que eles estavam ficando mais afinados um com o 
outro a cada momento que passava. Sua comunicao no 
dita a agradou, mas a assustava muito. Ser que ele podia 
ler todos os seus pensamentos?

"Voc dana bem, Dana" a declarao de Frohike fez ela 
olhar para longe do rosto de Mulder. Ele a girou ao redor 
de Charlie e Ellen, levando-a para longe na sala, onde 
abaixou a voz. "Eu s queria te agradecer."

"Pelo que?" ela roubou um olhar para Mulder, que parecia 
pronto a fazer uma tempestade. Ela no se sentiu ameaada 
por Melvin t-la isolado do grupo, mas ao que parecia, 
Mulder tinha outras idias... "Sr. Frohike, eu acho que 
 melhor ns..."

"S Frohike, Dana", ele a corrigiu.

Jesus, outro com preferncia para sobrenomes? Ser que 
aconteceu alguma mudana na Constituio enquanto ela 
esteve fora? Ela podia at ver a lei - A partir desta 
data, todos devem se dirigir a um membro da famlia ou 
amigo pelo ltimo nome.

O pensamento tirou sua concentrao, e ela sorriu o que 
fez o rosto de Mulder ficar ainda mais severo.

"Uh, Frohike, acho melhor voltarmos" ela olhou pra Mulder, 
e Frohike corou, percebendo que poderia ter sido mal 
interpretado.

"Eu sinto muito, Dana", ele gaguejou, "eu - eu no quis 
dizer nada com isso, voc sabe."

"Eu sei que no" ela respondeu, aplacando seu sbito ataque 
de nervos. "Pelo que entendo, voc tem algo a dizer sobre 
a minha irm."

Vendo Mulder se aproximando, ele falou, depressa. "Eu s 
quero dizer que respeito e gosto muito dela. Obrigado por 
no dizer nada sobre isso" ele parou, soltando-a. "Mulder. 
Voc chegou bem na hora. Acho que preciso de uma bebida." 
ele andou, indo para perto de Melissa, que estava l em 
cima, checando as crianas.

"Baixinho folgado" Mulder rosnou, vendo a partida de Frohike, 
estreitando os olhos, parecendo lanar dardos venenosos 
ao amigo de Melissa.

"Pare com isso" Scully disse, colocando a mo sobre o 
brao dele. O cime de Mulder, mesmo fazendo ela sentir 
um arrepio, era feroz, e no comprovado. "Ele queria 
falar comigo sobre Melissa. E voc no tem o direito de 
assust-lo assim."

Mulder virou, olhando pra ela, as mos nos quadris. "Eu 
no tenho?" ele ficou confuso. "E que diabos ns estamos 
fazendo aqui, Scully?" ele sussurrou.

Oh, isso estava indo longe demais. Ento, de novo, ela 
j conhecia o homem carnalmente - quanto mais longe eles 
poderiam ir?

"Ns estamos danando", ela disse lentamente, emudecendo 
sua raiva. "Pelo menos foi isso que pensei."

Ele abaixou a cabea, soltando um grande suspiro. "Eu 
sinto muito, Scully... eu s estava.... desculpe" sem 
outra palavra, ele foi para a cozinha.

Ela ficou muito confusa. Enrolando os braos ao redor da 
cintura, ela ficou de p, vendo Mulder sumir pela porta 
da cozinha. Charlie e Ellen nem notaram, muito ocupados um 
com o outro, mas Melissa e Frohike a olhavam, preocupados. 
Evitando os olhares, Dana ficou perto da rvore, mas sabia 
que era apenas uma questo de tempo at que sua irm viesse 
at ela.

"Dana?"

Melissa estava ao seu lado, e Scully sentiu as palavras 
saindo, no sendo capaz de manter as emoes dentro de si. 
"Ele quer algo de mim, Missy. E no sei se estou pronta 
para me dar para ele." ela riu, mas era um riso melanclico 
e trmulo. "S o conheo h alguns dias. No  ridculo?"

"No."

Scully olhou para sua irm, que estava dando um pequeno 
sorriso, como se falasse com uma criana. "O que?"

"Voc me ouviu.  bvio para todo mundo nesta sala o quanto 
voc e Mulder... bem, eu no vou lhe pedir detalhes. Mas 
aquele homem mexeu com voc. A pergunta  - por que voc 
est to relutante?"

Dana sentiu lgrimas nos olhos. Melissa nunca poderia 
saber sobre a histria toda, e nem sua famlia. "Eu no 
sei... ele  to... intenso."

"E voc sempre foi muito controlada. Seria ruim se soltar 
um pouco? Ter algum que tirasse o cho dos seus ps?"

Se soltar. Ela tinha feito isso uma vez, com resultados 
quase desastrosos. Scully cheirou, e depois riu, s que 
este riso era um pouco mais genuno. "Oh, Missy, se voc 
soubesse."

"Eu acho que sei" Melissa murmurou, com a experincia de 
uma mulher puxada pelo desejo. "Melvin no  Rob, e ele 
nunca vai ser. Eu tive isso uma vez, Dana - uma paixo 
que te consome quando voc encontra a pessoa perfeita. 
 algo que nunca mais vou esquecer. Mas no  disso que 
preciso agora. Mas voc? Dana, se algum j precisou de 
algo assim, esse algum  voc."

Scully sentiu um calor no rosto. "Eu sou to rgida assim, 
Missy?"

Melissa passou um dedo pelo rosto mido da irm. "No... 
bem, talvez. Mas de uma boa maneira." ela sorriu para o 
rosto desanimado de Dana. "Voc est no limbo h anos, 
Dana. Voc no acha que  hora de comear a viver de novo?"

Scully no invejava as opinies de sua irm. Ela prpria 
era fria e lgica, e fazer uma coisa to radical e 
imprevisvel como se apaixonar nunca foi parte de seu 
programa. Droga, ela at mesmo teve que se forar a dar 
aos homens uma chance no banco de trs dos carros antes 
de conhecer Mulder.

Tudo que ela fazia na vida era planejado, e nunca feito 
de maneira espontnea. E s como a maioria dos planos, 
nunca dava certo.

Melissa tinha razo. Era hora de viver de novo - enfrentar 
a montanha-russa das emoes que vinha com o amor. Se fosse 
bom ou ruim, ela teria que enfrentar.

"Ok, ento" ela abraou sua irm. "Como eu fao isso."

Missy a abraou de volta, e ento a afastou, os olhos largos 
e determinados. "Voc pode comear falando com aquele homem. 
Mas falando mesmo. Nada de conversa sobre tempo e poltica."

"Entendido" Scully andou e parou, olhando pra trs. "Eu 
gosto de Melvin, Missy. Ele  um bom homem."

"Eu no o deixaria estar nesta casa se ele no fosse, Dana."

"Quantos anos ele tem?"

Missy mordeu os lbios, hesitando. "Quarenta e dois." o 
rosto dela estava apreensivo. "Muito velho?"

Scully suspirou por dentro, aliviada. Pelo menos Melvin 
no era velho o suficiente para ser o pai de Missy. "No, 
no. Eu diria que ele  bem... temperado."

"Mmm... temperado. Vou ter que me lembrar disso -  uma 
boa palavra para se usar com mame."

"Falando nisso-" Ela falou, querendo saber quando Melissa 
apresentaria seu novo amigo para a famlia.

"A ceia de ensaio. Acho que est na hora dos nossos pais 
conhecerem o Sr. Frohike" Melissa acenou a mo para a 
cozinha. "Agora, v logo!"

Scully respirou fundo, e endireitou os ombros, indo para 
a cozinha. Ela era to fcil de ler...

Por todo o mundo menos Mulder, ao que parecia.

* * * * * * * * * *

"Eu s queria te dizer que eu no estava dando em cima de 
Dana?"

Mulder estava na varanda dos fundos, mos nos bolsos. Ele 
estava escutando Frohike dar desculpas h cinco minutos, 
e qualquer tentativa para falar era ftil. Finalmente, ele 
sorriu, conseguindo dizer, "Eu devo me desculpar a voc, 
Frohike. Meu comportamento foi irracional e rude. Eu posso 
ver a maneira como voc olha para Melissa. No acho que 
tenho que me preocupar com alguma coisa."

Finalmente Frohike pareceu satisfeito. Ele olhou por sobre o 
ombro, distrado por um movimento na cozinha, e pigarreou. 
"Uh, yeah. Bem, acho melhor entrar. Voc vem?"

"Daqui a pouco" ele viu Frohike saindo, e sentiu o calor 
da casa vindo da porta, que no se fechou. Ele se virou 
para fechar a porta, para que a cozinha no ficasse fria.

O pequeno esboo na porta o congelou. Ele olhou para ela 
por um momento, e ento voltou, olhando a lua pairar no 
horizonte. "A festa acabou?"

Controlado. Fique controlado, ele se alertou. Ele tinha 
ido longe demais, e rpido demais. Ela tinha todo o direito 
de se afastar dele. Seu cime no era algo que Mulder tinha 
o direito de sentir. Eles eram amigos, mas ele sentiu, por 
alguns breves momentos enquanto danavam, que algo mais 
poderia acontecer, mas agora, ele viu que era cedo demais 
para esta fase.

"No totalmente" ela respondeu. Ele sentiu mais do que viu 
ela se aproximando ao seu lado. "Est frio, Mulder. O que 
voc est fazendo aqui fora?"

Ele lhe deu um sorriso triste. "Esfriando meu ardor?"

A voz macia e lisa de Nat King Cole passou pela porta 
aberta.

<Embrace me, my sweet embraceable you...>

"E esfriou?"

Ele suspirou, ainda fitando  frente, sabendo que eles 
estavam de volta  amizade. A voz dela no mostrou nenhum 
interesse alm de mera curiosidade. Ele olhou pra baixo, 
para os ps, incapaz de fazer mais do que um murmrio. 
"Yeah. Olhe, Scully, eu sinto muito -" ele parou, as 
orelhas pegando a resposta suave um segundo tarde demais. 
"O que voc disse?"

A face dela estava plida no luar, mas os olhos estavam 
brilhantes e cheios de humor. "Eu disse... que pena."

Ele tirou uma mo do bolso da cala e colocou sobre o 
corao. Mulder quase cambaleou, fechando os olhos para 
murmurar. "Voc ainda vai me matar, Scully..."

<I love all the many charms about you...>

Dedos pequenos se fecharam sobre os dele, tirando sua mo 
do peito. "Bem, se uma batida na sua cabea no te matou, 
no vejo como eu poderia--"

<Above all, I want my arms around you...>

O resto das palavras dela foram perdidos dentro do beijo 
dele. Dana tinha gosto de vinho e do ar fresco da noite. 
Mulder no conseguiu resistir; ele a abraou e aprofundou 
o beijo.

Um momento de sanidade entre a paixo crescente que sentia 
por ela o fez reduzir a velocidade, e ele respirou fundo, 
puxando-a mais perto. Dana deitou a cabea sobre seu ombros, 
levando a mo at a nuca dele, fazendo-o tremer.

<Don't be a naughty baby, come to papa, come to papa, do...>

Deus, ela era perfeita. Nem um pouco tmida, devolvendo 
seu beijo com um gemido e suspiros que foram direto para 
o saco de Mulder. Acalme-se, controle-se, ele quis dizer 
para o prprio corpo. Ela no gostaria disso ainda. Mas 
ao invs de recuar, ela ronronou como uma gatinha, 
apertando a barriga dela contra ele.

Mulder no podia agentar, era demais... Ofegando, ele 
parou de beij-la, murmurando, "Jesus, Scully, pare com 
isso."

"Parar com o que?" a boca dela deslizou pelo queixo forte, 
e o corpo dela embalou a ereo dele. Era eltrico e 
frustrante ao mesmo tempo. S mais uns poucos minutos 
assim, ele pensou, e ento...

Ela era uma boa moa, e ele no tinha o direito de seduzi-la. 
J era ruim o bastante que ele no a cortejou da maneira 
como um cavalheiro corteja uma dama. Diabos, ele fez amor 
com ela sem pensar nas conseqncias-

<Don't be a naughty baby, come to papa, come to papa, do...>  

Droga. Seu corao tropeou quando ele se lembrou do sonho 
de algumas horas atrs. Os murmrios suaves de Melissa 
para seu filho, a imagem nebulosa de Scully diante dele, 
as mos dela deitadas sobre a barriga arredondada.

Ele precisou juntar cada pedao de fora que tinha para 
afast-la. Mulder arquejou, forando os pulmes a respirar 
enquanto estudava a boca inchada e olhos pesados de Dana. 
Embalando a cabea dela em suas mos, ele quebrou o silncio, 
a voz rouca enquanto perguntava. "Scully?"

Piscando, ela abriu os olhos. "Sim?" ela era uma imagem 
pura de confuso e fofura, e ele estava doendo por ter que 
despert-la completamente.

"Venha comigo" pegando a mo dela, ele a puxou para a 
porta da cozinha.

"Para onde estamos indo?"

Para a capela mais prxima, ele quis dizer. Ento, para a 
cama mais prxima, ele quis gritar aos cus, de alegria. 
Sua recente descoberta tinha lhe dado tudo que ele desejava, 
e de jeito nenhum ela poderia protestar. Ao invs, ele 
cedeu diante do desejo de beij-la novamente, desta vez 
um beijo curto, agridoce, que fez ela se derreter contra 
ele.


Aw, inferno. Ele tinha que fazer isso rpido. Vamos l, 
torpedeiro! Velocidade mxima  frente!

"Ns vamos encontrar um Juiz de Paz."

Fim do capitulo onze



A FAMILIAR HEART

Captulo Doze

Eles estavam na metade do caminho pra dentro da cozinha quando
ela estalou da nvoa drogada da paixo. Puxando a mo, ela
se soltou. "Espere um minuto". Mos em punhos, Scully lamentou
a perda do calor na mesma hora. Mulder parecia um homem
desesperado - pelo que, ela no sabia. Mas ela sabia de
uma coisa: ela no ia ceder sob o comando dele, e era melhor
ele saber isso desde o comeo. "O que voc disse?"

Ele apertou os lbios como se tivesse dito muito. Suas 
palavras eram amortecida e concisas, e Dana sabia que ele
estava mentindo quando disse, "Scully, ns temos que conversar."

"Sobre o que?" Esta era uma pergunta tola, e ela sabia disso. Eles
tinham muito o que conversar, mas havia tempo para isso. Mas Mulder
parecia um homem cujas pernas tivessem sido cortadas. Ele balanou
na entrada, o rosto plido contra as luzes da cozinha. Ela suavizou
a voz, sentindo a ansiedade deles. "Qual  o problema?"

Mulder firmou a mandbula, e fechou a porta da cozinha, 
xingando. "Ns temos que nos casar." ele declarou, como se
a deciso dele estivesse esculpida em granito.

"Casar?" ela sentiu o nervosismo dele penetrando em seus ossos,
e suas pernas pareciam geleia. "Voc no est falando srio."

"Claro que estou." ele correu uma mao trmula sobre os cabelos, enquanto
mexia os ps sobre a madeira spera da varanda. "Voc tem que concordar
comigo, Scully. Voc tem que concordar."

Certo, alguma coisa aqui estava extraviada. Sim, eles deram um
tremendo de um beijo. Um ponto para ele, ela tinha que
admitir. E era uma sensao to boa te-lo nos braos vazios dela...
como se ela encontrasse sua outra metade mais uma vez. E sim, eles tiveram
relaes intimas sem o beneficio do conhecimento da vida um do outro...

Ela parou de pensar na hora. Mulder olhou para ela de maneira
diferente, o olhar dele descendo pelo trax at a barriga dela.
Engolindo em seco, ele meio que se virou e na luz da lua, ela
ainda podia ver a estimulao dele inchando a frente da cala,
e ela sabia que ele estava tentando se controlar.

Mas ao que parecia, esta era uma situao que nenhum dos
dois tinha controle. Nunca tiveram, e nunca iriam ter.

"Oh".

Foi tudo que ela pde dizer, e Mulder suspirou, fechando
os olhos. "Sim, oh."

Ela mordeu o lbio, mas no de desnimo. De fato, na sala de
estar ela at pensou sobre uma possvel gravidez. Embora nao
fosse a melhor coisa que pudesse acontecer com eles, nao seria
das piores. Ela nao se preocupava mais. Um beb seria bem
vindo para ela, e da reaao de Mulder para isso, ele estava
disposto a aceitar a responsabilidade, e fazer a coisa certa.

Era bvio pela posio dele que ele nao queria fora-la 
a nada. Afinal de contas, ele desistiu quase na mesma hora
quando ela parou.

"Mulder, ainda  cedo demais para saber" ela mostrou, dando um
sorriso indulgente. "Alem disso, nao espero que voc se case comigo."

"Pode ter certeza que vou" ele murmurou, perdido em seus proprios
pensamentos. "Eu deveria ter pensado nisso mais cedo."

"Mulder, eu *no* estou grvida!" ela abaixou a voz e chegou mais
perto, colocando uma mao no brao dele. "Me escute."

Ele empurrou a cabea ao redor, piscando. "O que voc quer dizer
com: 'eu nao estou grvida?' Voc acabou de dizer que era cedo
demais para saber."

Agora ela entendeu o que estava por trs desta ansiedade. Ele
se sentia apanhado. Era o truque mais velho do mundo, e ela afastou
a mo como se tivesse queimado. "Ns... s fizemos isso... uma
vez, Mulder. As chances para isso acontecer so mnimas" ela
se virou, sentindo tristeza. "Eu no espero um casamento, 
mesmo se estiver grvida. E estou sendo sincera." ela
agarrou a maaneta da porta, querendo ir to longe quanto
possvel daquela situao, e dele. O que tinha sido, h minutos
atrs, uma gloriosa comunho, ficou repentinamente azeda e
srdida. Ela nao queria fazer parte disso.

Mas Scully foi parada por um par de braos familiares, dois
membros trmulos que a cercaram por trs. A boca dele se moveu
sobre o cabelo dela. "Scully, espera."

Se torcendo no abrao dele, ela tentou escapar, sentindo o 
trax expandir com a sensao dos braos fortes ao
redor dela. Deus, ia comear tudo de novo? Por favor, no.
Esta nao era hora para um dos ataques de pnico dela.
"Me solta, Mulder."

"Nao!" ele sussurrou, firme, apertando os braos e prendendo as maos
dela com os dedos. Ela nao tinha escolha a nao ser ficar quieta,
caso contrrio, ela iria se machucar. J foi dificil esconder o 
tornozelo deslocado - ela nao precisava de manchas nos pulsos.
"No  o que voc pensa."

Respirando fundo e lento, ela se forou a acalmar-se.
"Voc no sabe o que eu penso." e ele nunca saberia se ela
conseguisse sair dessa. Tudo que ela pensou sobre uma relao
doce e duradoura estava indo gua abaixo.

"Voc acha que eu estou chateado sobre ter um beb.
Mas eu no estou."

As palavras dele penetraram, mas ela ainda nao estava
convencida. "Eu vi seu rosto, Mulder. Nao era felicidade. Era
medo. Nao vou te prender num casamento. Por favor, me deixe
ir embora" Antes que eu caia em lgrimas, e permita que a nuse
que sinto subir em minha garganta vena esta disputa.

Ela sentia o corao de Mulder bater contra as costas. "No, eu
no vou deixar." as palavras trmulas bateram contra ela. "No at
voc me escutar."

Suspirando, ela sabia que tinha que ceder, pelo menor temporariamente.
"Tudo bem." pendurando a cabea, ela moveu as maos debaixo das
palmas suadas deles. Mulder soltou o aperto, mas no a soltou 
completamente. "Fale."

"Voc poderia ao menos olhar pra mim?"

"No force sua sorte" se ela virasse, ela teria que bater
nele. Ele era um idiota. No - Ela era uma idiota por se deixar
ter esperana.

"Voc tem razo, Scully. Aquilo foi medo" ele colocou
a cabea depressa no pescoo dela. "Mas nao era o tipo de medo
que voce estava pensando."

Ela bufou. "Medo  medo, Mulder. Eu conheo medo quando
vejo."

"No era ese tipo de medo, Scully. Este medo era o pior que
j tive em toda minha vida. Eu enfrentei armas e homens que nao
piscariam duas vezes para atirar em mim." ele parou como se
quisesse se desculpar pelo que havia dito, e ento continuou.
"Quando eu percebi que poderia ter te deixado grvida, eu s queria
te jogar sobre meu ombro e encontrar o padre, ou juiz ou ministro
mais prximo. Eu tinha encontrado um jeito para ficar junto de
voce."

Ele o que? "Mulder, voc est dizendo que quer que eu esteja grvida?"

"Eu seria uma pessoa horrivel caso dissesse sim?" ele a segurou
quando ela se virou para ficar de frente pra ele. "Nao. Escute primeiro.
Nao posso fazer isso se estiver olhando pra voc."

"H um minuto voc me pediu pra te olhar" ela mostrou.

"Isso foi h um minuto. Agora  agora. Eu tenho a horrivel sensao 
de que estou a ponto de me abrir pra voc, e o que voc vai ver
nao vai ser muito agradvel."

"Tudo bem" ela riu, ficando aliviada. "Mas por que voc
quer fazer isso. Voc nem me conhece direito. E nem eu a voc.
Esta no  a melhor maneira para comear..." ela parou, percebendo
que eles j tinha comeado algo mais profundo, l naquela cabana.

"Eu nao ligo. Desde que te vi de novo, Scully, eu te quis. Voc
era todo pedao de decencia que eu perdi em Hong Kong. Tudo
do bom e do melhor. Voc me fez sentir gente de novo."
ele soltou-lhe os pulsos, abrindo as mos sobre a barriga dela.

Ela pulou ao toque, e ento relaxou ao sentir  presso suave
dos dedos dele. "Isto... isso faria voc se entregar a mim,
Scully. E no momento em que eu te apressei para tomar uma deciso,
eu sabia que havia cometido um erro. E isso me assustou. Que 
voc encontraria uma maneira para dizer nao. E voc achou, 
nao foi?"

A decepo na voz dele fez o peito dela doer, e ela
disse, depressa. "S porque eu nao queria te prender a
nada" finalmente ela se virou, pegando o rosto triste dele
em suas maos. Os olhos esverdeados eram um retrato de tristeza,
a dor para o que Mulder achava que nunca pudesse ter, e merecer.
Alisando as rugas sobre a testa dele, ela sussurrou. "Parece que
conseguimos bagunar tudo de novo, no ?"

Ele deu um lento sorriso. "Eu nunca baguncei nada at que te
conheci."

Ela sorriu de volta, vendo a confiana dele voltando. "E nem
eu. Belo romance, hein?"

"Voc acha que podemos fazer isso melhorar?"

"Com certeza" ela ficou na ponta dos ps, a boca dela a uma polegada
da dele.

"Dana!"

E ela gemeu, abaixando as mos. Mulder fez o mesmo, escovando
a testa contra a dela, enquanto rosnava. "Tem algum lugar
nesta cidade que nao tenha um de seus parentes vigiando cada
movimento nosso?"

Ela se afastou, um sorriso brincalhao nos labios. "Bem...
me disse para Melissa no telefone que ela e papai iriam jantar e
ver um filme. Acho que temos algumas horas antes deles chegarem em
casa."

A luz nos olhos de Mulder era quente. A porta da cozinha se abriu
naquele momento.

"Vamos l, vocs dois. Melvin vai nos mostrar o mambo. Ento
ns vamos ter um concurso de dana."

Scully olhou para Mulder; ela viu o mesmo pensamento no
rosto dele. Entre o som surpreso de Charlie, "Ei!", eles
escaparam pela varanda, ao redor da casa, de mos dadas.

"Quantos blocos at a sua casa?" Mulder disse, puxando-a
pela calada.

"Dois" ela falou, ofegando, mancando ligeiramente, o tornozelo
dela escolhendo uma pssima hora para doer. "Podemos fazer em
dez minutos se andarmos rpido."

Em resposta, Mulder a ergueu nos braos, ignorando o grito
de protesto. O sorriso que ele deu fez o grito de Dana
se transformar num riso puramente feminino. Deus, ela estava
desesperada. Essa nao era uma atitude tipica dela.

"Podemos fazer em cinco se eu correr. S me aponte a direo
certa."

Ela ligava? Com certeza que nao. Com os braos ao redor do
pescoo dele, ela apontou o queixo pra frente, 
dizendo, sem palavras, para ele comear a andar.

"Entendido" ele disse. "Segure-se, Scully."

A risada dela ecoou pela rua. Melissa tinha razo, afinal
de contas: era bom ter o cho tirado de seus ps.

Muito bom mesmo.

* * * * * * * * * *

Ambos tremiam quando chegaram na casa de Scully. Gemendo, ele a colocou
na varanda e se curvou, ofegando. Ele ainda no estava no topo de sua forma,
mas no queria que ela soubesse.

"Eu estou bem" ele disse,dando de ombros ao ver a preocupao dela.
"S estou com frio."

Scully abriu a porta destrancada, puxando-o na escurido da casa
morna. "Voc no est com frio. Ns  que estamos sem casacos."
ela zombou, enquanto pegava uma manta que estava no sof, e
colocava sobre os ombros dele. "Voc est congelando, Mulder."

"E voc tambm" Maldio. Outro galante esforo ido para o inferno.
As pernas de Mulder estavam tremendo, e ele permitiu ser levado para
o sof.

" verdade. Mas eu no estava..." ela foi para a lareira, que
no apresentava fogo, mas onde ela somou alguns troncos.

A atitude dela fez seu crebro picar. Ele no pensou muito
no sbito aparecimento dela esta manh, contente demais
por ve-la na estao de trem, como um maldito aluno 
delirando sobre sua primeira paixo. Agora, sua mente 
comeou a funcionar. Por que ela tinha ido  estao de trens
com Charlie? S ento ele percebeu.

"Ele te contou, no foi?"

"Quem contou o que?" ela no se virou.

"Charlie te contou. Ele te disse toda a histria, no foi?
Sobre Chang, sobre mim. Como eles tiveram que me colocar numa
camisa de fora por duas semanas, enquanto eu gritava para sair
da dependncia? Sobre como eu nem podia amarrar meus malditos
cadaros durante dois meses sem querer vomitar?"

"Oh meu Deus," ela respirou, finalmente ficando de frente pra ele.

Mulder ficou calado, abaixando a cabea. Ele havia falado demais.
A revulso que ele viu nela pairou entre eles, e ele no podia
aguentar isso. Ele deveria ter sabido que no foi a sua 'encantadora' 
personalidade que a atraiu.

"Sim, Charlie me falou," ela sussurrou, lgrimas sufocando a voz.
"Mas eu nunca percebi o quanto foi ruim, at agora."

Grande.  Ele *realmente* agora seria visto como um fraco,
inspirando pena. E ele no queria *piedade* dela. "Deixa pra
l. Eu tenho que dormir" ele se ajeitou sobre a manta,
querendo que ela o deixasse sozinho. "V pra cama, Scully."

Em resposta, ela foi para o sof onde se sentou perto dele,
puxando a manta. "Me d um pouco, Mulder. Estou com frio" a
voz dela no estava mais triste. Ele piscou  declarao firme
dela. "Voc me ouviu, marinheiro. Divida a manta."

Pasmo  sua resilincia, ele a encarou, sentando pra ela
poder puxar a manta. Depois de alguns momentos afofando e 
ajeitando, ela fez a manta cercar os dois, e descansou 
a cabea no ombro dele. "Voc pode compartilhar qualquer outra
coisa comigo que voc quiser, sabia?" ela falou, suave, 
enrolando a mo ao redor do brao dele.

Cansado de lutar, ele apoiou o queixo no cabelo dela,
fitando  o fogo crescente. "No acho que voc queira
ouvir sobre isso" ele falou, suave. "E eu no sei se posso
contar qualquer outra coisa pra voc." Mas por favor, 
no me force, ele somou, silencioso. No tenho foras
para reviver tudo aquilo.

"Tudo bem" ela falou, se aconchegando para mais perto dele. 
O calor dela comeou a entrar nos ossos frios de Mulder, e ele
relaxou, ouvindo ela continuar. "Voc gostaria de ouvir a minha
histria?"

A declarao dela o fez parar e lembrar da advertencia de Charlie
quando ele chegou aqui. Ela foi uma prisioneira de guerra - ele havia
dito. E Mulder se sentia a pior das criaturas pela maneira como ele
a tratou em Utah. Junto com um certo e horrivel tempo que ela
passou como prisioneira, ele estava humilhado por ela oferecer as
proprias experiencias como um blsamo para ele. 

Se ele tivesse certeza de que ela estava fazendo isso para
ele se sentir bem, ele se recusaria a deixa-la falar sobre isso.
Mas algo na voz dela lhe disse sobre a propria necessidade dela
para libertar seus demonios de guerra, e logo ele estava
sussurrando contra o cabelo ruivo.

"S se voc quiser me falar de verdade."

"Eu quero."

Debaixo da manta, a mo dele pegou a dela, os dedos grandes
enlacando os pequenos. O gesto silencioso fez ela suspirar,
e Scully comeou. "Eles nos trataram bem no comeo... os
japoneses, eu quero dizer. Tinhamos comida e abrigo, e o
hospital de prisioneiros no era to ruim assim. Ns podiamos
conseguir coisas com bastante facilidade, e muitos soldados que
ns tratamos sobreviveram."

"Onde voc foi capturada?"

"Manila. Era o comeo da guerra, s uns dois meses depois
de Pearl Habor."

Filipinas.  Ele fechou os olhos, socando a propria tristeza
pra baixo sobre a geografia combinada entre eles. "Eu me lembro
de ouvir sobre isso" ele disse, nao falando sobre o local. "Mas
no tive muitas noticias. S o que eu precisava saber."

Acenando com a cabea, ela disse. "O exrcito saiu de Bataan
e MacArthur declarou Manila uma cidade aberta. Ento os japoneses
vieram e nos levaram embora. No foi nada demais. Como eu disse,
fomos tratados bem. De fato, em alguns momentos eu pensei que seriamos
libertados em troca de prisioneiros de guerra japoneses. Sempre havia
boatos. Mas depois da segunda ou terceira vez, eu deixei de levantar
minhas esperanas.

"Mas o que parece, a bondade deles no durou muito" ele
incitou, ansioso para ouvir o resto da historia dela.

"No. Em 43, Koshini tomou conta de todos os acampamentos. At ento,
eles eram administrados por civis japoneses. A primeira coisa que ele
fez foi dividir o acampamento, cortando o lado sul do acesso dos
prisioneiros."

"E por que ele faria isso?"

Ela endureceu um pouco ao lado dele, e Mulder sabia que
o pior estava por vir. "No soubemos na hora, e nao perguntamos.
Mas os prisioneiros comearam a sumir da enfermaria, e os guardas
sempre diziam que eles tinham morrido durante a noite - mas sempre
eram os homens menos feridos que sumiam. Eles no podiam ter 
morrido."

"Voc tem certeza de que eles no foram trocados por outros 
prisioneiros de guerra?" esta era uma pergunta estupida, falada mais
como balsamo do que por curiosidade. Ela sabia to bem quanto ele
que os japoneses no eram famosos pelo seu tratamento para prisioneiros
de guerra, nem para sua liberao, mesmo se fosse por uma troca.

O fato de que ela e outras enfermeiras passaram anos como prisioneiras
eram a prova disso. Que eles prenderam as mulheres por tanto tempo era
revelador: de jeito nenhum eles iriam se inclinar para trocar homens
que nao tinham valor.

O xingamento dela tremulou no corao dele, e ela elevou a
cabea para olhar diretamente nos olhos esverdeados. "Boa tentativa,
Mulder."

Ela estava to bonita que quase tirou a respiraao dele.
"O que?"

"Voc sabe to bem quanto eu que os japoneses nao so 
cordiais."

Ele tirou o cabelo do rosto dela, usando a outra mao. "No, eles
nao eram." ele murmurou. "Eu estava tentando te distrair. E pra
ser franco, eu nao preciso ouvir o resto da historia."
ele beijou o rosto dela, que se contraiu debaixo de seus labios.

"Talvez eu precise falar" ela resopndeu com a voz presa.

Ele afastou, srio. "Ento me conte" ele manteve a mao no rosto dela, o 
olhar firme.

"Tinha um mdico - Zama. Ele era como um fantasma, entrando e saindo
do acampamento. Os guardas comearam a sussurrar sobre o que ele
estava fazendo no lado sul. As outras enfermeiras estavam apavoradas
com ele, mas eu aprendi a falar japones. Bem, o suficiente para
poder entender o que estava acontecendo."

As falas dela na cabana voltaram  mente de Mulder, que agora
entendia as palavras japonesas, que ela dominou no acampamento.
Mas o que ela havia dito nao eram palavras comuns de uma conversa
amigvel.

"Douzo" - "Por favor", junto com outras que ele agora
se lembrou como sendo ditas de maneira frentica. "Iie"
"No". "Teiryuu" - "Pare".

Ento, quando ele estava se movendo dentro dela, uma mudana. 
Uma dita em ingls e em japons.

"Hai" - "Sim".

Ele queria implorar para que ela parasse; a maneira como
ele a tratou na cabana era indesculpvel. Mas ela continuou,
nao vendo a maneira como ele tentou para-la tremendo a cabea.
Com os olhos quase apagados, ela havia se separado dela mesmo
para poder contar o que estava por vir, e ele nao podia tira-la
desse estado.

"Scully, eu sinto muito -"

"Ele estava levando os prisioneiros para o predio sul no
fim do acampamento. No comeo, voc nao ouvia nada. Acho que
eles tiveram o cuidado para nao deixar ninguem ouvir. Ento,
quando parecia que a guerra estava azedando pra eles, eles nao
ligaram mais. Eles comearam a nos fazer passar fome...e ns
comeamos a ouvir gritos no lado sul. Diariamente, e todas as
noites. Zama estava torturando aqueles homens.  Eu nunca vi
o que ele estava fazendo, mas eu sabia que ele estava
fazendo algum tipo de experiencia neles."

"No pude mais aguentar. Continuei enfrentando Zama e os guardas,
tentando me mover furtivamente para ver o que ele estava fazendo.
As outras enfermeiras me disseram que eu estava louca, que eu nao
deveria interferir. Mas nao era s isso que Zama estava fazendo - ele
e Konishi estavam nos matando lentamente.  E ninguem resistiu a eles."

Exceto ela. Ele podia ve-la vestida em trapos, os olhos azuis
desafiando os japoneses, que a batiam. Deus, eles bateram nela?
"Scully" ele queria que ela parasse. Ela tinha que parar. Ele nao
sabia se poderia aguentar escutar mais. "Scully" ele a tremeu 
suavemente, mas ela nao respondeu, s movendo os labios.

"Eles me bateram" ela disse, o rosto amassado. Mas as bochechas
estavam secas, as lgrimas presas nos olhos. "Me bateram, mas eu 
continuei, exigindo mais comida, mais remdios. Eu queria saber
onde estavam os homens que tinham sumido - mas eles nao me diziam.
Ento eles me colocaram no buraco."

Mulder parou de respirar. Ele conhecia o 'buraco' - qualquer um
que viveu a guerra sabia que todo acampamento ou priso de prisioneiros
de guerra tinha alguma forma de solitria. Uma cabana sem janelas, uma cela
separada dos outros, ou... literalmente, um buraco cavado no chao. No,
eles nao teriam feito isso com ela.

"Era escuro, sujo e to pequeno... A primeira vez no foi to
ruim, embora o chao estivesse frio. Eles me deixaram l por uma
hora - moleza, eu pensei."

"Scully, pare, por favor." ele implorou, mas ela nao escutou.

"Ento, na outra vez, foi por mais um pouco de tempo. Ento mais
tempo ainda. Chegou ao ponto onde eu fiquei l dentro por horas,
talvez um dia inteiro. Nao me lembro - tudo que eu sei  que me
sufocava. A sujeira me sufocava, e eu tinha que me sentar com
minhas pernas perto do peito pois era to pequeno l dentro...
Deus..." a voz dela finalmente quebrou, e ela colocou a cabea contra
o peito de Mulder, abraando-o pela cintura. "Eu no posso ficar em
lugares apertados, Mulder. No posso. At mesmo meu maldito casaco
me sufoca."

A imagem dela na plataforma de trem, o casaco agitando ao
vento entrou em sua mente, assim como outras imagens. 
Scully lutando contra as cordas na cabana.
Scully correndo pra longe dele e Charlie na entrada da
casa, os dois ao lado dela.
A luta dela contra o abrao dele na varanda dos fundos da
casa de Melissa - droga.

"J chega." ele a tremeu suavemente, e a abraou com
cuidado. "Chega, Scully" ele falou, rouco, dando um suspiro
de alivio quando sentiu ela relaxar contra ele.

Um choro suave, com soluos, apareceu, e depois de alguns
minutos, ela falou. "E foi voc." ela disse. "Sempre foi.
Eu no sabia disso at agora."

* * * * * * * * * *

Ela no sabia por quanto tempo ela chorou. Ela nao esperava
a raiva aparecer. Ela pensou que tinha chorado tudo com
Charlie em Honolulu. E quis saber se estava se tornando uma
dessas mulheres que choram  toa.

Cheirando, ela decidiu que nao gostou nada disso. Mas
pensando bem, ela nao tinha como escolher. A angustia emocional
era um fato de vida - Melissa tinha razo - algumas vezes
ela tinha que se soltar.

Era destino que tudo isso tinha acontecido com Mulder.
Ele nao era o anjo dela, e nunca foi. Mas ele era o 
seu resgatador, por uma fora de vontade e determinao
que significava mais para ela do que cair do cu debaixo
de fogo de artilharia. Ele teria ido embora, e ela teria
deixado, se nao fosse por Charlie. Que diferena um dia
fazia.

Ela ergueu o rosto do sueter dele, colocando a mao
sobre o queixo dele. "Beije-me" ela sussuroru, ansiosa para
libertar os demonios comuns deles aos quatro ventos.

Mulder a olhou com olhos mornos, escuros, mas ele tremeu 
a cabea. "Scully, acho que isso nao  uma boa idia."

Ele nem terminou a negao antes que ela o beijasse.
Ele ficou parado, os braos rigidos ao redor dela. 
Oh, no - ela pensou - voc no vai dar uma de bom moo
comigo, Mulder. 

Trazendo a outra mao, predendo-o pela nuca, ela o forou
a abrir os labios, afundando o beijo. Mesmo assim, ele se
segurou, embora gemesse profundamente, incitando-o 
seduo.

Se afastando um milimetro, ela falou em seus labios molhados.
"Eu te amo" antes de continuar a beija-lo. "Me leve pra
cama."

De repente, ela se achou puxada pra longe. 
"Scully" ele falou, os olhos ferozes procurando seu rosto,
as bochechas esticadas com desejo. "Eu sei - l na cabana -
eu nao fiz-"

"Est tudo bem" ela falou, parando a desculpa dele com a ponta
dos dedos. "Ns podemos recomear."

Pegando a mao dela entre as deles, ele beijou a palma dela
antes de responder. "Voc pode, pelo menos, me deixar
dizer o quanto eu estou arrependido?"

"Voc j disse" ela devolveu o favor, beijando-lhe as juntas
das maos.

A pergunta mais parecia um grito. "Eu j fiz isso?"

"Yeah. L no Tio Mike." ela chegou mais perto dele. "Agora,
onde ns estvamos?"

Mulder deixou-a cheirar sua mandibula por um momento, e 
ento a empurrou pra longe de novo. "No podemos fazer isso.
Eu no vou me arriscar. Ns j falamos sobre isso."

Saindo ligeiramente pra fora da nevoa da paixo, ela
percebeu que ele estava se referindo  gravidez. "Mas 
voc disse-"

"Eu sei o que eu disse," ele rosnou, as mos ainda apertando
a cintura dela para mante-la afastada. "E eu falei serio. Mas
 tolice levarmos outra chance." se possvel, o rosto dele
ficou ainda mais sensual, a voz parecendo veludo. "Mas eu 
posso te ajudar."

Confusa, ela perguntou. "Me ajudar? Me ajudar com o que?"
a unica maneira que ele poderia ajuda-la era fazer amor com
ela. Ela queria isso, ela precisava muito da conclusao do
que ele roubou dela em Utah. E ela queria ele l com ela,
para leva-la s alturas.

Em resposta, Mulder colocou as duas maos debaixo do fundo
dela, e a ergueu suavemente, at que Scully ficou de p.
"Tire suas roupas" ele pediu, suave. Ele ficou de p tambm,
com a manta na mao. Ele passou a manta ao redor dela, como
uma cortina, com um olhar esperanoso, esperando que ela
no protestasse.

Mordendo o lbio, a mente dela correu com fatos. 
Charlie tinha sado e seus pais estavam fora, e s iam
chegar dali a uma hora, com certeza. E mesmo que namorar
no sof nao fosse o ideal, era algo que ela queria muito.
Lentamente, olhando pra ele, ela comeou a tirar a roupa, 
abrindo os botoes da blusa.

Mulder assistiu cada movimento, vendo a maneira como a
seda saa dos ombros, a remoo da cala e sapatos. O
sutia foi o proximo, e ela sentiu os mamilos ficarem rigidos
na escuridao. Quando ela foi tirar a liga, Mulder disse. 
"Segure a manta" e lambeu os labios quando desceu o olhar 
para abaixo dos seios dela.

Ela fez como ele pediu, tremendo. Ele caiu de joelhos diante
dela, e Scully fechou os olhos. Ao primeiro toque dos dedos
dele na pele dela, e ela pulou. Mulder murmurou alguma
coisa para ela se acalmar. 

Enrolando uma meia de cada vez, ele descobriu as pernas
dela, passando as maos por dentro das coxas macias. Sua
respirao estava quente e pesada contra a barriga de 
Dana, e ela balanou. Ele a segurou pelos quadris
e fez um rapido trabalho com a liga e a calcinha antes de
dar um beijo boquiaberto sobre os cachos na juno entre
as coxas. Ela quase gritou, e ele riu, subindo, tirando
o sueter sobre a cabea num unico movimento.

Sentando-se, ele pegou a mao dela. "Vem c. Quero te
sentir contra mim."

Ajustando a manta como uma barraca, ela montou sobre
os quadris dele, os punhos cheios de l aspera passando
pelo pescoo de Mulder.

"Quentinha?" ele perguntou, acariciando a cintura fina, o olhar
quente sobre o dela.

"Mmm," ela acenou com a cabea, arqueando ao seu toque, os seios
deslizando sobre o trax dele.

Ele fez um som fundo na garganta, de desejo, e ela beijou
seu rosto, sobrancelha, lbios. O som do fogo se misturou
aos sons de suspiros, e ela comeou a se mover contra a
cala dele.  Mulder misturou a carne macia das nadegas dela
com as mos. Dana sentiu a dureza da ereo dele debaixo dos
botoes frios... e sentiu o proprio corpo ficar morno e liso
sobre os botoes, e ela gemeu, querendo mais.

Ela soltou um canto da manta, que deslizou, deixando ar fresco
beijar a sua pele, mas ela nao ligou, descendo uma mao entre eles, para
soltar os botoes da cala de Mulder. Ele se afastou dela um pouco,
dizendo. "No, no faa isso."

"Mas eu quero" ela insistiu, trabalhando com rapidez. Em segundos
ela havia aberto os botoes da cala. A ereao dele estava
debaixo do short, mas empurrou pra cima ao sentir a mao dela,
e ele assobiou, empurrando os quadris pra cima tambm. "J chega"
ele exigiu numa voz aspera, puxando a mao dela. "Nao posso gozar
dentro de voc, Scully" ele disse, como se estivesse em dor,
jogando a cabea pra trs no sof.

Ela beliscou o pescoo dele, entendendo, mesmo que nao gostasse
da deciso dele. "Eu sei" ela sussurrou. "Mas voc tem que
me deixar ajuda-lo tambm" o corpo quase virginal dela nao
sabia como fazer isso, mas ela estava disposta a tentar - *muito*
disposta. "S me diga o que fazer."

"S..." ele hesitou, ainda segurando a mao dela. "S nao me toque,
ok? Depois. Eu prometo."

"Ento o que eu tenho que fazer?" frustrao a fez se
torcer no colo dele, mas logo ela foi recompensada
por um toque familiar, uma que ela se lembrava vagamente.

Deus.

"S mova, do jeito que voc quiser" Mulder sorriu, deslizando
um dedo para dentro dela.

"Oh," ela ofegou, surpresa ao ponto afiado de prazer 
que veio de onde ele a estava tocando. A manta caiu dos
dedos dela, para se agrupar sobre as pernas abertas dela, e Dana
cedeu ante ao desejo para danar contra a mo dele.

"Isso mesmo" ele continuou, esfregando um local, o mesmo lugar
que ele encontrou antes, mas dessa vez, ele nao parou. Era divino,
e ela se apoiou sobre os joelhos, se esforando para ficar
mais perto. A outra mao de Mulder foi para as costas dela, e ele
a puxou contra sua boca.

"Deus!" ela clamou ao sentir o toque molhado da boca
no seio dela. O que ele estava fazendo com ela? Mulder
chupou, amamentou, e brincou com a lingua, e at usou os
dentes para beliscar a pele sensivel. "O que voc est
fazendo?"

"Te ajudando" ele disse contra a pele dela.

"Com o que?"

"Com isso" ele foi para o outro seio, sussurrando. 
"Pense nisso como o mambo" ela sentiu ele sorrir contra
o seio dela.

"Nao acho que era isso que Melvin tinha em- oh!"
ela estava perdida, agarrando o sof atrs da cabea dele,
enquanto ela montava sobre sua mao. "Belo mambo" ela
suspirou, recompensada pelo riso dele.

"Eu gosto ".

Bom Deus, ela tambm. Esta era uma dana diferente de 
qualquer uma, muito melhor do que a valsa, ou o Lindy...
"Oh... oh!" De repente, ela sabia que estava vindo alguma
coisa, mesmo sem saber o que era.

Alcanando... alcanando para o desconhecido... era to bom...
l, *l* estava! Ela apertou as nadegas, os musculos de suas
pernas tremeram enquanto ela gozava ao redor dos dedos dele, 
jogando a cabea pra tras, abrindo a boca num grito baixo.
Ele continuou os movimentos, tirando a boca do seio dela para
puxar os labios entorpecidos dela.

Enquanto ela se acalmava sobre seu colo, Mulder bebeu
profundamente dos gritos dela, roubando beijos como se fossem
gotas de chuva. Ela deu isso pra ele, e muito mais, lhe dizendo
com seu beijo o que ela descobriu.

Que este homem, este homem complicado, atormentado e s vezes
arrogante... tinha roubado o corao dela. E em apenas alguns dias.
Ele tinha se tornado o anjo dela, tirando-a da nula escuridao para
a vida novamente.

Suspirando contra a boca dela, ele deixou ela deslizar um pouco,
mas apertou-a contra si de novo. "Voc est bem?"

Uma voz severa respondeu, perfurando a satisfao que os
cercava. 

" melhor ela estar, seu filho da p**a."

Scully ficou rgida, reconhecendo logo quem estava
falando estas palavras furiosas.

Charlie.

Fim do capitulo doze


A FAMILIAR HEART
Captulo Treze

"Mer-" Mulder mordeu o lbio, abafando o xingamento enquanto
pegava a manta. Ele nao correu; afinal de contas, eles eram adultos.
A afronta de Charlie, embora perigosa, nao era garantida, e
Mulder nao tremeria como um adolescente. E Scully nao era uma
menina timida, nem menor de idade. Ela era uma mulher, capaz de
fazer o que quisesse.

"Que diabos est acontecendo aqui?"

Mulder ficou grato quando viu Scully agir como uma mulher adulta, e
nao como uma criana que foi pega com a mao no pote de biscoitos.
Ela ficou de p, graciosamente, dando um pequeno sorriso para Mulder
enquanto se enrolava com a manta. Ficando de frente ao irmo, ela
perguntou, calma. "E o que voc est fazendo aqui, Charlie? Nos 
olhando? Nunca pensei que voc fosse um voyeur."

Quando Mulder viu Charlie ficar ainda mais furioso, ele ficou de
p. Charlie olhou para a cala aberta, e Mulder demorou para
abotoar os botes, tendo certeza de que Charlie visse que ele
nunca se exps. Isso nao ajudava muito, mas deixava claro que eles
nao fizeram sexo.  Pegando o sueter e a camisa, ele as vestiu.
"Calma, Charlie. Eu posso explicar tudo."

"*Ns* podemos explicar tudo" Scully corrigiu, ficando ao seu
lado, usando a manta como uma courao. "Eu sou uma menina crescida,
Charlie. Posso fazer o que quiser."

"Na casa da mame? Jesus, Dana" ele correu a mao pelo cabelo,
e Mulder sabia, pelo olhar dele, que ele desejava colocar as maos
no pescoo de Mulder.

"Ah... assim como voc e Ellen, que nunca fizeram nada
dentro desta casa? Por favor" ela rolou os olhos, e Charlie corou.
Mulder notou que estava na hora pra se meter, ou eles poderiam
falar coisas que se arrependeriam depois.

"Dana... v se vestir, por favor" ele sussurrou na orelha
dela, colocando a mao nas costas dela, para enfatizar o pedido.
"Preciso falar com Charlie."

Ela eriou, como se a demisso dela ali a aborrecesse,
mas ele sabia que ela faria como ele pediu. Era melhor
fazer isso neste momento; era uma situao delicada, e Charlie
esperava que ele se explicasse, e nao ela.

A raiva de Charlie era normal, pois ele vigiava a virtude
dela como qualquer parente homem faria. Mulder sentiu um alivio
por notar que era Charlie ali, e nao o pai dela. Seno,
este enredo terminaria com eles diante de um padre, com uma
espingarda nas costas dele, antes que a noite terminasse.
Embora talvez esta nao fosse uma idia to ruim assim...

"Tire isso de sua mente!" Scully advertiu. Ele olhou para
baixo, para o rosto dela, querendo sorrir ao ver a maneira
como ela leu seus pensamentos. "Nao tomem decises sobre mim
enquanto eu estiver l em cima."

To imponente quanto uma rainha, ela juntou as roupas dela
e foi para a escada, dando um claro para Charlie. Para seu
crdito, seu irmo recuperou o senso e abaixou a cabea, 
colocando os punhos dentro dos bolsos.

Mulder esperou at ver Scully sumir no fim da escada, e ento,
pisou adiante, lamento em sua voz. "Isso nao  o que parece,
Charlie."

"No ?" Charlie zombou. "Eu confiei em voc, Mulder.
E ento, voc vai e seduz a minha irm bem debaixo do meu
nariz!" Mulder abriu a boca pra responder, mas Charlie nao
deixou. "E nem pense em tentar dizer que voc nao fez nada.
A inteno estava l, e voc sabe disso. Mais uns dez minutos
e voc estaria--"

"Charlie" Mulder rosnou, a propria furia dele aparecendo
no rosto, ao ver o insulto que Charlie iria fazer de Scully.

"Trepando em cima dela," Charlie terminou, sua zombaria quase
fazendo Mulder bater nele. "O que foi? As prostitutas de Hong
Kong nao eram o bastante pra voc? Voc tinha que fazer minha
irm uma delas?"

"J chega!" Mulder deu as costas para seu amigo, num esforo
para nao acabar com a raa dele. Ele fitou o fogo, tentando 
fazer sua raiva abaixar. "Diga o que quiser sobre mim,
Charlie. Mas mais uma palavra sobre Dana, e eu vou enfiar
seus dentes pela sua goela."

Charlie xingou de volta, e entao, com a voz cheia de dor,
ele disse. "Eu confiei em voc, Mulder. Diabos, eu at mesmo
fiz um plano para voc e minha irm ficarem juntos...
Ela j sofreu muito -  e eu pensei que voc era um cara srio,
nao um que s quer uma aventura e sai fugindo."

"Voc est me vendo fugir?" ele odiava ver a desconfiana no
rosto de Charlie. "Droga, Charlie, eu me casaria com sua irm
num piscar de olhos se ela quisesse."

"Casamento?" Mulder viu que Charlie estava confuso, 
e com raiva, e com isso ele poderia machucar Dana, mesmo sem
querer. Mulder se aproximou.

"Ela est muito vulnervel agora, Charlie." ele murmurou,
ouvindo os movimentos no segundo andar. "O que ns fizemos..."
ele mordeu o labio, sem saber como dizer isso. "Foi algo
maravilhoso. Pode me odiar, se quiser, mas nao force Dana a uma
situao a qual ela nao est pronta."

Ele precisava fazer com que Charlie mantesse segredo.
"Sua irm  a melhor coisa que me aconteceu. Eu nunca a
abandonaria ou a machucaria. Mas Deus me ajude, Charlie...
se voc magoa-la por causa disso, eu vou fazer com que voc
se arrependa do dia em que nasceu. Entendeu?"

Nao era sua inteno ameaar seu melhor amigo,
mas para proteger Scully, Mulder bateria at no Papa,
se fosse preciso. Ele esperou, vendo Charlie olhar
pra ele, procurando algum sinal de blefe. Calmamente, 
Mulder fechou as mos, em punho.

E Charlie relaxou num sorriso. Nao era um grande sorriso,
mas era uma trgua. "Eu sabia."

Mulder, muito confuso, olhou pela escada, sentindo que Scully
estava prestes a voltar. "Sabia o que, droga?"

"Eu sabia que vocs foram feitos um para o outro. Claro
que  por isso que eu nao brigar muito com voc" ficando srio,
ele abaixou a voz. "Mas eu vou te dizer uma coisa, Mulder.
Se voc magoa-la, voc nao vai responder a mim. Voc vai ter
que se entender com Bill."

"Seu pai?" Impossvel. Mesmo sendo um homem grande, o pai de Scully
era bem mais velho do que ele. Tudo bem que ele foi da marinha,
mas mesmo assim...

"Meu irmo, seu idiota." Ele ouviu sua irm descendo os
degraus. "Pense nos meus msculos, e no temperamento de Dana.
Ento, d um beijo de adeus s suas bolas."

Jesus. Mulder ficou plido, ao mesmo tempo em que Scully
desceu o ultimo degrau. "Charlie, voc bateu nele enquanto eu
estava l em cima?" ela correu para o lado de Mulder, agarrando
seu brao, franzindo as sobrancelhas, preocupada. Ela estava
com um sueter macio, fofo, da cor de prolas. Se ele nao estivesse
to enjoado, Mulder teria sorrido, aprovando a roupa dela.

"S debaixo da cintura" ele elevou as maos ao ver a
cara feia dela. "E s num futuro prximo, se ele no
for inteligente."

Mulder, ao olhar fixo de Charlie, tirou a mo de Scully
de seu brao, e colocou um pouco de distncia entre eles.
Ele tinha uma idia do que estava pra acontecer, e comeou
a subir os degraus.

"Mulder, para onde voc est indo?" ela olhou pra Charlie,
frustrada. "E que diabos voc est fazendo aqui? Pensei que
voc estava danando."

"Eu estava - eu estou. Eu s vim pegar minha carteira, e ento
vou encontrar os outros no Salo de Baile Cristal" ele elevou
a voz na direo da escada. "*Depois* que eu levar Mulder para
um hotel."

"Pode esperar, Charlie." ele falou sobre o ombro. 
"S vou pegar minhas coisas."

A resposta de Scully era incrdula, e ele estava 
contente por estar fora da linha de fogo. "Um hotel?
Charles Andrew Scully-"

"Sabia que com essa linha na testa voc parece a mame?"

"Ohhhhhh...."

Mesmo depois de ter sido pego em flagrante, Mulder
pensava que nao queria estar na pele de Charlie neste
momento. Ele riu, fechando a porta de Charlie atrs de si.

* * * * * * * * * *

"No posso acreditar em voc" ela rosnou, sentando na cadeira 
de seu pai enquanto ligava o abajur. A luz amarela mostrava o entalhe
no sof onde, h apenas alguns minutos, ela estava nos braos
de Mulder. Isso fez ela corar, mas ela ignorou o sorriso
de Charlie, falando, com raiva. "Voc me fez sentir como se eu
tivesse dezesseis anos de idade."

Charlie se sentou deliberadamente no buraco do sof, esticando
os longos braos sobre o encosto, como um albatroz. "Confortvel."
o sorriso dele sumiu um pouco. "Perfeito para uma mulher que tem
vinte e sete anos mas *age* como se tivesse dezesseis."

Ela mordeu a rplica, vendo algo dentro do olhar de Charlie,
alm de sarcasmo. Ele parecia como se alguem tivesse levado seu
cachorro favorito embora. Toda raiva que ela sentia
morreu ao ver a expresso desanimada do irmo. Ela no s
o colocou numa situao embaraosa - ela o desapontou.

Apesar da relao deles um para com o outro, alem do gnero
serem diferentes, ela e Charlie eram melhores amigos.
Ver ela e Mulder na agonia da paixo deve te-lo tirado de
equilibrio. Ele passou pela guerra, assim como eles dois, mas
ele estava relativamente inclume, graas a Deus. E ela
no tinha coragem de desiludi-lo mais ainda, contando sobre
o primeiro encontro com Mulder.

"Charlie?"

"Yeah?" derrubando uma mao, ele pegou o casaco.

"Eu sinto muito. No para o que fizemos... eu s queria
que tivessemos tido mais discrio. Eu sei o que te
transtornou, e eu sinto muito."

"Eu sou um cara crescido, Sprite" ele declarou, olhando pra
ela, finalmente. " que isso... me chou. Nao posso dizer
que fiquei contente em ver minha irm nua."

"Ewww". Ela fez uma cara de nojo, sentindo o humor melhorar.

"Yeah, ewww". Ele sorriu e somou, "Graas a Deus que Mulder
ainda estava usando a cala - seno eu ficaria marcado pelo
resto da vida."

Do que ela tinha visto de Mulder l na cabana, ele
colocava a maioria dos homens no chinelo - e isso inconsciente,
e nem um pouco excitado. Claro que, se a sensao de ser
quase enchida a propores dolorosas fosse alguma indicao...

"Eu *no* quero ouvir sobre isso, Dana" Charlie rosnou,
vendo ela corar. Ele nao estava bravo - s com vergonha por ver
os pensamentos dela escritos em seu rosto. "Existe um limite
para informaes desse tipo."

O sorriso dela foi passageiro. Ela queria contar para Charlie
sobre o que ela estava sentindo, e a ausencia de Mulder lhe deu
esta oportunidade. "Charlie?"

Ele descansou os braos sobre os joelhos, o rosto srio. "Yeah?"
Melissa era mais da idade dela, mas 
Charlie era como um irmao de alma e corao, e ela agradeceu
a Deus por isso.

"Eu acho que estou-" ela estava o que? Apaixonada por ele?
Claro, ela fcil pensar assim quando ela tremeu debaixo
das maos e boca capazes dele. Mas Charlie pensaria que
ela estaria louca se uma declarao de amor sasse de seus
lbios. "Eu gosto de Mulder." ela emendou. "Muito."

Ele arregalou os olhos, e ento pendurou a cabea com um
suave 'woosh' pelos lbios. "Jesus, Dana."

Oh, Deus, ela pensou.  Mais briga. "Olhe, Charlie, eu acho
que estou velha o bastante para saber-"

"No  isso."

"Ento o que ?"

"Acho que ele est apaixonado por voc, tambm" Charlie riu,
nervoso, esfregando a nuca. "Estou ficando doido em tentar
saber como vocs dois fizeram isso em to pouco..." ele estalou
a cabea pra cima. "No! Eu nao quero saber."

Scully estava meio tonta com esta possibilidade. Mulder,
apaixonado por ela? "Charlie, eu nao disse nada sobre amor."

"Voc no precisa. E nem ele."

Eles ficaram calados enquanto ela contemplava a noite
de revelaes. Durante a guerra, era comum romances 
florescerem durante a noite; ela aprendeu isso quando voltou.
Pensando ser a ultima chance, homens e mulheres se
casavam uma semana depois de terem se conhecido. Ninguem
achava estranho. E agora, o mercado de casamentos
crescia rapidamente - os que se amavam por muito tempo
nao estavam mais esperando para se casarem. 

Ellen e Charlie esperaram seis meses pela igreja e 
pela recepo. Claro que foi por causa de Ellen. Charlie
ficaria satisfeito com um rpido casamento em Vegas, mas
a me dela teria sofrido com isso.

Gemendo em silencio, ela apertou uma mao sobre a cabea. 
Sua me. Seu pai. Ela era a mais sensata pra eles. Se
eles soubessem disso... nao. A vida era dela, e ela podia 
fazer o que quisesse.

"Pronto, Charlie?"

As palavras de Mulder a tiraram de seu devaneio. "Voc no
pode partir, Mulder." S a viso dele de p, atrs de Charlie,
olhando pra ela, de cima abaixo, a lembrava do que ele fez
com ela e... Deus, ela tremeu de novo.

"Desculpe, Sprite." Charlie ficou de p. "Eu vou
insistir nisso."

"Mas me acha que ele vai ficar conosco - no vai parecer
estranho se ele apenas ir embora, de repente?"

Ficando em p entre eles, como uma parede de
tijolos, Charlie olhou primeiro para Mulder, e depois para
ela, antes de falar, seco. "Ns podemos dizer que o sof era...
pequeno demais, ou que Mulder tem problemas nas costas, ou
algo assim." ele somou, como se os pensamentos estivessem
caindo por sua cabea. "A gente v isso depois. Vamos l,
Mulder. J estou atrasado. Ellen vai comear a querer
saber onde estou."

Quando ele se virou, Mulder lhe deu sua carteira,
e perguntou. "Eu posso falar um minuto com ela, Charlie?"

O corao de Scully pulou no peito ao ouvir o pedido de Mulder.
Embora eles tivessem feito quase tudo que podiam fazer um
ao outro, de repente ela ficou nervosa por estar sozinha com
ele. O que ele ia dizer? 'Temos um problema, Dana. Te vejo da
prxima vez que passar pelo porto?'

No.  Ele no era esse tipo de cara.

"Claro. Eu vou esperar no carro. *Um* minuto s, Mulder."
Scully nem notou o estrondo da porta atrs de Charlie.

Oh, Deus... e se ele fosse falar sobre o assunto de casamento
de novo? Ela virou para fitar o fogo - ela teria que lanar
mais lenha antes dos pais chegarem em casa, pois eles gostavam
de uma bebida tarde da noite...

Ela saltou ao sentir os braos ao redor de si, vindo do
por trs. "Mmm... eu sabia."

"Sabia o que?" ela estava ofegante.

"Eu peguei uma brisa na escada... alguma coisa na
minha pele. Voc. Eu estou com o seu cheiro."

Engolindo em seco, ela fechou os olhos. "Yeah... eu notei isso
tambm." Ela sabia que nao ia tomar banho de jeito nenhum
antes de dormir - s a idia de dormir embrulhada no cheiro
dele era maravilhosa! Claro que ela preferia a coisa real
aconchegado debaixo das cobertas, com ela.

"Scully?" a boca dele brincou com a orelha dela.

"Yeah?"  agora - ela pensou.

"Doces sonhos" ele deu-lhe um beijo no ombro. "Te ligo
amanh." E logo o calor do corpo masculino foi afastado dela.

Ah, nao. Nao era assim que o 'boa-noite' deles
deveria acontecer. Ela girou, vendo-o pegar a bolsa. "Mulder!"

Virando, ele olhou para ela, o rosto esperanoso, mesmo assim,
alerta. Andando lentamente pra ele, ela disse. "Faa com que
Charlie te coloque no Belmont. A ceia de ensaio  depois de amanh.
Eu vou passar a noite com Ellen."

Derrubando a bolsa, Mulder cruzou a distancia entre eles,
dando um sorriso. Eles se abraaram, o olhar dele vagando sobre
o rosto dela. A voz dela era trmula agora. "Voc me deve uma
cama, marinheiro. Tenha certeza de que  uma de casal, pois-"

Ele a beijou como se fosse um homem se afogando, devorando
sua boca at que ela estava ofegando. E ento, ele a deixou
apenas para embalar a cabea dela em sua mo, enquanto beijava
o rosto e mandibula de Scully. "No Belmont..." ele murmurou,
distrado. "Eles tem banheiras grandes tambm? Pois eu adoro
banhos de espuma..."

Ela riu e apertou as costas grandes, nao querendo solta-lo.
"Fica do outro lado da rua do Bar do Tio Mike -  onde vamos
fazer a ceia. E e acho que tem banheira l sim. O lugar
 muito bom."

Gemendo no pescoo dela, ele disse, "Tio Mike? De novo,
no..."

"Deixe tio Mike comigo" ela sussurrou, se preparando para
beija-lo quando ouviu Charlie apertar a buzina. "Nao se
esquea de me ligar amanh, ok?"

"Seis da manh  cedo demais?"

Ela sentiu lgrimas nos olhos; ele era to bonito, to 
ansioso... os galanteios dele eram to amveis, os olhos,
cheios de desejos... ser que Charlie estava certo? Mulder a
amava de verdade? O tempo vai dizer e ela sabia disso. E eles
tinham todo o tempo do mundo.

"Ligue s sete. Eu gosto de dormir at tarde."

"No que? Seda? Cetim? Nada?"

Ela empurrou o rosto sorridente dele para fora da porta, e ento
ficou de p, na varanda, esperando o carro sumir com os dois.

Meia hora depois, ela estava se preparando pra ir pra cama quando
o telefone tocou. Ofegando, pois desceu as escadas correndo para
poder atender, ela disse, "Al?"

"Eu s queria que voc soubesse que eu j estou sentindo
a sua falta." ele pausou, e ento somou. "E que esta cama
 muito confortvel. Graaaande... Boa noite, Scully."

Ela encarou o telefone durante um minuto depois que Mulder
desligou, o sorriso aguado. Ento, a fecilidade era isso.
Era maravilhosa...

Fim do capitulo treze


A FAMILIAR HEART
Captulo Quatorze

Cumprindo sua palavra, Mulder ligou s sete da manh no
outro dia. Ento s nove, e de novo ao meio-dia. Suas ligaes
eram to persistentes que levantaram as suspeita da me de Dana,
que colocou sua curiosidade maternal para trabalhar.

"O sr. Mulder encontrou os culos?" Maggie olhou sobre o ombro,
para Dana, que estava at os cotovelos de farinha.

Scully sorriu, descontando na massa a frustrao da ausncia de
Mulder. "Sim. Os culos estavam na bolsa, junto com a escova de
dentes e a navalha."

"To jovem, e to esquecido" a me dela observou, voltando para os
biscoitos, aparentemente satisfeita com a explicao de Scully para
as chamadas no telefone.

Esquecido? Scully estava contente por sua me nao ter olhado pra
ela de novo, pois ela estava ficando com o rosto quente.
Mulder se lembrou de cada movimentos deles ontem  noite; 
Os telefones fizeram um resumo detalhado do que aconteceu, junto
com roucas promessas de tudo que ele ia fazer com ela assim
que eles estivessem a ss novamente.

Ele descreveu a maneira como ele iria toca-la, assim que
estivesse numa mobilia mais espaosa. Mulder era muito inteligente,
percebendo, sem ser dito a ele, que era bem provvel que os
pais dela estavam perto dela durante os telefonemas.

"Estou pensando em comprar um novo sof para minha cabana." ele
murmurou da ultima vez. "Mas estou indeciso - ser que eu devo
comprar um sof de couro, bem macio e liso? ou com aquele tecido bem
grosso, que dura mais? O primeiro  bem mais confortvel, mas  meio...
escorregadio, sabe? O segundo pode irritar um pouco a pele, mas
deve resistir bem a qualquer tipo de... castigo? A propsito - voc
no viu, por acaso, minhas plaquinhas por a, viu?"

Rindo, ela respondeu. "Eu vou desligar, Mulder."

E agora, pensando bem, eles nao fizeram nenhum plano para
se verem at o dia do ensaio, que seria amanh  noite. Talvez fosse
preciso um pouco de tempo longe um do outro. Isso estava 
acontecendo rpido demais, e Dana estava animada, mas assustada
tambm.  

Onde eles iriam parar depois do casamento? Ele estava em
San Diego, at onde sabia. E ela estava presa em San Francisco.
Nao era uma distancia muito grandes, mas tambm nao era to
perto. Ela estava sentindo que sua vida iria mudar mais
uma vez, e isso a assustou mais do que enfrentar os japoneses.

O toque do telefone a assustou, embora ela estivesse
acostumada a isso. Limpando as mos no pano de prato, ela
ignorou o olhar interrogativo da me e atendeu.

"Sim, Mulder?"

"Dana?"

"Bill?" Droga. Ela nao queria falar com o irmo, principalmente
depois que ele nao foi ve-la em Honolulu. Ele nunca foi visita-la em
San Francisco tambm, e ela sabia que ele esteve l algumas vezes
nos ultimos seis meses. "Feliz Natal."

Ele pausou e entao disse. "Pra voc tambm, Dana. Como voc
est?"

"Bem" a me dela estava perto da entrada da cozinha, e Scully
falou. "Me est aqui" cobrindo o receptor, ela deu o telefone
para sua mae, que lhe deu um sussurro desapontado.

"Fale com ele, Dana."

"Quando ele estiver aqui, eu falo" ela sussurrou de volta, voltando
para a cozinha enquanto sua me dava um al para seu filho primogenito.

Bill era um idiota. Nao tinha outra palavra. Ele tinha o estoicismo
do pai e nada de sua compaixao. Ele era frio e quase sem emoo, e
nao conseguiu lidar com a recuperao dela, como Charlie fez. O exercito
era o exercito, era o que ele pensava. Esquea o que passou, e v para
a prxima batalha. 

Nao importava que ela era mulher. Um soldado nao deveria se
agachar e ficar com medo e pesadelos. Seu pai e sua me foram mais
do que encorajadores, tanto quanto puderam. Seu pai tirou alguns
dias de licena para ficar com ela no Havai, e sua me passou algum 
tempo com ela em San Francisco.

Mas Bill? Ele virou e fugiu na primeira vez que ela teve um
ataque apopltico, com desgoto escrito em seu rosto. Sua esposa, Tara,
veio visita-la algumas vezes com as crianas, mas nao era muito
diferente. A esposa de Bill tinha que ser forte, tambm.

E s Deus sabia que palavras ele teria escolhido para Mulder. E
ela nem queria saber.

"Eles nao vo chegar at o dia do casamento" a me dela
falou, voltando para a cozinha. "Est nevando muito."

Scully sentiu um grande alvio, e no conseguiu esconde-lo.

"Ele no  de todo ruim, querida" sua me murmurou. "Ele s no
sabe agir de outra maneira. Voc tambm no  to amigvel,
sabia?"

Ela sabia que tinha algumas dessa mesma qualidade, a de colocar
distancia entre as pessoas e ela, mas desde que conheceu Mulder,
sua fachada de calma levou uma surra. Ele nao escondia as proprias
emoes, e nao deixaria que ela fizesse isso tambm. E a vida
de Dana estava virando de cabea pra baixo por causa disso.

O telefone tocou de novo, e ela nao se arriscou desta
vez. "Al?"

"Scully, sou eu."

"O que foi agora? Seu pente?"

"No consigo achar minhas placas."

Ela abaixou a voz para um sussurro. "Voc j usou
esta desculpa."

" serio. No consigo acha-las." ele suspirou, e ela
imaginou ele lambendo os labios. Hoo-boy. "Acho que 
eles esto na sua sala, *em um determinado lugar*" a nfase
no local fez o corao dela pular. "O cordo... s vezes agarra...
em algumas coisas."

Um flash dele puxando o suter e camisa pra fora
do corpo fez ela gemer.

"Yeag" ele disse, compartilhando a memria. A voz dele era rouca.
"Faz esse favor e d uma olhada pra mim?"

"Espere" ela colocou o telefone sobre a pequena mesa, com
os dedos trmulos, e foi correndo para a sala, parando ao 
ver seu pai lendo o jornal da tarde. Ao ouvir o barulho, seu
pai olhou pra ela, levemente confuso.

"Starbuck? O que foi?"

"Uh... nada, papai." ela restringiu, os olhos procurando 
sobre o tapete um brilho de metal. Ela esqueceu que ele
viria pra casa mais cedo hoje. Ele era do tipo quieto -
sentar e ler, usando os culos e os chinelos. Falando
nisso-

"Droga" ela murmurou. L estavam as placas, meio escondidas
debaixo da sola esquerda do chinelo. Nao estava bvio, mas
brilhava como um farol na luz do abajur. A presena do cordo
poderia ser explicada de maneira inocente, mas o cordo
deveria estar no pescoo de Mulder, e nao no chao da sua 
sala de estar. Oh, Deus...

"O que voc disse?"

"Torta" ela respondeu com um sorriso. "Voc gostaria de torta
para sobremesa?" torcendo as maos, ela andou para frente, lentamente.

"Pensei que iriamos ter as sobras de ontem, Starbuck" dobrando
o jornal sobre o colo, ele se sentou mais pra cima. "Voc tem certeza
de que est bem? Voc parece meio enjoada."

"Estou bem, papai.  que a cozinha est um pouco quente"

"Bill?"

Scully pulou ao ouvir a voz da me atrs de si.
Juntos, ela e seu pai olharam para sua me, que estava
na entrada da sala.

"Precisamos de mais lenha para a lareira, querido" ela
se virou, sem esperar resposta.

O pai de Scully fez careta, abrindo o jornal de novo. "Pea
pro Charlie. Falando nisso, onde ele est?"

"Ele est na casa de Ellen" Scully falou, ansiosa para tirar
seu pai daquela cadeira.

O pai dela suspirou, finalmente saindo da cadeira e colocando
os culos e jornal na mesa do abajur. "Jovem tolo" ele 
murmurou, olhando para sua filha, e emendou. "Ellen  uma
boa moa, Dana - eu nao quis dizer nada com isso."

"Eu sei, Papai," ela sorriu, lhe dando um beijo. "Amor 
faz coisas estranhas para as pessoas, nao ?"

Ele sorriu de volta, piscando pra ela. "Faz ficar enjoada,
tambm" ele respondeu, indo para a porta da frente. "Diga
para o sr. Mulder que eu disse, 'oi', Starbuck."

Ser que ele viu as placas? Scully engoliu, falando pra si mesmo
que ele nao viu. Mas ele era to astuto quanto sua me, sentindo
que havia algo entre ela e Mulder. Scully nao deveria
ficar surpresa. S porque eles estavam com esta idade isso
nao significava que eles nao amaram quando eram mais jovens, 
e agora viam isso em seus filhos.

Ela tremeu ao pensar em seus pais fazendo o que ela estava
fazendo com Mulder ontem  noite, e parou depressa de pensar
nisso. Nao era *nisso* que ela queria estar pensando - nem
agora, nem nunca.

Pegando as placas, ela voltou ao telefone. "Achei."

Mulder riu, aliviado. "Problemas?"

"Papai estava praticamente sentado em cima delas.

"Ai" ele ficou em silencio, e disse. "Eu preciso dessas
placas, voc sabe."

"Ento venha jantar conosco. O jantar vai estar pronto em uma
hora."

"E ficar numa mesa com seu pai e Charlie fazendo cara feia
pra mim? Acho melhor nao."

"Ah, Mulder. Papai gosta de voc."

"Mas voc nao pode negar que estou na lista negra de
Charlie."

Um suspiro abafado apareceu na linha, seguido por um
click. "Cuidado com o que voc fala, marinheiro. A sra. 
Bowman est ouvindo."

"Tudo bem. E se eu disse que ontem  noite..."

"Mulder..."

Ele riu, e falou, suave. "Jante comigo. Em outro lugar. 
A ss. Eu pago."

"Covarde."

"Linda" ele estava alm das analogias sobre mobilia. Assim como
ela. 

"Lindo."

Ele parou de repisrar, e ela sentiu que ele iria dizer
algo significativo, importante, mas Mulder disfarou com
um sorriso. "Se encontre comigo em algum lugar... Red."

Red. Deus, o apelido ainda tinha o poder para
tira-la de equilibrio. Era hora dela contar sobre o resto
da historia - o salvamento em Los Banos. Ele poderia
pensar que ela estava louca, mas ela queria que ele soubesse
o motivo dela estar to assustada na cabana. 

E havia algo que ela queria dar pra ele. Scully queria
que ele soubesse que ela estava pronta para se entregar a ele
de corpo e alma. Esta era a oportunidade perfeita, antes 
deles estarem afundados em celebraoes do casamento. A calma
antes da tempestade, como quem diz.

"Tio Mike, s sete?"

Ele xingou, e ento, "Nao era o tipo de lugar que eu tinha
em mente, Scully."

"Mas  tudo que voc vao conseguir, marinheiro."

"Mas-"

"Eu tenho um plano, Mulder.  Confie em mim ". 

"Contanto que nenhum dos seus primos me d uma
surra..."

"Eles vo ter que passar por mim antes, ok?"

"Oh, isso me faz sentir muito melhor."

Ela sorriu ao sarcasmo. "Pois deveria mesmo. Eu 
costumava chutar os traseiros deles regularmente."

Outro suspiro e outro click fez Mulder rir. "O que 
foi isso?"

"Eu acho que foi a sra. Kennedy. Mas eu sei o que estou
fazendo."

"Eu sei que sim."

Ela segurou a respirao, sentindo felicidade ao ouvir 
a declarao dele. 

"Fala de uma vez que voc vai encontra-lo, menina!"

A voz anci, com um leve sotaque, fez Scully ofegar desta
vez. "Sra. O'Malley?" o rosto dela ficou quente de embarao.

"Isso mesmo. E pegue logo ele, menina! Seu irmo est
casando, ento, a sua vez j chegou!"

Mulder estava rindo a valer do outro lado. Scully estava muda,
e quis que ele falasse alguma coisa antes de desligar o
telefone. E ele falou, muito para seu alivio. "Sra. O'Malley?"

"Sim, filho?" a velha senhora murmurou, com prazer na voz.

"Eu odiaria cortar sua tarde de diverso nas fofocas, mas a senhora
poderia, por favor, sair da p***a do telefone?"

Dana nao se importou com isso. Sra. O'Malley nao era uma
santa. Ao invs, a mulher disse. "Filho, j ouvi coisas piores
nas docas em Dublin. Voc vai ter que fazer melhor do que
isso."

"E seu te contar que eu gostaria de levar Dana para---"

"Mulder!" Scully finalmente encontrou voz, ao mesmo tempo
que sua vizinha curiosa desligou com um bufo.

"O que foi?" ele falou como se nao tivesse feito nada de errado.
Bem, na verdade ela estava cansada de outros se metendo entre
eles.

"Tio Mike, Mulder.  Sete horas. E no adianta reclamar."

"Desmancha-prazeres. Eu no aguento gente curiosa, Scully. Voc sabe
que seus parentes vo estar sobre ns como urubus."

"Ento *eu* vou pedir pra eles darem o fora, ok?"

"Minha herona!" ela podia imagina-lo sorrindo. "Mal posso
esperar pra te ver, Scully."

"Eu tambm sinto a sua falta" ela respondeu antes de lhe dar adeus.

* * * * * * * * * *

O jantar foi esclarecedor, pelo menos.

Ela sabia que ele tinha trinta e trs anos, e fazia
aniversario em outubro. Ela descobriu o nome do primeiro
cachorro dele, a cor favorita, e a lembrana do primeiro
beijo - aos sete anos, na garagem, com sua prima de
segundo grau, Emily. Ele s queria experimentar - ele
nunca gostou de Emily - Mulder falou. Muito linguaruda.
Em outras palavras, ele apanhou naquele dia. Mas isso no 
o impediu de continuar beijando.

Mulder agora sabia que ela quebrou a perna quando tinha doze
anos, quando caiu de uma rvore. Ele sabia que ela gostava
do caf dela com leite e aucar, e o hamburguer dela
era com pepino em conserva, e catchup. Ela era delicada em
tudo, exceto no riso - quando apareceu, Mulder ficou
assustado. Era largo, cheio de amor, mostrando uma boca
cheia de dentes e olhos risonhos tambm. Ele adorou tudo.

Ele a amava.

"Vamos ver... se Tio Mike dizer alguma coisa sobre jantarmos
aqui, ninguem vai saber que nao foi hoje, entendeu?"

"Inteligente," ele lhe deu um sorriso. "Eu gosto da maneira
que voc pensa, Scully."

Ela parece um presente de natal, embrulhada em l verde, os cabelos
ruivos domesticados em presilhas. O rosto nao estava escondido por
um chapeu. Estava morno e rosa, os labios quase vermelhos e to tentadores
quanto uma fruta suculenta, que ele ficou mordendo os proprios labios
para se privar de inclinar e morder os dela. Ela sorriu, e seus olhos
eram quase como estrelas gmeas, azuis, que o hipnotizavam. Ele
nao podia fazer mais nada alm de ficar olhando ficamente, e
tentar entender o que ela estava dizendo.

"Eu te disse antes - eu tenho um crebro" ela observou, tomando um
gole de caf, o dedo mindinho dobrado. Yep. Delicada.

Mulder queria saber se aquele dedo tinha um gosto to bom quanto
o resto dela. Scully olhou pelo ambiente, sem perceber a ateno
extasiada de Mulder sobre o dedo dela. "Parece que Tio Mike
nos deu a melhor mesa dessa vez."

Mulder deu uma olhada, snetindo todo os olhos neles enquanto ele
respondia. "Yeah. Perto da pista de dana, longe da cozinha... e bem
no meio do bar. Mais um olhar curioso pra c, Scully, e eu vou
subir nesta mesa, e vou declarar as minhas intenes."

Os olhos dela ficaram maliciosos. "E quais seriam elas?"

Lamber esse dedinho, ele pensou. Fazer o que eu queria fazer ontem
 noite, e me enterrar em voc to profundamente que eu nunca
mais poderia sair. Casar com voc, nao importa o que voc diga. Tudo isso
e muito mais implorava para sair de sua lingua. Seria to facil dizer
para todo mundo que ela era dele.  Mas agora eles estavam
bem, sorrindo, e nao era hora, ainda, de falar sobre compromisso.

"Acho que nao posso entrar em detalhes neste lugar, Scully.
Alguma coisa me diz que nao sair com meu rosto deslumbrante intacto
se fizer isso."

Ela riu, olhando para o enxame de ruivos que distribuiam cerveja
inglesa entre os clientes. "Eu te disse que te protegeria."

"Meu anjo da guarda?"

O sorriso dela enfraqueceu, e ele soube imediatamente que disse
a coisa errada. Oh-oh. Scully pegou alguma coisa dentro da volsa.
Com a mao apertada em punho, ela estendeu o brao sobre a mesa.
"Aqui est, marinheiro." ela murmurou acenando com a cabea.

Mulder abriu a palma da mao debaixo do punho dela, sentindo o
cordo e as placas carem. Antes que ela pudesse tirar a mao,
ele a segurou rapidamente, o cordo entre elas. A atmosfera leve
que eles defrutaram durante todo o jantar mudou para algo mais
srio de repente.

"Por que eu estou com a sensao de que acabei de receber o
toque de recolher?" ele zombou com um sorriso cuidadoso, 
seu corao batendo com medo. "Voc est indo para o baile com
outra pessoa, Scully?" ao invs de estupidos telefonemas, ele
deveria ter acampado na sala de estar dela. E que se dane o Charlie.

Ela relaxou um pouco, rindo, nervosa. "No...
 que eu estou a ponto de declarar as minhas intenes, e estou
muito assustada."

Ele abaixou os olhos, com alivio, mas sua resposta era tremula. "Fale
ento". Talvez, se ele tivesse sorte, ele estaria bem ocupado
hoje  noite.

"Mulder, voc se lembra de como eu pensava que te conhecia l
na cabana?"

Na ocasio, ele tinha certeza de que ela era uma das iscas de Chang, pronta
para mata-lo. Ele no deu importancia ao que ela falou depois de descobrir
quem ela era de verdade, mas agora, ele se lembrou.

< voc.>

"Yeah," ele disse, apertando a mao dela. "Sim, eu me lembro."

"Eu disse aquilo porque..."

"Scully, voc no tem que se explicar ".

"No, eu tenho. Faz parte da minha declarao."

Ela estava determinada, e ele cedeu, apertando sua mo. 
"V em frente."

"Voc era familiar pra mim, Mulder. Eu tinha certeza de que tinha
te visto antes. Mas na ocasiao em que eu pensei que tinha te
visto, voc era como um tipo de anjo... caindo do cu para me
salvar."

Acampamento de prisioneiros de guerra. Anjos do cu. Manila.

A conexo comeou a criar forma em sua mente. Junto com isso,
uma gota de medo afundou em seu peito. Ele nao tinha certeza se
queria ouvir isso, mas ele tinha que perguntar. "Voc estava
em Los Banos, nao estava?" Por favor diga que nao, diga que
nao.

Ela acenou com a cabea, um brilho de lagrimas nos olhos. "E eu pensei
que voc foi o que... morreu, me salvando naquele dia. Ele parecia
com voc." rapidamente ela concluiu, antes que ele pudesse falar.
"Mas eu te conheo agora, e voc  meu anjo, Mulder. Meu salvador.
No um fantasma que eu nem vi nem falei direito."

"Scully..." ele sussurrou, incapaz de olhar pra ela.
Puxando a mao, ele se afastou, e as plavas de metal bateram
sobre a mesa. Mas ele viu alguma coisa dourada.

Era bom demais pra ser verdade. Ela se entregando pra ele, 
ele pensamento em casamento e filhos... *tudo*. Ele tinha que
saber que nada era to perfeito.

" tudo que eu tenho de valor," ela disse, "E eu quero 
que voc fique com ele.  como se fosse meu anel de formatura. 
Eu nao quero fugir mais de voc, Mulder."

A cruz dela.  Brilhando no cordo com tanto brilho que fez
ele parar de respirara. Ele nao queria tirar a felicidade do
rosto dela, mas as proximas palavras iriam fazer isso.

"Scully, meu irmo morreu em Los Banos".

Ela ficou parada por um momento, mas se sentou mais pra cima, 
choque no rosto plido. "O que?"

"Sam. Ele foi um dos dois que morreram naquele dia."

"No... isso no pode ser verdade."

"Mas . Scully, ele se parecia comigo, e tinha uma voz
igual a minha." Mesmo sentindo dor, ele tinha que falar
tudo. "Ele era um dos paraquedistas da 11a. unidade
que foi enviada pra l. Ele deveria voltar pra casa depois
daquela misso." 

Um sorriso plido rachou a face dele.  "Eu falei com um
amigo dele mais tarde, alguem chamado Franklin. Ele disse
que Sam ia voltar pra casa e tentar um teste na primavera.
Ele queria ver se conseguia entrar pros Yankees."

Scully fechou os olhos e tragou, parecendo como se fosse
vomitar. Agarrando a bolsa e casaco, ela saiu da cadeira.
"Eu tenho que ir, Mulder."

Tudo que ele queria fazer era agarra-la e faze-la ficar. Mas,
ao invs disso, ele ficou sentado, seu corpo tremendo de choque.
"Eu sei."

Eles no se despediram, e nem fizeram outros planos. Ele esperou
uns cinco minutos antes de pagar a conta e sair para o hotel,
o cordo dentro da mo, fechada em punho. Ele no sabia mais o que
fazer.

FIM DO CAPITULO QUATORZE


A FAMILIAR HEART
Captulo Quinze

O telefone no tocou nenhuma vez naquele dia. Parecia como
se a chuva fria e mida colocasse um fim para as comemoraes
de feriados. O Natal terminou, e ela achou que nunca mais iria
sorrir.

Ela sentia falta dele. O sorriso dele, seu rido, a maneira como
ele poderia fazer com que as observaes mais inocentes ficassem
cheias de sensualidade. A memria da maneira como ela o deixou
ontem  noite queimava em seu crebro; a tristeza absoluta nos olhos
dele quando ele percebeu que o homem de quem ela falava de Los
Banos foi o irmo dele. Seu amado irmo, que Mulder, orgulhoso,
contou pra ela que ele estava querendo jogar beisebol.
Mas ele estava morto, derrubado por uma bala que era para ela.

Scully sentiu culpa to fresca quanto o momento em que
ela segurou a mo sobre o buraco no peito de Sam. O irmo
de Mulder ainda estaria vivo se no fosse por ela. Ele recebeu
a bala que era pra ela, e morreu por causa disso. Ela era culpada
por sua morte, como se ela mesmo tivesse apertado o gatilho.
No era de se admirar que Mulder se afastou.

Ser que ele iria aparecer no ensaio? Ou ficaria para o casamento?
Deus, ela esperava que sim. Pelo menos por Charlie, ela esperava
que Mulder cumprisse sua obrigao como padrinho. Ela quase fez
ele fugir da primeira vez, e ela no achava que Charlie a perdoaria
caso ele fizesse isso de novo, embora nao de proposito.
Ela nao sabia! Deus, ela nao sabia!

De p, em frente  rvore de natal, ela olhou a sala
de estar, cheirando. Seus pais foram para a igreja,
e ela esperava Charlie descer para que eles pudessem
pegar Ellen e irem para o ensaio. Ele sabia que ela deveria
estar passando a noite com Ellen, e ela ficaria com o carro
enquanto Charlie voltava pra casa com seus pais.

Pouco eles sabiam que ela nao planejava dirigir; 
o carro ficaria parado atrs do bar do Tio Mike, enquanto ela
passava a noite com Mulder. Teria sido to fcil - Ellen diria
que foi pra casa, e seus pais achariam que ela foi junto.
Perfeito.

Exceto que ela sabia que nao haveria noite nos braos de Mulder.
Nada de amor numa grande cama, nada de palavras, sussurros
e trocar de confiana e compromisso. Nada de planos para o
futuro. O silencio dele s lhe disse uma coisa: ele nao queria
mais nada com ela.

"Dana, voc est pronta?"

Embora ela tentasse evitar os olhos de Charlie, ela no
teve xito.

"Ei" ele falou, virando ela pelos braos. "Por que voc est
chorando?"

Ela secou o rosto com as maos, tentando dar um sorriso.
"Acabei de perceber que estou a ponto de ficar sozinha"
ela sussurrou, esperando que a meia-verdade fosse
suficiente para engana-lo. "Estou perdendo meu melhor amigo."

Charlie lhe deu um abrao gostoso. "Voc nao est perdendo
ninguem. Eu sempre estarei aqui pra voc, Sprite. Sempre."

"Yeah, a trs mil milhas de distancia" Ela nao cedia facilmente
 melancolia, mas nao conseguia se controlar. Charlie estava
sendo enviado para Washington. O telefone seria muito til,
mas de repente, ela queria mais do que uma voz. Ela queria
proximidade fsica. Seu mundo estava tremendo, e sua tristeza
parecia sem fim.

"Voc poderia pedir transferencia pra c, sabia?" ele mostrou.
"Embora eu ache que, com Mulder na Caifornia, voc no vai querer-"

"Mulder nao tem nada a ver com isso" ela declarou, se afastando
de Charlie. Ela andou para o sof, pegando o casaco.

"Oh-oh," ela ouviu atrs dela.  "Problemas no paraso?"

Aparentando uma calma que nao sentia, ela se virou, vestindo
o casaco. Charlie pisou adiante, interesse nos olhos, enquanto a
ajudava a se vestir. "Charlie, Mulder e eu somos apenas amigos"
ela disse, sabendo que isso parecia meio falso, dada a maneira
como ele os viu anteontem."

"Apenas amigos? Sprite, nao conheo ninguem que fica nu com
o amigo no sof" o tremor na voz dele era palpavel. "Eu sinto
muito, Dana. Isso foi grosseria da minha parte."

"Mas foi uma verdade" ela olhou para seu irmao, dando um
pequeno sorriso, sabendo que tinha que dizer alguma coisa
para aliviar a mente dele. Nao foi muito inteligente 
estar com Mulder num dia, e no outro no. Charlie nao precisava
se preocupar com mais nada a no ser o casamento.

Ela falaria isso para Mulder assim que o visse na Igreja;
eles teriam que se falar nos proximos dias, agir como amigos.
Qualquer outra coisa poderia causar suspeita. Ento, quando
tudo terminasse, ele poderia ir embora e ela tambm. Talvez uma
transferencia para Washington nao seria to ruim assim,
afinal de contas.

"Olhe, Charlie, Mulder e eu decidimos ir mais devagar.
O que importa agora  o seu casamento, ok?" Por favor,
acredite em mim, ela rezou. "O que ns fizemos... aconteceu
rpido demais. Ns concordamos que precisamos de algum
tempo para nos conhecermos." Ento, depois de alguns
meses em San Francisco, ela podia dizer pra Charlie que as
coisas nao deram certo, e voltaria pra casa.

Era um bom plano, ela pensou, ignorando o olhar 
interrogativo de Charlie enquanto ela ia para a porta
da frente. Se ela nao estivesse se sentindo to perdida sem
Mulder, este plano seria maravilhoso.

* * * * * * * * * *

O padre mexia com eles como se fossem bonecas, com um sotaque
irlandes bem pesado, e com exigente complacncia. Nao que 
Mulder tinha vontade de discutir; pelo contrrio: Cada vez
que o Padre Corkery o empurrava contra Scully, ele aproveitava,
escovando o brao dele contra o dela, dobrando e apertando
a mo dela para dentro do cotovelo dele, como um bom
acompanhante.

Ela estava to bonita esta noite que quase doa olhar
pra ela. Um silhueta esbelta em l azul marinho, a cintura
minscula apertada num cinto combinando. Ela estava coberta
do pescoo aos joelhos, e tinha uma imagem muito recatada, completa
com uma gola de lao branco. Era pssimo que ele sabia o que
estava debaixo daquele vestido, e seus dedos coavam para
desfazer os botes da frente, um por um.

O cabelo estava preso, mas alguns fios teimavam em se soltar,
caindo e acariciando a bochecha dela. Ela nunca olhou pra
ele, mas podia perceber, com certeza, de que ele nao tirava
os olhos dela.  E Mulder nao conseguia se controlar, tendo que
toca-la, levando um prazer pecador, mesmo com a permisso
do padre.

Mas aquele suspiro... Droga! Aquele suspirou que ele 
recebia cada vez que a tocava perfurava seu corao como
um estilete. Ele estava certo de que, na proxima vez
que ouvisse este suspiro, ele sangraria como um porco.

No era justo! Ele se afastou dela hoje, e o dia foi horrivel,
o mais longo de toda sua vida. Saber que ela conhecia Sam abriu os
olhos de Mulder, e no foi para melhor. Se ele soubesse quem
era o anjo dela antes de conhece-la...

"Certo, senhoras e senhores," Padre Corkery disse,
tirando Mulder de seus pensamentos. "A cerimonia terminou, a noiva
foi beijada - est na hora de se moverem, a noiva e o noivo
primeiro, ento o padrinho e a dama de honra, ento os pais.
Podem ir, vo, vo!"

Desta vez, quando ele encontrou Scully na frente do
altar, ele praticamente grudou nela, apertando a mo
dela como se no quisesse largar nunca mais.

"Devagar, crianas, devagar!" o padre reclamou.

Mulder reduziu a velocidade de seus passos, que j estava
bem lento. Scully xingou um pouco, tentando acompanha-lo. Ele sabia
que ela queria fugir dele o mais rapido possivel.

"Mulder?"

A pergunta suave o pegou de surpresa, e ele quase tropeou.
"Yeah?" ele sussurrou de volta. Talvez ela quisesse falar. Talvez
a esperana no tenha morrido...

Fitando  frente, Scully disse suavemente. "Voc *vai* ficar
para o casamento, no ? Charlie ficaria muito desapontado
se voc fosse embora."

Ele olhou para longe dela, apertando os dentes. Scully
com certeza adorava o irmo... inferno, *qualquer* irmo.
"Eu no vou fazer isso com ele. Eu vou aparecer no casamento."
e ento eu vou pegar o primeiro trem ou avio ou barco pra
fora da cidade, ele somou em silencio.

"Que bom. E Mulder?"

Ele no respondeu, pois nao confiava em si para no gritar com
ela parar de ser to fria. Ela continuou, achando que o silencio
dele era uma aceitao para a pergunta.

"Precisamos tentar ser civilizados um com o outro, ok? 
Seria muito estranho se os outros nos vissem brigados."

Considerando a noite em que eles estavam nus no sof, 
ele bufou, o comportamento indiferente deles com certeza 
poderia levantar suspeitas. "Claro. Ns somos amigos,
Scully"

Do canto do olho ele viu ela empalidecer, e a soltou para
pegar o casaco. Ele no olhou pra ela enquanto se vestia, sentindo
a retirada fisica dela atravs do calor que estava ao seu lado.

"Mulder, voc vem conosco?"

Ao ouvir a pergunta de Charlie, ele tentou socar o desconforto
e disse, depressa. "Eu encontro vocs l. Eu.. um... tenho
que voltar para o meu quarto. Tenho que pegar uma coisa."

Era uma mentira, e ele viu Scully se virar e vestir
seu casaco. Ele sabia que ela estava evitando sua companhia.
Mas orgulho lhe impediu de perguntar o por que, mas ele tinha
uma idia. Provavelmente era a mesma razo dele nao aguentava ficar
longe dela, mas tinha que ficar. Algumas coisas nao precisavam
serem ditas.

Ele apareceria na festa e ento sairia. Ele passaria o dia
seguinte perseguindo Skinner no Pentgono, querendo
noticias de Chang, e ento viria para o casamento. Ele queria
saber se tinha algum trem  meia-noite naquela noite, quanto mais
cedo ele deixasse toda esta dor pra trs, melhor. Para ele e para
ela.

Mulder tentou, tentou de verdade. Durante todo o dia,
ele ficou se falando que isso era bom demais pra
ser verdade. Ele nunca teve tanta sorte. Como ele poderia
ter algo to valioso, to bonito e to puro caindo bem
direto no seu colo? Mulder no era o sortudo - Foi Sam
que levou toda a sorte para a sepultura. E mesmo na
morte, ele levou o melhor prmio.

Enquanto saa da igreja, ele ouviu Charlie chamando seu nome.
Seu amigo deixou a noiva pra trs, alcanando Mulder no meio
do caminho. Mulder viu Scully e os pais dela irem na direo
oposta, e ele arrastou a ponta do p na calada. "O que foi,
Charlie?" ele falou, impaciente. Ele queria ficar sozinho, e
lamber suas feridas antes de encarar a festa.

"O que est acontecendo entre voc e Dana?"

Direto ao ponto. "E como foi seu dia, Charlie?" ele disse, 
cheio de sarcasmo. Ele nao ia explicar nada, e alm disso,
isso nao era da conta de Charlie. Ele se virou, acenando a mo
para um txi.

Uma mo forte o virou bruscamente. "No me venha com
essa, seu filho da me." Charlie rosnou. "Ela est
te evitando como se voc fosse uma doena. Que diabos
voc fez com ela?"

"Nada!" Mulder puxou o brao. " ela que nao quer nada
comigo, caso voc nao tenha notado!" ele abaixou a cabea,
sabendo que tinha falado demais. Scully na deve ter dito
nada para Charlie sobre Sam, e ele acabou de entregar o ouro,
ao falar sua declarao cheia de dor.

"Que diabos aconteceu, Mulder?" a voz de Charlie era mais
suave agora, e Mulder viu o rosto do amigo cheio de preocupao.
"Ontem mesmo vocs dois no conseguiam nem se separar-"

"Isso foi ontem" Mulder interrompeu, tentando fazer sinal
para outro txi, mas parecia que Charlie nao ia solta-lo.
Ele xingou em silencio, sabendo que estava a segundos de perder
a cabea. "Muita coisa pode acontecer num dia."

"Ela me disse que vocs decidiram ir mais devagar, mas eu podia
jurar que ela estava pronta para qualquer coisa ontem. Qualquer
coisa, contanto que voc com fosse, Mulder."

Mulder fechou os olhos, cheio de dor. "Eu nao sou o cara
certo, Charlie. Ela no sabia... e nem eu. No at ontem  noite."

"O que voc quer dizer com que no  o cara certo? Jesus,
Mulder, voc a ama, no ? No me diga que voc usou ela
apenas como um passatempo de frias."

Mulder ergueu o rosto, o olhar cheio de fria. "V pro
inferno, Charlie! Eu nao faria isso com ela, pelo amor
de Deus! Voc sabe que eu--" ele parou, as palavras
inuteis neste momento. Nmero um: ele estava falando com
o membro errado da familia Scully. Numero dois: o membro certo
nao queria ouvir estas palavras.

"Ento me conte, dorga. Conta pra mim por que voc no ligou
nenhuma vez hoje. Conta pra mim por que eu achei ela chorando
na sala de estar antes de virmos pra c. Conta pra mim que voc
nao vai embora assim que voc puder..."

"Ela estava chorando porque ela ficou com o cara errado."
ele colocou as maos nos bolsos do casaco, dando seu perfil
para Charlie, o frio mordendo seu rosto. Ia nevar mais tarde -
ele tinha que se lembrar disso. Mais outra boa razo
para partir cedo. "Ela conseguiu o cara errado." ele disse
de novo, seu corao virando gelo, assim como a rua.

"O cara errado? Mulder, voc est se sentindo bem?"

De repente, era demais. Chega das pessoas olharem pra
ele como se ele fosse de segunda categoria. Chega de seus
amigos tratarem ele como invlido. Chega de fingir 
pra todo mundo que ele nao precisava das coisas que todo mundo
precisava tambm.

"Sabe, eu nunca o invejei." ele olhou para Charlie, que estava
mudo. Mas Mulder falou do que seu triste e ciumento corao estava
cheio, e no o que Charlie queria ouvir. "Ele era meu irmo...
o presidente da classe, a estrela do beisebol, o heroi de guerra.
Bom em tudo que fazia e amado por todos, inclusive por mim.
Porque veja bem, Charlie - ela nunca me quis. Eu era apenas
o substituto para o que cara que era um anjo."

Ele saiu da calada, cansado de esperar pelos
txis. "No sou um anjo, e nunca serei. E ela sabe disso.
S que demorou um tempo para ela perceber, s isso." um sorriso
triste enfeitou seu rosto enquanto ele terminava. "E eu
nao posso mudar nada. Eu posso parecer com ele, mas nao tenho
o corao dele."

Evitando os carros na rua e Charlie gritando
seu nome, ele sumiu na noite.

* * * * * * * * * *

"Ento, voc acha que eu estou indo bem?"

"Voc est indo muito bem" ela sussurrou de volta, 
sentindo como se estivesse flutuando na pista de dana. 
Ele danava muito bem mesmo; assim como outras caracteristicas
dele que ela ficou contente em descobrir. Lealdade, condescendencia,
inteligencia... e ele gostava muito de Melissa. "Acho que me gosta
de voc."

"E o seu pai?" Frohike perguntou, nervoso, olhando o homem
mais velho, que estava de p, com os braos cruzados, com
um cachimbo na boca. "Ele est me olhando o tempo todo."

"Melvin, ele ainda nao te conhece" ela disse, sorrindo. "Assim
que ele te conhecer, e ver o quanto voc e Melissa se do
bem, tudo vai dar certo."

"Voc acha isso?"

"Tenho certeza." Mas ela nao disse que talvez iria
demorar um tempo para que seu pai parasse de olhar
pra ele. Talvez nunca. Seu pai era muito protetor
de seus filhos, mas depois que voc conseguia sua confiana,
voc nunca mais perdia isso. "Tente falar com ele,
Melvin. Veja se vocs tem alguma coisa em comum. Papai
adora jogar golfe, sabia?"

Frohike sorriu. "Alem de ser um bom danarino, eu at
que dou algumas boas tacadas."

"Viu s?"

"Eu posso interromper?"

Durante um segundo, Scully se esqueceu de respirar, certa
de que a pergunta vinha de Mulder. Mas era Charlie que
estava na mao do ombro de Melvin, um olhar simpatico
no rosto. Droga. Ele estava querendo alguma coisa,
e com certeza ele a faria chorar de novo. 
A noite estava sendo dificil, e ela estava fazendo um
esforo monstruoso para nao fazer isso.

Primeiro foi em casa, e ento no ensaio, quando a
cada vez que ela tocava em Mulder, ela praticamente
ronronava de desejo. Mesmo agora, ela ainda
podia cheirar sua gua-de-colonia por perto, e sentir sua
mao sobre a dela. Tudo que ela precisava agora era que Charlie
viesse enfiar o nariz dele nisso. Seu irmo sabia que alguma
coisa estava errada, e estava determinado a junta-los de novo.

Enquanto Melvin se desculpava, ela andou para os braos
de Charlie, mantendo os olhos baixo.

Como esperado, Charlie foi direto ao ponto. "Mulder
est aqui."

Ela pisou no p dele ao ouvir isso. Murmurando uma desculpa,
ela falou, "Que bom" embora seu corao estivesse
acelerado, e ela olhava ao redor procurando a forma alta
e bonita, e que estava usando um terno preto. A multidao diminuiu
bastante depois que o jantar terminou, e agora s haviam pares danando.
Ela achou que ele nao iria aparecer.

"Dana..."

"Charlie, por favor" ela sussurrou, cansada de negar que
havia um problema. Ela nao ia se explicar, mas talvez ela
conseguisse fazer com que ele parasse de chatea-la quando
visse que ela estava transtornada. "Por favor, nao faa isso."

"Ahhh, Sprite..." Charlie estava chateado, a boca fina com
desgosto. "Se foi alguma coisa que eu disse ou fiz, me d um
soco, ok? Mas nao deixe isso se colocar entre vocs dois."

Droga, as lagrimas voltaram. Olhando a imagem borrada
do rosto arrependido de seu irmao, ela falou, "Voc nao
fez nada, Charlie. Fui eu. Tudo eu. E eu nao sei o que fazer para
corrigir isso. Eu *nao vou conseguir* corrigir meu erro. 
impossivel."

Assim que Mulder descobriu que ela era a covarde que distraiu
Sam, que recebeu uma bala no peito no lugar dela, ele
nao queria mais nada com ela. Scully era to covarde que
nem queria falar sobre isso com mulder, para nao ve-lo
reviver a morte do irmao novamente. Charlie disse
que isso o deixou quase louco. Ela nao iria arriscar uma chance
de faze-lo voltar  loucura mais uma vez.

"Engraado, mas Mulder disse basicamente a mesma coisa
pra mim h pouco tempo. Exceto que eu tive a distinta impresso
de que ele estava falando sobre ele, e nao sobre voc."

Segurando as lagrimas, ela riu, principalmente para nao chorar
como um beb. "Ele faria isso" Mulder era to bom que
levaria a culpa por algo que nunca faria. "Acredite em mim,
Charlie. Eu sou a culpada."

"Por acaso teria alguma coisa a ver com o irmao dele?"

A pergunta de Charlie acertou o alvo em cheio, e fez ela
tropear. Com a boca aberta de espanto, ela encarou seu
irmao. "Oh, Charlie. Por favor, nao diga mais nada."
Nao posso aguentar, ela pensou. Senao vou cair e chorar no
meio da pista de dana.

"Mas eu tenho que falar, Sprite. Porque eu nao posso aguentar
ficar quieto e ter ver to miservel."

Scully abaixou a cabea, triste. Seu peito doa, assim
como doa para respirar. Ela tentou se soltar do abrao de 
Charlie e buscar a segurana de um banheiro, mas ele nao
deixou, apertando-a enquanto falava.

"Tudo que eu consegui tirar de Mulder foi uma baboseira sobre 
como Sam era um heroi e que ele nunca teve cimes do irmao
at agora."

Ela ergueu a cabea, de repente. "O que?" Mulder nao podia
pensar que ela...

"Ele tambm disse que se parecia com um anho, mas ele 
nao tinha  o corao certo, ou alguma coisa idiota como
essa."

Colocando a mao tremula na boca, ela olhou para Charlie,
os olhos cheios de lagrimas. "Oh, Charlie" ela sussurrou.

"Droga". Seu irmao murmurou, procurando um leno. Ele apertou
o pano na mao dela, olhando ao redor para a multidao de parentes
e amigos. A maioria deles somente sorria, certos de que ela
estava chorando por causa do casamento do irmao. "Eu nao
queria te fazer chorar."

Ela bufou no leno de linho fino e resmungou. "Durante
todo o dia eu pensei que ele me culpava sobre Los Banos."

"Los Banos?  Que diabos uma coisa tem a ver com a outra?
Pare de chorar, Dana. Papai est vindo pra c."

Ela espiou a aproximao de seu pai no canto do olho.
"Charlie, voc tem que distrai-lo enquanto eu acho
Mulder."

"E o que eu vou dizer pra ele?"

"Que eu tenho um cisco no olho, o que mais?" ela comeou
a se afastar, mas Charlie a impediu.

"Nao deixe ele escapar, Sprite. Eu nao vou ficar
bancando a fada madrinha de novo" ele a soltou, endireitando
a gravata com um sorriso. " muito ruim para a minha imagem 
masculina."

Ela riu, dando um beijo no rosto dele. "Obrigada, Charlie. Eu
te devo uma."

"Ou duas."

"Ou duas, se voc me fizer outro favor."

"Fala rapido, Sprite."

"Diga pra Ellen que eu nao estou me sentindo bem, e diga
pra mame e pro papai que vou passar  a noite com Ellen. Mas
eu vou estar com---"

Charlie gemeu, erguendo a mao para impedi-la de falar. 
"No fale. Contanto que voc nao faa no meu carro, ok?"

Ela riu, amando seu irmao cada vez mais. "Bem, eu acho que
o quarto tem uma cama muito boa."

"Argh!" ele chorou, fazendo careta. "V logo, v!"

"Onde est Mulder?" o pai dela estava perto, passando
entre Melvin e Melissa.

"Da ultima vez que vi, no bar. Bem perto da porta,
Sprite. Melhor correr."

De novo, ela beijou-o no rosto. "Eu te amo, Charlie."

"V logo" ele resmungou, cheirando, virando para cumprimentar
o pai deles.

Vendo o monte de gente bem intencionada entre
ela e o abr, ela tomou uma rapida deciso. Colocando
o leno no rosto, ela caiu em lagrimas, e eles estavam
mais do que felizes em deixa-la ir para o banheiro. Ela
ouviu murmurios de preocupao enquanto ela passava pela
diviso de cabelos ruivos.

"Coitadinha. Ela vai sentir muito a falta de Charlie."

"Algum traga um copo d'gua."

"Ela precisa de ar fresco."

Escondendo o sorriso, ela conseguiu chegar at o fim
do bar. Nope. Ela nao precisava de ar fresco.

Ela precisava do homem que estava vestindo o casaco para
ir embora. Uma bebida longa e fresca, chamada Mulder.

O anjo no to perfeito assim.

* * * * * * * * * *

"Festa particular, cara!"

Mulder tremeu ao grito de Mike, mas nao parou de vestir 
o casaco, nem de olhar sobre o ombro para a entrada. "Algum
problema, Mike?"

Mike bateu um pano sobre o balco. "Nenhum problema, 
rapaz. S um cliente espiando aqui dentro. Acho melhor
colocar um sinal, eh?" o sorriso dele sumiu 
quando ele olhou de cima a baixo para Mulder. "Pra onde voc
est indo, Mulder? Dana deve chegar aqui a qualquer minuto -
eu vou chamar Charlie. Ns vamos acha-la num instante."

"Est tudo bem, Mike" Mulder respondeu, depressa. "Estou
cansado. Tenho que ir agora."

Mike olhou para a esquerda, e ento de volta
para Mulder, sorrindo. "Tarde demais para isso, rapaz.
Parece que a dama est pronta para danar."

Mulder sabia que era ela antes mesmo de se virar.
A respirao ficou presa na garganta, e ele quis
saber se ela iria falar para Mike joga-lo pra fora.

"Quer me comprar uma bebida, marinheiro?"

Surpresa insensata e feliz desceu garganta abaixo.
Ele se virou, vendo o rosto hesitante e mido dela.
Antes que Mulder pudesse falar, ela esfregou o rosto,
e pisou adiante, sentando-se perto do tamborete mais
perto dele. Incapaz de ficar perto dela sem
agarra-la e puxa-la noite agora, Mulder se controlou.
"Dois usques, por favor, tio Mike."

Mulder achou a voz depois que o tio dela colocou
dois copos diante deles. "Precisa de coragem, Scully?"
ele falou, se apoiando no ombro dela para pegar a bebida.

Ela pegou o outro copo, dizendo, suave, "Talvez."

Antes que o copo tocasse em seus labios, ele respondeu,
"Se importa em dizer o motivo?" Mais revelaes?
O que era desta vez? - ser que ela tinha se apaixonado
por Frohike na pista de dana, h meia hora? Fazendo careta,
ele se repreendeu por pensar nisso. Ela nao podia
se controlar, nao mais do que ele. Era uma pena que esses
sentimentos nao eram pra ele, mas para um fantasma.

Ela brincou com o lquido mbar, rodando o liquido dentro
do copo, como se hipnotizada pelo pequeno redemoinho.

"Porque em um minuto, eu vou te pedir a chave do seu
quarto. Em cinco minutos, voc vai fazer uma sada
discreta, e se juntar a mim no seu quarto. Em dez minutos,
ns vamos ter uma pequena conversa..., bem eu vou falar, e voc
vai ouvir" ele sabia que estava sendo a imagem da estupidez, com
a boca aberta. Ela nao estava falando srio, nao ?
"Como um ataque do corao, Mulder" ela disse, como se lendo 
a expresso confusa dele.

"Mas,Scully, ns no podemos..." fazert tudo ir
embora, ele terminou, silencioso.

"Ns podemos, e ns vamos" ela declarou. "Bem, voc
 homem o bastante para resolver isso comigo?"

Ele sentiu um lento sorriso aparecer em seu rosto, e
colocou os copos de lado. "Eu no preciso disso, e nem
voc."

"E por que nao?"

Ele no pde acreditar em sua sorte; aqui estava ela, falando.
Sobre o que, ele nem podia imaginar. E neste momento, ele nao
ligava se ela dissesse que via Sam cada vez que fechava os 
olhos. Ele a queria. E poderia faze-la dele, e s dele. Com
sexo, carinho, com tudo que fosse necessrio. Ele nao
ia cuspir na cara dos deuses que lhe deu esta oportunidade.

"Porque em trinta minutos, depois que ns *dois* conversarmos
sobre coisas que precisam ser ditas, ns vamos usar uma
grande e confortvel cama que tem dentro do meu quarto.
E vamos estar bem sbrios quando isso acontecer, e nao vamos
ter nada entre ns. Absolutamente nada. Certo?"

Olhando para ele, ela firmou o olhar na boca de Mulder,
lambendo os labios, como se pudesse provar o beijo dele ali
mesmo. "Certo."

Ela saiu do tamborete, e ficou de frente pra ele. Ele sentiu
uma mao escovar a cala dele, e Mulder chupou uma respirao.
"Minhas chaves esto no bolso direito do meu casaco, Scully.
No no meu zper."

"S estou checando" ela falou, erguendo a sobrancelha com
falsa inocencia. A mao dela se mxeu, e ele sentiu ela
pegando a chave do hotel. "Te vejo em cinco minutos, marinheiro.
Nao se atrase."

Ele ajudou com o casaco dela, e ento voltou para o
bar, dando as bebidas para Mike, que perguntou. "Quer
outro, Mulder? Parece que voc ganhou na loteria."

Mulder riu, acenando com a cabea. "Melhor do que isso, 
Mike. Me d o telefone, sim?" ele queria chamar a recepo
do hotel. Pedir champanhe, flores, comida - o necessrio.
De jeito nenhum eles iriam sair daquele quarto antes
do amanhecer, e ele queria que ela tivesse tudo.
Ele discou o numero depressa, querendo saber se poderia
pedir um banho de espuma tambm e...

"Jesus! Esta  uma festa particular, pelo amor 
de Deus!" Mike praticamente gritou na cara de Mulder.
"Ainda bem que ele foi embora. Nao gosto de chineses
espiando por aqui. Nao faz bem pros negocios, voc sabe."

O sangue de Mulder gelou e ele derrubou o telefone. "O
que voc disse?"

"Malditos chineses. Ele estava tentando entrar aqui
a noite toda - ento s olhou pela janela, e entrou
num carro - ei! Pra onde voc est indo?"

Mas Mulder no ouviu nada. Ele j estava na rua, apavorado.
Ele estava imaginando coisas, certo? Ela j devia estar
no hotel. Ele deu um passo pra frente, e ento parou,
pois seu sapato raspou contra alguma coisa no asfalto. 
Se abaixando, ele quase chorou ao ver o objeto em sua mao.

Ele agarrou a chave com tanta fora, que sua palma ficou
contundida, e ele clamou, em angustia.

"Scully!"

FIM DO CAPITULO QUINZE

Nota da Edna
Bem, gente, s pra no deixar vocs roendo as unhas,
eu estou colocando um pedao da parte 16 aqui.
Divirtam-se.

A FAMILIAR HEART
Captulo Dezesseis

Nenhum osso quebrado.

Esta foi a primeira coisa que ela percebeu quando acordou.
Isso, e que ela tinha um gosto horrivel na boca. Os efeitos
secundarios do cloroformio.

Com os olhos ainda fechados, ela ouviu vozes, e tentou
entender o idioma. Parecia familiar, mas nao era....
japons. Chins.

Ela gemeu, sabendo o que estava acontecendo sem
entender nenhuma palavra da conversa. Chang. Ela foi
sequestrada pelo inimigo de Mulder, obviamente pretendendo
usa-la para levar Mulder a uma armadilha.

Mas por que nao dar um tiro nele? Ele nao queria mata-lo?
Ela sentiu um frio na espinha - isso nao era uma vingana normal.
Mulder, do pouco que ela soube dele e de Charlie, tinha aparentemente
dizimado as propriedades de Chang, que embora o mais cruel dos
gngsters, morria e vivia por sua honra. 

Tortura.  Desmembramento.  O corpo de Mulder ficaria num
lugar muito publico onde os inimigos de Chang - e seus amigos
tambm - poderiam ver o quanto ele podia ser cruel
em sua vingana. Nada mais o satisfaria.

Ela tinha estampado na testa, em letras maisculas, 
a palavra ISCA.

Scully tinha que sair dali antes que Mulder viesse.
Ela nao iria ser usada como um peo no jogo de Chang, e nem
ficaria quieta enquanto Chang cortava Mulder em milhares
de pedaos.

Estava escuro ali, e ela estava deitada em posio
fetal, descansando a cabea em algo mido e mofado, mas
macio. Ela sentiu com a mao o que era isso... um esfrego.
Jesus, eles a colocaram num armrio!!!!

No, no, no...

Abrindo os braos e pernas de repente, ela lutou contra
a sufocante manta em seu rosto, chorando, angustiada.
O escuro parecia traga-la por completo, um negro nada diante
de seus olhos arregalados. Suas narinas sentiram o cheiro
de sujeira e ar quente.

O buraco, Deus, no... no o buraco.

Um grito ficou preso em sua garganta enquanto ela
tentava respirar.

O latido afiado em chins perfurou o seu panico, 
e de repente, seu rosto foi santificado com ar limpo
e frio.

"Ni Hao, senhorita Scully."

* * * * * * * * * *

"Sou eu quem ele quer, Charlie. Nao ela. Voc conhece
Chang to bem quanto eu."

Mulder andava pela cozinha na casa de Scully, finalmente
sozinho com Charlie, por alguns segundos. Os pais dela, a irm
e Ellen - at mesmo Frohike - estavam todos na sala de estar
com a policia. A festa parou quando Mulder entrou depois de procura-la
pelo bairros.

Ele procurou at mesmo no quarto do hotel, esperando, de alguma
maneira, que ela tivesse derrubado a chave enquanto cruzava a rua.
Sem sorte. Ninguem a viu, mas vrias testemunhas viram um Rolls
Royce preto sair cantando os pneus pela ruela do bar do Mike
na hora em que ela tinha sado.

Mike e os parentes dela saram em busca dela, com a
ajuda da policia, que Mulder descobriu mais tarde, continha
um bom contingente de primos distantes de Scully. Ele teria
rido da presena da familia dela em quase toda Annapolis. Mas
ele nao riu - depois ele falaria isso com ela, quando ela
estivesse de volta, s e salva. Se ela voltasse.

Ele fez cara feia aos seus pensamentos, pegando um caf, e depois
desistindo. Ele comeou a andar de novo.

"Mulder, nao sabemos se foi Chang. Eu liguei para Skinner - ele
nao sabe de nada sobre Chang estar no pas, mas ele est
checando tudo. Se for o Chang, ns vamos acha-lo."

"No, ns no vamos" Mulder respondeu. "Ele vai me achar antes.
Ele vai balanar ela como uma isca, para me puxar, me atrair."

Ele sabia que seu antigo chefe o queria. E que morreria
assim que Chang o pegasse. E Scully tambm. Ela iria morrer
assim que Mulder se entregasse para Chang. Isso se Chang nao a
usasse como um exemplo do que ele iria fazer com Mulder.

Deus, isso no, ele rezou.  Por favor no deixe que o corpo
dela aparea no rio Severn. Ele sabia que se isso
acontecesse, ele andaria para Chang de braos abertos.
Mulder nao teria mais porque viver se ela estivesse morta.

A campainha os assusrtou. Haviam se passado duas
horas desde que Scully sumiu - ser que eles a acharam?
Ela estava morta? Ele correu para a porta da frente, com 
Charlie grudado nele.

Era Skinner, ladeado por dois de seus assistentes.

"Bill". Ele falou com o pai de Scully, ignorando Mulder e
Charlie por um momento. "Sinto muito estar me intrometendo."

"Walter" Bill Scully acenou com a cabea. "O que te
traz aqui?"

Fazia sentido estes dois se conhecerem; eles passaram pela
marinha, na antiga guarda, e eram patrioticos at os ossos.
Skinner nao veio oferecer condolencias para Bill Scully. Ele
estava aqui por uma razo diferente, e a prova disso foi a
declarao que fez em seguida.

"Bill, eu preciso falar com meus homens" ele disse, olhando
para Mulder e Charlie. "Sozinho, se possvel."

O pai de Dana nao hesitou, virando para sua esposa. 
"Maggie, voc poderia nos trazer caf, por favor?" 
A esposa dele xingou um pouco, mas ele foi inflexivel, e
se virou para Frohike. "Melvin, por favor, acompanhe as mulheres
at a cozinha."

"Claro" Frohike respondeu, oferecendo o brao dele
para Maggie. Com desgosto escrito no rosto, ela saiu, 
e Melissa saiu logo atrs, nada contente. A policia sumiu
pela porta da frente junto com os assistentes de Skinner, e
os homens se encontraram num semi-circulo apertado, com
Mulder coando para falar.

"Foi Chang, nao foi?" ele raspou, indo direto ao ponto,
sem se importar se o pai de Scully iria logo saber
sobre seu srdido passado.

Skinner suspirou, as maos nos bolsos. "Ns achvamos
que ele tinha deixado o pas, Mulder. Ele foi visto em
Hong Kong h apenas alguns dias-"

"Quem  Chang, afinal de contas?" Bill Scully entrou na conversa.

Foi Charlie quem respondeu, dizendo, "Mulder trabalhou
disfarado em Hong Kong, para um homem chamado Chang. Este
homem era a principal fonte de informaes sobre os japoneses.
Ele tambm  muito perigoso."

"E o que ele quer com Dana?"

Mulder ficou parado, mas de frente ao pai de Dana. "Nao  ela
que ele quer, sou eu" ele falou com pesar. "Ele s quer usa-la
para me atrair." ele esperou pela reprimenda inevitavel.
Afinal de contas, por que o pai dela iria reagir de maneira diferente?

Bill olhou para Charlie, buscando confirmao, e conseguiu.
Suspirando, ele colocou as maos no bolso. "Nao diga nada
na frente da me dela." ele olhou para Mulder, e somou. 
"Eu nao te culpo, Mulder. Voc s estava seguindo ordens. Pode
nem ser ele por trs disso."

Mulder gemeu, e se virou, apertando a mao na cabea.
Skinner parou seu ataque de culpa, dizendo, 
"Temos certeza de que  ele, Bill."

"Droga!" Mulder se virou, com a inteno de furar o 
tapete, assim como fez na cozinha. "Eu tinha que saber
que sua Inteligencia nao era de confiana, Skinner."

"Mulder!"! Bill Scully o preveniu. "Voc est falando com
um oficial superior, filho. Mostre algum respeito."

Walter Skinner suspirou, "Ele tem razo, Bill. Ns tinhamos
que saber disso. Mas nunca sonhamos que Chang teria 
coragem de chegar to perto."

"Yeah, bem, voc no o conhece tanto quanto eu." 
colocando a mao na nuca, Mulder sabia que nao adiantava chorar
sobre o leite derramado. "Isso foi tudo que voc veio
dizer? Se for, caia fora."

Skinner trincou os dentes, mas segurou sua furia, dizendo,
"Ns temos uma pista sobre onde ele est. Pelo menos  o que
pensamos."

"Uma pista?" Charlie absorveu a informao como uma esponja. 
"Onde ele est?"

"Meus homens esto checando todos os pontos de entrada
de Annapolis. Ninguem com a descrio de Chang foi visto
em aeroportos, trens ou rodoviarias. Mas - vrios navios
ancoraram no Rio Severn e no Rio Sul nos ultimos dias.
Nao podemos checar nenhum deles sem a autoridade do porto -
os escritorios esto fechados por causa dos feriados.
Tenho gente tentando encontrar o diretor ou qualquer outro
responsavel, mas acho que vamos ter que esperar 
at amanh para poder checar as docas -"

"No, vocs nao vao precisar." uma voz o interrompeu.

Todos olharam para o pequeno homem que estava na entrada
da sala.

"S me aponte o telefone, cavalheiros" Melvin
Frohike anunciou. "Ele pode nao gostar de ser interrompido
com a sua amante, mas o Diretor do Porto me deve um favor."


A FAMILIAR HEART
Captulo Dezesseis

Nenhum osso quebrado.

Esta foi a primeira coisa que ela percebeu quando acordou.
Isso, e que ela tinha um gosto horrivel na boca. Os efeitos
secundarios do cloroformio.

Com os olhos ainda fechados, ela ouviu vozes, e tentou
entender o idioma. Parecia familiar, mas nao era....
japons. Chins.

Ela gemeu, sabendo o que estava acontecendo sem
entender nenhuma palavra da conversa. Chang. Ela foi
sequestrada pelo inimigo de Mulder, obviamente pretendendo
usa-la para levar Mulder a uma armadilha.

Mas por que nao dar um tiro nele? Ele nao queria mata-lo?
Ela sentiu um frio na espinha - isso nao era uma vingana normal.
Mulder, do pouco que ela soube dele e de Charlie, tinha aparentemente
dizimado as propriedades de Chang, que embora o mais cruel dos
gngsters, morria e vivia por sua honra. 

Tortura.  Desmembramento.  O corpo de Mulder ficaria num
lugar muito publico onde os inimigos de Chang - e seus amigos
tambm - poderiam ver o quanto ele podia ser cruel
em sua vingana. Nada mais o satisfaria.

Ela tinha estampado na testa, em letras maisculas, 
a palavra ISCA.

Scully tinha que sair dali antes que Mulder viesse.
Ela nao iria ser usada como um peo no jogo de Chang, e nem
ficaria quieta enquanto Chang cortava Mulder em milhares
de pedaos.

Estava escuro ali, e ela estava deitada em posio
fetal, descansando a cabea em algo mido e mofado, mas
macio. Ela sentiu com a mao o que era isso... um esfrego.
Jesus, eles a colocaram num armrio!!!!

No, no, no...

Abrindo os braos e pernas de repente, ela lutou contra
a sufocante manta em seu rosto, chorando, angustiada.
O escuro parecia traga-la por completo, um negro nada diante
de seus olhos arregalados. Suas narinas sentiram o cheiro
de sujeira e ar quente.

O buraco, Deus, no... no o buraco.

Um grito ficou preso em sua garganta enquanto ela
tentava respirar.

O latido afiado em chins perfurou o seu panico, 
e de repente, seu rosto foi santificado com ar limpo
e frio.

"Ni Hao, senhorita Scully."

* * * * * * * * * *

"Sou eu quem ele quer, Charlie. Nao ela. Voc conhece
Chang to bem quanto eu."

Mulder andava pela cozinha na casa de Scully, finalmente
sozinho com Charlie, por alguns segundos. Os pais dela, a irm
e Ellen - at mesmo Frohike - estavam todos na sala de estar
com a policia. A festa parou quando Mulder entrou depois de procura-la
pelo bairros.

Ele procurou at mesmo no quarto do hotel, esperando, de alguma
maneira, que ela tivesse derrubado a chave enquanto cruzava a rua.
Sem sorte. Ninguem a viu, mas vrias testemunhas viram um Rolls
Royce preto sair cantando os pneus pela ruela do bar do Mike
na hora em que ela tinha sado.

Mike e os parentes dela saram em busca dela, com a
ajuda da policia, que Mulder descobriu mais tarde, continha
um bom contingente de primos distantes de Scully. Ele teria
rido da presena da familia dela em quase toda Annapolis. Mas
ele nao riu - depois ele falaria isso com ela, quando ela
estivesse de volta, s e salva. Se ela voltasse.

Ele fez cara feia aos seus pensamentos, pegando um caf, e depois
desistindo. Ele comeou a andar de novo.

"Mulder, nao sabemos se foi Chang. Eu liguei para Skinner - ele
nao sabe de nada sobre Chang estar no pas, mas ele est
checando tudo. Se for o Chang, ns vamos acha-lo."

"No, ns no vamos" Mulder respondeu. "Ele vai me achar antes.
Ele vai balanar ela como uma isca, para me puxar, me atrair."

Ele sabia que seu antigo chefe o queria. E que morreria
assim que Chang o pegasse. E Scully tambm. Ela iria morrer
assim que Mulder se entregasse para Chang. Isso se Chang nao a
usasse como um exemplo do que ele iria fazer com Mulder.

Deus, isso no, ele rezou.  Por favor no deixe que o corpo
dela aparea no rio Severn. Ele sabia que se isso
acontecesse, ele andaria para Chang de braos abertos.
Mulder nao teria mais porque viver se ela estivesse morta.

A campainha os assusrtou. Haviam se passado duas
horas desde que Scully sumiu - ser que eles a acharam?
Ela estava morta? Ele correu para a porta da frente, com 
Charlie grudado nele.

Era Skinner, ladeado por dois de seus assistentes.

"Bill". Ele falou com o pai de Scully, ignorando Mulder e
Charlie por um momento. "Sinto muito estar me intrometendo."

"Walter" Bill Scully acenou com a cabea. "O que te
traz aqui?"

Fazia sentido estes dois se conhecerem; eles passaram pela
marinha, na antiga guarda, e eram patrioticos at os ossos.
Skinner nao veio oferecer condolencias para Bill Scully. Ele
estava aqui por uma razo diferente, e a prova disso foi a
declarao que fez em seguida.

"Bill, eu preciso falar com meus homens" ele disse, olhando
para Mulder e Charlie. "Sozinho, se possvel."

O pai de Dana nao hesitou, virando para sua esposa. 
"Maggie, voc poderia nos trazer caf, por favor?" 
A esposa dele xingou um pouco, mas ele foi inflexivel, e
se virou para Frohike. "Melvin, por favor, acompanhe as mulheres
at a cozinha."

"Claro" Frohike respondeu, oferecendo o brao dele
para Maggie. Com desgosto escrito no rosto, ela saiu, 
e Melissa saiu logo atrs, nada contente. A policia sumiu
pela porta da frente junto com os assistentes de Skinner, e
os homens se encontraram num semi-circulo apertado, com
Mulder coando para falar.

"Foi Chang, nao foi?" ele raspou, indo direto ao ponto,
sem se importar se o pai de Scully iria logo saber
sobre seu srdido passado.

Skinner suspirou, as maos nos bolsos. "Ns achvamos
que ele tinha deixado o pas, Mulder. Ele foi visto em
Hong Kong h apenas alguns dias-"

"Quem  Chang, afinal de contas?" Bill Scully entrou na conversa.

Foi Charlie quem respondeu, dizendo, "Mulder trabalhou
disfarado em Hong Kong, para um homem chamado Chang. Este
homem era a principal fonte de informaes sobre os japoneses.
Ele tambm  muito perigoso."

"E o que ele quer com Dana?"

Mulder ficou parado, mas de frente ao pai de Dana. "Nao  ela
que ele quer, sou eu" ele falou com pesar. "Ele s quer usa-la
para me atrair." ele esperou pela reprimenda inevitavel.
Afinal de contas, por que o pai dela iria reagir de maneira diferente?

Bill olhou para Charlie, buscando confirmao, e conseguiu.
Suspirando, ele colocou as maos no bolso. "Nao diga nada
na frente da me dela." ele olhou para Mulder, e somou. 
"Eu nao te culpo, Mulder. Voc s estava seguindo ordens. Pode
nem ser ele por trs disso."

Mulder gemeu, e se virou, apertando a mao na cabea.
Skinner parou seu ataque de culpa, dizendo, 
"Temos certeza de que  ele, Bill."

"Droga!" Mulder se virou, com a inteno de furar o 
tapete, assim como fez na cozinha. "Eu tinha que saber
que sua Inteligencia nao era de confiana, Skinner."

"Mulder!"! Bill Scully o preveniu. "Voc est falando com
um oficial superior, filho. Mostre algum respeito."

Walter Skinner suspirou, "Ele tem razo, Bill. Ns tinhamos
que saber disso. Mas nunca sonhamos que Chang teria 
coragem de chegar to perto."

"Yeah, bem, voc no o conhece tanto quanto eu." 
colocando a mao na nuca, Mulder sabia que nao adiantava chorar
sobre o leite derramado. "Isso foi tudo que voc veio
dizer? Se for, caia fora."

Skinner trincou os dentes, mas segurou sua furia, dizendo,
"Ns temos uma pista sobre onde ele est. Pelo menos  o que
pensamos."

"Uma pista?" Charlie absorveu a informao como uma esponja. 
"Onde ele est?"

"Meus homens esto checando todos os pontos de entrada
de Annapolis. Ninguem com a descrio de Chang foi visto
em aeroportos, trens ou rodoviarias. Mas - vrios navios
ancoraram no Rio Severn e no Rio Sul nos ultimos dias.
Nao podemos checar nenhum deles sem a autoridade do porto -
os escritorios esto fechados por causa dos feriados.
Tenho gente tentando encontrar o diretor ou qualquer outro
responsavel, mas acho que vamos ter que esperar 
at amanh para poder checar as docas -"

"No, vocs nao vao precisar esperar." uma voz o interrompeu.

Todos olharam para o pequeno homem que estava na entrada
da sala.

"S me aponte o telefone, cavalheiros" Melvin
Frohike anunciou. "Ele pode nao gostar de ser interrompido
com a sua amante, mas o Diretor do Porto me deve um favor."

* * * * * * * * * *

"Dana, fique quieta."

Dentro de sua loucura, Dana se acalmou. "Mulder?"
ela sussurrou, abrindo os olhos, mas no conseguia ver
nada contra a luz sbita e luminosa. Doeu, e por isso
ela fechou os olhos de novo, mas notou que a voz era
familiar. No, por favor, no. Ouvir a voz dele significava
que ele foi capturado tambm. Eles nunca sairiam dali.
Ainda chorando, ela deitou a cabea no cho de concreto e
se enrolou como uma bola, querendo que ele fosse embora.

"Est tudo bem" ele falou, suave, bem na orelha dela.

A luz perfurou suas plpebras fechadas, e ela se sentou,
estremecendo ao claro, uma mo elevada para a figura diante
dela. O chao estava balanando. Um navio. Ela estava num
navio.

"Levanta!" o homem latiu, apontando a arma. "Levanta agora!"

Ela deu uma olhada, ofuscada.  Mulder no estava l;
Ser que ela sonhou? Ela saiu da coberta que usava, nao
querendo nada ao seu redor.

"Levanta, eu j disse!"

O grito stacato, dito com um sotaque chins, finalmente
foi registrado em seu crebro entorpecido e cheio
de pnico. Controle-se, ela pensou. Seja corajosa.
Nao baixe sua guarda desta vez. Nao faa Mulder
pagar por sua covardia. Ela ficou de p, tremendo, 
alisando a saia. O homem diante dela se aproximou,e ela
olhou para seu  anfitrio. 

"Hao Ni, srta. Scully" ele era um homem pequeno, sentado
na cadeira do capitao, usando um terno impecvel, com
um sorriso mal no rosto. Cabelo preto que combinava com
os olhos pequenos e pretos, e um cigarro pendurado entre
dois dedos. "Sente-se, por favor. Permita me apresentar..."

"Eu sei quem  voc" ela disse, a voz rouca.
"Voc  o Chang".

O sorriso dele ficou satisfeito, e ele ergueu uma
sobrancelha. "Vejo que minha reputaao me precede. Espero
que voc nao tenha uma opiniao formada sobre mim, srta. 
Scully. Boatos e insinuaes me seguem em todos os lugares."
Ele suspirou. "Embora parea que voc no est muito cativada
sobre a minha famosa hospitalidade, srta. Scully. Eu
peo que voc se sente."

Uma mo forte foi colocada sobre o ombro dela,
e ela foi empurrada sobre uma cadeira bem na frente
de Chang. "Mulder nao vir me buscar" ela briga, tentando
tirar o brao do aperto do gorila. "Ns no somos nada um
para o outro."

"Oh, mas  nisso que voc est errada, Dana. Eu
acredito que ele vir te buscar" Chang deu um longo trago no
cigarro, falando sobre a fumaa. "Eu gostei muito de saber
sobre suas conversas no telefone, ontem - oh, anteontem, eu
quero dizer. Tolo ao extremo - foi uma pena eu nao ter
chegado um dia antes - acho que perdi uma grande cena com
seu irmo."

"Voc escutou os meus telefonemas?" Nossa, o homem tinha
os dedos dele em tudo?

"Os Stuarts deixam uma chave debaixo do tapete deles. Mas
voc sabia disso, nao , Dana?"

Ela respirou um suspiro curto de alvio; pelo menos ele
escolheu um vizinho que saiu de frias, e nao ficou em casa.
O tipo de persuaso dele com certeza inclua morte, e ela tremeu
por dentro ao pensar em seus vizinhos morrendo debaixo da faca
dele.

Ento, Chang sabia que ela e Mulder eram ntimos. Ele deve ter
at adivinhado que eles eram amantes. E ele sabia que Mulder nao
tinha escolha a no ser vir atrs dela. Mas ela nao ia
facilitar as coisas para Chang. "Pra que voc precisa
de mim? Por que nao matar o Mulder, simplesmente?"

"Isso seria fcil demais, srta. Scully. No, voc vai voltar
para Hong Kong comigo." ele apagou o cigarro, e pegou outro.
"Acho que Mulder te contou que tipo de servio ele fazia
pra mim l em Hong Kong, no ?"

"Ele disse que tomava conta da Lua da China." a voz era
cheia de desgosto. "Um bordel disfarado."

"Ele era muito bom nisso, sabia? As meninas gostavam dele...
assim como os meninos."

Ela socou pra dentro as imagens que teve ao ouvir as palavras
dele, erguendo uma sobrancelha, tentando falar numa
voz desinteressada. "Meninos?"

"Claro que voc nao pode acreditar que todo mundo  heterossexual,
srta. Scully" ele sorriu ao ve-la derrotada. "Voc ficaria muito
bem l, Dana. Voc  jovem, bonita e branca. Nao posso pensar
numa vingana melhor para meu amigo Mulder do que te transformar
no que ele mais despreza - uma prostituta. Isso se ele conseguir 
passar vivo pelas minhas duas armadilhas gmeas."

Deus, era pior do que a morte.  Ela pensou que poderia resistir
a qualquer coisa em Los Banos, contanto que estivesse viva. Mas
nao era o pensamento de homens em cima dela que a assustavam. No.
Era o fato de que Mulder seria forado a viver tal horror de novo.
Ele odiou o que fez em Hong Kong, e que nao poderia fazer
mais. Ele ficaria louco se fosse forado a voltar pra l,
e Chang sabia disso. Ela tinha que encontrar uma sada.

"Suas armadilhas gmeas?" Mantenha-o falando, ela pensou. 
Consiga tempo.

"Dois navios alm deste, srta. Scully. Arenques vermelhos.
A inteligencia naval vai passar neles primeiro, acredite
em mim." ele colocou a cabea de lado. "Estes homens so to
heroicos. E eu vou embora. Mas Mulder vai me seguir, tenho
certeza. Mas at que ele te encontre, Dana, voc vai estar
bem usada. Isso se ele te achar. No vou ter que mata-lo, minha
querida. S o conhecimento de que voc est nas minhas maos
vai fazer isso por mim."

"Seu desgraado" ela rosnou, impedida de subir pela mao de
antes. Ela lutou, e foi puxada pra cima ao aceno de Chang.

"Chega de conversa. Do que eu sei, eles esto fazendo um
lento progresso na casa do seu pai. Pode demorar at eles
entenderem onde estou. E antes disso, os amigos de Mulder
vo estar muito ocupados pegando os pedaos dos outros navios
antes de notar que eu fugir." apertando os olhos, ele disse.
"Grite o quanto quiser, querida. Nao tem ninguem por aqui pra
te ouvir." Virando para seu homem, ele estalou um comando em
sua lingua nativa, e Scully sabia que nao era uma amigvel 
despedida, enquanto ela era arrastada pelo deck.

O corredor era estreito e escuro, e ela ouviu o som fraco da gua.
Enquanto era puxada para uma porta no fim do corredor, ela
derrubou um sapato, de proposito. O homem xingou, e ela colocou
o sapato de volta, notando as possiveis rotas de fuga.

O rio estava negro alm da rade. Eles estavam num barco perto da
Baia de Chesapeake, possivelmente. Nao era na baa. Eles estavam
na margem. Ela podia ver os depositos iluminados. Outro
barco menor estava amarrado ao deck, uma lancha. Um asitico
apareceu de renepte, arma debaixo de um brao. 

Por ali nao dava pra fugir. O homem atrs dela, cansado
de esperar, lhe deu um empurrao, e ela continuou andando
pra frente. Eles desceram por uma escada de metal, e ela foi
forada a ir para a porta.

Que era um armrio. Escuro e pequeno - e ela gelou, apreensiva.

* * * * * * * * * *

"Ns temos duas boas possibilidades, cavalheiros, e
uma nao to boa assim." Frohike desligou, satisfeito.
"O Sheilong ancorou no Severn, e o Desheng no Rio Sul.
Ambos esto l h alguns dias, com bens vindos de Hong Kong."

"Chang nao seria to idiota sobre em vir pelo Severn." Bill
Scully disse. "Ele tem que estar no Desheng. O acesso para 
alto mar  mais fcil."

"Eu nao teria tanta certeza disso" Mulder se intrometeu.
"Ele  arrogante." Alem disso, Chang sabia que eles poderiam
chegar a estes navios... ao mesmo tempo em que Mulder iria
querer ir para o Sheilong antes. "Ele nao est em nenhum dos
dois."

"O que?" Skinner ficou incrdulo, expressando vocalmente
o que todos, ao olharem pra Mulder, expressavam em suas
expresses - Mulder tinha enlouquecido.

"Ele no est nos transportes" Mulder insistiu. "Meu palpite
 de que ele colocou armadilhas nos dois barcos. Explosivos,
provavelmente. Acredite em mim - ele  mais inteligente do
que vocs pensam." Virando para Frohike, ele perguntou.
"Voc disse que tinha outro na lista. Onde?"

"O Meifeng.  Mas est ancorado pra cima da Academia Naval,
e veio de Taiwan-"

" este!" Mulder correu para a entrada, pegando seu chapeu
e casaco, e os outros ficaram pra trs.

"O que te faz ter tanta certeza, Mulder?" Charlie
perguntou, olhando-o com ceticismo.

Ele parou, roubando uma arma do holster de um policial.
O homem reclamou, mas parou ao ver o claro de Skinner. "O
Meifeng... em Mandarim, significa 'linda fnix." Ele quer
que eu sabia que ele subiu das cinzas."

* * * * * * * * * *

"Nao me coloque ali, por favor!" ela lutou contra o aperto
do homem, cheia de medo. O armario acenava com escurido
ameaadora, e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa,
ela estava dentro, sufocando, sentindo como se um polvo
estivesse apertando seus tentaculos ao redor dela.
Dana passou as maos pleas paredes, procurando um interruptor.
Mas ela s sentiu ao frio. Nao havia nem um fio pendurado ao
teto, e ela sentiu as pernas fracas quando percebeu que estava
presa sem luz, e sem ar.

Caindo ao chao, ela lutou contra os gritos que a ameaavam.
Ela nao daria a satisfao dele ouvi-la gritando. Chang nao
queria apenas Mulder, ele queria todos os seus companheiros.
Claro que seu pai, Charlie e a policia militar queimariam assim
que subissem nos navios. Ento Chang estaria viajando para Hong Kong,
sorrindo. Iria levar uma eternidade para os EUA acha-lo assim que ele
chegasse em alto mar. Ele poderia desembarcar em qualquer porto
e encontrar aliados. Cuba, Amrica do Sul, frica... s porque ele
disse que ia pra casa, nao significava que seria assim. Um
homem como Chang tinha ligaes no mundo inteiro. Mulder
nunca a acharia.

Oh, no.  No. Ela comeou a suar, e abafou o desejo para gritar.

"Srta. Scully?" uma batida na porta a assustou. "Eu s queria
saber se voc est confortvel. Voc tem bastante ar a dentro?"

Ela podia perceber do tom de voz dele que ele estava fazendo
isso de proposito. Querendo deixa-la louca. Provavelmente ele
conseguiu saber sobre o registro mdico dela, saber do seu medo
para lugares pequenos. 

Ela nao respondeu, as lagrimas descendo pelo rosto, tentando
controlar seu panico.

Um riso alcanou suas orelhas. "Tem muito espao a dentro? Eu
vou ver se acho algum engradado... eu sei como voc adora reviver
seus dias em Los Banos" a risada dele diminuiu.

Scully comeou a hiperventilar, se apertando contra a parede numa
posse rigida de terror absoluto. Um engradado. Menor do que o armario.
Provavelmente onde ninguem a escutaria. Um lugar escuro e frio,
assim como os intestinos do inferno.

"Dana".

To apavorada quanto estava, ela quase nao ouviu a chamada.

"Dana."

A voz agora era mais alta - nao podia ser Mulder - nao podia.
Ela fechou os olhos, pedindo para que suas ilusoes a deixassem,
para ela ficar mais calma.

"Vamos l, Red. Abra os olhos. Eu quero participar dos treinamentos no
ano que vem, voc sabe, e esta demora vai me fazer chegar atrasado."

* * * * * * * * * *

"Voc est falando srio, Mulder?" Charlie estava abaixado ao seu
lado, ambos escondidos por enormes engradados.

"Como um ataque do corao" Mulder falou, se lembrando de Scully
falando estas palavras para ele no bar do Mike. Ele sentiu uma queimao
no peito ao se lembrar disso. Mas agora nao era hora. Conferindo a arma,
ele tentou se concentrar. Ele nao poderia se distrair nesta fase. Sim,
ele deveria ter sado com ela. Sim, ele deveria ter ido embora de trem
naquele dia, e ento nada disso teria acontecido.

Mas isso era gua passada pela ponte. Nao adiantava pensar no leite
derramda, e ele precisava pensar.

"Chang est naquele navio." ele declarou, firme. "S tem um jeito para
tirar Dana viva de l - irmos com tudo. Atirar em qualquer um que nao
esteja usando roupa da marinha, e salto alto. Entendido?"

"Entendido" Charlie respondeu. Mulder notou que seu rosto estava plido,
e ele agarrou o ombro de Charlie, sabendo que o homem mais jovem nunca teve
que matar alguem na vida. "Eu posso fazer isso, Mulder. Nao me faa ficar
pra trs."

Mulder suspirou.  Ele j teve dificuldades em convencer Bill
Scully e Frohike a ficarem com as mulheres. Pra comear, Frohike nao
eraum soldado, e mesmo que Bill Scully fosse um homem controlado,
Mulder nao queria a morte dele em suas maos. J era ruim ter envolvido
Charlie e Scully nesta baguna.

Dando uma olhada pra trs, ele viu Skinner acenar para os homens
 esquerda, ele sabia que todos estavam na posio. Fechando os olhos,
ele fez uma rapida orao por sucesso, e levou a mao contra a camisa
de algodao que usava, sentindo a cruz ali dentro. Ele rezou para
ela ficar viva. Ele rezou para o anjo dela, seu irmo, mante-la segura.

Ele rezou.

* * * * * * * * * *

Ela abriu os olhos lentamente, respirando mais fcil. "Sam?"

Ele era apenas um brilho contra a porta, uma alma sem corpo, face
ou forma. Ela piscou no escuro, e ouviu ele rir.

"Desculpe sobre isso" de repente, ele ficou de p diante
dela, embora pouco solido, enquanto ela podia ver a porta atrs dele.
"Eu ainda nao aprendi a fazer isso" ele estava vestido normalmente,
mas seu rosto estava limpo, to parecido com o de Mulder, que fez ela
ficar sem ar. E ele estava sorrindo.

"Oh, Sam" ela sussurrou, comeando a chorar de novo. Ela nao podia
se conter. Ele estava l com ela. Incrvel.

"Eu no sou seu anjo, Red." o sorriso dele caiu para um olhar
srio. "Eu estou apenas em sua mente. Diga isso para voc mesma."

"Voc s est em minha mente," ela repetiu depois dele,
sabendo que era mentira. "Por que voc... por que eu..."

"Est me vendo?" ao ver o aceno dela, ele disse, "Porque voc acha
que precisa de ajuda. Mas voc nao precisa. Voc pode fazer isso sozinha."

"Eu posso?"

"Levante-se, Dana. Ns temos que sair daqui."

"Mas como?"

"Use o grampo do seu cabelo para abrir a fechadura. O inferno est
prestes a explodir aqui, e ns temos que estar fora antes que
acontea." ele ficou mais luminoso, mais intenso, iluminando o armrio.
"Fique perto de mim. Tudo que voc tem a fazer  abrir a porta. Voc
pode fazer isso, Red."

Em virtude das palavras dele, ela se levantou, pegando um grampo
do cabelo. Com dedos tremulos, ela ficou ao seu lado. "Isso nao vai
dar certo" ela nao tinha idia de como abrir uma fechadura, e mesmo que
tivesse, os homens de Chang estariam do lado de fora.

Mas a fechadura abriu facilmente, na primeira tentativa.
Ela chupou uma respirao de surpresa, e olhou para Sam, que
acenou com a cabea. "V em frente. Pule na gua, e ento encontre
um lugar e ligue pra casa. Mas tenha cuidado - eles ainda
esto escutando."

Isso mesmo. Chang tinha um homem na casa dos Stuart. "Mas para onde
eu posso ir?"

"Confie em mim, Dana. Eu ainda tenho outras coisas para fazer
aqui. Posso ter sido um heroi, mas o corao dele sempre foi
melhor e mais forte que o meu, Dana. Nao deixe um fantasma ficar
entre vocs. Vocs nao tem nada do que se arrepender. S encontrem
a felicidade."

Ela se acalmou ao ouvir as palavras suaves, e se virou.
"Sam?"

Mas ele foi embora. Ela tremeu ao sentir arrepios, e abriu a porta.
O guarda dela estava deitado no chao, morto para o mundo.
Ela viu o leno sobre o rosto dele. Alguem fez ele desmaiar, assim
como fizeram com ela. Ser que todo mundo estava inconsciente?
Nao querendo esperar para descobrir, ela saiu pelo corredor, direto
para a liberdade. Ela parou, olhando para a lancha. O homem
que ela viu antes, armado, estava quieto, sua forma flacida
no meio da porta entreaberta. Ela deveria pegar a lancha? Nao,
fazia barulho demais. Sam disse para pular na gua, e era isso
que ela iria fazer.

Seus passos foram silenciosos, e quando ela chegou na grade,
ela olhou para o homem inconsciente, vendo algo saindo de seu bolso.
A carteira dele! Ela tirou o dinheiro, e colocou dentro do sutia.
Mais do que o suficiente para pegar um txi, mesmo que ela estivesse
molhada. Ela podia culpar a chuva, mas as nuvens que estavam vindo
ainda nao tinha derramado uma gota.

Indo para a grade, na ponta dos ps, ela olhou para a gua fria,
e para a corda que estava pendurada. Ela desceu, e perdeu a 
respirao ao sentir o frio, mas ela tomou coragem e comeou
a nadar para a frente do navio. Ento depois de mais cinquenta jardas
ou algo assim, ela chegou no deck, e para a liberdade. Estava escuro, ela
estava com frio, mas estava viva.

Caminhando em pernas duras, ela sumiu na noite.

* * * * * * * * * *

O Rolls Royce parou de repente perto do barco, e Mulder viu
Skinner fazer sinais para os homens, enqunto um homem magro corria
do carro, gritando pelas docas. A advertencia em chines era precisa,
revelando que a policia estava a caminho. Droga, Mulder pensou - eles
deviam estar escutando as ligaes telefonicas de alguma maneira.
Nao demorou e Chang estava puxando ncora, e saindo.

"Agora!" Mulder assobiou, sinalizando para Skinner.
Eles nao podiam esperar pelos reforos que Skinner pediu, e
cercaram o barco.  A artilharia comeou a devolver os tiros,
e eles mergulharam no deck.

"Droga" Charlie disse ao seu lado. "E agora?"

"Skinner tem reforos que vao aparecer a qualquer momento. Chang est
preso. Ele nao vai a lugar nenhum." Mas um homem apanhado era um
homem perigoso, e Mulder sabia disso. Ele colocou a cabea sobre
o engradado, e comeou a atirar.

Asism que comeou, o tiroteiro cessou. Eles ouviram um
motor, mas nao eram os motores possantes do Meifeng. Nao,
era um barco menor. Maldio - Chang estava escapando, e era
provavel que Scully estivesse com ele!

Mulder nao ouviu o grito de Charlie para se abaixar e comeou
a correr para o navio. Skinner e seus homens fizeram o mesmo.
Mulder sabia que nao haveria mais tiros vindo do navio.

"Ela nao est mais l, Fox. Confie em mim. Ela est segura. Nao suba
no barco."

A voz em sua orelha fez ele tropear, e ele parou durante um
segundo, dando uma olhada ao redor para ver quem tinha falado.
Skinner parou tambm, e vendo o olhar confuso no rosto de Mulder,
perguntou. "O que foi?"

"Ela nao est a bordo" ele declarou, calmo, sentindo que a voz era
sincera. Chang deve te-la levado com ele no barco menor.

"O que?"

"S pare aquele outro barco!" ele correu pela doca, s a tempo de 
ver os homens de Skinner atirando no pequeno barco que fugia.

"No!" ele gritou, mas era tarde demais. O barco menor explodiu rio
abaixo, como um globo de fogo. Ele sentiu o calor queimar em suas
costas quando o navio maior explodiu tambm, e ele se ajoelhou na docas,
entorpecido com o choque.

* * * * * * * * * *

"Parece que Chang queria que todos ns queimassemos vivos" Skinner
falou, fazendo careta ao sentir o iodo que Melissa aplicava em
sua testa. "Era uma armadilha desde o comeo. Nao temos idia de como
ele escutou tudo, mas vamos cuidar disso."

Mulder estava  janela e assistiu o cu ficar claro. Ele estava entorpecido.
Ileso, mas entorpecido. Todos os homens voltaram inclumes das docas,
e Chang estava presumidamente morto, com seu barco explodido pelo bombardeio
naval.

Ningum poderia ter sobrevivido a exploso, Skinner disse depois
de falar com o capitao da policia, encarregado da investiao.
Chang armou os trs navios, esperando fugir com a lancha. Vrios 
homens foram capturados nas docas, mas nao havia sinal de Scully.
Ela deveria estar a bordo da lancha, com Chang.

Mas Mulder sabia que nao, pois 'a voz' disse isso. Ela estava
segura. Mas onde? Ela estava l fora, no frio e na chuva, tentando
chegar em casa?

Os pais dela estavam ofuscados, assim como Charlie. Eles estavam
sentados na cozinha, com a me dela falando muito pouco, e fazendo
caf, num esforo para manter suas emoes sob controle. Skinner
e Mulder foram para a sala de estar, e fazer companhia para Melissa
e Frohike. Melissa nao chorou nenhuma vez, olhando para Mulder, que olhava
para fora da janela. Ele sabia que ela pensava que ele tinha
ficado louco, mas ele nao estava assim. Ele estava esperando que
Scully aparecesse. E ela iria. Era s uma questo de tempo.

"Eu tenho que checar as crianas" ela murmurou, se desculpando.

Frohike ficou ao lado dele. "Eu sinto muito, Mulder. Eu sei que
ela era muito importante pra voc."

"Ela nao est morta" ele declarou, olhando para o homem chocado. "Nem
mesmo diga isso."

O telefone tocou, e Mulder correu para l, atendendo antes
de qualquer um. "Al?" Charlie ficou de p na porta da cozinha,
com o olhar esperanoso.

"Oi, rapaz."

O corao dele afundou; era a Sra. O'Malley. Ele quis desligar na
cara da velha, mas ela provavelmente estava ligando para dar as
condolencias. As noticias se espalharam em apenas algumas horas, mas
ele nao ficou surpreso com isso. "Eu vou chamar Maggie, sra. O'Malley.
Espere, por favor."

"Nao" ela disse. "Eu quero falar com voc, meu rapaz."

Suspirando, ele murmurou, "Temo nao poder falar agora, senhora."

"Ento escute ".

Ele fechou os olhos em desgosto, ansioso para se livrar dela.
"Estou escutando."

"Eu tenho um sof  venda, sr. Mulder. Pelo que sei, voc
est querendo comprar um novo. Este aqui est um pouco mido no
momento. Tanta umidade e gua do mar por aqui... tsk... faz
um corpo ficar frio, mas vivo. Isso mesmo, sr. Mulder. Vivo."

Ele estava saindo pela porta antes que ela pudesse dizer outra
palavra, o telefone oscilando pelo fio, enquanto ela falava,
confusa. "Al? Voc est a, rapaz?"


FIM DO CAPITULO DEZESSEIS

A FAMILIAR HEART
Captulo Dezessete

Ele chegou na rua antes de se lembrar de que nao sabia onde a
mulher morava. Com a camisa arregaada nas mangas, a gravata
meio solta, ele comeou a tremer na luz do amanhecer, debaixo
da chuva que se transformou em neve. "Droga" ele murmurou, maos
nos quadris. Ah, para o diabo com isso.

Ele colocou as maos ao redor da boca, respirando fundo.
"Scully!" ele gritou para um lado, e depois para o outro.
De novo, e de novo, at ficar rouco. Ela tinha que estar por perto.
Por que ela nao aparecia?

"Mulder, que diabos voc est fazendo?"

Charlie estava na varanda da frente, confuso, preocupado. 
Mulder podia ver que seu amigo pensava que ele estava louco -
e a imagem concordava com isso - ele estava com os
olhos vermelhos, gritando por sua irm morta. "A sra. O'Malley" ele
falou, ofegando. "Onde ela mora?"

"Um bloco pra l, terceire casa  esquerda" Charlie
respondeu, apontando para o lado  direito. "Mas -"

Mulder comeou a correr naquela direo, ignorando os
gritos de Charlie, para ele parar. O asfalto estava escorregadio,
e a neve fresca molhou seus sapatos, e as meias, deixando seus dedos
frios. Mas ele continuou correndo, o frio queimando seus
pulmoes. 

Ele quase bateu contra o caminhao de leite; o motorista xingou,
acenando com a mao dentro da luva. Mulder deslizou no meio
fio, caindo sobre um joelho. Mesmo assim, ele nao parou, apesar
de ter ouvido um som de osso rachando.

Lutando para ficar de p, ele ficou gritando o nome
dela, mancando at a casa da sra. O'Malley. A mais leve presso
em sua perna criava uma dor at seu quadril, mas ele nao se importou.

"Scully!" Uma, duas, trs casas - onde diabos ela estava?
"Droga, Scully, responda!" ele tinha certeza de que estava no
lugar certo. Uma cortina foi separada por alguns dedos numa
janela. "Scully!" ele respirou, indo para a calada, para
a porta da frente.

"Shhh".

O som veio da garagem aberta. No escuro da manh, ele nao podia
ver de onde veio. Tudo estava preto. Dando um manco passo adiante,
ele piscou na direo do som. "Scully?"

"Mulder, quer calar a boca?" ela sussurrou. "Chang est escutando! Ele tem
um espiao na casa dos Stuarts, bem perto daqui!"

Mulder sorriu, sentindo um alvio vertiginoso, oferecendo os
braos. "Scully, voc se importa em sair da?"

"No! Cala a boca e entra na casa, Mulder!"

"Chang est morto, Scully," ele falou, cansado. "Ns pegamos
o espiao dele na casa dos Stuarts."

"Ele est morto? Tem certeza?"

"Sim". Deixando os braos cairem, ele comeou a tremer,
sabendo que estava entrando em choque. "Agora, por favor, venha
at aqui, pois eu acho que eu vou..."

Ele caiu de costas bem no jardim da casa da sra. O'Malley, e sentiu o 
chao frio. De repente, ele foi assaltado por um calor gostoso,
enquanto Scully o cercava. Abrindo os olhos s um pouquinho,
ele terminou de falar. "...cair." 

Ela pairou sobre ele, preocupada. Ele olhou para o rosto palido dela,
e sorriu ao ver sua completa beleza, e ergueu as maos para a cintura
fina. "Bonita roupa, Scully."

Ela olhou para o roupao cor-de-rosa, florido, e as botas azuis, de vinil,
tirando a manta dos ombros, colocando sobre ele. " da sra. O'Malley."
ela falou, tremula. "O que aconteceu?"

Ele comeou a tremer, sentindo a neve vazar em sua camisa, nas
costas. "So botes de presso ou comuns?"

"De presso" ela colocou a mao na testa dele. O toque era
morno e familiar, e to macio...

"E-ento eu gosto" ele sorriu, malicioso, erguendo uma
sobrancelha, num olhar lascivo. "Muto conveniente."

"S voc mesmo" ela falou, e ento franziu as sobrancelas, 
preocupada. "Mulder, voc est entrando em choque."

"N-no brinca..." ele fechou os olhos, querendo saber se
tinha fora para se levantar.

"Dana?"

"Charlie, venha at aqui! Mulder est ferido!"

"No, eu no estou" ele falou debilmente, mas sabia que choque
nao era brincadeira. Mas fora os tremores, e um joelho machucado,
ele estava bem. "Eu-eu s ca de joelho, s isso."

Mesmo assim, ela olhou para seu irmo, que vinha pela
rua, o rosto feliz, mas preocupado. "Chame uma ambulancia,
Charlie! Agora!"

Charlie, depois de hesitar por um momento, correu pela calada. Mulder
podia ouvir o som dos parentes de Scully se aproximando, e ele
apertou-a na cintura, forando-a a olhar pra ele. "Scully, eu 
nao preciso-"

"Sim, voc precisa" ela insistiu, e ento falou para a multidao
que vinha para eles. "Mulder est ferido!" ela clamou.

Ele estava ficando mais quente, e os tremores nao estavam to ruins
quanto antes, mas de repente os movimentos dela o estavam deixando
meio tonto. "Scully, pare de se mexer!"

Ela fez isso, e olhou pra ele, o cabelo ruivo caindo como uma
cortina. "O que foi? Qual o problema? Voc est machucado em
outro lugar alm do joelho?"

"Voc quer me escutar?" ele tinha que dizer pra ela, antes que
a familia nao deixasse ele falar. Antes que outro chines aparecesse
e levasse ela embora. Antes que ele deixasse outro fantasma se colocar
entre eles.

"O que foi? O que  to importante que voc tem que falar agora?
Jesus, Mulder, voc fala demais! Fique quieto. Ns vamos te levar
para o hospital assim que-"

"Eu te amo, Scully"

"-ns pudermos..." ela olhou pra ele, os olhos azuis macios
e prateados. "O que voc disse?" ela sussurrou.

"Eu disse que te amo. Eu sei que acabamos de nos conhecer,
e eu sei que nao comeamos bem... e Charlie disse que seu irmao
vai arrancar minhas bolas quando souber sobre ns - mas eu 
nao ligo - e eu..." a voz dele parou quando ele viu ela chorar.
"Droga, Scully, eu nao queria fazer voc chorar. S esquea disso -
esquea tudo."

"Nao tente voltar atrs, marinheiro" ela cheirou o pescoo dele, 
enquanto embalava a cabea de Mulder nas maos. "Eu vou fazer voc
cumprir cada palavra."

Ele riu enquanto a abraava. "Mesmo que isso signifique que 
eu seja castrado pelo seu irmao?"

"Se ele colocar um dedo em voc, ele vai ter que se ver comigo."

Mulder riu ainda mais forte, sabendo que nao tinha com que
se preocupar. Ela provou ser uma parceira capaz, cuidando dele
melhor do que qualquer anjo da guarda. "Essa  minha garota" a
lamuria de uma sirene cortou o ar. Ele parou de rir. "Eu nao vou
para o hospital, Scully. Se alguem tem que ir, este algum  voc."

"Errado, Mulder. Voc deve ter quebrado alguma coisa."

"Scully - a nica coisa quebrada aqui  o meu traseiro, e s porque eu
acho que congelou antes de bater no chao." ele a afastou de vagar. Ela
ficou de p, agarrando as maos estendidas dele, e ajudou-o a sair do
chao.

"Mulder..." ela advertiu, olhando para o jeito com que ele mancava
sobre a perna direita.

"Scully..." ele foi igualmente teimoso, passando os braos
ao redor dos ombros dela, para se apoiar.

"Cabea dura" ela devolveu um gesto, e soltou um "Oomph"
quando ele gingou nos braos dela.

"Olha quem est falando" firme, ele permitiu ela guia-lo
para a calada, saudando o grupo que corria para eles.

"E olha quem est mancando. E nao sou eu, Mulder. Nao desta
vez." ela acariciou-o no rosto. Ele olhou para o rosto adoravel,
vendo o radiante sorriso. " voc" ela passou o polegar nos
labios dele, e disse isso, s que desta vez tinha um significado maior.
Ele viu isso nos olhos azuis, sentiu em seu toque. Ele era um anjo,
afinal de contas. O anjo dela.

" voc".

* * * * * * * * * *

No adiantou discutir, ameaar ou chantagear - Mulder
nao queria ir para o hospital de jeito nenhum. S quando ela
se ofereceu para ir, e tambm ser examinada, mesmo Scully
sabendo que nao havia nada de errado consigo, ele cedeu.

Eles passaram a maior parde do dia na sala de emergencia,
onde ela ficou murmurando sobre o servio lento, especialmente
depois que notou a crescente dor de Mulder. O joelho dele estava
inchado, e o mdico nao parecia estar com pressa em voltar com
as radiografias dele. Scully andou pra l e pra c, tendo recebido alta
uma hora antes.

"Alguem morreu?"

Ela girou para Mulder, maos nos quadris, vendo o olhar
presumido dele enquanto estava deitado na cama, com um brao
apoiando a cabea. Ele parecia esperanoso e doce, e ela parou
de sentir raiva. "Isso no  rotina para alguem que foi sequestrado
pela Mafia Chinesa, Mulder. Desculpe te desapontar. Alem disso,
acho que ainda  cedo demais para se preocupar com isso."

Ele deitou de novo, o sorriso ainda no rosto, mas tremeu de dor. "Quem
est preocupado? Voc est vendo alguem preocupado por aqui?"

Agora nao era hora de falar sobre a possivel gravidez. Ela
moveu o lenol para apoiar a perna nua dele de volta no travesseiro.
"Nao, eu nao vejo ninguem. Falando nisso, onde est aquele mdico?" ela
passou os dedos sobre o joelho dele - estava vermelho, e prometia
virar uma sombra de azul e preto dauiq a pouco. "Se voc nao puder
andar pelo corredor da igreka, Charlie vai ficar muito chateado."
Isso para nao mencionar como eu vou ficar, ela somou, silenciosa.

"Eu sei. Vamos manter os dedos cruzados, ok?"

"Ok."

Uma pausa. "Um, Scully?"

"Sim?" mordendo o labio, ela tentou faze-lo mais
confortavel, sentindo pena dele.

"Eu posso estar machucado, mas se voc continuar mexendo
com a minha perna desse jeito, quando o doutor voltar ele
vai ver outra coisa inchada alm do joelho." ele chupou
um assombio, e seu tom mostrava mais frustrao do que dor.

Ela olhou para mais acima da perna, e corou forte ao ver a
evidencia da excitao dele debaixo da camada dupla de roupa e lenol.
Depressa, ela colocou o lenol sobre o joelho dele. "Mulder! Ns
estamos num hospital, pelo amor de Deus!" Ela ainda estava usando a roupa
da sra. O'Malley; Scully mandou seus aliviados pais para casa, h uma
hora, para voltarem com roupas para ela.

Beliscando a mo 'sem-vergonha' dele, ela somou. "E Charlie est
bem ali do lado de fora" belo co de guarda, ela meditou. Seu pai nao
fazia idia do que Charlie tinha testemunhando quando pediu pra
ele ficar com ela e Mulder.

"E da? Ele sabe, melhor do que ninguem, que no deve entrar
em bater" Mulder ergueu as sobrancelhas.

Ela aproximou o rosto do dele, e ele sorriu, largo, quando viu
o rosto dela a milimetros dele. "Eu nao vou ensinar nada para
Charlie. Afinal de contas, ele vai se casar amanha. Se ns deixamos
ele doente desta vez, Ellen nunca vai nos perdoar." Mas os olhos
dela lhe disseram que ela queria... Deus, como ela queria.

"Acho que vamos ter que esperar, ento."
Mulder falou, e seu rosto mudou de expresso. "Scully, sobre Sam..."

"Sim, foi ele quem me salvou em Los Banos, Mulder" ela falou,
decidindo confessa tudo logo. "Foi por isso que voc me pareceu to
familiar l em Utah. Eu s consegui juntar as peas quando voc me
disse, l no Tio Mike, onde ele morreu."

"Scully, me escute -"

"Eu me senti muito culpada, Mulder" ela interrompeu, tentando nao
chorar. " por isso que eu parti, sem dizer nada. Se nao fosse por
mim, ele ainda estaria vivo. Ele levou a bala que era para mim. Tudo
que eu pude fazer foi ficar sentada l, chorando em japones. Eu nao
podia suportar se voc soubesse disso."

A confuso de Mulder era evidente, e ele prendeu a mao
dela. Nao que ela fosse fugir, mas mesmo assim, ele se
precaveu. "Scully, homens morrem na guerra todos os dias. 
 tudo insensato, mas necessrio. Voc no acredita nisso?"

"Agora sim" ela sussurrou, sorrindo atravs das lagrimas.
Droga, ela estava chorando, mesmo nao querendo. "Mulder,
Sam veio falar comigo."

"O que?"

Ela ainda tinha dificuldade em acreditar no que aconteceu.
Scully nao acreditava em nada mistico, mesmo acreditando
no poder de Deus e seus anhos. Mas apesar disso, ela sabia
que Sam esteve com ela. Um anjo, um fantasma, um especto -
o que quer que tenha sido, era ele. A alma dele se manifestou
diante dela. Para dar-lhe orientao de volta  vida... para
Mulder.

"Ele apareceu no navio, pra mim, quando eu estava a ponto de
enlouquecer no armrio onde Chang me prendeu."

"Ele te prendeu num armrio?" Mulder tentou se sentar, preocupado,
mas ela colocou uma mao sobre o ombro dele.

"Sim. E eu quase enlouqueci, mas Sam falou comigo. Ele me 
acalmou, e me mostrou a sada." parecia to ridiculo para
a propria orelha dela, mas ela tinha que falar. "Ele disse
para eu parar de me culpar. Para ser feliz. Bobagem, nao ?"

Depois de um momento olhando para o rosto dela, com o olhar
solene, Mulder respondeu. "Nao, no . Porque ele apareceu para
mim, tambm."

"Voc nao est falando serio" ela respirou, pasma.

"Quando estvamos a ponto de subir no navio, uma voz me
parou. Ele me disse que voc estava segura, e que nao era
para subir no navio." Sorridente, ele somou. "Ento tudo
explodiu. Ele me salvou, Scully. Ele te salvou. De novo."

"Pare a mesmo," ela advertiu.  Os olhos dele mostravam
uma nuvem de preocupao. "Eu nao me apaixonei por voc,
Mulder, s por que voc se parece com Sam. Vamos deixar isso
bem claro agora mesmo."

Ele gemeu com realizao. "Oh, Charlie..."

"Sim, Charlie me contou. Viu s? Meus parentes curiosos
so bons para alguma coisa de vez em quando."

Mulder pausou, meio-rindo, como se o crebro
finalmente chegou s suas orelhas. "Scully?"

"Sim?"

Apertando os olhos, descrente, ele perguntou. "Voc acabou
de me dizer que me ama, ou eu escutei isso s nas minhas
orelhas, que ainda esto batendo por causa da exploso?"

"Bem, acho que vou ser misericordiosa com voc, e falar isso de
novo."

"Por favor, fale."

"Eu te amo, Mulder. S a voc. Voc pode se parecer com
seu irmo, e falar como ele, mas foi voc quem me salvou.
Foi voc quem me fez sentir viva de novo" as lagrimas desciam
livres agora, e ela continuou falando, descendo a cabea
para beija-lo sobre a sobrancelha. "Sua alma  linda pra mim,
Mulder. Sua mente me cativa, e seu corpo me faz cantar. E seu
corao est cheio de coragem, lealdade e confiana."

"Oh, Scully," ele respirou, puxando-a contra si, at que ela nao
tinha escolha a no ser se deitar ao seu lado, com o corpo dela
junto do dele.

"Eu me acostumei com voc desde o comeo, Mulder. Nao por
causa da sua aparencia, mas por causa do seu corao. Meu corao
entendeu a sua dor, e conseguiu amar, apesar da tristeza. 
Porque eu vivi a mesma coisa... e juntos, ns sobrevivemos. 
Sam nao me salvou, Mulder. Foi voc. E eu te salvei."

Ela sentiu dedos tremulos erguendo seu queixo. O beijo foi
suave e quente, sem nenhum toque de desejo fisico. Ela devolveu 
o beijo, para marcar o pacto que seus coraes fizeram h alguns dias.

"Essa nao!!!! At no hospital!!!! Parem com isso, j!"

Mulder deixou a cabea cair contra o travesseiro, soltando um
gemido. Scully ergueu a cabea do peito de Mulder, e olhou
para Charlie, zangada. "Voc nunca bate?"

"Muito engraado". Apoiando-se contra o batente, ele cruzou
os braos, com uma bolsa na mo. "S em caso de voc querer saber -
papai deixou sua roupa aqui, e foi para o Tio Mike, tomar
uma cerveja. Ah, e o mdico est vindo a - ele est no corredor."

Scully saiu da cama, murmurando uma desculpa quando Mulder
fez careta e gemeu com o movimento do joelho. "Por favor, fale
pra mim que existe um lugar neste maldito pas onde nao tenha
um Scully a cem milhas de distancia." ele rosnou, entredentes.

"Ei" ela disse. "Eu sou uma Scully."

"Eu quis dizer 'outro' Scully" ele olhou para Charlie, 
um olhar mortal, que ergueu as maos enquanto entrava no quarto.

"Nao olhe pra mim, camarada. Daqui a vinte e quatro horas, eu vou
estar em lua de mel" sorrindo, ele somou. "Claro que Bill vai
estar aqui tambm. Eu j te disse, Mulder, como ns chamvamos Bill
quando eramos crianas?"

"Charlie..." Scully advertiu, mas estava sorrindo.

"Elmer". Charlie ergueu as sobrancelhas como Groucho Marx.
"Porque ele gruda como cola. Tente tira-lo do seu traseiro
amanh, Mulder. Nao vai ser fcil - acredite em mim."

Desta vez, o gemido de Mulder veio do fundo do peito, e 
Scully brigou com o irmao. "Seu pequeno..." ela hesitou
por um momento, nao sabendo como devolver a piada.

O dedo mdio? No. Dar a lingua? Nao.

Ao invs disso, ela voltou-se para Mulder, e pegando seu
rosto surpreso nas maos, plantou-lhe um beijo. Com a boca aberta,
ela lambeu os labios dele, e a garganta dela ronronou como a de uma
gatinha. Nao demorou mais do que um segundo para Mulder responder,
com os braos ao redor dela.

"ARRGH, J CHEGA!" Charlie gritou. Ela ouviu a bolsa caindo
no chao, a seus ps. "Estou dando o fora daqui."

"E como est o nosso paciente?"

Scully, longe de querer se afastar de Mulder, se afastou a tempo
de ver um homem entrar no quarto. O mdico, graas a Deus,
estava com o nariz enterrado na prancheta.

"Satisfatrio," ela ouviu Mulder dizer atrs dela, um
sorria na voz.

Ela viu Charlie sair, xingando. "Eu vou estar no corredor."

"Bom, bom," o doutor disse, anotando coisas. "Sua rtula
nao est quebrada, sr. Mulder. Mas seu joelho teve um forte
trauma, e est deslocado. Vou lhe dar um analgsico e vou
te mandar pra casa..."

Scully virou, olhando para Mulder, com o sorriso to largo quanto
o dele. Ele poderia ir ao casamento!

"...de muletas, naturalmente. Nada de peso nessa perna por pelo
menos uma semana" ele murmurou mais algumas instrues,
e ento saiu, dizendo para Mulder que ele poderia sair
a hora que quisesse.

"Parece que eu vou ter que pedir a Bill para tomar o seu
lugar" Charlie deve ter escutado do lado de fora, e parecia
que tinha perdido seu melhor amigo. De certa maneira, ele perdeu -
Scully pensou. Para um machucado, mas depois de tantas coisas
por que passaram, era horrivel pensar que Mulder nao seria
capaz de entrar na Igreja.

" ruim, hein? Eu passei por muita coisa para estar neste
casamento, e s por cima do meu cadvel  que eu vou deixar
um joelho deslocado me parar."

O sorriso de Charlie era imenso. "Eu vou trazer o carro, ok?"
ele praticamente pulou pra fora do quarto, e Mulder puxou o brao
de Scully.

"Me ajude aqui, Scully" ele colocou as pernas pra fora da
cama, mordendo o labio.

Com um brao ao redor dele, ela ajudou Mulder a ficar
de p, e ento sentiu como ele estava realmente 'de p'.
"Voc  um sem vergonha" ela sussurrou, olhando para
os olhos dele, que estavam cheios de desejo.

"Acha que temos tempo antes que Charlie volte-"

"No" a face dela ficou quente, apesar da recusa.
"Ele  rapido, sabia?"

"Eu posso ser rapido"

"Eu, com certeza, prefiro mais devagar."

O olhar dele afundou ao ponto onde ela pensou que
seria consumida em chamas a qualquer segundo. "S me
diga o lugar, meu bem, e eu prometo a voc que vou
ser to lento que o tempo vai parar."

O voto suave fez Scully tremer, e a imagem dele cumprindo
essa promessa fez ela perder a respirao.
Eles tinham que parar antes que ela o atirasse na cama,
e colocasse essa promessa  prova.

"Uma cadeira de rodas?" ela perguntou.

A mudana de assunto fez o truque, e Mulder ficou
confuso antes de beija-la. "O que?"

"Voc tem que ir de cadeira de rodas at l na frente."

Os olhos de Mulder estavam cheios de uma reprimenda silenciosa.
"Sem cadeira de rodas. Voc acha que pode me levar, Scully?"

Ela se afastou um pouco, com o brao na cintura dele, enquanto
ele pulava numa perna. "De jeito nenhum, Mulder."

"O que? Eu teria te carregado, se lembra?" ela ajudou-o a colocar
as botas. "Na verdade, se bem lembro, um certo alguem usou
esta mesma desculpa para que eu ficasse, at alguns dias atrs."

"Eu posso pedir pro Bill te carregar, se voc quiser."

"Muito engraado. Voc poderia, pelo menos, me ajudar a colocar
as roupas?"

Ela pensou por um momento, e ento chamou. "Charlie!"

Mulder beliscou a orelha dela. "Covarde."

"Bruto".

"Sabe o que mais? Eu meio que gosto desse roupao. Cinco contra
dez que ele nao fica to bom na sra. O'Malley."

Ela sorriu, dando o beijo que ela negou h alguns
momento, e ento a porta se abriu atrs deles.

"O carro est - Jesus Cristo! De novo no!"

Fim do capitulo dezessete



A FAMILIAR HEART
Captulo Dezoito

O dia comeou muito bem, pelo menos em sua opiniao.
Afinal de contas, ele conseguiu dormir na cama de Scully na 
noite anterior, o que foi uma vantagem. Claro que ela nao estava
l com ele, mas ele sonhou com ela mesmo assim, suas fantasias
muito bem abastecidas pelo cheiro dela nos lenis.
Ele era um cara de sorte - e tinha que admitir isso.

Mulder soube, atravs de Charlie, que a sra. Scully
insistiu para que ele ficasse ali. Um quarto de hotel nao
era lugar para um homem ferido, especialmente um que se
tornou parte da familia na ultima semana.  Charlie falou
isso rolando os olhos, enquanto ajudava Mulder a entrar no
carro, com Scully logo atrs, latindo instrues.

Mulder nao se intrometeu, ou protestou. Nao que quisesse,
claro. Mas ele sabia que nao passaria uma noite calma
naquela casa, com tanta agitao sobre o casamento, o
que poderia garantir que Dana nao iria se mover furtivamente
para um abrao no meio da noite.

"Nem mesmo pensem nisso" ele os advertiu enquanto comeava
a dirigir. "Meu quarto  bem perto do seu, Sprite. Se eu
escutar um ranger daquela cama pulando, nao vou ser 
responsvel por manter este segredo por mais tempo."

"Charlie, voc tem minha palavra de que nao faremos nada."
Mulder garantiu pra ele, pegando o olhar de Scully enquanto 
ela sentava ao seu lado, no banco de trs. "No , Scully?"

"Nope. Ns seremos dois anjinhos" ela pegou a mao dele com
um sorriso. "Alm disso, acho que Charlie tem coisas mais
importantes para se preocupar se vamos ou nao estar transando 
no seu quarto."

Charlie ficou vermelho ao ouvir a declarao honesta
dela. "Voc poderia ficar quieta?"

Ela viu o olhar envergonhado de Charlie pelo espelho
retrovisor, apoiando a cabea no ombro de Mulder ao
mesmo tempo. "Voc  que fica falando sempre disso,
sabia?"

Ela estava certa. E tambm estava com a outra mao
ao redor da coxa de Mulder. Ele sabia que havia despertado
uma bela adormecida - uma que o queria tanto quanto ele
a desejava.

E eles foram anjos perfeitos, apesar de Mulder
quase morrer por saber que ela estava dormindo no sof, no
andar de baixo. No mesmo sof que eles batizaram fazia pouco
tempo. E ele teria que aguentar at passar o casamento para
poder ficar sozinho com ele. Mulder gemeu enquanto puxava a
cala, querendo saber como iria conseguir esperar por ela.

A viagem laboriosa escada abaixo fez ele gastar um
pouco de energia, apesar da boa noite de descanso que ele
teve, graas  pilulas de dor. Mas ele colou um sorriso no
rosto quando entrou na cozinha. Mas s a sra. Scully
o cumprimentou. S ela estava l.

"Mulder! Bom dia!"

A decepo deve ter aparecido em seu rosto, pois
Maggie pegou uma cadeira pra ele, e disse, suave,
"Dana est na casa de Ellen, Mulder. Pensei que voc
soubesse. Vou pegar um pouco de caf pra voc."

"Onde Ellen mora mesmo? Em Annapolis?" ele tentou
mostrar desinteresse na pergunta, e pensou que 
tivesse conseguido engana-la, at que Maggie virou, caf na
mao, com um olhar astuto no rosto.

"Eu vou te dizer a mesma coisa que falei para Charlie esta manh,
Mulder. Deixe as meninas sozinhas" ela sentou-se, piscando pra
ele. "Preparar-se para um casamento d muito trabalho, e os homens
nao facilitam as coisas estando por perto. Voc vai descobrir
isso quando se casar." e ela lhe deu um olhar curioso enquanto tomava
o caf.

Uh - oh, ele pensou.  Parecia que o show que ele e
Scully deram no gramado da sra. O'Malley, ontem s confirmou
o que todo mundo s especulava. Ele poderia dizer para a me
de Dana o que ele disse para Charlie dias atrs - que ele se
casaria com Scully numa batida do corao, se ela quisesse.
Mas algo lhe disse que Scully nao era do tipo que
queria que a cidade inteira soubesse de uma pergunta que
ele mesmo ainda nao tinha feito a ela.

"O caf est bom" ele murmurou, evitando o olhar de Maggie,
enquanto bebia o caf.

"Mulder!"

Mulder quase derrubou a bebida quente no colo. Ele virou,
e deu um sorriso para Charlie, apesar do tapa quase
desastroso de seu amigo em suas costas. "Charlie!
Precisa de ajuda em alguma coisa?" sem olhar para Maggie,
ele virou os olhos na direo dela, como se dissesse:
'Por favor, me salve!'

Charlie pigarreou, colocando as maos nos bolsos, enquanto 
tirava o sorriso do rosto. "Umm.. claro. Voc pode vir comigo
para a casa de Melissa, se quiser. Melvin est l, sozinho com
as crianas, e eu tenho certeza de que ele pode querer um pouco
de ajuda."

Maggie se despediu deles, sorridente, e Mulder foi com
Charlie para a porta da frente. Um passo mais perto para Scully.

* * * * * * * * * *

"Eu sei que nao sou parte da familia, Mulder. Mas como
amigo de Melissa, eu sinto que devo te contar uma coisa..."

Mais caf, dessa vez na cozinha de Meliisa. Charlie brincava
com os garotos l fora, na neve, e Mulder estava sentado junto com
Frohike, que parecia mais um banqueiro do que um homem que
cativou uma das mulheres Scully. "Me contar o que?"

"Que voc est indo rpido demais com Dana" Frohike pontuou a declarao
erguendo a sobrancelha.

"Charlie" Mulder murmurou, bravo por ele ter contado seu 
segredo.

"Charlie nao me contou nada, Mulder." Frohike corrigiu o que
ele pensava. "Eu sei que voc e Dana estavam na casa
dos pais dele h algumas noites, e Charlie apareceu na pista
de dana logo depois, parecendo que tinha vomitado."
ele se apoiou na cadeira, colocando os polegares nos
bolsos do colete. "Alem disso, eu posso ser velho, mas nao
estou morto. Eu tambm me arrisco quando eu consigo alguma
oportunidade."

Mulder rodou os olhos, ficando doente com a imagem
de Frohike e Melissa fazendo o que ele tinha feito 
com Scully. Ele ficou de p, e abriu a porta dos fundos.

"Charlie! Hora de ir embora!"

Jesus.  Quem dessas pessoas nao sabia que ele tinha
metido as maos em cima de Scully h trs dias? Quem mais 
iria conversar com ele hoje com conselhos sobre 
'fazer a coisa certa' com Scully?

* * * * * * * * * *

Bill.  O Jnior, no o snior.

Mulder bebeu a cerveja, meio sentado no tamborete
do bar, tentano evitar o olhar apertado do homem. Ao invs de
se mover furtivamente para a casa de Ellen - Mulder tentou
convencer Charlie em fazer uma visita surpresa - eles acabaram
almoando no bar de Mike, tomando umas cervejas. O pai
de Dana estava indo bem, tomando umas cervejas, contando piadas
sujas, e depois carranqueando quando pensou na idia de que
estaria enfrentando sua esposa daqui a pouco.

Mas Bill, Jr. - que chegou com famlia a reboque
perto do meio-dia - nao dizia nada. Ele s acenou com
a cabea quando foi apresentado a Mulder, e nem mesmo apertou
sua mao. 

Ms noticias - Mulder pensou. De algum jeito Bill descobriu sobre
o que aconteceu ontem, e nao estava muito contente. Mas ao invs
de puxar Mulder para um canto e resolver o assunto, ele ficou
de p, l, cara amarrada, nao dizendo uma maldita palavra.
Era de dar nos nervos, no minimo. Mulder sabia que eles
iriam conversar, mais cedo ou mais tarde, e ele esperava que o 'Junior'
esperasse para fazer isso depois do casamento.

Suspirando, Mulder coou o rosto, sentindo o olhar queimando em
sua pele. Ele nao estava muito  vontade para conversar,
muito menos para ser um inseto debaixo do microscopio. Tudo
que ele queria ver era Scully. 

Mas ela estava se preparando para o casamento, e ele
estava se sentindo solitario. A recepo nao prometia
ser melhor, com montes de Scully's chegando para a festa.
S no dia seguinte  que eles teriam uma chance para respirar,
e conversar, mas, mesmo assim, Maggie j estava preparando 
o jantar do ano novo. Mais celebraao. Jesus - ele pensou - 
ele tinha que dar um jeito de pega-la sozinha, ou ele
iria ficar doido.

"Vamos l, Mulder" ele saiu de seu planejamento febril quando
Charlie bateu em seu ombro. "So quase trs horas. Temos
que ir se vamos ficar prontos e chegarmos na igreja s seis
e meia. Bill e a familia dele tem que usar o banheiro tambm.
Ei - voc conheceu os filhos de Tio Mike ontem? Ele tem dez
filhos, sabia? E todos vo estar no casamento tambm."

Isso foi a gota d'gua. Olhando pra Charlie, ele disse.
"Voc pode ir com seu pai e Bill. Meu uniforme branco ainda
est no Belmont. Eu te encontro na igreja, ok?"

"Mas como voc vai conseguir andar?" Charlie olhou para
as muletas.

"Eu pego um txi. Nao se preocupe, Charlie. Mesmo que eu
tiver que me arrastar, eu vou estar l."

Jnior ajudou Charlie a acordar o pai deles, que estava
dormindo no bar. Ele nao disse nada, mas se olhares pudessem
matar, Mulder seria um homem morto. Depois que todos cambalearam
pra porta, Mulder olhou ao redor, vendo um Mike todo sorridente.
"Posso usar o telefone, Mike?"

Com um enorme sorriso, Mike colocou o telefone na frente
de Mulder, cobrindo o aparelho com sua mao enorme. "Agora...
voc nao estaria pensando em ligar para Dana, no , 
meu rapaz?" ele perguntou, piscando.

A mao era um bvio impedimento, e Mulder rosnou - "Voc
tambm? Jesus, Mike, me d um tempo, t legal?"

"Eu tambm? O que voc est querendo dizer, garoto?"

Como se at mesmo a companhia telefonica estivesse
contra ele, o telefone tocou de repente, assustando os
dois. Mike atendeu na hora, enquanto Mulder fervia
de ansiedade no tamborete, meio que escutando a risada de
Mike. De repente, o telefone estava sendo empurrado pra
baixo de seu nariz.

"Para voc, rapaz ".

Mulder nao tinha idia de quem poderia querer
falar com ele aqui. Se fosse Skinner com informaes
sobre o irmo vingativo de Chang, ou algo assim,ele
ia gritar.

"Al?"

"Oi, marinheiro."

S o som da voz dela fez ele relaxar, e Mulder sorriu.
"Oi... estou tentando falar com voc o dia todo!" ele
brilhou um olhar 'sai fora' para Mike, e o tio de
Scully foi para o outro lado do bar, rindo muito.

"Eu sei."

"Nao sei como voc poderia saber disso. Voc est
me evitando, Scully?"

"E eu estou. E eu sei disso porque eu te conheo, Mulder."

"Scully, voc s me conhece faz alguns dias. Uma semana, no
mximo."

A voz dela caiu para um baixo ronronar. "Mas eu me sinto como
se sempre tivesse te  conhecido."

Ele piscou, querendo saber o que poderia dizer para
vencer aquela frase, e com sua garganta apertada. Ele
sentia falta dela, e o telefonema, mesmo sendo bem vindo,
s parecia aumentar a necessidade dele por ela.

"Mulder?"

Finalmente, ele encontrou voz para falar. "Yeah?"

"Voc sabe o motivo de eu estar te evitando, nao ?"

"Eu tenho uma boa idia, sim" se ela sentisse metade
do que ele estava sentindo, entao ela estava subindo pelas
paredes, frustrada.

"Bom" ela suspirou. "E voc deve saber que vai demorar um dia
ou mais antes que possamos conversar sobre nossa situao."

"Yeah". Ele ainda tinha o quarto de hotel, mas isso estava
ofra de questo. Eles nao poderiam fugir furtivamente durante
o dia. A familia dela estaria atrs deles como ces de caa.

"Eu sinto a sua falta. Eu s queria que voc soubesse disso."

"Eu sei."

Eu sei, eu sei. Ele tinha que pensar em alguma coisa, ou
ambos ficariam loucos. "Adeus, Scully. Te vejo na igreja, ok?"

"Ok. Eu vou ser a que vai estar com o rosto impaciente."

Ele riu, imaginando a viso.  "Ento ns faremos o
casal perfeito" ele desligou, e olhou Mike voltando pra
ele.

"Rapaz, nao adianta. Nao tem jeito de se librar do cl - exceto
leva-la para lugares desconhecidos. E tenha certeza de ser
bem longe daqui, ou voc vai acabar na frente de uma arma."

Mulder suspirou, bebendo o resto da cerveja. Parecia que
ele nao ia falar com Scully hoje. "Eu quero me casar com ela,
voc sabe. Nao vou abandona-la depois do casamento, e estou
ficando cansado das pessoas acharem que eu sou algum tipo
de cafajeste."

"Calma, rapaz" Mike se aproximou. "V por mim - voc nao quer
uma hora quando voc pode ter uma vida inteira." como se estivesse
envergonhado por ter declarado aquilo, ele tossiu, e
somou. "Alm disso, aquele meu sobrinho pegou uma grande 
antipatia por voc."

Mulder bufou, sabendo que Mike estava falando de Junior.
"Yeah, eu meio que notei isso. Ele  sempre to socivel assim?"

"Voc pegou ele num bom dia, rapaz."

"Foi o que pensei."

"Yeah. Se voc fizer alguma bobagem, rapaz, ele vai fazer
com que voc nunca aparea por aqui. Tem muitos Scullys nessa
cidade, garoto, e Billy nao vai hesitar em colocar todos eles
atrs de voc. Melhor esfriar seus animos por alguns dias."
Mike foi atender um cliente no fim do bar, e as palavras ficaram
ecoando na cabea de Mulder.

Ele teve uma idia, e sorriu, pegando o telefone. Ele
discou um numero, comando a formar seu plano.

"Coloque Skinner na linha" ele latiu para o subalterno
que o atendeu. O velho Walt devia uma pra ele, pelo menos
do seu ponto de vista.

Ele precisava esfriar os animos? Ela tambm.

* * * * * * * * * *

To bonito.  Todo de branco, como o virgem mais
inocente que Deus j criou. Exceto que este homem nao
era virgem. Longe disso - Scully pensou.

Ela estava muito contente por ele nao ser. Nenhum inocente
olharia para ela da maneira com que ele estava olhando.
Mesmo usando muletas, ele estava lindo, impressionante. Claro
que o sorriso dele era to brilhante, que a dor que ela
sentia s poderia diminuir quando ela pudesse beijar
aquela boca feliz.

E os olhos dele... eles brilhavam com a calma de um lago 
iluminado pelo sol, refletindo o amor dela. E a profundidade
desse lago prometia muito mais...

Ela nao conseguia olhar para outro lugar, hipnotizada
por aquela piscina esverdeada. Embora ele tivesse vindo como
uma mostra da amizade que tinha por Charlie, ele ficou por
causa do amor dele por ela. Hoje  noite, o casamento poderia
ter se tornado uma reflexo tardia para os dois. Ele lhe disse,
com seu olhar fixo, que a mudana para Charlie significava
uma mudana para eles tambm.

A msica na igreja fez ela sair do lado de Ellen. Indo
at Mulder, ela perguntou, "Pronto?"

Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa,ele afastou
as muletas, e pegou seu brao. "Nao exagere" ele advertiu.
"Quero andar com voc pelo corredor, sem estas malditas coisas.
S nao ande rapido demais, e eu vou ficar bem."

Demorou um pouco, mas ela conseguiu colocar eles dois
em seus lugares no altar, sem acontecer nenhum desastre.
A cerimonia em si foi curta, misturada no meio da missa em
latim. A luz das velas cercava o altar, e ela olhou Mulder
olhando pra ela.  De face um para o outro, com Ellen e 
Charlie entre eles, eles nao podiam tirar os olhos um do outro.
Os pais dela notaram, pois estavam sentados na
primeira fila, mas Dana no ligou.

O padre comeou a falar sobre amor e compromisso, e ela
viu o olhar safado e cheio de cobia de Mulder sobre ela,
verificando tudo da cabea aos ps, vendo o vestido prata
que estava drapejado sobre os ombros dela, caindo numa saia
at o chao, apertado na cintura. 

Era igual ao da noiva, s que uma sombra ou duas mais escuro
na cor, e o corpete nao estava bordado com perolas. Ela se sentiu bonita aos
olhos dele, e muito feminina, depois de muito, muito tempo.
E ela poderia ter batido nele depois que ela viu ele se
apoiando de lado, para tentar olhar atrs do vestido dela.
Com um sorriso safado, ele se endireitou, voltando a ateno
para o padre.

Os anis foram trocados, comunho dada, Padre Corkery
dando sua beno final, e tudo terminou. Quando 
Scully foi para Mulder, ela notou que o rosto dele estava
meio plido. "Voc est bem?" ela murmurou.

"S me deixe apoiar em voc, ok?" ao invs de pegar o
brao dela, ele colocou a mao na cintura dela.

Dana sorriu para os pais, e comeou a andar. Por um
segundo, a mao dele desceu debaixo do vu, e ela ofegou, 
sussurrando. "Mulder!"

"Ganchos," ele sussurrou com satisfao, o rosto dele
nao mostrando nenhum sinal da conversa deles enquanto ele
acenava com a cabea para a multido, guiando ela atrs
de Charlie e Ellen. "Eu te contei o quanto eu gosto do 
seu vestido, Scully?"

"Voc nao precisou" ela falou, querendo saber por quanto tempo
Mulder esperaria para cumprir a promessa que fez no hospital.
O telefonema de hoje s mostrou a propria necessidade dela,
que voou at o limite, e ela sabia que ele estava
igualmente ansioso.

E Dana quase chorou quando ele a soltou. A familia
os redou do lado de fora da igreja, enquanto todos jogavam
arroz sobre Charlie  e Ellen.

Erguendo olhos tristes para Mulder, ela foi levada pela multidao
para a festa, e o olhar dele era igualmente triste, como se
eles estivessem num velorio, e nao num casamento. Pegando 
suas muletas, ele mancou, pegando um txi.

Como ela conseguiria esperar?

* * * * * * * * * *

A Governor Calvert House era uma das mais antigas
casas de Annapolis, com charme Colonial, 
e cara como o inferno, ele notou. Mulder no nasceu
rico, mas teve sorte na parte financeira. E sempre
torceu o nariz para o esnobismo associado  riqueza,
e ele ficava meio sem jeito com as ricas
decoraes. 

Ele sabia que a familia Scully nao era responsavel por
esta exibio extravagante, e suas suspeitas foram 
confirmadas quando o pai de Ellen acenou com a 
cabea para o prefeito, e vrios outros nomes importantes,
ao fazer um brinde para o feliz casal.

Ele podia ver os Scullys ao redor atravs de seus ternos
e vestidos simples. Nao eram deselegantes, mas apenas
modestas. Ele andou na direo deles, usando as muletas,
indo devagar.

Nao havia porque correr. Scully estava o tempo todo
do lado de Ellen, vendo suas necessidade para fotos,
arrumando o vestido de noiva aqui e ali. Mulder tirou a
foto obrigatoria com o feliz casal, com Scully tambm,
usando suas muletas como desculpa para tirar outras fotos.

Agora, ele estava sentado no bar, bebendo champanhe, e contando
as horas at que seu plano pudesse ser colocado em pratica. Ele
olhou para o relogio de novo, querendo saber se Scully estava
livre de sua obrigao para Ellen.

"Nada de ficar vigiando o relogio, meu rapaz. Mulheres
adoram casamentos. Voc nao vai conseguir afastar Dana de
Ellen nem com um p-de-cabra."

"Mike," ele cumprimentou o homem mais velho com um sorriso,
apertando a mao dele. Ele acenou com a cabea para Scully, 
se mexendo no tamborete. "Ela est linda, nao ?"

"Noivas sempre esto bonitas, Mulder."

"Eu estava falando sobre Dana."

"Eu sei disso. E se voc nao parar de olhar pra ela,
voc vai receber uma visita de Billy."
Mike empurrou o queixo na direo de alguem que
Mulder nao tinha notado - e que estava sentado no bar
tambm - Junior.

Grande.  Ele havia conseguido evitar a inevitavel confrontao
com o irmao primogenito de Scully, e com certeza nao queria
fazer isso aqui, na recepo. Parecia que o plano dele
para danar com Scully pelo menos uma vez iria por agua
abaixo. Ele tinha outro, mais urgente, para colocar em
pratica, e ter o velho Elmer grudando nele como cola, 
nao ajudaria em nada.

"Mike?"

"Yeah?"

"Me faz um favor?"

"Qualquer coisa, rapaz."

"Mantenha o Junior ocupado por algum tempo" ele se levantou
nas muletas, e pegou seu chapeu. "Ento pea pro
Charlie e pra Ellen me encontrarem no salao de entrada.
Mas nao diga nada pra Dana - pelo menos nao agora. Daqui
a uma meia hora, pea pra ela nos encontrar l, ok?"

"Voc no est indo embora, nao , rapaz?"

"Temo que sim" ele falou, olhando para o relogio de novo.
O tempo estava correndo. "Tenho que cobrar uma divida."

"Uma divida/"

"Yep. Algum me deve dinheiro por um pneu furado."

"Esse alguem nao seria uma pequena gata do inferno com cabelo
vermelho, seria?" Mike falou, rindo, enquanto Mulder se
afastava.

* * * * * * * * * *

Meia hora depois, Scully sentiu uma mao em seu brao, virando-a
da tigela de ponche. Ela nao via Mulder h uns quinze minutos, e
planejava procurar por ele antes que Ellen a pegasse de
novo.

"Dana, querida!"

"Tio Mike!" ela abraou-o, dizendo, "Voc viu o Mulder
por a?"

"Isso  jeito de falar com o seu tio favorito - perguntando
por outro homem?"

Ela se afastou. "Eu sinto muito. Voc est certo." Muito Mulder
no crebro, ela pensou. E eles ainda tinham a comemorao do
ano novo para poderem ficar sozinhos. "Voc quer um pouco de
comida? Tem rosbife no-"

"Da ltima vez que vi Mulder, ele estava indo pro banheiro"
Mike interrompeu, olhando na direo de Bill, que os espiava.
Ele abaixou a voz, somando. "Ento,ele falou alguma coisa
sobre cobrar um pneu furado."

Um pneu furado. L em Utah, ela mandou que o conserto
fosse colocado na conta de Mulder. Ele estava indo para
Utah? Ele esperava que ela fosse com ele? Mordendo o labio,
indecisa, ela olhou para Bill, que estava se aproximando
rapidamente.

"V logo, menina" Mike murmurou. "O que est esperando?
Vai!"

"Mas Me e Papai -"

"Eu digo pra eles que voc fugiu" Mike riu.

"Fugi? Jesus, tio Mike-"

"Melhor falar isso do que dizer que voc est
fugindo sem a beno do matrimonio, nao ? S nao
me faa um mentiroso aparecendo aqui depois de alguns
dias, sem um anel nesse dedo, Dana."

Ela riu, mas era de nervoso e incerteza. "Quem decide
isso  Mulder, tio Mike."

Ele lhe deu um beijo no rosto. "Ento, eu acho
que voc nao precisa se preocupar com isso, querida. Agora,
v embora."

* * * * * * * * * *

Ela passou pelo salo de entrada, ofegante, procurando
entre a multidao. Nada de Mulder. "Droga" ela murmurou
indo para a porta da frente.  melhor ele nao ter
ido embora e me deixado aqui; mas ela sabia que eles
nao estavam fugindo mais um do outro.

Ela viu duas sombras se movendo nas sombras, na
porta de entrada. Uma vestida de branco, da cabea
aos ps, muletas ao lado. A outra, escondida pela
forma alta do homem, tinha braos femininos.
Que estavam abraando o homem!

Ela sentiu ciumes na mesma hora, correndo adiante,
a raiva nos labios. "Mulder?"

O homem ergueu a cabea, depois de ouvi-la se aproximando.
"Calma, Sprite, sou eu."

Parando de repente, ela viu o nariz de Ellen sobre o 
ombro do homem, enquanto ela falava, "Charlie?"

Ellen lhe deu um sorriso, ento inclinou a cabea
para receber outro beijo. Com os lbios sobre os
da sua noiva, Charlie murmurou. "Olha l fora, Sprite."

"O que?"

"Olha logo, Dana."

Ela foi para a porta da frente. Um mordomo, com luvas
brancas, estava segurando a porta de uma limusine, esticando
uma mao para ela aceitar.

L dentro, estavam duas pernas longas, vestidas em calas
brancas, batendo uma mao impaciente sobre o joelho.
Seu rosto estava escondido, mas, de repente, como se
sentindo o olhar fixo dela, apareceu.
Esperanoso, ainda inseguro, ele sorriu pra ela,
chapeu na mao.

Ela hesitou, chocada, e gaguejou. "Charlie, e-essa
 sua limusine."

Distrado com a boca de sua esposa, Charlie disse,
"Ora, Dana. O carro vai voltar depois. Vai logo, antes
que Bill chegue aqui."

"Voltar depois? Onde diabos - " a pergunta curiosa foi
cortada enquanto pelo seu irmao.

"J chega!" Charlie rosnou. "Voc nao sabe quando
alguem est tentando te ajudar a fugir?" ele praticamente
a empurrou nas maos do mordomo. "Quer calar a boca dela?"
isso foi dito para Mulder.

A ultima coisa que ela viu antes de entrar no carro
foi Charlie, Ellen, e Bill, que apareceu com uma cara muito
feia. Charlie puxou sua esposa de volta pro canto. Bill
foi naquela direo, dando um passo adiante, gritando o nome
dela com raiva.

"Dana!"

Ela riu quando a porta se fechou, e a limusine acelerou.
Gancho, linha e isca.  Bill era muito fcil de enganar.

Mas a risada dela durou pouco quando ela sentiu seu
queixo ser virado. E logo ela estava de frente para
um par de olhos sombrios.

"Se voc nao quer fazer isso, Scully,  s dizer. 
Prometo que vamos voltar, e vou ficar sentado, escutando
os comentrios da sua familia, e at mesmo aguentar
o Elmer em cima de mim. Mas prefiro outra coisa. Nao
posso aguentar passar um minuto longe de voc."

Ela sentia um puxo no corao ao ouvir a declarao
sincera. Ele estava prometendo a liberdade, algo que
ela sabia que nunca teria a nao ser com ele. 

Ela acariciou o rosto dele. "Mulder?"

"Sim?"

"Voc me prometeu que o tempo iria parar. Eu gostaria
de te ver fazendo isso, se voc nao se importar."

"Dez minutos at a estao, Scully" ele disse, o alivio
transformando o rosto dele num sorriso feliz. "At mesmo
eu nao posso fazer isso to rapido."

"Cala a boca, Mulder."

E ela o beijou.

Fim do capitulo dezoito

* * * * * * * * * *

A FAMILIAR HEART
Captulo Dezenove

Uma limusine tinha suas vantagens, Mulder pensou,
enquanto parava de beijar para poder respirar. A viagem
at a estao de trem foi macia e quente - perfeita
para uma pequena pr-estreia do evento principal, mas
ele nao conseguia ficar confortvel por causa do joelho dele.

Mas isso nao o impediu de tirar vantagem dela, e beija-la.
O interior escuro e enorme do banco de trs lhe deu
bastante espao para se esticar, e nao demorou muito, Dana
estava sobre ele, como uma manta. 

Mas a viagem foi muito curta, e logo ele escutou o apito
do trem das 10h30. "Scully, ns estamos quase l."

A boca de Scully estava meio aberta, ela parecia meio tonta
e confusa, os labios um pouco inchados por causa de seus beijos.
Uma tira do vestido desceu do ombro, e um suti de renda estava
 mostra, desfrutando a caricia da mao dele. Ela parecia como
se tivesse sido muito bem beijada, toda languida e drogada
com paixao.

E se ele estivesse bom das duas pernas, ele a carregaria para
o trem, mas Mulder teve que contentar-se em andar com ela
para o trem, mas mesmo assim nao estava disposto 
a perder a mulher sonhadora e flexivel em seus braos.
Ele quase gemeu quando ela se afastou dele.

Erguendo a ala do vestido, ela perguntou. "E onde estamos
indo?"

"Estao de trem. Ns temos um quarto no trem das 10h30. 
Ns tivemos sorte. Era o ultimo - o proximo, s amanh 
 noite. Skinner puxou alguns fios pra mim." Ele respirou
fundo, esperando pela reao dela. Sim, ela entrou na 
limusine com ele, com a ajuda de Charlie. Mas ele nao
achou que ela estava entendendo muito bem o que estava
para acontecer. 

Ela s o beijou, caindo em seus braos, sem pensar. Mas
agora, ser que ela percebia o que ia acontecer?

"Um trem?  Pra onde?" os dedos dela ainda tremiam
enquanto ela ajeitava o cabelo.

Ele mordeu o labio e olhou pra fora da janela. O motorista
estava entrando na estao. Eles estariam l em segundos, e ela
estava se afastando. Ele podia ver ela olhar pra fora tambm.

"Importa?" ele estava cansado de andar na ponta dos
ps perto dela. At onde importava, quando ela entrou no
banco de trs do carro com ele, ela fez a escolha. Mulder
sentou-se, "Eu quero voc pra mim, Scully."

"Ns poderamos ter ido para Belmont... como planejamos antes"
ela aventurou, ainda sem olhar pra ele. "Voc nao precisava
fazer nada especial pra mim, Mulder. Um quarto de hotel
seria o suficiente."

A limusine parou na beirada da plataforma, e o vapor do
trem envolveu o carro. Mulder agarrou a porta, tentando
se firmar contra a maneira como ela fez ele ficar
balanado com aquela declarao. Ser que ela pensava que
ele escolheria qualquer lugar pra estar com ela? Bem, pensando
nos ultimos dias, quando ele aproveitou cada situao para
colocar as maos nela...

"Saia agora" ele murmurou, abrindo a porta. Com certa
dificuldade, ele ficou de p, e ofereceu a mao. Atordoada,
ela ficou onde estava, e ele disse de novo. "Scully, por favor,
saia do carro agora."

E para sua surpresa, ela saiu, pegando a mao dele, mais
para ajuda-lo do que a ela. Balanando um pouco por causa
do vento, ele disse ao motorista para esperar um momento antes
de se afastar com ela. Pegando as maos dela, ele olhou pra
ela com todo amor que sentia. "Scully, voc tem alguma ligao
com algum mrmon?"

"Mrmons?" ela franziu a testa, confusa. "Mulder-"

"S responda a pergunta."

"Tudo bem. Nao tenho nenhuma ligao com nenhum mrmon. 
At onde sei."

"Que bom. Por que uma das paradas daquele trem fica em
Salt Lake City. E do que enendo, Utah deve ser o unico
lugar neste pas de Deus onde nao vamos encontrar um primo
seu. Ou tio, ou irmao. Agora, voc est vindo comigo para
Piedmont ou nao?" as palavras dele eram impacientes, pois
ele queria convence-la a ir com ele. 

"Mas meus pais, e Charlie -"

"Charlie tem uma esposa agora, e seus pais tm um ao outro."
Frustrao fez ele solta-la, e Mulder mancou um pouco pra trs,
para ganhar distancia dela. "Eu quero que voc venha comigo,
Scully" ser que ela nao entendia o que ele estava
oferecendo? O que ele estava implorando?"

"Mulder, Charlie no estava falando srio sobre nossa
fuga!" ela riu. "Eu sei disso!"

"Todos a bordo!"

Mulder olhou por cima do ombro, e ento de volta pra ela,
a dor no corao dele composta pelo subito silencio entre
eles.

* * * * * * * * * *

Oh, Deus.  Ela tinha dito a coisa errada. Dana podia
ver no rosto dele. A multidao ao redor deles,
que estava fascinada pela limusine, correu para o trem.

"Voc acha que eu nao quero me casar com voc?"
a pergunta era incredula. "Scully, eu te disse l na
casa de Melissa que isso era tudo que eu queria."

Ignorando a multidao ao redor deles, ela gritou
"Voc s disse aquilo porque pensou que eu estava
grvida!"

As poucas pessoas que estavam na plataforma ouviram a
declarao, e ela corou, mesmo no frio.

"Nao me importo se voc est gravida ou nao" ele falou,
entredentes. "Nao ligo se o mundo terminar amanh. Nao ligo
se seu irmao aparecer aqui e me der uma surra." fazendo
carea, ele tirou o chapeu, e se mexeu, tentando - o que
ele estava tentando fazer?

Mulder caiu aos ps dela, e Dana ficou preocupada. "Mulder!"
Mas ele colocou uma mao pra cima, e lutou para dobrar o joelho
ruim, que bateu na plataforma, junto com o grunhido de dor
dele. 

"Fique a mesmo" ele ordenou, chapeu apertado contra
o peito. Ele olhou, e de repente, ela percebeu que aposa,
mesmo dolorosa pra ele, era familiar.

"Oh, Deus" ela respirou, apertando dedos trmulos contra
a boca, os olhos cheios de lagrimas.

"Scully, eu posso te levar praquele trem como minha
amiga. Como minha amante. Como a minha outra metade. Mas
eu prefiro te levar como minha futura esposa."
Ele sorriu, com dor, esperana e tanto amor, que deixou
Dana sem ar. "Bem, eu nao tenho um anel aqui, e estou
pensando em deixar a marinha, e mesmo que a maior
parte de sua familia parea gostar de mim, minha familia
nao  das melhores, ento voc estaria se metendo numa
baguna, mas--"

"Sim" ela sussurrou, nao querendo interrompe-lo, mas
nao querendo desperdiar outro momento de
felicidade. "Sim."

Ele parou, arregalando os olhos. "Sim?"

"Sim".

Ele abriu os braos, e ela entrou em seu abrao. Os braos
de Mulder estavam tremendo, e a voz estava instvel. 
Com a cabea embalada no estomago dela, ele murmurou
"Voc nem me deixou perguntar".

Ela beijou o cabelo macio dele. "Ento pergunte. A
resposta vai ser a mesma."

"Certo, aqui vai". Ele respirou fundo, e isso fez
ccegas no cetim sobre o umbigo dela. "Scully?"

"Sim?"

"Voc... pode me ajudar a ficar de p, por favor?"

"Mulder!" ela tentou agir ofendida, mas nao adiantou. A
alegria era maior do que tudo.

"Eu me caso com voc, se voc se quiser comigo."

"Voc vai?" ela beliscou sua orelha.

Mulder colocou as maos sobre os quadris dela. "Eu vou
o que?"

"Se casar comigo?"

Erguendo a cabea, ele sorriu, safado.
"Achei que voc nunca fosse perguntar, Scully."

Ao invs de responder, ela abaixou a cabea, querendo
beija-lo. Mas o apito insistente do trem os interrompeu.
Ela viu que a plataforma estava vazia.

"Ultima chamada!" o condutor gritou de seu poleiro no
primeiro vago.

"Espere!" ela gritou, agarrando Mulder debaixo dos
braos. "Vamos l, Romeu. Ns vamos perder o trem."

"Jesus," ele assobiou, desajeitado e quase pesado
demais para ela erguer.

Mas Dana conseguiu, e com um brao ao redor da cintura dele,
e com ele colocando um brao sobre o ombro dela, eles
foram adiante. "Isso foi uma estupidez, Mulder" ela
brigou com ele,ofegando.

Ele mancou ao seu lado, tentando manter o peso longe dela.
"Eu tive que te mostrar que estava falando srio, nao ?"

"Voc sabe o que isto significa, nao ?" ela
perguntou, aliviada ao ver que o trem estava perto.

"Se voc acha que eu nao vou fazer amor com voc
assim que entrarmos na nossa cabine, voc est
totalmente enganada, Scully."

"Eu gostaria de ve-lo tentar, marinheiro. Voc deu
um show e tanto l atrs - eu nao ficaria surpreso
se tivermos que cortar a perna da sua cala. Seu
joelho deve estar muito inchado."

"Quem precisa de joelhos?"ele riu. Quando chegaram no
vagao, o condutor ofereceu uma mao para ajudar. Mulder aceitou,
mas sussurrou na orelha dela. "Voc parece muito bem
pra mim, Scully. Quer montar um pnei?" ele piscou,
deixando o condutor ajuda-lo.

Scully pensou que nao pudesse corar mais do que antes.
Ela estava enganada.

* * * * * * * * * *

Mulder no estava sentindo nenhuma dor.  Literalmente.  Scully
insistiu para que ele tomasse as pilulas para dor
que estavam na bolsa antes deles irem a qualquer lugar, mas
ele sabia que mesmo estando dopado, eles estariam fazendo
algumas coisas antes que o sono os alcanasse. Ele estava sorrindo
como um bobo, o som do trem debaixo do corpo dele massageando
seu corpo num humor feliz e relaxado.  Tirando a jaqueta
e os sapatos, ele deitou na unica cama da cabine, colocando as
maos atrs da cabea, vendo Scully andando pelo cmodo pequeno.

Brincos foram primeiro, ento o cordo de perolas. Ela
ficou diante do espelho dentro do minusculo banheiro, 
a porta aberta, para que ele pudesse ve-la se preparando para
a cama. 

"Voc nao tem uma escova de cabelo, nao  Mulder?"

"Uh... nao." Quem precisava de escova pra cabelo?

"Uma escova de dente?"

"O que  uma escova de dente?"

Ela rodou os olhos, mas sorriu, tirando os ganchos do
vestido. "Ns vamos estar bem desarrumados at chegarmos em
Piedmont, Mulder."

"Eu nao te disse? Este trem  praticamente direto. Do que eu sei,
vamos parar em Kansas, para abastecer. Vamos chegar em 
Salt Lake City antes do meio-dia de amanh." ele ficou
com a boca frouxa quando o vestido dela caiu ao chao.
"Maldio" o suti dela nao era s de renda. Era um
tomara-que-caia de rente, que deixava pouco 
imaginao. "Eu queria praticar os ganchos, sabia?"

"Eu sei que voc queria" ela murmurou, parecendo estar
desfrutando o controle que tinha sobre ele. "Mas eu queria
praticar tambm, sabia?"

Quando ela tirou os sapatos, a altura dela diminuiu
varias polegadas. Ela era um pacote curvilineo e delicado
de pele rosa, e cabelo ruivo despenteado, que caiam sobre
os olhos azuis. A boca dele pareceu estar cheia de algodao,
especialmente quando ela tirou a calcinha e a meia-cala
bem devagar. 

O suti, que at um momento atrs segurava uma fascinao
tremenda, foi junto com as outras roupas, e logo ela
estava diante dele, o sorriso largo, mas timido. Mulder
sabia que ela estava lutando contra o desejo para
cobrir-se, mas a coragem dela era maior. Endireitando
os ombros, ela foi at ele, orgulhosa, as maos indo
direto para a bainha da camisa dele.

"Como voc conseguiu uma passagem neste trem?"

Os seios dela balanaram diante dele, e Mulder
ergueu-se um pouco, engolindo  visao adorvel que estava
a um toque de sua boca. Antes que ele pudesse sucumbir ao
desejo, ela puxou a camisa pra cima, pegando a cabea dele
num vu de algodao. "Ei!" as maos dela se afastaram, e ele lutou
com a camisa, puxando rapido, despenteando os cabelos. 
"Cuidado, Sc-" ele comeou, parando ao sentir os dedos dela
no ziper da cala.

Ele chupou uma respirao enquanto olhava os dedos
ageis abaixarem o ziper lentamente.

"Pra cima" ela sussurrou, e Mulder nao sabia como
estava fazendo a conexao com seu cerebro, mas ele
se ergueu um pouco. Segundos depois, ela estava com cala
e short pra fora, puxando com cuidado sobre o joelho dele.

Ao suspiro dela, ele seguiu o olhar preocupado, e ficou
espantado ao ver que seu joelho tinha sofrido o resultado
de sua ao semi-tradicional. "Nao" ele falou, pegando a ateno
dela. "Nao doi, Scully."

"Claro que nao" ela estalou, brilhando os olhos pra ele.
"Voc tomou bastante remedio para entorpecer um elefante."

"Nao totalmente" ele murmurou com um sorriso, olhando
mais uma vez pra baixo. Foi a vez dela segui-lo, exceto que,
nesta vez, os olhos dela voltaram pra cima imediatamente,
e ela corou, lambendo os lbios. Mulder quis morder esses
mesmos labios, e se desculpar por brincar com ela. 

Apesar dos movimentos corajosos de Scully, ela ainda era
muito inocente, e era melhor ele se lembrar disso. Pegando
o lenol, ele cobriu os quadris. "Ummm.. desculpe. Eu nao tenho
muito controle sobre isso,Scully."

Em resposta, ela ergueu o lenol e subiu ao lado dele,
puxando o macio linho sobre os dois, enquanto o abraava.
Ele apertou os dentes ao sentir o contato, sentindo a necessidade
dela para irem devagar. 

"Eu sei", ela disse suavemente, colocando o brao sobre o peito dele.
Ela brincou com as plaquinhas dele, os dedos brincando com
a cruz que ele tomou posse. "Mulder?"

Se ela quisesse a cruz de volta, ela nao ia ter. Ele
lhe compraria o maior diamante do estado de Utah, mas
ela nao ia pegar de volta o presente que ele considerava
a coisa mais preciosa que ele j ganhou. Alem do corao dela,
claro. "Yeah?"

"Umm... sobre a Lua da China."

*Isso* o fez gelar. "O que tem isso?" e por que
diabos ela est falando neste assunto agora?

"Haviam muitas mulheres l, certo? Mulheres experientes."

Agora ele entendeu. Raiva para insuficiencia auto-imposta
fez ele puxa-la sobre ele, para poder olhar diretamente
em seus ohos. "Eu nao dormi com nenhuma delas, Scully" ele
rosnou. "Ento tira isso da sua cabea agora mesmo."

Ela sorriu, tremendo a cabea. "Charlie disse que voc
nao fez isso. Eu deveria ter acreditado nele."

"Voc perguntou para Charlie?"

"O assunto veio   tona." ela deu de ombros, e olhou para o
peito dele. "Eu me sinto como se fosse jovem demais, Mulder.
E mesmo assim eu nao sou. Eu deveria ter vivido muitas
coisas at os vinte e sete anos, mas parece que eu estou
tentando me colocar em dia, e estou falhando miseravelmente."

Inclinando o queixo dela pra cima, ele disse, "Voc nunca poderia
falhar a meus olhos, Scully. Alem disso, j faz seis anos desde
que eu... eu..." grande. O embarao dela se tornou o dele.

Ela arregalou os olhos. "O que voc fez? Eu quero dizer...
voc tinha que ter algum..." ela nao falou, aparentemente 
hipnotizada pela orelha dele.

"Minha mo direita ".

"O que?" ela agora estava vermelha, e ele suspeitou que o rubor
cobria mais do que apenas o rosto, vendo o vale entre
os seios dela.

"Quer que eu te mostre?"

A pergunta sincera e sria de Mulder extraiu a resposta
que ele queria, mas ele sabia que este jogo iria causar mais
dor ao joelho dele. "Por favor..." ela deu um pequeno sorriso
"Mostre pra mim como."

Mulder gemeu, fechando os olhos com um breve pesar.

"Mulder?"

O toque de Scully em seu rosto trouxe-o de volta, e ele
moveu ela de lado, com um brao nas costas dela, enquanto
pegava o proprio membro. Na luz fraca, ele sabia
que o que estava fazendo nao era muito claro pra ela,
mas Mulder decidiu deixar o lenol - se ela quisesse tirar,
era com ela.

Ao primeiro toque da propria mao, ele ficou meio tenso,
tentando manter-se controlado. Saber que havia uma mao
mais macia, mais feminina, a apenas polegadas de distancia,
fez ele gemer. Apesar do que ela pensava, ele
nao era um homem experiente.  Ele teve algumas amantes antes
da guerra, e em Hong Kong, ele nao podia se dar ao luxo
de fechar os olhos. Ele aprendeu a confiana da auto-satisfao,
e s quando seu corpo fervia em frustrao.

Agora, ele queria *ela*. O toque dela, sua caricia...
Mas ele estava determinado a dar-lhe qualquer coisa que ela
quisesse, e ela queria isso. Era novidade para ambos - o olhar
fixo e largo dela na mao dele, mostrando que ela nunca viu
algo assim, e que ele nunca fez isso na frente de uma mulher.

A mo dele, escondida pelo lenol, comeou o lento movimento.
Ele manteve o olhar no rosto dela, vendo sua fascinao.
Quando ela lambeu os labios, ele imaginou aquela boca nele,
e ele mesmo mordeu a boca para nao clamar. 

Mulder pensou que nao poderia sentir maior prazer neste
ato, mas estava enganado. S a visao do espanto dela fez ele
aumentar a velocidade, e ele sentiu como se fosse explodir
de satisfao.

"Eu sabia..." ela sussurrou "Eu sabia que um homem tinha meios
de se satisfazer... mas eu nao sabia que era assim..." ela
falou, vendo com olhos fixos o movimento debaixo do lenol.

"Assim...?" ele provocou, se perdendo no orgasmo que se aproximava.

"To erotico..." ela terminou, olhando para o rosto dele.
Ela tocou-lhe na bochecha. "Mulder, voc  lindo. Eu posso?"

"S se voc quiser" ele falou, a voz rouca de tenso. Ele
nao tinha certeza do que ela estava oferecendo, mas ele
nao queria que ela sentisse obrigao de agrada-lo.

"Eu quero."

A mao deslizou do rosto para o trax dele, e abdomen, 
deixando pequenos arrepios de prazer. Quando os dedos
dela tocaram os cabelos da virilha, ele apertou os dedos ao
redor de si. "Assim" ele murmurou, tocando com os labios a
testa dela, enquanto guiava a mao pequena para a carne quente.

A mo dela era muito menor e mais macia que a dele, e
Mulder gemeu contra o cabelo ruivo, abraando-a com fora.
Ela nao precisou de mais instrues depois que ele soltou
a mao dela, e continuou o ritmo seguro e firme. "Deus,
Scully..." ele murmurou, certo de que estava no cu. "Isso
mesmo...  to bom..."

Ela era boa demais nisso, ele pensou. Mesmo que nao quisesse
que ela parasse, ele tinha que faze-la reduzir a velocidade.
A mao dele deslizou do rosto para a barriga dela. Dana hesitou
por um momento, dando um pequeno suspiro, mas nao parou de acaricia-lo.
"Mulder?"

"Voc se lembra disto, no , Scully?" ele desceu os
dedos, e quase uivou ao sentir a umidade entre as coxas dela. Os
quadris se torceram contra a invaso dele, e a mao nas costas
dela segurou-a no lugar. "Shh... deixa eu fazer isso."

Um macio choramingar saiu da garganta de Dana enquanto
ele deslizava um dedo na profundidade quente. Mais uma
vez, a mao dela empurrou ao redor dele, mas os movimentos
reduziram um pouco, para ficarem iguais ao dele. 
O corpo inteiro dela parecia virar gua, enquanto ela derretia
ao redor dele, pernas misturadas com as dele, e as bocas
se tocando.

Ele a beijou como um homem faminto, sondando bem fundo
com a lingua. Ela devolveu o beijo fervoroso, com ela
praticamente montando a coxa dele. Deus, ela era quente,
ele pensou. Quente e to ansiosa que ele pensou que morreira
devido s sensaes que vertiam sobre ele como o mais
doce mel.

"Mulder," ela gemeu contra a boca dele.  "Eu preciso...
eu-"

Ele detestava quebrar o contato para ela dizer o que queria,
seu proprio corpo reagindo com o toque dela. Mais um segundo -
ele pensou consigo. S mais um segunda e eu vou parar tempo o 
bastante para-

Tomando a deciso para ambos, ela  se arrumou sobre ele,
deixando suas pernas cairem sobre os quadris de Mulder. 
Ele s ficou olhando, com felicidade ofuscada, enquanto ela
levava o comando, instinto guiando a mao pequena. Mordendo os
labios, olhos meio fechados, ela se abaixou sobre ele.

Mulder sentiu a respirao sair de seus pulmoes num grito
silencio ao sentir o intenso prazer enquanto sentia as paredes
dela se expandirem  sua entrada. Com a cabea e pescoo duros,
ele se forou a ficar quieto, at que ela estava
completamente ao redor dele, caindo sobre seu peito.

"Est tudo bem" ela murmurou, deslizanod a mao at o rosto
de Mulder. "Eu estou bem."

Ele tentou sorrir, e comeou a acariciar as costas dela. "Voc
aprende muito rpido" ela sorriu de volta, dando beijos
passageiros no rosto dele. Eles ficaram assim por alguns
minutos, se acostumando  sensao de estarem juntos.

Nao demorou, e Mulder nao conseguiu ficar quieto, e pegando-a
pela cintura, ele apertou as pontas dos dedos na pele macia,
chamando sua ateno.

"Scully, voc tem que se mexer."

Dando um ultimo beijo na sobrancelha dele, ela falou.
"Nao mova o joelho, Mulder" apesar da inocencia sexual, ela
percebeu que tinha controle, e usou isso para adverti-lo.

Ele riu, e isso fez com que ele deslizasse mais um pouco
dentro dela, fazendo ambos ronronarem. "Scully, se voc
nao se mexer, eu vou."

Dando um suspiro risonho, ela se endireitou, as maos
contra o peito forte. Ela fez um movimento sutil, justo
onde eles estavam unidos, e ergueu uma sobrancelha,
"Assim?"

Mulder quase desmaiou, como se estivesse voando. O movimento
do trem, combinado com o movimento dela, deixou um sorriso tolo
em seu rosto. "Yeah. Eu te disse que era como montar um 
pnei."

Ela arranhou-o nos ombros. Dana era uma gatinha sobre ele, 
se mexendo em xtase. "Eu nunca tive um pnei como voce,
Mulder." ela comeou a se mover mais rapido. 

"S me chame de Boto-Dourado."

Ela comeou a rir. "Pare com isso. Eu nao posso me
concentrar."

Ele ficou quieto, sabendo que haveria tempo para mais
conversa. Agora, ele queria ao. Ele colocou os ps
na parede no fim da cama, e depois colocou um p
no chao. Quando ele comeou a empurrar pra cima, contra
os golpes dela, ela ofegou, abrindo os olhos de repente.

"Bom, n?" ele sorriu, mas ela nao estava escutando.

Moendo agora contra ele, ela se esforou para
chegar ao final, as costas arqueadas e a cabea solta sobre
os ombros. Ele usou um brao para se apoiar sobre um
cotovelo; os seios dela o atormentavam, balanando bem
na sua frente, e ele nao aguentou - pegou um dentro de sua
boca.

Ela clamou, chamando o nome dele, chamando Deus e murmurando
outras coisas enquanto se movia mais rapido. O cheiro de
sexo e suor encheu a cabea de Mulder, uma mistura potente
que tinha a capacidade de deixa-lo louco. O corpo dela
estava lindo, o cheiro dela, forte, e a voz dela rouca.
Ela era maravilhosa.

Ele estava tonto - se era dos remedios, ou do amor dele por
ela, ele nao sabia. Tudo que Mulder sabia era que ele nao ia
aguentar mais tempo. Entre os sons dela, ele fez outros,
urgindo para que ela encontrasse o que queria.

E ela encontrtou, finalmente, se curvando sobre ele,
apertando-se ao redor dele com vrios puxoes. As bolas
dele reagiram  pressao do orgasmo dela. Mulder sentiu uma
pontada na base da espinha, e chupou uma respirao. Finalmente
ele se soltou, deixando-a ordenha-lo at que ele nao tivesse
mais nada para dar.

Saciados, ele se juntou a ela. Quando ele juntou
foras para se mover, Mulder desligou o abajur, levantando
o lenol sobre eles mais uma vez.

Dana elevou a cabea. Pela luz da lua, que fluia pelas
cortinas, ele acariciou o rosto dela, e beijou-a.

Ele j se sentia casado.

FIM DO CAPITULO DEZENOVE

A FAMILIAR HEART
CAPITULO VINTE/EPILOGO

Scully se enrolou ao redor dele, a cama pequena fazendo
um ninho agradvel e confortvel. Ela se sentia segura
e nao claustrofobica, mesmo que estivesse entalada entre
ele e a parede. Ela acariciou a pele umida do trax
de Mulder, e aconchegou a cabea em seu ombro.

Os eventos do dia, e da ultima semana, passaram por
sua mente, e ela sorriu. Desde o momento em que ela o viu
em Utah, ele mexeu alguma coisa dentro dela, e os sentimentos
que ele despertou eram mais do que bem-vindos.  Ela nunca
mais foi  a mesma daquela noite em diante. Que maneira
de comear um ano novo.

De repente, ela estava dando risada. Mulder, meio adormecido,
moveu a cabea no travesseiro, os labios sobre o cabelo
ruivo. "O que foi?"

"Bill" ela riu. "Acho que ele nem viu o que o atingiu."

Mulder se esticou um pouco debaixo dela, estufando o
peito. "Ele nao  to ruim assim" ela riu ainda mais,
vendo a atitude tipicamente machista de Mulder. "Ele nao "
ele insistiu. "Ele nunca disse nada contra mim, Scully. Nada."

"Oh, ele estava esperando te pegar sozinho. E quando ele
conseguir, cuidado."

"Oh, eu estou to assustado..." Mulder passou os dedos sobre
as costas dela. "Scully?"

"Sim?"

"Voc acha que eu posso te chamar de Dana agora?"

Ela fingiu pensar sobre isso, vendo a luz da lua
iluminar a parede oposta. "Talvez."

"Talvez?"

"Eu meio que gosto de ser chamada de Scully. Especialmente
por voce."

"Ah, mas voc nao vai Scully por muito mais tempo, e
voc sabe disso."

"Mulder, do que eu vi em Piedmont, nao deve ter mais de duzentas
pessoas morando l. E nao vi nenhuma igreja." ela 
se lembrou dos pais, sentindo-se culpada. "Tenho que mandar um
telegrama para os meus, de Salt Lake City, para avisa-los
de onde estou."

"A igreja mais perto fica a vinte milhas, em Asheville."
com a outra mao, ele pegou a mao dela, que estava sobre o
seu peito, e beijou. "Eu nao te disse? Alm de ser um
mecnico muito bom, Jerry opera a  Unio Ocidental l
do escritorio dele. E por acaso ele  um Juiz de Paz."

Ela ergueu a cabea, vendo o olhar confiante e feliz
dele. Por um momento, Dana pensou em discutir sobre a obrigao
de se casar numa igreja, e sobre a obrigao que tinha com
seus pais. Ento ela pensou melhor, sorrindo. "Por mim, tudo bem.
Alm disso, eu te devo dinheiro por colocar alguma coisa na
sua conta." ela suspirou. "Ou talvez nao. Eu nao trouxe minha
bolsa."

"Scully, voc j acertou comigo. Acredite em mim. Nao precisa
pagar mais nada."

Eles ficaram em silencio. Scully estava quase dormindo, mas
acordou de surpresa ao ouvir um enorme barulho. "O que foi
isso?"

Mulder falou, sonolento, suspirando. "Eu acho... que  meia-noite.
Feliz ano novo, Scully."

"Feliz ano novo, Mulder," ela sussurrou de volta, voltando
a dormir. "Eu te daria um beijo, mas... mmm... estou
muito cansada."

"Ento eu te beijo..." mas ele s chegou  sobrancelha dela.
"Mmmm... gostoso... se voc quiser montar o pnei de novo,
 s me acordar, ok?"

"Pode deixar."

Ela sentiu o beijo dele de novo, e depois, um ronco suave.
Feliz ano novo mesmo. Esse seria um timo ano, se o primeiro
minuto fosse alguma indicao do que estava por vir.

Antes de se perder nos sonhos, ela virou a cabea para olhar
seu perfil, endo o homem que, apesar de tudo, foi enviado a ela
por foras nao vistas. Uma estranha toro do destino os uniu, e
ela quis saber se, afinal de contas, haviam anjos olhando por
eles. As chances de que eles chegariam neste ponto eram
minimas, e ela olhou para o luar, sussurando uma orao
de obrigado, antes de deitar perto de seu amor, para
dormir um sono muito precisado.

* * * * * * * * * *

As duas figuras nebulosas observavam o trem passar pelo
campo escuro, a lua lanando luz fraca entre as colinas
e vales cheios de neve.

"Noite bonita" Sam murmurou, colocando as maos no casaco,
apesar de nao ter frio - era s costume. A paisagem fez
ele lembrar de brigas com bolas de neve, e chocolate quente.
O homem vaporoso ao seu lado estava bem vestido como
ele, sua pele preta quase misturada com a noite, a barba quase
invisvel no escuro. "Est na hora de ir, Sam."

Sam abaixou a cabea. "Eu sei, senhor". Ele sempre chamou
seu superior de senhor, pois nao sabia seu nome, e talvez
nunca soubesse. Nao era importante. Sentimentos, emoes
e at mesmo coisas terrestres como nomes deixaram de importar
no mundo em que ele ainda estava se acostumando.

No era um lugar ruim, mas no era casa.  Sam
sentia como se estivesse preso em dois mundo. Este
lugar nao era como sua casa, onde ele podia jogar
beisebol. 

Ele tinha terminado com Dana e Fox, mas nao queria partir.
Seu irmao nao seria seu irmao por mais tempo, nao num plano
fisico. Mas ele ainda sentia um parentesco com Fox, e queria
que ele ficasse contente. E Dana... Deus, ele ainda se
lembrava da dor que sentiu na nica vez em que a segurou em
seus braos, sabendo que nao era para ser.

"Ela nunca foi para voc, Sam" seu companheiro disse. 
"Voc tem que ir em frente."

"Eu tenho," ele respondeu, sorrindo.  De repente, depois de
vigia-la por meses, ele finalmente sentiu a verdade. Mesmo
que tivesse a chance, ele sabia que teria perdido Dana para
Fox. O irmao dele era o melhor homem para ela - a ultima
semana provou isso. "Ela est onde deveria estar."

"Isso mesmo" o homem perto dele parou, olhando sobre tudo.
"Nao vai demorar, e vamos estar sobre a cidade de
Kansas. Vamos ficar l."

Sam olhou pra ele, surpreso. "Cidade de Kansas? Por que?"

"Voc era soldado bom, Sam.  Mas voc era um
jogador de beisebol at melhor.  Voc teve corao, e
h algum que precisa de sua coragem agora.  Um
jogador de beisebol.  Boa criana."

"O que ele joga? Segunda base?" talvez ainda houvesse 
esperana. Ele adorava jogar na segunda base. Ele ainda
podia sentir a emoo de virar o jogo para 4-6-3.
Mesmo que ele nao sentisse mais o cheiro das coisas,
o cheiro da bolsa coou seu nariz.

"Shortstop. Grande jogador, mas ele precisa de um
pouco de persuaso. Ele nao vai ser muito bem
recebido na nova casa."

"Por que nao?"

"Ele joga - jogou para os Kansas Monarcas City,
Sam."

Sam estreitou os olhos. Agora ele entendeu tudo.
"A Liga dos Negros?"

O superior dele ficou de frente pra ele, com um olhar
eriado. "Eu nao deveria perguntar mas - voc tem algum
problema em relao a isso?"

"Nao!" Sam nao era racista, e nunca foi. "Voc se
importa se eu perguntar por que ele precisa da minha
ajuda?"

"Ele acabou de assinar um contrato com o time da Liga Principal"

Sam bufou, tremendo a cabea. "Ele vai precisar de muito mais
do que a minha ajuda. Ele vai precisar de uma armadura."

"Sam..." o Senhor advertiu, a voz mostrando impaciencia.

"Eu sei, eu sei," Sam respondeu com um sorriso.  "Eu vou
para onde o chefe me mandar." Acenando com o queixo, ele mergulhou
 frente. "Ento, qual  a historia desse cara?"

Ele lhe contou, e Sam respondeu.

"Certo. Mas se esse menino nao for to bom assim, nao
me culpe."

"E se ele for um All-Star?"

"Ento voc vai me mandar para os Yankees."

"Feito." o Senhor ofereceu a mo, e Sam aceitou.

Enquanto cruzavam o Rio Mississippi, os dois riram, o
som sumindo como os flocos de neve na noite.


Fim

Traduzido em 08 de agosto de 2003.
	